{"id":146607,"date":"2025-11-10T14:08:12","date_gmt":"2025-11-10T14:08:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146607\/"},"modified":"2025-11-10T14:08:12","modified_gmt":"2025-11-10T14:08:12","slug":"os-caminhos-de-ferros-de-nadia-taquary","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/146607\/","title":{"rendered":"Os &#8220;caminhos de ferros&#8221; de N\u00e1dia Taquary"},"content":{"rendered":"<p>                    <a class=\"resumo_title\"><br \/>\n                        <b>Ler o resumo da mat\u00e9ria<\/b><br \/>\n                    <\/a><\/p>\n<p>A artista baiana N\u00e1dia Taquary apresenta em S\u00e3o Paulo a exposi\u00e7\u00e3o \u1ecc\u0300n\u00e0 Irin \u2014 Caminho de Ferro, em cartaz no Sesc Belenzinho ap\u00f3s passar pelo Museu de Arte do Rio (MAR) e pelo Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador.<\/p>\n<p>A mostra re\u00fane 22 obras de diferentes fases e tem como eixo uma instala\u00e7\u00e3o imersiva: uma sala espelhada onde trilhos de trem se multiplicam infinitamente, evocando os orix\u00e1s Exu e Ogum, senhores dos caminhos e do ferro.<\/p>\n<p>Inspirada por sua viv\u00eancia entre Salvador e Nova York, N\u00e1dia reflete sobre ancestralidade, transformando elementos da cultura afro-brasileira em linguagem visual.<\/p>\n<p>Reconhecida por unir arte contempor\u00e2nea e mitologia iorub\u00e1, N\u00e1dia revisita tamb\u00e9m a tradi\u00e7\u00e3o da joalheria afro-brasileira \u2014 produzida por mulheres negras entre os s\u00e9culos 18 e 19 \u2014 e cria esculturas que celebram as Yab\u00e1s, orix\u00e1s femininas.<\/p>\n<p>Suas obras abordam o feminino ancestral, a f\u00e9 como for\u00e7a criadora e o reconhecimento da di\u00e1spora africana como parte essencial da identidade brasileira.<\/p>\n<p class=\"small-text\">\n                        * Resumo gerado por intelig\u00eancia artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed\n                    <\/p>\n<p>Antes de viajar para Nova York, em 2021, N\u00e1dia Taquary consultou os b\u00fazios com seu pai de santo e o If\u00e1, or\u00e1culo do povo iorub\u00e1. Buscava orienta\u00e7\u00e3o diante do medo de viver em outro pa\u00eds, falar outro idioma e, sobretudo, habitar um lugar onde ainda n\u00e3o existia como artista.<\/p>\n<p>Tanto o jogo quanto o or\u00e1culo revelaram o caminho de Ogum, pedindo para que ela transformasse o medo em for\u00e7a. Na mitologia iorub\u00e1, Ogum \u00e9 o orix\u00e1 da guerra, do ferro, da <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/inovacao\/o-homem-que-reconhece-padroes-e-sua-visao-positiva-sobre-a-inteligencia-artificial\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">tecnologia<\/a> e dos caminhos. Em Nova York, N\u00e1dia notou que a cidade \u00e9 toda atravessada por trilhos de trem.<\/p>\n<p>\u201cLembro dos meus orix\u00e1s e da comunh\u00e3o que um deles me pediu: entender que o medo \u00e9 uma energia, uma for\u00e7a\u201d, conta ela em entrevista ao <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/c\/neofeedbrasil\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>NeoFeed<\/strong><\/a>. \u201cEu precisava transmutar essa energia, que poderia me paralisar, em uma energia que me moveria.\u201d<\/p>\n<p>Inspirada pelos trilhos de ferro e pelos orix\u00e1s Exu (senhor dos caminhos)\u00a0e Ogum (o abridor de caminhos), N\u00e1dia criou uma obra imersiva: uma sala espelhada onde trilhos de trem se multiplicam infinitamente. Dentro dessa instala\u00e7\u00e3o, que \u00e9 ao mesmo tempo obra e expografia, acontece a <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/finde\/os-quadros-de-la-de-uma-brasileira-simples-e-autodidata-ganham-exposicao-nos-eua\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">exposi\u00e7\u00e3o<\/a> \u1ecc\u0300n\u00e0 Irin \u2014 Caminho de Ferro.<\/p>\n<p>A mostra re\u00fane 22 trabalhos de diferentes per\u00edodos. Depois de passar pelo Museu de Arte do Rio (MAR) e pelo Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador, a exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora em cartaz no Sesc Belenzinho, em S\u00e3o Paulo. A artista tamb\u00e9m participa da 36\u00aa Bienal de S\u00e3o Paulo, com a obra \u00ccr\u00f3k\u00f3: A \u00e1rvore c\u00f3smica.<\/p>\n<p>Hoje, aos 58 anos, N\u00e1dia diz que nasceu como artista aos 40. Ao atravessar um per\u00edodo de luto, descreve ter sentido uma \u201cgrande desconex\u00e3o de tudo\u201d. Foi ent\u00e3o que se voltou ao estudo da joalheria afro-brasileira e uma lembran\u00e7a de inf\u00e2ncia emergiu.<\/p>\n<p>Nascida em Salvador, ela recorda o fasc\u00ednio pelos adornos do pai. \u201cEle tinha um colar diferente de tudo o que eu encontrava para comprar\u201d, conta. \u201cTodas as vezes que a gente ia sair, ele colocava o colar em mim e dizia que tinha sido da bisav\u00f3 dele, depois da av\u00f3, depois dele e que, um dia, seria meu.\u201d<\/p>\n<p>Em uma visita ao Museu Carlos Costa Pinto, na capital baiana \u2014 conhecido pelo acervo de joias brasileiras \u2014, ela reconheceu num colar exposto algo muito familiar. \u201cEu entendi o que era aquela joalheria que o meu pai me apresentava\u201d, diz.<\/p>\n<p>As primeiras designers<\/p>\n<p>O colar de fam\u00edlia era parte de uma hist\u00f3ria maior: um exemplar da joalheria afro-brasileira produzida entre os s\u00e9culos 18 e 19, e que, por muito tempo, se chamou de \u201cjoia de crioula\u201d. Essas pe\u00e7as eram feitas e usadas por mulheres negras livres e libertas na Bahia, s\u00edmbolos de poder e afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e1dia se aprofundou na hist\u00f3ria da joalheria afro-brasileira e nas trajet\u00f3rias das mulheres que a criaram. \u201cForam elas as primeiras designers de joias do nosso pa\u00eds\u201d, defende ela.<\/p>\n<p>Durante os estudos, a artista come\u00e7ou a criar suas pr\u00f3prias pe\u00e7as. As primeiras surgiram a partir das figas. As pe\u00e7as chamaram a aten\u00e7\u00e3o de algumas arquitetas, que passaram a encomend\u00e1-las para usar em projetos de interiores.<\/p>\n<p>                            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1Exposicao-Ona-Irin-Fotos-GiuAZ_8400-1.jpg\"\/><\/p>\n<p>\n                                &#8220;\u1ecc\u0300n\u00e0 Irin \u2014 Caminho de Ferro&#8221; \u00e9 ao mesmo tempo obra e expografia (Foto: GiuAZ)\n                            <\/p>\n<p>                            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Exposicao-Ona-Irin-Fotos-GiuAZ_8377.jpg\"\/><\/p>\n<p>\n                                Um dos pilares do trabalho da artista \u00e9 a mitologia iorub\u00e1 (Foto: GiuAZ)\n                            <\/p>\n<p>                            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Exposicao-Ona-Irin-Fotos-GiuAZ_8399.jpg\"\/><\/p>\n<p>\n                                A exposi\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo j\u00e1 passou pelo Museu de Arte do Rio (MAR) e pelo Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), em Salvador (Foto: GiuAZ)\n                            <\/p>\n<p>                            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Exposicao-Ona-Irin-Fotos-GiuAZ_8371.jpg\"\/><\/p>\n<p>\n                                N\u00e1dia agigantou os balangand\u00e3s, joias feitas e usadas por mulheres negras livres e libertas na Bahia, entre os s\u00e9culos 18 e 19 (Foto: GiuAZ)\n                            <\/p>\n<p>                            <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Exposicao-Ona-Irin-Fotos-GiuAZ_8390.jpg\"\/><\/p>\n<p>\n                                A mostra traz figuras m\u00edticas como a &#8220;Mulher Peixe&#8221; (Foto: GiuAZ)\n                            <\/p>\n<p>Logo, N\u00e1dia decidiu ampliar a escala. Inspirada nos patu\u00e1s, desenhou pingentes em tamanho agigantado, ligados por seis cord\u00f5es de um metro de Lagdib\u00e1 \u2014 fios de contas ebanizadas, adornos do orix\u00e1 Omolu. A obra recebeu o nome de Abre Caminhos (2013).<\/p>\n<p>O trabalho chamou a aten\u00e7\u00e3o da arquiteta Ana Paula Magalh\u00e3es, que o incorporou em um projeto da Casa Cor Salvador. N\u00e1dia o considera o ponto de partida de sua vida como artista. E, fiel ao t\u00edtulo, a obra de fato lhe abriu os caminhos \u2014 tanto no mundo das artes quanto no reconhecimento de sua pr\u00f3pria linguagem.<\/p>\n<p>Em 2013, N\u00e1dia Taquary apresentou a individual Balangand\u00e3: uma po\u00e9tica da esperan\u00e7a, no Museu de Arte da Bahia, em Salvador. Dois anos depois, a mostra viajou para Paris, ocupando a Galerie Agn\u00e8s Monplaisir.<\/p>\n<p>Em 2018, participou de Hist\u00f3rias Afro-Atl\u00e2nticas, no <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/finde\/novo-predio-celebra-a-decada-de-transformacao-do-masp\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">MASP<\/a> e no Instituto Tomie Ohtake \u2014 exposi\u00e7\u00e3o eleita pelo jornal The New York Times como a melhor daquele ano no mundo. Suas obras integram acervos de institui\u00e7\u00f5es como a Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo e o P\u00e9rez Art Museum Miami (PAMM), nos <a href=\"https:\/\/neofeed.com.br\/economia\/um-economista-republicano-e-outro-democrata-concordam-inflacao-nao-vai-a-2-nos-eua\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Estados Unidos<\/a>.<\/p>\n<p>Figuras m\u00edticas<\/p>\n<p>Outro pilar de seu trabalho \u00e9 a mitologia iorub\u00e1. Embora j\u00e1 tivesse uma viv\u00eancia de terreiro, N\u00e1dia buscou cursos que lhe permitissem se aprofundar nos mitos e no papel da mulher nas sociedades africanas pr\u00e9-coloniais. A artista mergulhou no universo das Yab\u00e1s (orix\u00e1s femininas), das Geled\u00e9s (sociedades de mulheres) e das Iy\u00e0m\u00eds (as m\u00e3es ancestrais).<\/p>\n<p>Come\u00e7ou ent\u00e3o a dar rostos a essas figuras m\u00edticas. Sem ter feito uma aula de escultura, descobriu na modelagem do barro um gesto natural. \u201cA modelagem saiu intuitivamente, como se eu j\u00e1 soubesse fazer aquele rosto, aquela boca\u201d, conta.<\/p>\n<p>N\u00e1dia aprendeu que as entidades que ganham forma em suas m\u00e3os t\u00eam \u201cvontades\u201d tamb\u00e9m. \u201cEstou sempre diante de algo que eu imagino. Mas at\u00e9 nascer eu ainda tenho d\u00favidas de quem ser\u00e1 exatamente\u201d, diz.<\/p>\n<p>Depois de esculpir as Yab\u00e1s Iemanj\u00e1 e Oxum, a artista sentia-se confiante. \u201cEssa terceira vai ser maravilhosa\u201d, pensou. Mas nada do que modelava para o penteado ficava bom. Raspou o barro e tentou uma \u00faltima vez. Ficou perfeito.<\/p>\n<p>Deixou o molde na fundi\u00e7\u00e3o e, algum tempo depois, recebeu um telefonema: uma explos\u00e3o na oficina derreteu o cabelo da escultura. &#8220;N\u00e3o teria como colocar ali um cabelo\u201d, explica a artista, que decorou a pe\u00e7a com pintas brancas, peninha Ekodid\u00e9 e palha.<\/p>\n<p>A mostra inclui tamb\u00e9m outras obras que homenageiam o feminino ancestral. Entre elas, destacam-se Orikis \u2014 esculturas em madeira com rostos em bronze, que remetem tanto \u00e0s Geled\u00e9s quanto \u00e0 dificuldade de muitos brasileiros em reconhecer-se como parte da di\u00e1spora africana nas Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda as figuras m\u00edticas da Mulher P\u00e1ssaro, da Mulher Peixe e outras que habitam o imagin\u00e1rio da artista. Nos gestos de N\u00e1dia, a mitologia iorub\u00e1 se afirma como pensamento e a f\u00e9 se revela como linguagem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ler o resumo da mat\u00e9ria A artista baiana N\u00e1dia Taquary apresenta em S\u00e3o Paulo a exposi\u00e7\u00e3o \u1ecc\u0300n\u00e0 Irin&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":146608,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32068,32,33,32069],"class_list":{"0":"post-146607","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-nu00e1dia-taquary","18":"tag-portugal","19":"tag-pt","20":"tag-u1eccu0300nu00e0-irin-u2014-caminho-de-ferro"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115525799650055102","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146607"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146607\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}