{"id":14781,"date":"2025-08-03T22:06:11","date_gmt":"2025-08-03T22:06:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/14781\/"},"modified":"2025-08-03T22:06:11","modified_gmt":"2025-08-03T22:06:11","slug":"nao-e-uma-obra-normal-trump-quer-deixar-um-salao-de-baile-na-casa-branca-os-historiadores-abanam-a-cabeca-mas-nao-dessa-forma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/14781\/","title":{"rendered":"\u201cN\u00e3o \u00e9 uma obra normal\u201d. Trump quer deixar um sal\u00e3o de baile na Casa Branca, os historiadores abanam a cabe\u00e7a (mas n\u00e3o dessa forma)\u00a0"},"content":{"rendered":"<p>\t                \u00c9 a \u00faltima extravag\u00e2ncia do Presidente americano. E quer deix\u00e1-la conclu\u00edda antes de sair em 2029. Mas ainda nem a empreitada come\u00e7ou e j\u00e1 faz estremecer quem tenta preservar a hist\u00f3ria de pedra e cal dos EUA<\/p>\n<p>A promessa \u00e9 grandiosa \u2014 um sal\u00e3o de baile com 90 mil p\u00e9s quadrados, anexo \u00e0 Ala Leste da Casa Branca, terminado \u201cmuito antes\u201d do fim do segundo mandato, em 2029. O custo estimado ronda os 200 milh\u00f5es de d\u00f3lares.\u00a0<\/p>\n<p>Donald Trump j\u00e1 venceu batalhas no Supremo, j\u00e1 assinou megaprojetos dom\u00e9sticos e j\u00e1 obteve ced\u00eancias de grandes parceiros comerciais. Agora quer deixar marca em pedra. Literalmente. Mas os especialistas em patrim\u00f3nio hist\u00f3rico n\u00e3o est\u00e3o a aplaudir.<\/p>\n<p>A escala da ambi\u00e7\u00e3o impressiona. O projeto seria uma das maiores altera\u00e7\u00f5es estruturais na resid\u00eancia presidencial em d\u00e9cadas. S\u00f3 que a pressa anunciada causa desconforto entre quem estuda, preserva e defende a mem\u00f3ria arquitet\u00f3nica dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cPode prejudicar o edif\u00edcio enquanto patrim\u00f3nio\u201d, alerta Richard Longstreth, antigo professor de Estudos Americanos na Universidade George Washington. \u201cN\u00e3o h\u00e1, infelizmente, um verdadeiro sistema de pesos e contrapesos neste processo.\u201d O aviso ecoa entre v\u00e1rios especialistas <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2025\/08\/03\/us\/politics\/trump-white-house-ballroom-renovations-concerns.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ouvidos pelo New York Times<\/a>.\u00a0<\/p>\n<p>Apesar de existirem leis rigorosas sobre patrim\u00f3nio hist\u00f3rico, a Casa Branca, tal como o Capit\u00f3lio e o edif\u00edcio do Supremo Tribunal, est\u00e1 isenta do regime da Lei Nacional de Preserva\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica de 1966. Essa legisla\u00e7\u00e3o obriga ag\u00eancias federais a avaliar o impacto de obras em edif\u00edcios hist\u00f3ricos e a submeterem-se a an\u00e1lises formais. Mas n\u00e3o se aplica aqui, em Washington, D.C., no n\u00famero 1600 da Pennsylvania Avenue.\u00a0<\/p>\n<p>Em vez disso, o que existe \u00e9 um comit\u00e9 consultivo \u2014 o Comit\u00e9 para a Preserva\u00e7\u00e3o da Casa Branca \u2014 presidido pelo diretor do Servi\u00e7o Nacional de Parques e composto por representantes de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es federais, como o Instituto Smithsonian, a Comiss\u00e3o de Belas Artes e a Galeria Nacional de Arte, al\u00e9m de alguns nomeados diretamente pelo presidente. Mas as recomenda\u00e7\u00f5es desse comit\u00e9 n\u00e3o s\u00e3o vinculativas. Ou seja: Trump pode, tecnicamente, fazer o que bem entender.\u00a0<\/p>\n<p>E \u00e9 isso que preocupa quem conhece por dentro os labirintos t\u00e9cnicos e \u00e9ticos da preserva\u00e7\u00e3o arquitet\u00f3nica. Michael Spencer, professor da Universidade Mary Washington, n\u00e3o esconde o cepticismo: \u201cAs minhas expectativas quanto \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o s\u00e3o bastante baixas\u201d, reconhece. \u201cNormalmente, somos vistos como entraves ao progresso. E neste caso, h\u00e1 personalidades muito fortes envolvidas, sem qualquer obriga\u00e7\u00e3o real de seguir as boas pr\u00e1ticas da \u00e1rea.\u201d<\/p>\n<p>Jonathan Jarvis, que liderou o Servi\u00e7o Nacional de Parques entre 2009 e 2017, diz que qualquer adi\u00e7\u00e3o \u00e0 Casa Branca deve respeitar o tra\u00e7o arquitet\u00f3nico, o estilo e a cor do edif\u00edcio original. E duvida seriamente dos prazos avan\u00e7ados pela administra\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 muito otimista pensar que um projeto desta magnitude se conclui at\u00e9 2029. Nunca vi nada deste g\u00e9nero ser feito t\u00e3o depressa. Jarvis lembra que este tipo de constru\u00e7\u00e3o \u201cn\u00e3o \u00e9 uma obra normal\u201d: a Casa Branca tem de resistir a ataques terroristas e cada etapa deve ser escrutinada do ponto de vista da seguran\u00e7a e da integridade estrutural.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"337\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754258771_889_600.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   Foto:\u00a0Samuel Corum\/Sipa\/AP <\/p>\n<p>A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, veio dizer em comunicado que a administra\u00e7\u00e3o est\u00e1 \u201cplenamente empenhada em colaborar com as entidades apropriadas para preservar a hist\u00f3ria singular da Casa Branca\u201d. Mas a falta de clareza sobre os nomes no comit\u00e9 \u2014 cujos membros nomeados por Joe Biden em 2023 viram os seus mandatos caducar com a posse de Trump \u2014 levanta d\u00favidas sobre a efic\u00e1cia real desse compromisso. Trump ainda n\u00e3o nomeou formalmente um novo diretor nem substitutos para os lugares vagos no comit\u00e9.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 equipa respons\u00e1vel pelo projeto, o Presidente escolheu a McCrery Architects como arquiteto principal. James McCrery, o fundador, foi nomeado por Trump em 2019 para a Comiss\u00e3o de Belas Artes e considera o sal\u00e3o uma \u201cnecessidade funcional\u201d da resid\u00eancia presidencial. Diz querer manter \u201ca eleg\u00e2ncia do design cl\u00e1ssico e a import\u00e2ncia hist\u00f3rica\u201d do edif\u00edcio. Mas a forma como o pretende fazer, e com que meios, continua pouco clara.<\/p>\n<p><b>Quem paga toda esta megalomania?\u00a0<\/b> <\/p>\n<p>E, sobretudo, n\u00e3o se sabe quem est\u00e1 a pagar a festa. A Casa Branca diz que Trump e \u201coutros doadores patri\u00f3ticos\u201d financiar\u00e3o o projeto, mas recusa divulgar pormenores. Questionado sobre a possibilidade de barrar donativos estrangeiros, Trump respondeu que \u201cainda n\u00e3o pensou nisso\u201d e que existem \u201cregras muito fortes\u201d que ser\u00e3o respeitadas. N\u00e3o deu garantias concretas.<\/p>\n<p>Para Kathleen Clark, professora de Direito e especialista em \u00e9tica governamental, a opacidade \u00e9 \u201ccompletamente escandalosa\u201d. \u201cPergunto-me se os doadores est\u00e3o \u00e0 procura de formas de cair nas boas gra\u00e7as de Trump\u201d, insinua. \u201cEle sente-se fortalecido. Sente que pode fazer tudo.\u201d<\/p>\n<p>Stewart D. McLaurin, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica da Casa Branca, procura p\u00f4r alguma \u00e1gua na fervura. Diz que a resid\u00eancia oficial tem passado por v\u00e1rias altera\u00e7\u00f5es desde que a primeira pedra foi colocada, em 1792 \u2014 e muitas &#8220;enfrentaram resist\u00eancia&#8221;. \u201cHoje, n\u00e3o conseguimos imaginar a Casa Branca sem a varanda Truman, as alas Este e Oeste ou os p\u00f3rticos Norte e Sul\u201d, aponta. \u201cTamb\u00e9m foram pol\u00e9micas, na altura.\u201d<\/p>\n<p>O problema, segundo os cr\u00edticos, n\u00e3o \u00e9 a ideia de mudar. \u00c9 a forma como se muda. Num edif\u00edcio com o peso simb\u00f3lico da Casa Branca, cada tijolo conta. Ainda que, no final, o sal\u00e3o de baile se construa \u2014 ou n\u00e3o \u2014, o debate que deixa pelo caminho diz muito sobre o momento pol\u00edtico americano. E sobre quem se senta \u00e0 mesa de desenho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u00c9 a \u00faltima extravag\u00e2ncia do Presidente americano. E quer deix\u00e1-la conclu\u00edda antes de sair em 2029. 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