{"id":149287,"date":"2025-11-12T13:33:08","date_gmt":"2025-11-12T13:33:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/149287\/"},"modified":"2025-11-12T13:33:08","modified_gmt":"2025-11-12T13:33:08","slug":"consumo-excessivo-de-alcool-associado-a-hemorragias-cerebrais-mais-mortais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/149287\/","title":{"rendered":"Consumo excessivo de \u00e1lcool associado a hemorragias cerebrais mais mortais"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\">Assine a revista National Geographic agora por apenas <b>1\u20ac por m\u00eas<\/b>.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito que se sabe que o consumo excessivo de \u00e1lcool <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S074937972400165X\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aumenta a press\u00e3o arterial<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S2949752325000032#abs0010\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">danifica o f\u00edgado<\/a>. Mas novas investiga\u00e7\u00f5es sugerem que ele tamb\u00e9m pode causar danos devastadores ao c\u00e9rebro, provocando <strong>acidentes vasculares cerebrais hemorr\u00e1gicos com risco de vida<\/strong>.<\/p>\n<p>Um estudo publicado a 5 de Novembro na <a href=\"https:\/\/www.neurology.org\/doi\/10.1212\/WNL.0000000000214348\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">revista Neurology<\/a>\u00a0demonstrou que <strong>pessoas que consumiam tr\u00eas ou mais bebidas alco\u00f3licas por dia<\/strong> apresentavam hemorragias cerebrais em m\u00e9dia onze anos mais cedo do que pessoas que bebiam pouco ou n\u00e3o bebiam \u2013 e enfrentavam resultados piores, como <strong>hemorragias maiores, danos cerebrais mais graves e maior mortalidade<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cO consumo excessivo de \u00e1lcool pode n\u00e3o s\u00f3 aumentar o risco de ter uma hemorragia cerebral numa idade mais jovem, mas tamb\u00e9m pode agravar os danos subjacentes quando ela ocorre\u201d, diz <a href=\"https:\/\/www.massgeneral.org\/doctors\/18485\/edip-gurol\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Edip Gurol<\/a>, principal autor do estudo e director da Cl\u00ednica de Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes Vasculares Cerebrais com Risco de Hemorragia\u00a0no Massachusetts General Hospital.<\/p>\n<p><strong>A investiga\u00e7\u00e3o foi observacional \u2013 o que significa que n\u00e3o prova causalidade\u00a0<\/strong>\u2013 e baseou-se no consumo de \u00e1lcool auto-relatado, o que torna poss\u00edvel subestimar os n\u00edveis reais de consumo. Mesmo assim, as suas conclus\u00f5es est\u00e3o a ajudar os investigadores a preencher lacunas anteriormente inexistentes. \u201cEste \u00e9 um estudo muito valioso que contribui para o que sabemos sobre como o \u00e1lcool afecta o c\u00e9rebro\u201d, afirma <a href=\"https:\/\/www.drfayebegeti.com\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Faye Begeti<\/a>, neurologista em exerc\u00edcio nos Hospitais Universit\u00e1rios de Oxford, na Inglaterra, que n\u00e3o participou na investiga\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Como o \u00e1lcool danifica o c\u00e9rebro<\/p>\n<p>Os acidentes vasculares cerebrais hemorr\u00e1gicos \u2013 tamb\u00e9m conhecidos como <strong>hemorragias intracerebrais <\/strong>(HIC) \u2013 ocorrem quando um vaso sangu\u00edneo enfraquecido se rompe e sangra no tecido cerebral circundante. Representam<a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/books\/NBK559173\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">apenas 10 a 20% de todos os acidentes vasculares cerebrais anuais<\/a>, mas s\u00e3o muito <strong>mais mortais e prejudiciais do que o <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/books\/NBK499997\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">tipo isqu\u00e9mico<\/a><\/strong>, mais comum.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAproximadamente 30 a 40% das pessoas que sofrem hemorragias intracerebrais morrem, e muitos sobreviventes vivem com incapacidades permanentes\u201d, diz <a href=\"https:\/\/medicine.yale.edu\/profile\/kevin-sheth\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Kevin Sheth<\/a>, director do Centro de Sa\u00fade do C\u00e9rebro e da Mente de Yale e presidente do Grupo de Acidentes Vasculares Cerebrais Hemorr\u00e1gicos da Associa\u00e7\u00e3o Americana do Cora\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o participou no estudo.<\/p>\n<p>O consumo excessivo de \u00e1lcool aumenta o risco de HIC atrav\u00e9s de v\u00e1rios mecanismos que se sobrep\u00f5em. Um deles \u00e9 que <strong>\u201co \u00e1lcool acelera a atrofia cerebral<\/strong>, o que significa que <strong>o c\u00e9rebro encolhe ligeiramente enquanto o cr\u00e2nio permanece do mesmo tamanho<\/strong>, esticando veias delicadas e tornando-as mais propensas a romper, mesmo com pequenos traumas\u201d, explica Begeti.<\/p>\n<p><strong>O \u00e1lcool tamb\u00e9m desestabiliza a press\u00e3o arterial<\/strong>, <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/8814972\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">prejudica a fun\u00e7\u00e3o plaquet\u00e1ria<\/a> (as c\u00e9lulas sangu\u00edneas que ajudam a formar co\u00e1gulos) e danifica o f\u00edgado, o que <strong>perturba a coagula\u00e7\u00e3o normal<\/strong>. Com o tempo, tamb\u00e9m pode lesar directamente pequenos vasos cerebrais \u2013 levando a fugas microsc\u00f3picas ou \u201cmicro-hemorragias\u201d que enfraquecem as paredes dos vasos. \u201cO efeito l\u00edquido \u00e9 uma maior tend\u00eancia para sangrar \u2013 e para sangrar mais gravemente uma vez que a hemorragia come\u00e7a\u201d, diz Sheth.<\/p>\n<p>Por dentro da nova INVESTIGA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>O recente estudo de que lhe falamos analisou mais de 1.600 pacientes internados no Massachusetts General Hospital entre 2003 e 2019 por <strong>hemorragias cerebrais espont\u00e2neas e n\u00e3o traum\u00e1ticas<\/strong>. Cerca de 7% foram classificados como \u201cbebedores da pesada\u201d\u2013 aqueles que consomem regularmente<strong> tr\u00eas ou mais bebidas alco\u00f3licas por dia<\/strong>.<\/p>\n<p>Esse tipo de consumidor apresentou <strong>hemorragias cerca de 11 anos mais cedo do que os seus colegas que bebiam menos<\/strong> \u2013 em m\u00e9dia, aos 60 anos contra 71. Os investigadores acreditam que este cronograma acelerado est\u00e1 relacionado com os efeitos do \u00e1lcool no envelhecimento vascular e na fragilidade dos vasos sangu\u00edneos.<\/p>\n<p>Por exemplo, em compara\u00e7\u00e3o com os que bebem pouco ou n\u00e3o bebem, esses pacientes apresentavam <strong>uma\u00a0press\u00e3o arterial mais alta e a contagem de plaquetas mais baixa<\/strong>. \u201c\u00c9 importante ressaltar que as imagens cerebrais tamb\u00e9m mostraram mais danos e doen\u00e7as nos pequenos vasos\u201d, acrescenta Begeti.<\/p>\n<p>As imagens revelaram ainda que os bebedores inveterados apresentavam <strong>hemorragias maiores e extens\u00e3o intraventricular mais frequente<\/strong> \u2013 sangramento que se espalha para os espa\u00e7os cheios de l\u00edquido do c\u00e9rebro, o que \u00e9 um marcador associado a <strong>maior mortalidade<\/strong>. \u201cEm conjunto, estas descobertas destacam que o consumo excessivo de \u00e1lcool parece acelerar o envelhecimento vascular no c\u00e9rebro\u201d, diz Begeti.<\/p>\n<p>Embora <a href=\"http:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC5440244\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudos anteriores<\/a>\u00a0tenham sugerido a conex\u00e3o entre o consumo excessivo de \u00e1lcool e o envelhecimento vascular no c\u00e9rebro, Gurol observa que a maioria deles carecia de imagens detalhadas para revelar os mecanismos biol\u00f3gicos por tr\u00e1s desse padr\u00e3o. \u201cEste \u00e9 <strong>o maior estudo a incluir tomografias computadorizadas do c\u00e9rebro em todos os pacientes <\/strong>e resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas em cerca de 75%\u201d, diz Gurol. Este avan\u00e7o t\u00e9cnico permitiu \u00e0 equipa identificar altera\u00e7\u00f5es estruturais no c\u00e9rebro e compreender melhor as formas como o \u00e1lcool contribui para o risco de hemorragia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.providence.org\/doctors\/neurology\/ca\/santa-monica\/clifford-segil-1457556581\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Clifford Segil<\/a>, neurologista do Providence Saint John\u2019s Health Center em Santa Monica, que n\u00e3o participou na investiga\u00e7\u00e3o, afirma que as descobertas deixam claro que os grandes consumidores de \u00e1lcool que sofrem hemorragias \u201cter\u00e3o hemorragias maiores e o seu potencial de recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 reduzido devido aos efeitos do \u00e1lcool na press\u00e3o arterial e nos n\u00edveis de plaquetas\u201d.<\/p>\n<p>Estas descobertas, acrescenta Sheth, \u201cs\u00e3o oportunas e clinicamente relevantes\u201d.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como todas as investiga\u00e7\u00f5es observacionais, <strong>o estudo n\u00e3o pode provar causa e efeito<\/strong>. \u201cEnsaios controlados aleat\u00f3rios \u2013 o padr\u00e3o ideal para provar causalidade \u2013 n\u00e3o s\u00e3o vi\u00e1veis quando se estuda o consumo excessivo de \u00e1lcool, porque obviamente <strong>n\u00e3o podemos designar pessoas para beberem em excesso para ver como isso causa danos<\/strong>\u201d, explica Gurol.<\/p>\n<p>A equipa tamb\u00e9m se baseou no <strong>consumo de \u00e1lcool auto-relatado, o que pode n\u00e3o ser confi\u00e1vel<\/strong>. \u201c\u00c9 poss\u00edvel que alguns bebedores excessivos \u2013 ou as suas fam\u00edlias \u2013 tenham subestimado o consumo de \u00e1lcool, o que significa que alguns podem ter sido classificados erroneamente como bebedores n\u00e3o excessivos\u201d, diz Gurol. \u201cEsse tipo de sub-notifica\u00e7\u00e3o provavelmente diluiria o impacto real. Logo, o efeito real pode ser ainda mais forte do que o que observamos.\u201d<\/p>\n<p>Para fortalecer trabalhos futuros, Gurol sugere que investiga\u00e7\u00f5es adicionais \u201cdevem envolver grupos maiores de pacientes, combinados com imagens cerebrais de alta qualidade, como fizemos, mas com <strong>dados mais precisos e colectados prospectivamente sobre h\u00e1bitos de consumo de \u00e1lcool<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, a conclus\u00e3o \u00e9 clara. \u201cEste estudo soma-se \u00e0s evid\u00eancias crescentes de que <strong>o consumo de \u00e1lcool n\u00e3o oferece benef\u00edcios m\u00e9dicos<\/strong> e ressalta o qu\u00e3o preocupante pode ser o consumo cr\u00f3nico de \u00e1lcool\u201d, diz Segil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das hemorragias cerebrais, \u201c<strong>o consumo excessivo de \u00e1lcool prejudica quase todos os \u00f3rg\u00e3os do corpo<\/strong>\u201d, observa Gurol, aumentando o <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC3433627\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">risco de acidentes<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.ahajournals.org\/doi\/10.1161\/hypertensionaha.123.21224\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">hipertens\u00e3o arterial<\/a>, <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC9561500\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">fibrila\u00e7\u00e3o atrial<\/a>, <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/38089863\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">doen\u00e7as hep\u00e1ticas<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.acc.org\/about-acc\/press-releases\/2024\/03\/28\/11\/58\/alcohol-raises-heart-disease-risk-particularly-among-women\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">doen\u00e7as card\u00edacas<\/a>, <a href=\"https:\/\/ysph.yale.edu\/news-article\/the-link-between-alcohol-and-cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">v\u00e1rios tipos de cancro<\/a> e <a href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC3929201\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">decl\u00ednio cognitivo<\/a>.<\/p>\n<p>Por outro lado, <strong>reduzir o consumo traz benef\u00edcios mensur\u00e1veis<\/strong>, como a diminui\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial (muitas vezes <a href=\"https:\/\/www.ahajournals.org\/doi\/10.1161\/01.hyp.33.2.653\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">em poucas semanas<\/a>), a melhoria da sa\u00fade do f\u00edgado e do cora\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o do risco de acidente vascular cerebral e danos cerebrais microvasculares ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Este conhecimento \u00e9 especialmente importante porque as op\u00e7\u00f5es de tratamento para alguns tipos de acidente vascular cerebral continuam limitadas. \u201cAinda n\u00e3o temos tratamentos agudos comprovados que possam melhorar os resultados ap\u00f3s a ocorr\u00eancia de um acidente vascular cerebral hemorr\u00e1gico\u201d, enfatiza Gurol. \u201cIsto torna a preven\u00e7\u00e3o absolutamente cr\u00edtica.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assine a revista National Geographic agora por apenas 1\u20ac por m\u00eas. 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