{"id":149730,"date":"2025-11-12T19:44:16","date_gmt":"2025-11-12T19:44:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/149730\/"},"modified":"2025-11-12T19:44:16","modified_gmt":"2025-11-12T19:44:16","slug":"wero-quer-acabar-com-dominio-da-visa-e-mastercard-na-europa-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/149730\/","title":{"rendered":"Wero quer acabar com dom\u00ednio da Visa e Mastercard na Europa \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Mas h\u00e1 um terceiro elemento que, reconhece o respons\u00e1vel, pode contribuir para que o Wero tenha mais sucesso do que o <strong>fracassado projeto Monnet<\/strong> (abandonado em 2012). Agora, ao contr\u00e1rio do que acontecia no in\u00edcio da d\u00e9cada passada, \u201cos respons\u00e1veis pol\u00edticos est\u00e3o mais preocupados com a soberania europeia\u201d e com a necessidade de n\u00e3o depender quase totalmente de Donald Trump e do seu lema \u201cAmerica First\u201d (A Am\u00e9rica em Primeiro).<\/p>\n<p>A reelei\u00e7\u00e3o de Trump, os conflitos comerciais em torno das tarifas e as diverg\u00eancias na \u00e1rea da defesa criam uma maior urg\u00eancia para criar um sistema europeu, diz o respons\u00e1vel. \u201cSentimos da parte dos nossos acionistas, dos bancos, uma vontade clara de ter um sistema de pagamentos europeu \u2014 n\u00e3o apenas devido a press\u00f5es geopol\u00edticas vindas do Oriente, mas tamb\u00e9m, em certa medida, agora do Ocidente\u201d, afirma Daniel van Delft, acrescentando que \u201co facto de <strong>o mundo j\u00e1 n\u00e3o ser t\u00e3o aberto como gostar\u00edamos<\/strong> obriga-nos a garantir que existe um sistema de pagamentos europeu\u201d.<\/p>\n<p>Em contraste com o projeto Monnet, que assentava no modelo de transa\u00e7\u00f5es entre cart\u00f5es banc\u00e1rios, o Wero funciona atrav\u00e9s de transfer\u00eancias (e pagamentos)<strong> \u201cconta a conta\u201d<\/strong>, ou seja, o <strong>Wero n\u00e3o emite quaisquer cart\u00f5es banc\u00e1rios<\/strong>, usa a infraestrutura de contas que \u00e9 uniformizada em toda a Europa, atrav\u00e9s das regras da SEPA \u2013 outra evolu\u00e7\u00e3o que, para Van Delft, ir\u00e1 contribuir para a ado\u00e7\u00e3o deste esquema por parte dos europeus.<\/p>\n<p>\u201cTodos os cidad\u00e3os europeus devem ter a possibilidade e o direito de efetuar um pagamento sem depender de uma infraestrutura proveniente dos EUA \u2014 leia-se, os esquemas internacionais, baseados em cart\u00f5es \u2014, ainda que estes possam coexistir com os nossos sistemas dom\u00e9sticos\u201d, conclui o COO do Wero.<\/p>\n<p><strong>Ainda n\u00e3o foram estabelecidas \u201cpontes\u201d com os bancos portugueses<\/strong>, confirma Daniel van Delft, embora estes estejam \u201cenvolvidos nestas discuss\u00f5es, indiretamente, atrav\u00e9s da SIBS\u201d, da qual s\u00e3o acionistas. Mas um dos principais bancos portugueses, o Novo Banco (que tamb\u00e9m \u00e9 acionista da gestora do Multibanco e do MBWay), est\u00e1 prestes a concretizar a passagem para o controlo dos franceses do BPCE \u2013 e esses s\u00e3o um dos 14 grandes grupos banc\u00e1rios europeus que est\u00e3o a lan\u00e7ar o Wero.<\/p>\n<p>Assumindo que, nesta fase, o Wero est\u00e1 a competir com a parceria de que faz parte a SIBS (a EuroPA), cria-se, aqui, um cen\u00e1rio constrangedor? Ou, mesmo, um conflito de interesses? \u201c<strong>Pelo contr\u00e1rio, pode ser uma grande oportunidade<\/strong>\u201c, defende o COO do Wero.<\/p>\n<p>\u201cPenso que pode ser uma oportunidade porque acredito que o BPCE ir\u00e1 influenciar a SIBS no sentido de entrar em negocia\u00e7\u00f5es connosco \u2013 porque, como dizia, se os nossos acionistas se unirem isso s\u00f3 ir\u00e1 trazer vantagens para todos\u201d, afirma Daniel van Delft.<\/p>\n<p>Noutros pa\u00edses, como na Alemanha e em Fran\u00e7a, as plataformas nacionais \u201ctiveram a coragem de dar o passo de submeter o seu esquema ao Wero\u201d, diz Daniel van Delft.\u00a0Mas estaria a SIBS, h\u00e1 poucos anos multada pela Autoridade da Concorr\u00eancia por abuso de posi\u00e7\u00e3o dominante no mercado portugu\u00eas, dispon\u00edvel para aceitar diluir a posi\u00e7\u00e3o que conquistou com o MBWay? Dando a entender que a SIBS poderia abdicar do MBWay e, mesmo assim, sobreviver gra\u00e7as a outras fontes de receita, o COO do Wero responde com uma pergunta: \u201c<strong>Mas a SIBS \u00e9 mais do que o MBWay, n\u00e3o \u00e9?<\/strong> Tamb\u00e9m s\u00e3o uma emissora de cart\u00f5es\u2026\u201d.<\/p>\n<p>Entre o <strong>Wero<\/strong>, que nasceu no centro europeu, o <strong>EuroPA<\/strong>, formado pelos pa\u00edses do sul, e o esquema <strong>Vipps<\/strong>, dos pa\u00edses n\u00f3rdicos, Daniel van Delft recusa a ideia de uma luta fraterna. \u201cNo final de contas, \u00e9 quase irrelevante qual \u00e9 a marca que as pessoas usam, o que importa \u00e9 que seja poss\u00edvel pagar no contexto europeu \u2013 mas a nossa ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 que no futuro todos [os europeus] <strong>venhamos a pagar com o Wero<\/strong>\u201c, diz o respons\u00e1vel, pedindo que nunca nos esque\u00e7amos <strong>quem \u00e9 o \u201cinimigo\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO inimigo\u201d, refor\u00e7a, s\u00e3o as empresas internacionais de cart\u00f5es \u2013 que \u00e9 como quem diz as norte-americanas Visa e Mastercard. E porque \u00e9 que s\u00e3o \u201co inimigo\u201d? \u201cBem, dou-lhe um exemplo, desde o momento em que a Visa Europe foi absorvida pela Visa Inc., em 2016, as <strong>taxas cobradas aos bancos e aos comerciantes aumentaram cerca de 80%<\/strong> \u2013 esse dado mostra a necessidade que os comerciantes sentiram de mudar rapidamente\u201d, responde Daniel van Delft.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"z6zxufr3lA\">\n<p><a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/10\/30\/bce-avanca-no-euro-digital-que-pode-comecar-a-ser-emitido-a-partir-de-2029\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">BCE avan\u00e7a no \u201ceuro digital\u201d, que pode come\u00e7ar a ser emitido a partir de 2029<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>E o \u201c<strong>euro digital<\/strong>\u201c, que o Banco Central Europeu (BCE) <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2025\/10\/30\/bce-avanca-no-euro-digital-que-pode-comecar-a-ser-emitido-a-partir-de-2029\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">confirmou no final de outubro<\/a> que dever\u00e1 chegar ao terreno em 2029? Ser\u00e1 esse, tamb\u00e9m, um inimigo? Daniel van Delft recorda que, na \u00faltima semana, a European Payments Initiative (EPI) \u2013 a dona do Wero \u2013 enviou uma carta aberta aos respons\u00e1veis europeus pedindo-lhes que <strong>repensem a inten\u00e7\u00e3o de lan\u00e7ar o \u201ceuro digital<\/strong>\u201c.<\/p>\n<p>Nessa carta, os 14 bancos que integram a EPI avisam que o euro digital n\u00e3o ir\u00e1 criar um valor claro para os consumidores e que arrisca dar a empresas como a Apple (Pay), a Paypal e a chinesa Alipay ainda mais poder \u2013 e n\u00e3o menos. Os bancos defendem, tamb\u00e9m, que o euro digital que o BCE quer lan\u00e7ar ir\u00e1 <strong>sobrepor-se, de forma redundante,<\/strong> \u00e0 infraestrutura que j\u00e1 foi criada (a SEPA, na vertente instant payments) e, al\u00e9m disso, n\u00e3o chegar\u00e1 antes de 2029, um calend\u00e1rio muito distante mesmo que se acredite que ser\u00e1 poss\u00edvel cumprir.<\/p>\n<p>Daniel van Delft diz ter muitas d\u00favidas sobre se o euro digital ir\u00e1 tornar-se uma realidade em 2029. \u201c<strong>P<strong>arece<\/strong>-me um objetivo muito ambicioso<\/strong> mas acredito que ir\u00e1 acabar por haver uma forma de \u2018euro digital\u2019 \u2013 ir\u00e1, por\u00e9m, ser algo que ser\u00e1 disponibilizado em articula\u00e7\u00e3o com aquilo que n\u00f3s oferecemos com o Wero\u201d, antev\u00ea o holand\u00eas, assinalando que \u201c<strong>seria uma pena que tiv\u00e9ssemos de competir com o euro digital<\/strong>, tendo em conta que o verdadeiro inimigo s\u00e3o os esquemas internacionais baseados em cart\u00f5es e as grandes tecnol\u00f3gicas\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mas h\u00e1 um terceiro elemento que, reconhece o respons\u00e1vel, pode contribuir para que o Wero tenha mais sucesso&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":149731,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[475,88,476,89,90,4305,23635,1360,32,33],"class_list":{"0":"post-149730","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-banca","9":"tag-business","10":"tag-economia","11":"tag-economy","12":"tag-empresas","13":"tag-finanu00e7as","14":"tag-finanu00e7as-pessoais","15":"tag-multibanco","16":"tag-portugal","17":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115538445166747297","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149730\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149731"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}