{"id":149738,"date":"2025-11-12T19:50:12","date_gmt":"2025-11-12T19:50:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/149738\/"},"modified":"2025-11-12T19:50:12","modified_gmt":"2025-11-12T19:50:12","slug":"este-retrato-de-uma-herdeira-tragica-pode-tornar-se-uma-das-pinturas-mais-caras-alguma-vez-vendidas-em-leilao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/149738\/","title":{"rendered":"Este retrato de uma herdeira &#8220;tr\u00e1gica&#8221; pode tornar-se uma das pinturas mais caras alguma vez vendidas em leil\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 dois anos, o \u00faltimo retrato de Gustav Klimt \u2014 uma vibrante pintura de uma mulher n\u00e3o identificada com um leque \u2014 bateu o recorde de leil\u00e3o do artista ao ser vendido por cerca de 100 milh\u00f5es de euros. Agora, esse recorde dever\u00e1 ser ultrapassado por um retrato monumental, com quase dois metros de altura, de uma jovem herdeira que foi saqueado pelos nazis e quase destru\u00eddo durante a Segunda Guerra Mundial. Raramente visto nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o quadro esteve pendurado na casa do herdeiro da Est\u00e9e Lauder, Leonard A. Lauder, at\u00e9 aos \u00faltimos anos da sua vida (faleceu em junho).<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima semana, o \u201cRetrato de Elisabeth Lederer\u201d dever\u00e1 ser vendido por mais de 140 milh\u00f5es de euros, sendo a pe\u00e7a principal do leil\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o de Lauder, organizado pela Sotheby\u2019s. A cole\u00e7\u00e3o inclui ainda duas outras obras de Klimt \u2014 ambas paisagens do Lago Attersee, avaliadas em mais de 65 e 75 milh\u00f5es de euros \u2014 podendo atingir um total combinado superior a 370 milh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Entre as obras do pintor austr\u00edaco, o retrato de Lederer, filha dos seus mais importantes mecenas, \u00e9 menos conhecido. Conclu\u00eddo dois anos antes da morte de Klimt, em 1918, mostra a jovem envolta num manto di\u00e1fano e ornamentado, rodeada de motivos inspirados na arte chinesa. Durante muitos anos, a pintura decorou a resid\u00eancia nova-iorquina de Lauder, na Quinta Avenida, apenas saindo ocasionalmente para ser exibida, nomeadamente no Museu de Arte Moderna (MoMA) e, algumas vezes, na Neue Galerie de Nova Iorque (fundada pelo seu irm\u00e3o). Em 2017, Lauder emprestou-a \u00e0 Galeria Nacional do Canad\u00e1, onde permaneceu at\u00e9 ao in\u00edcio deste ano.<\/p>\n<p>Em casa, a pintura era a joia da cole\u00e7\u00e3o de Lauder. Primeiro esteve na sala de estar e, mais tarde, passou para a sala de jantar, para dar lugar a uma grande obra cubista de Fernand L\u00e9ger, explicou Emily Braun, historiadora de arte e assessora de Lauder durante quase quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201cEle almo\u00e7ava sempre que estava em casa, e a mesa onde comia ficava mesmo ao lado do quadro\u201d, contou Braun pelo telefone.\u00a0<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"996\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6914b6aad34e2bd5c6d3edb0.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   O retrato mostra Lederer, filha dos patronos mais ricos de Klimt, aos 20 anos de idade <\/p>\n<p>A poucos quarteir\u00f5es dali, no Museu Metropolitano de Arte, milh\u00f5es de visitantes passam anualmente diante do retrato da m\u00e3e de Elisabeth, Serena Lederer, tamb\u00e9m pintado por Klimt cerca de 15 anos antes. As diferen\u00e7as de estilo entre os dois s\u00e3o not\u00f3rias: o de Serena \u00e9 leve e et\u00e9reo, enquanto o de Elisabeth \u00e9 ousado e exuberante. Ainda assim, ambas partilham o mesmo olhar intenso e profundo.<\/p>\n<p>\u201cKlimt estava fascinado com o olhar de Serena \u2014 ou era suficientemente inteligente para perceber que devia explor\u00e1-lo \u2014 aquela escurid\u00e3o intensa, quase de carv\u00e3o\u201d, observou Braun.<\/p>\n<p>Marcado pela trag\u00e9dia <\/p>\n<p>Ambos os retratos escaparam \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazis confiscaram a vasta cole\u00e7\u00e3o de arte da fam\u00edlia Lederer durante mais de uma d\u00e9cada. Muitas das obras de Klimt foram exibidas em 1943, em Viena, e depois armazenadas no Castelo de Immendorf, que acabou por arder no final da guerra.<br \/>Os retratos familiares, contudo, foram exclu\u00eddos da exposi\u00e7\u00e3o \u2014 por retratarem judeus \u2014 e, por isso, separados e poupados \u00e0s chamas.<\/p>\n<p>Elisabeth Lederer, que tinha apenas 20 anos quando posou para Klimt, foi, segundo Braun, \u201cuma figura profundamente tr\u00e1gica\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAinda bem que este retrato sobreviveu\u201d, disse.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"1112\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6914b6a9d34e2bd5c6d3edae.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Klimt n\u00e3o foi o \u00fanico artista a retratar a jovem herdeira. Egon Schiele, tamb\u00e9m vienense e amigo de Klimt, desenhou-a neste retrato marcante <\/p>\n<p>Elisabeth perdeu tudo antes da guerra e morreu antes de esta terminar, com 50 anos, em circunst\u00e2ncias pouco claras. Nos anos 1920, quando o fascismo come\u00e7ava a alastrar, converteu-se ao protestantismo e casou-se com um bar\u00e3o, mas este divorciou-se pouco antes da guerra \u2014 o mesmo ano em que o seu filho morreu.<\/p>\n<p>Enquanto a fam\u00edlia fugia, ela permaneceu em Viena. Vulner\u00e1vel como mulher judia solteira, afirmou que Klimt \u2014 falecido em 1918 \u2014 era seu pai.<\/p>\n<p>\u201cEla foi protegida at\u00e9 certo ponto por essa falsa filia\u00e7\u00e3o meio crist\u00e3, meio Klimt, um artif\u00edcio criado com a ajuda da m\u00e3e\u201d, explicou Braun.<\/p>\n<p>Klimt, al\u00e9m de amigo da fam\u00edlia e professor de desenho de Elisabeth, tinha fama de mulherengo, tendo alegadamente tido v\u00e1rios filhos fora do casamento, \u201cpor isso, a hist\u00f3ria n\u00e3o parecia assim t\u00e3o inveros\u00edmil\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Uma obra-prima tardia <\/p>\n<p>Algumas obras de Klimt estiveram no centro de longas disputas de restitui\u00e7\u00e3o, mas em 1948 o retrato de Elisabeth foi devolvido ao seu irm\u00e3o Erich, que aparece em v\u00e1rias obras de Egon Schiele. O quadro manteve-se em posse da fam\u00edlia at\u00e9 perto do fim da vida de Erich.<\/p>\n<p>O marchand Serge Sabarsky adquiriu-o em 1983 e vendeu-o dois anos depois a Lauder, que j\u00e1 demonstrava grande interesse por Klimt. Nos Estados Unidos, o pintor era ent\u00e3o pouco conhecido, at\u00e9 que o Museu Solomon R. Guggenheim organizou uma exposi\u00e7\u00e3o conjunta com Schiele em 1965. Lauder, de origem h\u00fangara e checa, come\u00e7ou a colecionar as suas obras nos anos 1970, em parte por afinidade com as suas pr\u00f3prias ra\u00edzes familiares.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"939\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6914b6a8d34e3caad84b3605.webp\" width=\"700\"\/> <\/p>\n<p>   Serena Lederer, m\u00e3e de Elisabeth, no seu sal\u00e3o por volta de 1930, em frente ao retrato pintado por Klimt. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o posso deixar de sublinhar o quanto ele era um verdadeiro historiador\u201d, disse Braun sobre Lauder. \u201cInteressava-se profundamente pela hist\u00f3ria europeia e pela hist\u00f3ria cultural. Por um lado, havia a liga\u00e7\u00e3o familiar direta; por outro, a consci\u00eancia do historiador sobre o que Klimt representava no auge da cultura vienense. E, acima de tudo, a beleza e a for\u00e7a est\u00e9tica destas obras, que ele reconheceu de imediato. Tinha um olhar extraordin\u00e1rio.\u201d<\/p>\n<p>Klimt \u00e9 mais conhecido pelo seu per\u00edodo dourado, em que produziu os \u00edcones da Arte Nova O Beijo e Retrato de Adele Bloch-Bauer I. Nos anos que antecederam a sua morte, aos 55 anos, os seus motivos geom\u00e9tricos tornaram-se mais fluidos, os tra\u00e7os mais soltos, e foi fortemente influenciado pela arte asi\u00e1tica, da qual era um \u00e1vido colecionador.<\/p>\n<p>As figuras que rodeiam Elisabeth no retrato inspiram-se, segundo a Sotheby\u2019s, em obras de arte chinesa que Klimt possu\u00eda, enquanto o manto de drag\u00e3o chin\u00eas que ela veste simboliza poder e autoridade. Diz-se que o artista n\u00e3o queria separar-se do quadro, que levou v\u00e1rios anos a concluir.<\/p>\n<p>Durante muito tempo, o retrato foi conhecido como \u201cRetrato da Baronesa Elisabeth Bachofen-Echt\u201d, t\u00edtulo herdado do seu casamento. Mas isso mudou durante a posse de Lauder.<\/p>\n<p>\u201cDisse-lhe: \u2018N\u00e3o est\u00e1 certo. Este quadro foi encomendado quando ela ainda era solteira. Foi um pedido da fam\u00edlia, e o marido tratou-a muito mal \u2014 por que raz\u00e3o continuar a cham\u00e1-lo assim?\u2019\u201d, recordou Braun. &#8220;Por isso volt\u00e1mos ao t\u00edtulo original, e \u00e9 assim que se chama agora&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 dois anos, o \u00faltimo retrato de Gustav Klimt \u2014 uma vibrante pintura de uma mulher n\u00e3o identificada&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":149739,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[609,611,207,205,206,1753,203,201,202,27,470,607,608,315,3144,204,610,114,115,32639,870,32635,32637,3646,570,170,150,13,32,33,32638,32636,941,2387,29],"class_list":{"0":"post-149738","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-alerta","9":"tag-ao-minuto","10":"tag-arte","11":"tag-arte-e-design","12":"tag-artedesign","13":"tag-artes","14":"tag-arts","15":"tag-arts-and-design","16":"tag-artsanddesign","17":"tag-breaking-news","18":"tag-cinema","19":"tag-cnn","20":"tag-cnn-portugal","21":"tag-cultura","22":"tag-danca","23":"tag-design","24":"tag-direto","25":"tag-entertainment","26":"tag-entretenimento","27":"tag-estee-lauder","28":"tag-eventos","29":"tag-gustav-klimt","30":"tag-herdeira","31":"tag-leilao","32":"tag-live","33":"tag-livros","34":"tag-musica","35":"tag-noticias","36":"tag-portugal","37":"tag-pt","38":"tag-quadros","39":"tag-retrato","40":"tag-series","41":"tag-teatro","42":"tag-ultimas"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115538469042790744","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149738","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149738"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149738\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149739"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}