{"id":150410,"date":"2025-11-13T10:31:11","date_gmt":"2025-11-13T10:31:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/150410\/"},"modified":"2025-11-13T10:31:11","modified_gmt":"2025-11-13T10:31:11","slug":"em-2025-emitimos-10-mais-gases-de-estufa-do-que-no-ano-do-acordo-de-paris-acordo-de-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/150410\/","title":{"rendered":"Em 2025, emitimos 10% mais gases de estufa do que no ano do Acordo de Paris | Acordo de Paris"},"content":{"rendered":"<p>As emiss\u00f5es de gases de efeito de estufa s\u00e3o 10% mais elevadas em 2025 do que h\u00e1 dez anos, quando a Confer\u00eancia do Clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas de 2015 terminou com a aprova\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris, que pretendia reduzir a quantidade de di\u00f3xido de carbono (CO2) que lan\u00e7amos para a atmosfera, e que causam as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Olhando para os gr\u00e1ficos, o que vemos \u00e9 que as emiss\u00f5es estabilizaram, com uma ligeira tend\u00eancia de alta, em alguns casos. Prev\u00ea-se que em 2025 a quantidade de CO2 na atmosfera <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/11\/13\/azul\/noticia\/emissoes-co2-deverao-atingir-novo-recorde-2024-estima-estudo-global-2111609\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aumente 1,1% em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado<\/a>, diz a equipa internacional do <a href=\"http:\/\/globalcarbonatlas.org\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Global Carbon Project<\/a> em artigos publicados nesta quinta-feira nas revistas cient\u00edficas Earth System Science Data Discussions e <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09802-5\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Nature<\/a>.<\/p>\n<p>Na verdade, este valor \u00e9 superior \u00e0 t<a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/22\/azul\/noticia\/mundo-falhar-indicadores-accao-climatica-2151574\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">axa de crescimento m\u00e9dia<\/a> da \u00faltima d\u00e9cada, de 0,8% ao ano.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera chegou em 2024 a 423 partes por milh\u00e3o (ppm) e agravou o aquecimento global causado pela actividade humana para 1,36 graus. Espera-se que dentro de poucos anos, possivelmente at\u00e9 ao fim desta d\u00e9cada, o limiar de 1,5 graus de aquecimento que era previsto no Acordo de Paris seja ultrapassado de forma consistente, e n\u00e3o apenas esporadicamente, como est\u00e1 j\u00e1 a acontecer.<\/p>\n<p>\u201cApesar de ter havido progresso em muitas frentes, ap\u00f3s estes dez anos as emiss\u00f5es de CO2 continuam a subir sem dar tr\u00e9guas\u201d, afirmou Glen Peters, investigador do Centro CICERO para Investiga\u00e7\u00e3o Internacional sobre o Clima, em Oslo, na Noruega, citado num comunicado de imprensa.<\/p>\n<p>N\u00e3o se espera que a tend\u00eancia abrande nos pr\u00f3ximos anos, porque segundo o relat\u00f3rio anual da Ag\u00eancia Internacional de Energia, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/11\/12\/azul\/noticia\/procura-petroleo-vai-continuar-aumentar-causa-aviacao-industria-2154292\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">World Energy Outlook 2025<\/a>, divulgado nesta quarta-feira, a procura global por petr\u00f3leo e g\u00e1s natural deve continuar a crescer at\u00e9 2050.<\/p>\n<p>            &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<\/p>\n<p>No caso do petr\u00f3leo, o pico da procura s\u00f3 deve chegar em 2030 e, quanto ao g\u00e1s natural liquefeito, aumentaram muito os investimentos neste sector em 2025. Espera-se que a entrada em opera\u00e7\u00e3o de uma capacidade anual de cerca de 300 mil milh\u00f5es de metros c\u00fabicos at\u00e9 2030, o que representa um aumento de 50% da oferta dispon\u00edvel, diz o <a href=\"https:\/\/www.iea.org\/news\/as-risks-multiply-in-a-world-thirsty-for-energy-diversification-and-cooperation-are-more-urgent-than-ever\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">relat\u00f3rio<\/a>.<\/p>\n<p>A procura global de energia deve aumentar 90 exajoules (um quintili\u00e3o de joules, uma unidade de energia muito grande) at\u00e9 2035, o que representa um crescimento de 15% em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis actuais.<\/p>\n<p>Mesmo o carv\u00e3o, o combust\u00edvel f\u00f3ssil mais poluente e com emiss\u00f5es de gases de estufa, continua a crescer em termos globais: a projec\u00e7\u00e3o \u00e9 de mais 0,8% em 2025, para chegar a outro n\u00edvel recorde. Na Uni\u00e3o Europeia, e provavelmente na China (os dados n\u00e3o s\u00e3o claro) as emiss\u00f5es do carv\u00e3o reduziram-se este ano, mas aumentaram nos Estados Unidos (que representam 13% de todas as emiss\u00f5es mundiais), \u00cdndia e no resto do mundo.<\/p>\n<p>No total, as emiss\u00f5es dos EUA devem crescer 1,9% at\u00e9 ao final do ano, e o forte crescimento dos gases de estufa libertados pela queima de carv\u00e3o (mais 7,5%) s\u00e3o a principal causa desse aumento, dizem os investigadores.<\/p>\n<p>Na China (32% das emiss\u00f5es globais), o crescimento das emiss\u00f5es deve ser de 0,4% em 2025, mas s\u00f3 com a an\u00e1lise dos dados em 2026 ser\u00e1 poss\u00edvel confirmar os n\u00fameros. Projecta-se que as emiss\u00f5es do carv\u00e3o aumentem ligeiramente na China, mas a incerteza ainda \u00e9 tanta que tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que se tenham reduzido ligeiramente. Aumentaram os gases de estufa relativos ao consumo de g\u00e1s (1,3%) e petr\u00f3leo (2,1%), mas este crescimento \u00e9 moderado, em compara\u00e7\u00e3o com anos anteriores, dizem os cientistas.<\/p>\n<p>Incerteza sobre a China<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 um pico claro nas emiss\u00f5es de CO2 da China em 2025\u201d, comentou Jan Ivar Korsbakken, investigador do CICERO. \u201cO crescimento fraco de v\u00e1rios sectores industriais reduziu a programa de energia, e o crescimento forte das renov\u00e1veis conseguiu absorver o aumento da procura de electricidade\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Europeia, que representa 6% das emiss\u00f5es globais, projecta-se um crescimento de 0,4% em 2025, mas ainda h\u00e1 uma grande incerteza em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00fameros. Se diminuiu ligeiramente o uso de carv\u00e3o (0,3%), os europeus consumiram mais petr\u00f3leo (0,6%) e mais g\u00e1s natural (0,9%).<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 que as emiss\u00f5es de CO2 do uso de petr\u00f3leo cres\u00e7am 1% em 2025, com todas as regi\u00f5es do planeta a sofrerem aumentos. A avia\u00e7\u00e3o, que deve recuperar para n\u00edveis anteriores \u00e0 pandemia de covid-19, \u00e9 um dos factores desta acelera\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es relacionadas com o petr\u00f3leo. Outro motor deste aumento \u00e9 a actividade industrial, como produtos petroqu\u00edmicos para alimentar o gado, segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia.<\/p>\n<p>            &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;<\/p>\n<p>O uso de petr\u00f3leo para gerar energia, no entanto, est\u00e1 em tend\u00eancia decrescente. Quando \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis rodovi\u00e1rios, a procura de petr\u00f3leo deve manter-se est\u00e1vel at\u00e9 2035, em rela\u00e7\u00e3o aos valores de 2024, com os ve\u00edculos el\u00e9ctricos a aumentarem nas estradas em todo o mundo, em especial na China.<\/p>\n<p>Algumas boas not\u00edcias<\/p>\n<p>Nem tudo s\u00e3o m\u00e1s not\u00edcias: 35 pa\u00edses tiveram um decr\u00e9scimo significativo das suas emiss\u00f5es de CO2, o que representa 27% de todas emiss\u00f5es de CO2 provenientes de combust\u00edveis f\u00f3sseis durante a \u00faltima d\u00e9cada. Entre 2005 e 2014, antes do Acordo de Paris, apenas 21 pa\u00edses registaram diminui\u00e7\u00f5es estatisticamente significativas nas suas emiss\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 muitos sinais positivos ao n\u00edvel dos pa\u00edses, com um forte crescimento da energia solar, e\u00f3lica, ve\u00edculos el\u00e9ctricos, baterias e redu\u00e7\u00f5es da desfloresta\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Glen Peters. Manter a vegeta\u00e7\u00e3o e zonas h\u00famidas, por exemplo, permite manter a sua fun\u00e7\u00e3o de sumidouros de carbono, ou seja, absorvem carbono lan\u00e7ado em excesso para a atmosfera em resultado da actividade humana.<\/p>\n<p>Nas coisas boas, a principal mensagem \u00e9 que as mudan\u00e7as que se t\u00eam verificado na economia para reduzir as emiss\u00f5es de gases de estufa \u201cn\u00e3o s\u00e3o suficientes para acelerar o mundo para atingir o objectivo de neutralidade carb\u00f3nica\u201d, comenta ainda Glen Peters. Ou seja, o momento em que tanto CO2 \u00e9 lan\u00e7ado para a atmosfera como a quantidade que conseguimos retirar, atrav\u00e9s de processos naturais como as florestas, ou desenvolvendo tecnologias capazes de o extrair \u2013 que, por ora, est\u00e3o ainda longe de serem uma verdadeira op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As emiss\u00f5es de gases de efeito de estufa s\u00e3o 10% mais elevadas em 2025 do que h\u00e1 dez&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":150411,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[17718,2335,5291,785,27,28,2271,786,6391,476,2270,15,16,14,25,26,21,22,62,12,13,19,20,23,24,22178,17,18,29,30,31,63,64,65],"class_list":{"0":"post-150410","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-acordo-de-paris","9":"tag-alteracoes-climaticas","10":"tag-aquecimento-global","11":"tag-azul","12":"tag-breaking-news","13":"tag-breakingnews","14":"tag-clima","15":"tag-combustiveis-fosseis","16":"tag-cop30","17":"tag-economia","18":"tag-energia","19":"tag-featured-news","20":"tag-featurednews","21":"tag-headlines","22":"tag-latest-news","23":"tag-latestnews","24":"tag-main-news","25":"tag-mainnews","26":"tag-mundo","27":"tag-news","28":"tag-noticias","29":"tag-noticias-principais","30":"tag-noticiasprincipais","31":"tag-principais-noticias","32":"tag-principaisnoticias","33":"tag-relatorio","34":"tag-top-stories","35":"tag-topstories","36":"tag-ultimas","37":"tag-ultimas-noticias","38":"tag-ultimasnoticias","39":"tag-world","40":"tag-world-news","41":"tag-worldnews"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150410","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150410"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150410\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/150411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150410"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150410"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150410"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}