{"id":15143,"date":"2025-08-04T06:30:08","date_gmt":"2025-08-04T06:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15143\/"},"modified":"2025-08-04T06:30:08","modified_gmt":"2025-08-04T06:30:08","slug":"cardapio-de-escritoras-contemporaneas-expresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15143\/","title":{"rendered":"Card\u00e1pio de escritoras contempor\u00e2neas &#8211; Expresso"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\">Numa cr\u00f3nica recente no seu <a href=\"https:\/\/horasextraordinarias.blogs.sapo.pt\/os-homens-nao-leem-mulheres-1127056\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">blogue Horas Extraordin\u00e1rias<\/a>, a poeta e editora Maria do Ros\u00e1rio Pedreira assinala, e bem, que os homens n\u00e3o l\u00eaem mulheres. <\/p>\n<p class=\"p1\">&#8220;Num estudo realizado no Reino Unido por uma ONG chamada Women&#8217;s Prize Trust (WPT) envolvendo 54.000 livros, concluiu-se que os homens compram sobretudo livros escritos por homens (mais de 80%), parecendo desconfiar de que os livros escritos por mulheres s\u00e3o xaroposos e ocos. (&#8230;) Em Portugal, ao que parece, segundo uma tese defendida na Universidade Nova de Lisboa por Clara Nunes da Silva, que teve por amostra 400 leitores (200 homens e 200 mulheres), 81% dos homens inquiridos escolheram livros escritos por homens, o que significa que o padr\u00e3o se repete provavelmente em todos os pa\u00edses.&#8221; <\/p>\n<p class=\"p1\">Estou certa de que uma percentagem semelhante seria revelada, caso houvesse um estudo para cada pa\u00eds \u2014 os homens demostram mesmo pouco ou nenhum interesse em livros escritos por mulheres. Talvez persista o velho preconceito de tem\u00e1ticas que n\u00e3o os seduzem, mas a verdade \u00e9 que as \u201ctem\u00e1ticas de mulheres\u201d n\u00e3o existem de forma perempt\u00f3ria, e se alguma vez existiram, foram metodicamente programadas por editores homens que s\u00f3 permitiam que sa\u00edssem conte\u00fados dignos do g\u00e9nero feminino (v\u00e1-se l\u00e1 saber o que queriam com isto dizer). \u00c0s escritoras, s\u00f3 quando se apresentavam sob pseud\u00f3nimo masculino lhes era oferecida a possibilidade da obra n\u00e3o ser escrutinada pelo g\u00e9nero da autora; vista apenas pelo valor liter\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"p1\">Sem recorrer \u00e0s escritoras do passado, queria deixar-vos, sobretudo a v\u00f3s, homens que l\u00eaem este jornal (mas tamb\u00e9m a qualquer pessoa, independentemente do g\u00e9nero), um card\u00e1pio de nomes e obras de escritoras contempor\u00e2neas, nacionais e internacionais, espero que digno de acirrar a curiosidade. Podem aproveitar o Ver\u00e3o para iniciar a descoberta, todavia estou certa de que n\u00e3o ser\u00e3o uma leitura sazonal \u2014 v\u00e3o encontrar livros marcantes para qualquer momento.<\/p>\n<p class=\"p1\">Deixo-vos dez sugest\u00f5es de <strong>autoras internacionais<\/strong>, cujo trabalho admiro e recomendo (publicadas em Portugal), e uma das suas obras como hors-d&#8217;\u0153uvre, fa\u00e7am depois o trabalho de casa e descubram outras obras destas autoras. <strong>Joan Didion<\/strong> (O Ano do Pensamento M\u00e1gico, Cultura Editora), <strong>Camila Sosa Villada<\/strong> (As Malditas, BCF), <strong>Lydia Davis<\/strong> (Contos Completos, Rel\u00f3gio D\u2019 \u00c1gua), a pr\u00e9mio Nobel <strong>Han Kang <\/strong>(A Vegetariana, Dom Quixote), <strong>Fleur Jaeggy<\/strong> (Felizes Anos de Castigo, Penguin Random House), a tamb\u00e9m pr\u00e9mio Nobel <strong>Annie Ernaux<\/strong> (O Acontecimento, Livros do Brasil), <strong>Tove Ditlevsen<\/strong> (A Trilogia de Copenhaga, Dom Quixote), <strong>Virginie Despentes<\/strong> (Caro Idiota, Elsinore), <strong>Rachel Cusk<\/strong> (trilogia A Contraluz, Quetzal), <strong>Elena Ferrante<\/strong> (A Amiga Genial, Rel\u00f3gio d\u2019\u00c1gua), <strong>Chimamanda Ngozi Adichie <\/strong>(Americanah, Dom Quixote) e <strong>Arundhati Roy<\/strong> (O Deus das Pequenas Coisas, Asa). Poderia mencionar outros nomes (deixei tantos de fora), a lista de escritoras com obras magn\u00edficas \u00e9, felizmente, muito extensa.<\/p>\n<p class=\"p1\">A prosa narrativa contempor\u00e2nea escrita em l\u00edngua portuguesa e por mulheres, tamb\u00e9m se apresenta com grande qualidade, por isso deixo-vos igualmente dez nomes e sugest\u00f5es das respectivas obras. <strong>Dulce Maria Cardoso<\/strong> (O Retorno, Tinta-da-China), <strong>Isabela Figueiredo<\/strong> (Caderno de Mem\u00f3rias Coloniais, Caminho), <strong>Joana B\u00e9rtholo<\/strong> (Natureza Urbana, Rel\u00f3gio D\u2019\u00c1gua), <strong>Patr\u00edcia Portela<\/strong> (Manual Para Andar Espantada Por Existir, Caminho), <strong>Clarice Lispector<\/strong> (La\u00e7os de Fam\u00edlia, Rel\u00f3gio D\u2019\u00c1gua), <strong>Paulina Chiziane<\/strong> (Niketche: Uma Hist\u00f3ria de Poligamia, Caminho), <strong>Nara Vidal<\/strong> (Eva, Todavia), <strong>Alexandra Lucas Coelho<\/strong> (L\u00edbano, Labirinto, Caminho), <strong>Ana Teresa Pereira<\/strong> (Karen, Rel\u00f3gio D\u2019 \u00c1gua) e, por \u00faltimo, <strong>Agustina Bessa-Lu\u00eds<\/strong> (Fanny Owen, Rel\u00f3gio D\u2019 \u00c1gua). E outros nomes podia e devia partilhar, nomeadamente na \u00e1rea da poesia em l\u00edngua portuguesa feita por mulheres. Escreverei essas recomenda\u00e7\u00f5es numa outra cr\u00f3nica. Por agora, regozijar-me-ei se tiver conseguido despertar a curiosidade e conquistado alguns leitores que se diziam avessos a obras escritas por mulheres. Gostaria de receber o retorno das vossas descobertas \u00e0 la carte. Boas leituras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Numa cr\u00f3nica recente no seu blogue Horas Extraordin\u00e1rias, a poeta e editora Maria do Ros\u00e1rio Pedreira assinala, e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15144,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[143],"tags":[169,114,115,170,32,33],"class_list":{"0":"post-15143","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-livros","8":"tag-books","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-livros","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15143\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15144"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}