{"id":15271,"date":"2025-08-04T09:34:12","date_gmt":"2025-08-04T09:34:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15271\/"},"modified":"2025-08-04T09:34:12","modified_gmt":"2025-08-04T09:34:12","slug":"um-passeio-de-famosos-agora-turistas-e-estudantes-como-esta-a-primeira-morada-da-antena-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15271\/","title":{"rendered":"Um passeio de famosos, agora turistas e estudantes. Como est\u00e1 a primeira morada da Antena 1?"},"content":{"rendered":"<p itemprop=\"text\" class=\"article-body\">\n                  \u201cO Mar Morto ainda era vivo quando voc\u00ea nasceu\u201d: foi desta forma abrutalhada, mas amig\u00e1vel que um homem terminou a apresenta\u00e7\u00e3o de Maria de Lurdes Melo, de 78 anos, chamada pelo nome \u00e0 varanda. Desce \u00e0 rua para uma primeira conversa e depois convida a Antena 1 a subir a sua casa. Apresenta as duas companhias di\u00e1rias. <\/p>\n<p>\u201cSe eu estiver sem fazer mais nada, sento-me aqui no sof\u00e1 e vejo a televis\u00e3o\u201d, mas \u201cse estiver na cozinha a fazer o comer, tiro-lhe o som e acendo o r\u00e1dio\u201d, explica na sala. <br \/>&#13;<br \/>\n<b><br \/>&#13;<br \/>\nO pequeno aparelho preto el\u00e9trico e a pilhas que tem debaixo da televis\u00e3o \u00e9 utilizado com regularidade &#8211; mais do que nos dias normais, recorda que o r\u00e1dio \u201cfoi a safa\u201d no dia 28 de abril de 2025, dia do apag\u00e3o.  <\/b><\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nAquele mesmo r\u00e1dio tornou-se num posto de informa\u00e7\u00e3o para ela e para os vizinhos, \u201c\u00edamos falando uns com os outros\u201d nesse dia.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/3108ecf4160c30b091a593e8e912b695\"\/>\u00a0Este r\u00e1dio \u00e9 uma das companhias na sala de Maria de Lurdes Melo<\/p>\n<p>Mais de 50 anos antes (51 para ser mais preciso), o bairro da Madragoa tamb\u00e9m se uniu pela r\u00e1dio, levando a que Lurdes e outros vizinhos, de certa forma, fizessem parte da revolu\u00e7\u00e3o, da hist\u00f3ria da democracia e da r\u00e1dio p\u00fablica.  <\/p>\n<p><b>&#13;<br \/>\n\u201cQuando foi o 25 de abril, fomos l\u00e1 para dentro\u201d, conta, pois \u201ca Emissora Nacional foi ocupada e n\u00f3s todos aqui do bairro fomos fazer companhia aos soldados durante a noite\u201d. <\/b><\/p>\n<p>\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/0f59af29b727c74b1b06ef3f5a5132a0\"\/>Maria de Lurdes Melo \u00e9 a \u00fanica moradora do pr\u00e9dio onde vive, entregue a alojamento local, e paga de renda 110 eurosO tanque com vista para o p\u00e1tio da Emissora <br \/>&#13;<br \/>\n<b>A revolu\u00e7\u00e3o que passou pela Rua do Quelhas como um dos pontos do 25 de abril est\u00e1 na mem\u00f3ria dos mais antigos e talvez na dos mais curiosos pela hist\u00f3ria. A simbologia desta art\u00e9ria da cidade na r\u00e1dio portuguesa resume-se a uma discreta placa na cal\u00e7ada, junto aos degraus do n\u00famero 2, que assinala a ocupa\u00e7\u00e3o do edif\u00edcio por uma for\u00e7a do Campo de Tiro da Serra da Carregueira. <\/b><\/p>\n<p>Hoje essa mem\u00f3ria vai desvanecendo, tendo em conta a popula\u00e7\u00e3o que vai saindo e envelhecendo, num bairro onde tamb\u00e9m v\u00e1rios restaurantes antigos fecharam ou mudaram de ger\u00eancia e de ementa, para acompanhar os gostos dos veraneantes. <\/p>\n<p>          <img decoding=\"async\" itemprop=\"image\" class=\"img-fluid\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/99294633253d4afd1534e47a2e1dd22b\"\/><\/p>\n<p> Edif\u00edcio n\u00famero 2 da Rua do Quelhas \/ Reportagem de Gon\u00e7alo Costa Martins<\/p>\n<p>Teresa Martins vive h\u00e1 quase 20 anos na Madragoa e est\u00e1 de sa\u00edda. Paga uma renda \u00e0 volta dos 270 euros num contrato de arrendamento que n\u00e3o vai ser renovado, suspeitando que a sua casa v\u00e1 dar lugar a um alojamento local. Fala desta situa\u00e7\u00e3o sem m\u00e1goa, mas aponta a perda de identidade e bairrismo na Madragoa.  <br \/>&#13;<br \/>\n<b><br \/>&#13;<br \/>\nConta v\u00e1rias raz\u00f5es: \u201cas pessoas que v\u00e3o falecendo\u201d, os herdeiros que \u201cvendem os pr\u00e9dios\u201d, comprados para \u201cfazer o dito alojamento local\u201d e com a sa\u00edda dos seus antigos moradores, levando a que venham mais \u201cpessoas que n\u00e3o s\u00e3o de Portugal, s\u00e3o estrangeiros\u201d.  <\/b><\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nCaminhava para a Assembleia da Rep\u00fablica, onde trabalha, quando foi abordada pela Antena 1 ao passar pelo antigo palacete amarelo (o tal n\u00famero 2) que hoje faz parte do Instituto Superior de Economia e Gest\u00e3o. Teresa n\u00e3o tem mem\u00f3rias da r\u00e1dio nesse palacete porque, quando veio viver para a Madragoa, j\u00e1 a RDP tinha-se mudado da Rua do Quelhas em 1996 para as Amoreiras.&#13;\n<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/8c67142771bef882d411e1cca99a970f\"\/>Teresa Martins paga cerca de 270 euros na casa que tem na Madragoa, mas tem os dias contados<\/p>\n<p>Apenas se recorda de vir a um espa\u00e7o \u201conde as pessoas vinham lavar a roupa e os tapetes\u201d. Eram antigos tanques comunit\u00e1rios, onde Teresa encontrava vizinhos, mas que j\u00e1 n\u00e3o existem e est\u00e3o a dar lugar a pr\u00e9dios para instala\u00e7\u00f5es escolares e um centro de dia.<\/p>\n<p>Lurdes tamb\u00e9m se recorda dos tanques, como se fosse um posto para espreitar as celebridades da r\u00e1dio.  <\/p>\n<p><b>\u201cEnquanto a Emissora Nacional existiu como Emissora Nacional, havia movimento de artistas a entrar, de locutores a sair\u201d, puxa da mem\u00f3ria, falando de nomes como os cantores Mara Abrantes e Ant\u00f3nio Calv\u00e1rio, o locutor Igrejas Caeiro e o jornalista Fernando Pessa.  <\/b><\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nDepois \u00e9 que se lembra daquele espa\u00e7o comunit\u00e1rio: \u201cO tanque \u00e9 em frente \u00e0 Emissora Nacional\u201d, que tinha \u201cum p\u00e1tio onde eles vinham para ali fumar e conversar\u201d.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/24d93fade858b2f03d949acf96f1dfa2\"\/>Rua do Quelhas mais a norte, onde ficava a reda\u00e7\u00e3o no n\u00famero 10\u00a0e o Museu da R\u00e1dio no n\u00famero 21<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\nO senhor Braga (em Lisboa) que fazia m\u00f3veis para a r\u00e1dio<br \/>\n<br \/>\nO movimento do bairro n\u00e3o se ficava pela famosa Rua do Quelhas, que tinha\u00a0est\u00fadios de programas no n\u00famero 2 e no n\u00famero 10 espa\u00e7o para a reda\u00e7\u00e3o. Abaixo desta art\u00e9ria, Avelino Ferraz diz que conheceu \u201cmuita gente da Emissora\u201d, pol\u00edticos como M\u00e1rio Soares, Jaime Gama ou Ferro Rodrigues.  <\/p>\n<p>Recorda o prest\u00edgio que havia at\u00e9 nesta zona, nas ruas e nos restaurantes, ao falar de uma visita que veio de Coimbra: \u201cChegou aqui e ficou encantado\u201d. <\/p>\n<p>Avelino Ferraz conhece bem a Madragoa, ou n\u00e3o vivesse na mesma rua onde trabalhou at\u00e9 ao ano passado na Rua das Madres. Esta via parece que est\u00e1 em festa porque as fitas dos Santos Populares continuam penduradas entre os pr\u00e9dios. <\/p>\n<p>Na manh\u00e3 que a Antena 1 passou nas ruas em redor do Quelhas, muitos foram os turistas que estavam de passagem. Ali\u00e1s, Tarek e a fam\u00edlia estavam mesmo a terminar a sua passagem por Lisboa.  <\/p>\n<p>\u00a0<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/082f54a89d87deca87e9942559f9ae7d\"\/>\u00a0Avelino Ferraz est\u00e1 atento ao que se passa na Rua das Madres<\/p>\n<p>Quando fui ter com ele enquanto arrumava malas no carro, arrisquei falar portugu\u00eas, mas Tarek n\u00e3o entendeu as primeiras palavras e Avelino logo avisou que era franc\u00eas &#8211; ele que estava sentado numa cadeira cinzenta a observar as arruma\u00e7\u00f5es, sem perceber a conversa de Tarek com a esposa entre a rua e uma janela do segundo andar. <\/p>\n<p>Depois da breve conversa com o turista \u2013 que ia para o Algarve com a esposa e tr\u00eas filhos, mas n\u00e3o sem antes sublinhar que Lisboa tem muitos relevos \u201caltos e baixos\u201d &#8211; a Antena 1 senta-se ao lado de Avelino, que rapidamente deixa claro: \u201cA minha alcunha \u00e9 Braga\u201d, natural de Vila Verde. <br \/>&#13;<br \/>\n<b><br \/>&#13;<br \/>\nSobre o trabalho que tinha, era dono de uma carpintaria que fechou em 2024, um neg\u00f3cio que recebeu do antigo patr\u00e3o e para quem trabalhava desenhando pe\u00e7as. <br \/>&#13;<br \/>\n<\/b>&#13;<br \/>\n<b><br \/>&#13;<br \/>\n\u00c9 a\u00ed que recorda um dos clientes, a Emissora Nacional: \u201cEram mesas para dar os programas, e gabinetes tamb\u00e9m\u201d.  <\/b><\/p>\n<p>A mem\u00f3ria falha em recordar mais pormenores e nomes com que se pudesse ter cruzado, mas o entusiasmo com esta conversa cresce e Avelino vai buscar as chaves para abrir \u00e0 Antena 1 as portas da oficina.\u00a0<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/5ad230c79f9e6e01fcd3a92bdaab02ef\"\/>A oficina que o senhor Braga recebeu do antigo patr\u00e3o em 2002<\/p>\n<p>As portas e as janelas podem j\u00e1 ter uma madeira envelhecida e a lascar, mas c\u00e1 dentro h\u00e1 molhes de madeiras polidas espalhadas por todo o lado, num espa\u00e7o com v\u00e1rias m\u00e1quinas adormecidas, um poderoso cheiro a mofo e um sinal ao fundo na sala que avisava para \u201cn\u00e3o fazer lume\u201d. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tinha jeito continuar num s\u00edtio destes, no bairro\u201d, comenta, afirmando que n\u00e3o era um problema de ru\u00eddo, que as m\u00e1quinas \u201cestavam preparadas para n\u00e3o fazer muito barulho\u201d.  <\/p>\n<p>Fazia muitos trabalhos para igrejas e diz at\u00e9 que, se fosse falar de tudo o que fez, \u201ctinha que falar quatro horas pelo menos\u201d.  <\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/2a33382f6950a1cb1a48525f89c55c49\"\/>O desenho do \u00faltimo projeto feito por Avelino&#13;\n                <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cO Mar Morto ainda era vivo quando voc\u00ea nasceu\u201d: foi desta forma abrutalhada, mas amig\u00e1vel que um 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