{"id":15285,"date":"2025-08-04T09:48:30","date_gmt":"2025-08-04T09:48:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15285\/"},"modified":"2025-08-04T09:48:30","modified_gmt":"2025-08-04T09:48:30","slug":"assedio-laboral-a-praga-silenciosa-do-seculo-xxi-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15285\/","title":{"rendered":"Ass\u00e9dio laboral: a praga silenciosa do s\u00e9culo XXI | Opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/05\/09\/sociedade\/noticia\/queixas-assedio-laboral-aumentam-quase-30-relatam-ameacas-abusos-2132277\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ass\u00e9dio laboral<\/a> tem adquirido for\u00e7a, actualidade e at\u00e9 gravidade ao ponto de ser classificado como a &#8220;praga laboral do s\u00e9culo XXI&#8221;. Tal facto deve-se a diversas raz\u00f5es: o aumento das rotinas do trabalho; o aumento da press\u00e3o competitiva; a exist\u00eancia de mais oferta do que de procura de m\u00e3o-de-obra; e a precariza\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos laborais, etc.<\/p>\n<p>A gravidade do fen\u00f3meno encontra a sua express\u00e3o, no in\u00edcio do s\u00e9culo, nos resultados de uma sondagem publicada a prop\u00f3sito das resolu\u00e7\u00f5es do Parlamento Europeu sobre &#8220;Ass\u00e9dio Moral no Local de Trabalho&#8221; (n.\u00ba 2339\/2001, de 20 de Setembro), realizada a 21.500 trabalhadores, na qual se regista que 8% afirmam ter sido v\u00edtimas de mobbing. Este estudo, a par de outros, demonstra ainda que a maioria das v\u00edtimas de ass\u00e9dio laboral \u00e9 do sexo feminino, sendo a sua incid\u00eancia inferior nos homens.<\/p>\n<p>De acordo com o <a href=\"https:\/\/www.eurofound.europa.eu\/system\/files\/2021-05\/ef0678pt.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">IV Inqu\u00e9rito Europeu sobre Condi\u00e7\u00f5es de Trabalho<\/a>, realizado em 2005, numa amostra de 30.000 trabalhadores europeus, um em cada 20 trabalhadores disse ter sido alvo de ass\u00e9dio laboral nos \u00faltimos 12 meses. Em Portugal, segundo esse mesmo estudo, verificou-se um \u00edndice de 4% de incid\u00eancia de mobbing.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Mais recentemente, em Portugal, ainda que cerca de dois em cada dez trabalhadores portugueses tivessem adquirido conhecimento de casos de ass\u00e9dio laboral no \u00faltimo ano, grande parte destes decidiu n\u00e3o reportar tais incidentes, citando a descren\u00e7a na efic\u00e1cia das medidas correctivas (41%) e o receio de retalia\u00e7\u00f5es (36%) como principais motivos para o sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Se verificarmos os dados relevantes nesta mat\u00e9ria, constantes do Livro Verde, reparamos que, entre 2010 e 2015, os procedimentos inspectivos e coercivos no \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es de trabalho em mat\u00e9ria de igualdade e n\u00e3o-discrimina\u00e7\u00e3o tiveram uma express\u00e3o reduzida.<\/p>\n<p>Entre 2020 e 2023, a ACT instaurou mais de 55 processos relativos a casos de ass\u00e9dio laboral. Maria Fernanda Campos, inspectora-geral da ACT, em declara\u00e7\u00f5es ao programa Em Nome da Lei, da Renascen\u00e7a, afirmou que os referidos processos s\u00e3o &#8220;absolutamente insignificantes perante aquilo que conhecemos&#8221;.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>\u00c8 urgente repensar as din\u00e2micas das rela\u00e7\u00f5es laborais \u00e0 luz dos desafios do presente e das transforma\u00e7\u00f5es do futuro, que j\u00e1 se come\u00e7am a avistar<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Um estudo desenvolvido pelo Laborat\u00f3rio Portugu\u00eas de Ambientes de Trabalho Saud\u00e1veis demonstra que 18,5% dos trabalhadores em Portugal afirmam ter sido alvo de amea\u00e7as ou de outras formas de abuso f\u00edsico ou psicol\u00f3gico no ambiente de trabalho. Esses abusos incluem insultos, ass\u00e9dio sexual ou exclus\u00e3o social.<\/p>\n<p>A coordenadora do estudo, T\u00e2nia Gaspar de Matos, destaca que essa percentagem \u00e9 significativa e reflecte a necessidade urgente de promover uma cultura organizacional mais saud\u00e1vel e informada sobre o ass\u00e9dio laboral. Al\u00e9m disso, o estudo indica que cerca de 76% dos profissionais apresentam pelo menos um sintoma de burnout, como exaust\u00e3o, irritabilidade ou tristeza. Quase metade dos inquiridos (48%) manifesta os tr\u00eas sintomas simultaneamente.<\/p>\n<p>Neste contexto, \u00e9 urgente repensar as din\u00e2micas das rela\u00e7\u00f5es laborais \u00e0 luz dos desafios do presente e das transforma\u00e7\u00f5es do futuro, que j\u00e1 se come\u00e7am a avistar.<\/p>\n<p>O ass\u00e9dio laboral n\u00e3o \u00e9 apenas um problema da v\u00edtima. Ele corr\u00f3i a fam\u00edlia e os amigos do assediado, prejudica a paz social na empresa, a imagem social deste e, em \u00faltima an\u00e1lise, afecta todos n\u00f3s, pois tem enormes repercuss\u00f5es na sociedade (baixas, incapacidades, desemprego, improdutividade, etc.).<\/p>\n<p>\u00c9 preciso combater esta praga e criar ambientes laborais dignos, salubres e livres de pr\u00e1ticas abusivas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ass\u00e9dio laboral tem adquirido for\u00e7a, actualidade e at\u00e9 gravidade ao ponto de ser classificado como a &#8220;praga&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15286,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[6066,6064,6065,27,28,90,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,835,32,23,24,33,17,18,849,29,30,31],"class_list":{"0":"post-15285","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-act","9":"tag-assedio","10":"tag-autoridade-para-as-condicoes-de-trabalho","11":"tag-breaking-news","12":"tag-breakingnews","13":"tag-empresas","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-headlines","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-news","22":"tag-noticias","23":"tag-noticias-principais","24":"tag-noticiasprincipais","25":"tag-opiniao","26":"tag-portugal","27":"tag-principais-noticias","28":"tag-principaisnoticias","29":"tag-pt","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-trabalho","33":"tag-ultimas","34":"tag-ultimas-noticias","35":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15285","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15285"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15285\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15286"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15285"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15285"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15285"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}