{"id":153010,"date":"2025-11-15T18:22:11","date_gmt":"2025-11-15T18:22:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/153010\/"},"modified":"2025-11-15T18:22:11","modified_gmt":"2025-11-15T18:22:11","slug":"raro-fenomeno-devolve-vida-a-uma-das-zonas-mais-aridas-do-mundo-e-atrai-tanto-animais-como-turistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/153010\/","title":{"rendered":"Raro fen\u00f3meno devolve vida a uma das zonas mais \u00e1ridas do mundo e atrai tanto animais como turistas"},"content":{"rendered":"<p>\t                O deserto mais seco da Austr\u00e1lia est\u00e1 a florescer novamente depois de uma cheia hist\u00f3rica que est\u00e1 a atrair aves, mam\u00edferos e visitantes de todo o mundo<\/p>\n<p>Nas imagens de sat\u00e9lite, parece um conjunto de grandes manchas de tinta azul e verde &#8211; a espalharem-se, a flu\u00edrem, a penetrarem no papel pardo do deserto. No \u00e1rido centro da Austr\u00e1lia, essas manchas representam um novo mar interior, nascido de um dil\u00favio que percorreu centenas de quil\u00f3metros atrav\u00e9s das veias de um continente gigantesco e ressequido. O raro fen\u00f3meno est\u00e1 agora a devolver vida ao deserto, atraindo mam\u00edferos, aves e turistas para o cora\u00e7\u00e3o do outback australiano.<\/p>\n<p>\u201cImponder\u00e1vel\u201d &#8211; \u00e9 assim que o ecologista Richard Kingsford, da Universidade de Nova Gales do Sul, descreve as possibilidades de descoberta cient\u00edfica abertas por este o\u00e1sis s\u00fabito numa das regi\u00f5es mais secas do planeta.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o as aves aqu\u00e1ticas, a espetacular corrente de \u00e1gua a atravessar o meio do deserto. S\u00e3o os peixes nos rios. E s\u00e3o tamb\u00e9m os meses seguintes, quando tapetes de flores silvestres cobrem o deserto\u201d, diz. \u201cEventos raros n\u00e3o s\u00e3o bem compreendidos, precisamente porque s\u00e3o raros. N\u00e3o sabemos ao certo qu\u00e3o grande ser\u00e1 esta cheia.\u201d<\/p>\n<p>Kati Thanda\u2013Lake Eyre \u00e9 um lago ef\u00e9mero com 9.500 quil\u00f3metros quadrados e, apesar do nome, raramente est\u00e1 cheio. Recebe em m\u00e9dia apenas 14 cent\u00edmetros de chuva por ano e pode ser descrito mais como uma gigantesca plan\u00edcie salgada no deserto da Austr\u00e1lia do Sul. Em 1964, o brit\u00e2nico Donald Campbell, recordista de velocidade em terra, utilizou o leito seco do lago como pista de corrida, atingindo ent\u00e3o um recorde mundial de 648 km\/h na vasta superf\u00edcie branca e sem interrup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dez anos depois, em 1974, o lago encheu-se completamente pela terceira vez desde que h\u00e1 registos. Essa cheia tornou-se o marco m\u00e1ximo de n\u00edvel de \u00e1gua &#8211; nunca mais repetido, embora cheias menores tenham sido observadas nos \u00faltimos anos. Este ano, depois de o ciclone tropical Alfred ter despejado chuva no interior de Queensland, em mar\u00e7o, a \u00e1gua que desce at\u00e9 Kati Thanda-Lake Eyre parece estar a ench\u00ea-lo pela quarta vez em 160 anos.<\/p>\n<p> <video autoplay=\"\" disablepictureinpicture=\"\" loop=\"\" muted=\"\" playsinline=\"\"> <\/p>\n<p> <\/video> <\/p>\n<p>   Esta anima\u00e7\u00e3o, composta por 16 imagens captadas pelo sat\u00e9lite Terra da NASA, mostra a evolu\u00e7\u00e3o do lago Kati Thanda-Lake Eyre entre 29 de abril e 12 de junho. (Imagem: NASA) <\/p>\n<p>&#8220;Um enorme boom tur\u00edstico&#8221; <\/p>\n<p>Dois grandes sistemas fluviais alimentam o lago: o rio Georgina-Diamantina, que come\u00e7ou a preencher o norte de Kati Thanda-Lake Eyre em maio, e o sistema Cooper Creek. O Cooper Creek, batizado de forma algo err\u00f3nea pelo explorador brit\u00e2nico Charles Sturt, est\u00e1 longe de ser apenas um riacho. \u201cDurante uma cheia, pode ter entre 60 e 80 quil\u00f3metros de largura\u201d, explica RichardKingsford.<\/p>\n<p>A \u00e1gua trazida por este segundo sistema ainda n\u00e3o chegou ao lago e poder\u00e1 n\u00e3o ter o seu efeito total antes de outubro. Quando finalmente chegar, o ecossistema des\u00e9rtico viver\u00e1 os extremos explosivos do seu ciclo de abund\u00e2ncia e escassez. Camar\u00f5es e crust\u00e1ceos desovar\u00e3o, as popula\u00e7\u00f5es de peixes disparar\u00e3o, mam\u00edferos como o rato-mulgar\u00e1 de cauda com penacho, em perigo de extin\u00e7\u00e3o, e o rato-saltador-escuro ter\u00e3o a oportunidade de se reproduzir. Pelicanos, pernilongos e outras aves aqu\u00e1ticas chegar\u00e3o de lugares t\u00e3o distantes como a China e o Jap\u00e3o. O p\u00f3 e a areia transformar-se-\u00e3o em verde, florindo em arbustos nativos com cores vibrantes.<\/p>\n<p>  <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1763230929_811_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>    Uma imagem recente mostra as \u00e1guas da enchente a passar pela bacia do Lago Eyre. &#8220;H\u00e1 esperan\u00e7a&#8221;, diz Annemarie van Doorn, co-gestora do Santu\u00e1rio de Vida Selvagem Kalamurina. (Imagem: Annemarie van Doorn) <\/p>\n<p>E as aves n\u00e3o ser\u00e3o as \u00fanicas a voar at\u00e9 este o\u00e1sis. &#8220;J\u00e1 n\u00e3o existem muitos lugares selvagens na Terra, e este \u00e9 um deles &#8211; selvagem e espetacular\u201d, diz Richard Kingsford. \u201cEstas cheias atraem, claramente, in\u00fameros visitantes locais e internacionais para testemunhar este fen\u00f3meno. Provocam um enorme boom tur\u00edstico.\u201d<\/p>\n<p>Mas o aumento de visitantes n\u00e3o tem sido isento de dores de crescimento, \u00e0 medida que a regi\u00e3o se adapta \u00e0 sua nova popularidade.<\/p>\n<p>Em fevereiro, o governo da Austr\u00e1lia do Sul anunciou uma proibi\u00e7\u00e3o de caminhar sobre o leito do lago, tanto para proteger a fr\u00e1gil crosta de sal e a superf\u00edcie como para prevenir ferimentos numa zona remota, onde a ajuda m\u00e9dica pode estar longe. A medida tamb\u00e9m respeita as pr\u00e1ticas culturais do povo Arabana, que considera o lago sagrado.<\/p>\n<p>Segundo um relat\u00f3rio recente da emissora p\u00fablica ABC, por\u00e9m, algumas pessoas continuam a aventurar-se sobre o leito do lago devido \u00e0 falta de sinaliza\u00e7\u00e3o que destaque a proibi\u00e7\u00e3o. O governo j\u00e1 prometeu instalar novos sinais e infraestruturas para visitantes em breve.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia como prote\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>  <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1763230930_244_f_webp.webp\"\/> <\/p>\n<p>    As enchentes trazem vegeta\u00e7\u00e3o para o interior, como mostra esta foto a\u00e9rea da bacia do Lago Eyre. (Imagem: Arid Air) <\/p>\n<p>Para servir o mercado tur\u00edstico, operadores como Phil van Wegen dedicam-se a uma vida no remoto outback australiano. Em Marree, uma pequena localidade a sul de Kati Thanda\u2013Lake Eyre, Van Wegen gere a Arid Air, uma empresa que oferece voos panor\u00e2micos sobre o enorme lago em pequenos avi\u00f5es Cessna de h\u00e9lice.<\/p>\n<p>\u201cO voo, o percurso que fazemos, deixa as pessoas maravilhadas\u201d, conta. Para ele, o deserto \u00e9 \u201cvasto, em constante mudan\u00e7a e espetacular.\u201d \u201cSe algu\u00e9m tem vontade de vir ver isto, Marree \u00e9 um destino relativamente f\u00e1cil. Estamos apenas a cerca de 700 quil\u00f3metros de Adelaide, e h\u00e1 alcatr\u00e3o at\u00e9 \u00e0 porta\u201d.<\/p>\n<p>A linha ferrovi\u00e1ria The Ghan passava por Marree at\u00e9 aos anos 1980, assegurando um \u201cpequeno centro movimentado\u201d, diz Van Wegen. Hoje, ele \u00e9 um dos cerca de 50 a 60 habitantes e acredita que s\u00e3o as grandes dist\u00e2ncias que ajudam a manter Kati Thanda\u2013Lake Eyre intocado.<\/p>\n<p>\u201cTem sorte por ser t\u00e3o remoto. Est\u00e1 t\u00e3o longe de tudo que ningu\u00e9m o toca, nem o explora. Isso \u00e9 a sua pr\u00f3pria forma de autopreserva\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ritmos naturais <\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa, no entanto, que Kati Thanda\u2013Lake Eyre n\u00e3o tenha protetores.<\/p>\n<p>Os conservacionistas Annemarie van Doorn e Luke Playford vigiam a regi\u00e3o como sentinelas. Juntos, gerem o Santu\u00e1rio de Vida Selvagem de Kalamurina, uma propriedade de 679 667 hectares pertencente \u00e0 Australian Wildlife Conservancy, situada na margem oriental do lago. A vastid\u00e3o do territ\u00f3rio que supervisionam s\u00f3 pode ser verdadeiramente compreendida a partir do helic\u00f3ptero que utilizam no seu trabalho de conserva\u00e7\u00e3o &#8211; a \u00e1rea pela qual s\u00e3o respons\u00e1veis \u00e9 do tamanho do estado norte-americano de Delaware.<\/p>\n<p>Quando a regi\u00e3o est\u00e1 seca e as estradas transit\u00e1veis, conseguem chegar ao supermercado mais pr\u00f3ximo &#8211; a nove horas de carro, na cidade de Port Augusta. Agora, por\u00e9m, as cheias cortaram as estradas de terra que os ligam ao resto do mundo. Permanecer\u00e3o na sua casa do deserto, isolados pela \u00e1gua durante meses, possivelmente at\u00e9 ao final do ano. O Royal Flying Doctor Service aterra ali uma vez por m\u00eas para verificar o seu estado.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se v\u00ea nada \u00e0 volta. \u00c9 t\u00e3o, t\u00e3o silencioso\u201d, conta Annemarie van Doorn \u00e0 CNN internacional por telefone. \u201cN\u00e3o h\u00e1 polui\u00e7\u00e3o luminosa, n\u00e3o h\u00e1 ru\u00eddo. E olhamos para cima e h\u00e1 um dingo a passear na duna de areia, e pensamos: \u2018Que sortudos somos n\u00f3s\u2019.<\/p>\n<p>Depois h\u00e1 outros momentos em que tens moscas a rastejar-te pelo nariz e pelos olhos, e est\u00e3o 48 graus, e pensas: \u2018Isto \u00e9 miser\u00e1vel\u2019, mas fazes tudo por uma grande causa.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"616\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6909ffe0d34e3caad84ae2d6.webp\" width=\"1132\"\/><\/p>\n<p>A grande causa do casal \u00e9 manter o ambiente intocado &#8211; o que implica sobretudo controlar a popula\u00e7\u00e3o de animais selvagens invasores, como javalis e camelos. Cerca de dois ter\u00e7os da \u00e1gua que chega a Kati Thanda-Lake Eyre passa por Kalamurina, e o casal observa a vida a transformar o seu mundo \u00e1rido.<\/p>\n<p>\u201cIsto \u00e9 especial porque \u00e9 um evento natural\u201d, diz Luke Playford. \u201c\u00c9 a maior cheia em 50 anos e, embora tenha causado muitos danos em Queensland, n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f3meno induzido pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. \u00c9 uma ocasi\u00e3o \u00fanica&#8221;. \u201c\u00c9 uma boa not\u00edcia\u201d, acrescenta Annemarie van Doorn. \u201cH\u00e1 esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>Essa esperan\u00e7a \u00e9 partilhada por Richard Kingsford, o ecologista, que se juntar\u00e1 a turistas, conservacionistas e outros cientistas em longas viagens por estrada e ar atrav\u00e9s do outback para vislumbrar um deserto temporariamente f\u00e9rtil.<\/p>\n<p>\u201cSou bi\u00f3logo de conserva\u00e7\u00e3o, e \u00e9 muitas vezes deprimente observar o mundo e o que lhe fazemos. Mas isto d\u00e1-me um otimismo incr\u00edvel &#8211; ver este sistema ainda a cumprir os seus ritmos naturais de forma t\u00e3o espetacular.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O deserto mais seco da Austr\u00e1lia est\u00e1 a florescer novamente depois de uma cheia hist\u00f3rica que est\u00e1 a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":153011,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[609,1353,611,2337,27,28,607,608,610,15,16,13095,830,14,82,25,26,570,21,22,62,1009,12,13,19,20,23,24,3813,839,17,18,7542,840,29,30,31,63,64,65,3814],"class_list":{"0":"post-153010","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-alerta","9":"tag-animais","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-australia","12":"tag-breaking-news","13":"tag-breakingnews","14":"tag-cnn","15":"tag-cnn-portugal","16":"tag-direto","17":"tag-featured-news","18":"tag-featurednews","19":"tag-fenomeno","20":"tag-guerra","21":"tag-headlines","22":"tag-internacional","23":"tag-latest-news","24":"tag-latestnews","25":"tag-live","26":"tag-main-news","27":"tag-mainnews","28":"tag-mundo","29":"tag-natureza","30":"tag-news","31":"tag-noticias","32":"tag-noticias-principais","33":"tag-noticiasprincipais","34":"tag-principais-noticias","35":"tag-principaisnoticias","36":"tag-putin","37":"tag-russia","38":"tag-top-stories","39":"tag-topstories","40":"tag-turistas","41":"tag-ucrania","42":"tag-ultimas","43":"tag-ultimas-noticias","44":"tag-ultimasnoticias","45":"tag-world","46":"tag-world-news","47":"tag-worldnews","48":"tag-zelensky"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153010","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=153010"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153010\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/153011"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=153010"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=153010"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=153010"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}