{"id":153987,"date":"2025-11-16T17:24:15","date_gmt":"2025-11-16T17:24:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/153987\/"},"modified":"2025-11-16T17:24:15","modified_gmt":"2025-11-16T17:24:15","slug":"a-maior-erupcao-algum-dia-observada-num-buraco-negro-libertou-a-luz-de-10-bilioes-de-sois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/153987\/","title":{"rendered":"A maior erup\u00e7\u00e3o algum dia observada num buraco negro libertou a luz de 10 bili\u00f5es de s\u00f3is"},"content":{"rendered":"<p>\t                Uma hist\u00f3ria long\u00edqua que envolve um &#8220;superhomem&#8221;<\/p>\n<p>Os astr\u00f3nomos detectaram a maior e mais distante erup\u00e7\u00e3o algum dia observada num buraco negro supermassivo. Batizada \u201cSuperhomem\u201d, a erup\u00e7\u00e3o est\u00e1 localizada a 10 mil milh\u00f5es de anos-luz da Terra, e no seu auge, a luz emitida emitia o brilho correspondente ao de 10 bili\u00f5es de s\u00f3is.<\/p>\n<p>A origem da erup\u00e7\u00e3o \u00e9 um n\u00facleo gal\u00e1tico ativo, ou AGN &#8211; uma regi\u00e3o reluzente e compacta no centro de uma gal\u00e1xia &#8211; e \u00e9 alimentada por um buraco negro supermassivo que est\u00e1 a alimentar-se ativamente do material. G\u00e1s e p\u00f3 caem num disco rotativo ao redor do buraco negro, e \u00e0 medida que os destritos giram mais rapidamente, ficam superaquecidos, libertando uma intensa radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os investigadores calcularam o que o gigantesco buraco negro consumiu para libertar uma explos\u00e3o t\u00e3o poderosa e conclu\u00edram que provavelmente devorou uma estrela massiva que, de outra forma, estaria destinada a chegar ao fim da sua vida explodindo.<\/p>\n<p>\u201cCerca de 1 em cada 10.000 AGN mostram algum tipo de atividade explosiva, mas esta \u00e9 t\u00e3o extrema que a coloca numa categoria pr\u00f3pria (o que corresponde aproximadamente a um evento num milh\u00e3o)\u201d, diz Matthew Graham, professor investigador de Astronomia do Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia, num e-mail enviado \u00e0 CNN. Graham \u00e9 o principal autor de um estudo sobre o fen\u00f3meno sem precedentes publicado no in\u00edcio do m\u00eas na revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41550-025-02699-0\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Nature Astronomy<\/a>.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o sugere que existem popula\u00e7\u00f5es desconhecidas de estrelas gigantes perto dos centros de grandes gal\u00e1xias, que tamb\u00e9m abrigam buracos negros supermassivos &#8211; e derrama luz sobre as intera\u00e7\u00f5es complicadas entre dois gigantes.<\/p>\n<p>Um banquete estelar maci\u00e7o <\/p>\n<p>A superhomem foi detectada pela primeira vez pelo Catalina Real-Time Transient Survey e pelo Zwicky Transient Facility no Observat\u00f3rio Palomar, no sul da Calif\u00f3rnia, em novembro de 2018. O Zwicky, que varre o c\u00e9u noturno com uma c\u00e2mara de campo amplo, tem a reputa\u00e7\u00e3o de permitir que os astr\u00f3nomos descubram fen\u00f3menos c\u00f3smicos transit\u00f3rios ou fugazes, como supernovas que brilham rapidamente.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, o objeto n\u00e3o parecia incomum, apenas brilhante, refere Graham. A equipa de astr\u00f3nomos pensou que fosse um blazar, ou um buraco negro supermassivo que lan\u00e7a jatos energ\u00e9ticos de material pelo cosmos.<\/p>\n<p>Cinco anos depois, a equipa revisitou os dados iniciais recolhidos pelo trabalho de campo do Zwicky e notaram um sinal, anteriormente considerado um blazar, que havia mudado constantemente ao n\u00edvel do brilho. A equipa capturou observa\u00e7\u00f5es de acompanhamento com outros telesc\u00f3pios, como o do Observat\u00f3rio W. M. Keck, no Havai, que revelaram que a fonte de luz era mais luminosa e energ\u00e9tica do que se pensava inicialmente.<\/p>\n<p>Perceberam que a luz vinha de um n\u00facleo gal\u00e1ctico ativo estimado em 500 milh\u00f5es de vezes mais massivo do que o nosso sol.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1763313855_225_f_webp.webp\" width=\"600\"\/> <\/p>\n<p>   O Telesc\u00f3pio Samuel Oschin no Observat\u00f3rio Palomar, na Calif\u00f3rnia, onde fica o Zwicky Transient Facility. Zwicky ajudou a detetar a poderosa erup\u00e7\u00e3o &#8220;superhomem&#8221; em 2018. foto Palomar\/Caltech <\/p>\n<p>Os astr\u00f3nomos consideraram v\u00e1rias raz\u00f5es poss\u00edveis para o brilho intenso da erup\u00e7\u00e3o, como a explos\u00e3o de uma estrela massiva dentro do disco de material ao redor do buraco negro, antes de determinarem que a causa mais prov\u00e1vel \u00e9 um evento de perturba\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s &#8211; quando uma estrela se aproxima demais de um buraco negro e \u00e9 destru\u00edda.<\/p>\n<p>A erup\u00e7\u00e3o continua, o que significa que o buraco negro ainda est\u00e1 a consumir ativamente a estrela, como \u201cum peixe que est\u00e1 apenas a meio caminho da garganta de uma baleia\u201d, diz Graham.<\/p>\n<p>A superhomem atingiu um pico de brilho 30 vezes mais luminoso do que qualquer outro surto conhecido de buraco negro, e a estrela que est\u00e1 a ser consumida pelo buraco negro tem uma massa pelo menos 30 vezes maior do que a do sol. O recorde anterior para um evento de perturba\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s foi estabelecido pelo ZTF20abrbeie, apelidado de \u201cBarbie Assustadora\u201d, que foi causado quando um buraco negro devorou uma estrela entre tr\u00eas a dez vezes maior do que o nosso sol.<\/p>\n<p>\u201cEsta \u00e9 provavelmente a estrela mais massiva j\u00e1 vista a ser destru\u00edda por um buraco negro supermassivo\u201d, ressalta em comunicado o coautor do estudo K.E. Saavik Ford, professor de Astronomia no Borough of Manhattan Community College e investigador associado no Departamento de Astrof\u00edsica do Museu Americano de Hist\u00f3ria Natural, em Nova Iorque. \u201cIsto \u00e9 empolgante porque nos diz que estrelas massivas devem viver dentro e ao redor de discos de g\u00e1s em torno de buracos negros supermassivos.\u201d<\/p>\n<p>Espreitar para dentro dos cora\u00e7\u00f5es das gal\u00e1xias <\/p>\n<p>A equipa continua a monitorizar a erup\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que ela se desvanece com o tempo &#8211; embora o tempo passe de forma diferente perto de um buraco negro em compara\u00e7\u00e3o com o que \u00e9 experimentado na Terra, refere Graham.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um fen\u00f3meno chamado dilata\u00e7\u00e3o cosmol\u00f3gica do tempo devido ao alongamento do espa\u00e7o e do tempo. \u00c0 medida que a luz viaja pelo espa\u00e7o em expans\u00e3o para chegar at\u00e9 n\u00f3s, o seu comprimento de onda alonga-se, assim como o pr\u00f3prio tempo\u201d, explica. \u201cSete anos aqui s\u00e3o dois anos l\u00e1. Estamos a assistir ao evento a ser reproduzido a um quarto da velocidade.\u201d<\/p>\n<p>Como a erup\u00e7\u00e3o ocorreu a 10 mil milh\u00f5es de anos-luz de dist\u00e2ncia, a luz levou 10 mil milh\u00f5es de anos para chegar \u00e0 Terra. Um ano-luz \u00e9 a dist\u00e2ncia que a luz percorre no espa\u00e7o de um ano, ou seja, <a href=\"https:\/\/exoplanets.nasa.gov\/faq\/26\/what-is-a-light-year\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">9,46 bili\u00f5es de quil\u00f3metros<\/a>.<\/p>\n<p>Ao analisar os dados do Zwicky e usando novos telesc\u00f3pios, como o Observat\u00f3rio Vera C. Rubin, no Chile, pode ser poss\u00edvel identificar mais destes eventos raros, que mostram que os buracos negros supermassivos t\u00eam ambientes din\u00e2micos e correspondem a muito mais do que grandes buracos cercados por material em turbilh\u00e3o, diz Graham.<\/p>\n<p>Chamas como esta revelam a presen\u00e7a de estrelas incrivelmente grandes perto do centro das gal\u00e1xias e esclarecem a pr\u00f3pria estrutura das gal\u00e1xias, indica Ford.<\/p>\n<p>\u201cCompreender as estrelas no centro das gal\u00e1xias (quantas existem, como s\u00e3o) em \u00e9pocas t\u00e3o remotas do universo d\u00e1-nos uma nova forma de investigar a forma\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias em geral\u201d, adianta.<\/p>\n<p>A descoberta representa um salto surpreendente na nossa compreens\u00e3o dos eventos mais poderosos do universo, acrescenta Danny Milisavljevic, professor associado de F\u00edsica e Astronomia da Universidade Purdue. Milisavljevic n\u00e3o participou no novo estudo, mas j\u00e1 havia investigado o evento \u201cBarbie Assustadora\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAntes pens\u00e1vamos que a \u2018Barbie Assustadora\u2019 era uma anomalia bizarra e \u00fanica, mas esta nova erup\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais extrema, libertando tanta energia quanto se todo o Sol fosse convertido completamente em radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica\u201d, explica num e-mail.<\/p>\n<p>\u201cPertence a uma classe emergente de transientes nucleares extremos (ENTs), um fen\u00f3meno pouco compreendido que desafia os nossos modelos atuais sobre como os buracos negros e as estrelas interagem.\u201d<\/p>\n<p>A erup\u00e7\u00e3o revela perspetivas sobre o crescimento dos buracos negros, como eles destroem estrelas pr\u00f3ximas e como a sua imensa energia pode moldar as gal\u00e1xias ao seu redor, adianta Alex Filippenko, ilustre professor de Astronomia da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley. Filippenko n\u00e3o participou na nova investiga\u00e7\u00e3o, mas o seu trabalho estabeleceu uma base s\u00f3lida para a f\u00edsica dos n\u00facleos gal\u00e1cticos ativos.<\/p>\n<p>\u201cQuando um buraco negro supermassivo entra repentinamente em erup\u00e7\u00e3o com um brilhante clar\u00e3o, ele oferece aos astr\u00f3nomos um lugar na primeira fila para observar alguns dos fen\u00f3menos f\u00edsicos mais extremos do universo\u201d, diz por e-mail. \u201cAo capturar esse brilho recorde, os astr\u00f3nomos abriram uma nova janela para a f\u00edsica extrema dos centros gal\u00e1cticos, onde estrelas, g\u00e1s e gravidade colidem nos laborat\u00f3rios mais violentos do universo.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria long\u00edqua que envolve um &#8220;superhomem&#8221; Os astr\u00f3nomos detectaram a maior e mais distante erup\u00e7\u00e3o algum dia&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":153988,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[609,836,611,443,33195,27,20628,109,107,108,607,608,333,832,604,135,610,476,2270,16225,1008,413,19324,301,830,603,570,831,833,62,834,13,835,602,52,32,33,105,103,104,33194,106,110,29],"class_list":{"0":"post-153987","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-alerta","9":"tag-analise","10":"tag-ao-minuto","11":"tag-astronomia","12":"tag-barbie-assustadora","13":"tag-breaking-news","14":"tag-buraco-negro","15":"tag-ciencia","16":"tag-ciencia-e-tecnologia","17":"tag-cienciaetecnologia","18":"tag-cnn","19":"tag-cnn-portugal","20":"tag-comentadores","21":"tag-costa","22":"tag-crime","23":"tag-desporto","24":"tag-direto","25":"tag-economia","26":"tag-energia","27":"tag-erupcao","28":"tag-espaco","29":"tag-eua","30":"tag-galaxias","31":"tag-governo","32":"tag-guerra","33":"tag-justica","34":"tag-live","35":"tag-mais-vistas","36":"tag-marcelo","37":"tag-mundo","38":"tag-negocios","39":"tag-noticias","40":"tag-opiniao","41":"tag-pais","42":"tag-politica","43":"tag-portugal","44":"tag-pt","45":"tag-science","46":"tag-science-and-technology","47":"tag-scienceandtechnology","48":"tag-superhomem","49":"tag-technology","50":"tag-tecnologia","51":"tag-ultimas"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":"Validation failed: Text character limit of 500 exceeded"},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=153987"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153987\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/153988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=153987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=153987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=153987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}