{"id":154127,"date":"2025-11-16T19:50:21","date_gmt":"2025-11-16T19:50:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154127\/"},"modified":"2025-11-16T19:50:21","modified_gmt":"2025-11-16T19:50:21","slug":"a-europa-de-hoje-assemelha-se-a-italia-do-renascimento-e-isso-e-um-problema","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154127\/","title":{"rendered":"A Europa de hoje assemelha-se \u00e0 It\u00e1lia do Renascimento \u2014 e isso \u00e9 um problema"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/sunset-in-venice-19025307.html\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"exclude\" target=\"_blank\">Maugli  \/ Depositphotos <\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-711813\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/08c6a51dde006e64aed953b94fd68f0c-5-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text bot\">P\u00f4r do Sol em Veneza<\/p>\n<p><strong>Os europeus t\u00eam duas op\u00e7\u00f5es. Podem acordar, ou resignar-se a transformar o continente num imenso conjunto de monumentos e mem\u00f3rias que ecoam no vazio.<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00e9poca da Renascen\u00e7a, no final do s\u00e9culo XV, a<strong> It\u00e1lia era a joia da Europa<\/strong>. Veneza dominava os mares; Floren\u00e7a liderava as artes e as finan\u00e7as; e Mil\u00e3o destacava-se no com\u00e9rcio e na tecnologia.<\/p>\n<p><strong>Nenhuma outra regi\u00e3o do mundo<\/strong> ocidental estava t\u00e3o avan\u00e7ada. No entanto, em poucas d\u00e9cadas, perdeu tanto a independ\u00eancia pol\u00edtica como a primazia econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>A Europa de hoje corre um risco semelhante, diz o economista <strong>Andrea Dugo<\/strong>\u00a0 num artigo de opini\u00e3o no <a href=\"https:\/\/www.politico.eu\/article\/europe-competitiveness-industry-technology\/\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">Politico<\/a>.<\/p>\n<p>Depois de ter sido objeto de <strong>inveja global<\/strong>, a lideran\u00e7a do bloco europeu esvaiu-se. A Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o est\u00e1 apenas politicamente dividida: est\u00e1 agora tamb\u00e9m claramente a <strong>ficar para tr\u00e1s<\/strong> nos setores que moldar\u00e3o o resto deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Os<strong> jovens talentos partem para os Estados Unidos e para a \u00c1sia<\/strong>, enquanto a economia europeia se transforma cada vez mais<strong> numa esp\u00e9cie de museu<\/strong> ao ar livre de proezas passadoas.<\/p>\n<p>Quer no crescimento, quer <strong>na tecnologia, na ind\u00fastria ou nos padr\u00f5es de vida<\/strong>, a Europa arrisca tornar-se <strong>uma prov\u00edncia num mundo definido por outros<\/strong>. E tem muito a aprender com o decl\u00ednio da It\u00e1lia renascentista.<\/p>\n<p><strong>Os sinais de alerta s\u00e3o evidentes<\/strong>: desde 2008, o PIB da UE cresceu apenas 18%, enquanto os EUA avan\u00e7aram ao dobro do ritmo e a China quase triplicou.<\/p>\n<p><strong>O turismo continua em alta<\/strong>, \u00e9 certo, mas os milh\u00f5es que perseguem escapadelas para fotografar no Instagram <strong>n\u00e3o chegam para compensar a estagna\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2014 e tamb\u00e9m acarretam custos.<\/p>\n<p><strong>A queda nos padr\u00f5es de vida<\/strong> dentro do bloco tem tamb\u00e9m semelhan\u00e7as com a It\u00e1lia renascentista. Por volta de 1450, o rendimento per capita italiano era 50% superior ao dos Pa\u00edses Baixos. <strong>Um s\u00e9culo depois<\/strong>, os neerlandeses eram 15% mais ricos e, <strong>por volta de 1650, quase duplicavam o n\u00edvel de riqueza<\/strong> dos italianos.<\/p>\n<p><strong>A Europa moderna desliza ainda mais depressa<\/strong>. Em 1995, o PIB per capita da Alemanha era 10% superior ao dos EUA; hoje, os Estados Unidos est\u00e3o 60% acima. Mantido o ritmo, o <strong>n\u00edvel de prosperidade alem\u00e3o poder\u00e1 reduzir-se para 1\/3<\/strong> do norte-americano dentro de uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal como na It\u00e1lia do Renascimento, este <strong>mal-estar econ\u00f3mico<\/strong> revela um fosso tecnol\u00f3gico profundo.<\/p>\n<p>Rainha dos mares no seu auge,<strong> Veneza agarrou-se a tecnologias ultrapassadas<\/strong> e pagou o pre\u00e7o. As suas gal\u00e9s, excelentes nas \u00e1guas calmas do Mediterr\u00e2neo, nada podiam contra as <strong>caravelas oce\u00e2nicas que levaram Portugal e Espanha <\/strong>aos quatro cantos do mundo.<\/p>\n<p><strong>A Europa atual est\u00e1 a repetir o erro<\/strong>. <strong>Em Intelig\u00eancia Artificial<\/strong>, o investimento europeu corresponde a apenas 4% do norte-americano. Hoje, a OpenAI est\u00e1 avaliada em 500 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, enquanto <strong>a maior startup europeia de IA<\/strong>, a Mistral, <strong>vale apenas 15 mil milh\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p>E embora tenha sido pioneira na <strong>ci\u00eancia qu\u00e2ntica<\/strong>, a Europa ficou para tr\u00e1s na sua aplica\u00e7\u00e3o comercial. Atualmente, uma \u00fanica startup norte-americana, a IonQ, angariou <strong>mais capital do que todas as empresas qu\u00e2nticas da Europa<\/strong> somadas.<\/p>\n<p><strong>Mesmo na \u00e1rea das baterias<\/strong>, a t\u00e3o elogiada Northvolt, da Su\u00e9cia, colapsou em mar\u00e7o, acabando adquirida por uma startup de Silicon Valley.<\/p>\n<p><strong>As ind\u00fastrias tradicionais tamb\u00e9m fraquejam<\/strong>. No seu conjunto, os tr\u00eas principais construtores autom\u00f3veis alem\u00e3es <strong>valem apenas 1\/8 da Tesla<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>A Ericsson e a Nokia<\/strong>, outrora l\u00edderes mundiais em redes m\u00f3veis, ficaram atr\u00e1s dos rivais asi\u00e1ticos no 5G. E a <strong>Arianespace francesa<\/strong>, que dominou durante d\u00e9cadas os lan\u00e7amentos de sat\u00e9lites, <strong>depende agora de lugares comprados<\/strong> nos foguet\u00f5es do bilion\u00e1rio da tecnologia Elon Musk.<\/p>\n<p><strong>O problema n\u00e3o est\u00e1 na inven\u00e7\u00e3o \u2014 est\u00e1 na escala<\/strong>. Apesar de ter engenheiros de topo e universidades de excel\u00eancia, <strong>quase 30% dos \u201cunic\u00f3rnios\u201d europeus<\/strong> mudaram-se para os EUA desde 2008, levando consigo os seus empreendedores mais ambiciosos.<\/p>\n<p><strong>O continente acende a fa\u00edsca das ideias<\/strong>, mas os Estados Unidos alimentam-nas e <strong>colhem os lucros<\/strong> \u2014 mais um padr\u00e3o que replica a It\u00e1lia renascentista, que fornecia talento enquanto outros constru\u00edam imp\u00e9rios.<\/p>\n<p>Alguns <strong>dos seus maiores exploradores de h\u00e1 500 anos, como Colombo<\/strong>, Caboto, Vespucci, Verrazzano, formaram-se em It\u00e1lia, mas acabaram por navegar e conseguir as suas conquistas <strong>sob bandeiras estrangeiras<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>A raiz do problema, ontem como hoje, \u00e9 pol\u00edtica<\/strong>. Tal como as cidades-estado rivais do s\u00e9culo XVI, a Europa atual encontra-se <strong>fragmentada e fraca<\/strong>.<\/p>\n<p>As capitais <strong>chocam em mat\u00e9rias de energia, d\u00edvida, migra\u00e7\u00e3o<\/strong> ou pol\u00edtica industrial; uma estrat\u00e9gia de defesa comum continua a ser apenas uma ambi\u00e7\u00e3o; e planos arrojados para investir em tecnologia ou aprofundar os mercados de capitais naufragam em discuss\u00f5es intermin\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Foi esta desuni\u00e3o que condenou a It\u00e1lia<\/strong>, tornando-a presa f\u00e1cil de pot\u00eancias estrangeiras que acabariam por dividir a pen\u00ednsula.<\/p>\n<p>E as <strong>divis\u00f5es atuais do bloco deixam-no vulner\u00e1vel<\/strong> perante concorrentes globais: Washington dita a defesa; a R\u00fassia amea\u00e7a o leste europeu; a China domina as cadeias de abastecimento; e Silicon Valley impera na economia digital.<\/p>\n<p>Mas <strong>o desfecho n\u00e3o est\u00e1 escrito<\/strong>.<\/p>\n<p>A UE construiu institui\u00e7\u00f5es que a It\u00e1lia renascentista jamais poderia imaginar: um <strong>mercado \u00fanico, uma moeda comum, um parlamento<\/strong>. Continua a acolher centros de investiga\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia mundial e destaca-se na ind\u00fastria avan\u00e7ada, na farmac\u00eautica, na aeron\u00e1utica, nas energias verdes e no design. O continente ainda pode liderar \u2014 <strong>mas s\u00f3 se decidir agir<\/strong>, real\u00e7a Andrea Dugo.<\/p>\n<p><strong>A It\u00e1lia do s\u00e9culo XVI n\u00e3o teve essa oportunidade<\/strong>. A geografia prendeu-a ao Mediterr\u00e2neo enquanto <strong>as rotas comerciais se deslocavam para o Atl\u00e2ntico<\/strong>, e o com\u00e9rcio entrou em estagna\u00e7\u00e3o. Novas tecnologias navais deixaram as suas frotas para tr\u00e1s e os seus melhores talentos procuraram fortuna noutros lugares.<\/p>\n<p><strong>A Europa, por\u00e9m, n\u00e3o enfrenta essa limita\u00e7\u00e3o<\/strong>. Nada a impede \u2014 a n\u00e3o ser a sua pr\u00f3pria timidez pol\u00edtica e a fragmenta\u00e7\u00e3o interna.<\/p>\n<p>O bloco precisa de <strong>aceitar custos agora para evitar o maior dos custos<\/strong> mais tarde: a <strong>irrelev\u00e2ncia<\/strong>. Tem de investir de forma decidida em tecnologias como a IA, a computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica, o espa\u00e7o e a biotecnologia, construir uma defesa cred\u00edvel e criar mercados de capitais que <strong>permitam \u00e0s startups crescer em casa<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>As receitas s\u00e3o conhecidas<\/strong>. Mario Draghi, antigo primeiro-ministro italiano, detalhou-as no seu relat\u00f3rio sobre o futuro da UE. <strong>O que falta \u00e9 vontade pol\u00edtica<\/strong>.<\/p>\n<p>Outrora o cora\u00e7\u00e3o pulsante da Europa, a It\u00e1lia tornou-se, com o tempo, uma terra de <strong>visitantes em vez de inovadores<\/strong>. E a li\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria \u00e9 clara: a cultura permaneceu, mas o poder desvaneceu-se.<\/p>\n<p>A UE ainda tem tempo para <strong>evitar esse destino<\/strong>. Os europeus podem acordar \u2014 ou resignar-se a transformar o continente <strong>num lugar de monumentos e mem\u00f3rias<\/strong>, conclui Andrea Dugo.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Maugli \/ Depositphotos P\u00f4r do Sol em Veneza Os europeus t\u00eam duas op\u00e7\u00f5es. 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