{"id":154160,"date":"2025-11-16T20:16:25","date_gmt":"2025-11-16T20:16:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154160\/"},"modified":"2025-11-16T20:16:25","modified_gmt":"2025-11-16T20:16:25","slug":"um-pequeno-inseto-australiano-para-travar-a-invasao-das-acacias-no-litoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154160\/","title":{"rendered":"Um pequeno inseto australiano para travar a invas\u00e3o das ac\u00e1cias no litoral"},"content":{"rendered":"<p> <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/um-pequeno-inseto-australiano-para-travar-a-invasao-das-acacias-no-litoral-1762977326430_1024.png\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Ac\u00e1cia\" title=\"Ac\u00e1cia\" data-image=\"mlgnrh6mok0f\"\/>Um pequeno inseto australiano, a vespa Trichilogaster acaciaelongifoliae, pode ser a chave para travar a expans\u00e3o da ac\u00e1cia-de-espigas em Portugal, ajudando a restaurar as dunas costeiras e a biodiversidade nativa.   <img decoding=\"async\" fetchpriority=\"high\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/paula-goncalves.jpg\" alt=\"Paula Gon\u00e7alves\" width=\"40\" height=\"40\"\/>    <a class=\"nombre text-hv\" href=\"https:\/\/www.tempo.pt\/autor\/paula-goncalves\/\" title=\"Paula Gon\u00e7alves\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Paula Gon\u00e7alves<\/a>      16\/11\/2025 18:01   6 min   <\/p>\n<p>A invas\u00e3o das dunas e zonas costeiras por Acacia longifolia, vulgarmente conhecida por ac\u00e1cia-de-espigas, \u00e9 j\u00e1 um dos maiores desafios ecol\u00f3gicos no litoral portugu\u00eas. Esta esp\u00e9cie ex\u00f3tica <strong>prolifera rapidamente, competindo com a vegeta\u00e7\u00e3o nativa <\/strong>e modificando os ecossistemas dunares.<\/p>\n<p>Agora, investigadores da Universidade de Coimbra (UC) e da Escola Superior Agr\u00e1ria de Coimbra (ESAC\/IPC) descobriram que <strong>a introdu\u00e7\u00e3o de um pequeno inseto australiano poder\u00e1 constituir uma solu\u00e7\u00e3o eficaz para conter esta praga<\/strong>.<\/p>\n<p>A \u00abinvas\u00e3o\u00bb das ac\u00e1cias<\/p>\n<p>A ac\u00e1cia-de-espigas \u00e9 origin\u00e1ria do sudeste da Austr\u00e1lia e foi introduzida em Portugal sobretudo por via de arboriza\u00e7\u00e3o ou fixa\u00e7\u00e3o de solos costeiros.Contudo, as suas caracter\u00edsticas biol\u00f3gicas, <strong>r\u00e1pido crescimento, abundante produ\u00e7\u00e3o de sementes<\/strong>, adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente costeiro fizeram dela uma esp\u00e9cie invasora de enorme sucesso.<\/p>\n<p>No litoral portugu\u00eas, especialmente na regi\u00e3o Centro e Norte, <strong>as ac\u00e1cias proliferam nas dunas<\/strong>, empurrando a vegeta\u00e7\u00e3o aut\u00f3ctone e alterando os habitats naturais.<\/p>\n<p>Os problemas s\u00e3o v\u00e1rios: <strong>a forma\u00e7\u00e3o de povoamentos densos de ac\u00e1cia limita a sobreviv\u00eancia de esp\u00e9cies nativas<\/strong>, modifica o microclima e estrutura das dunas, e ainda contribui para a fixa\u00e7\u00e3o de muito material vegetal morto que aumenta o risco de inc\u00eandio. Por isso, <strong>combater esta esp\u00e9cie tornou-se uma prioridade <\/strong><strong>ambiental<\/strong>.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica: vespa australiana<\/p>\n<p>Para travar esta praga, os cientistas prop\u00f5em agora a utiliza\u00e7\u00e3o do inseto Trichilogaster acaciaelongifoliae, <strong>uma vespa origin\u00e1ria da Austr\u00e1lia que parasita especificamente a ac\u00e1cia-de-espigas<\/strong>. O mecanismo \u00e9 simples, mas engenhoso:<strong> <\/strong>a f\u00eamea da vespa deposita os ovos nas gemas florais da ac\u00e1cia.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia, a <strong>planta forma galerias (\u201cgalhas\u201d) em vez de flores<\/strong>, impedindo a forma\u00e7\u00e3o de vagens e sementes.<\/p>\n<p>Um pequeno inseto australiano, inteligente no seu funcionamento, pode dar um grande contributo para restaurar o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico nas dunas.<\/p>\n<p>Com isto, o ciclo reprodutivo da ac\u00e1cia fica gravemente comprometido. Os investigadores observaram que, em \u00e1reas onde o agente j\u00e1 est\u00e1 instalado h\u00e1 nove anos, a produ\u00e7\u00e3o de sementes praticamente desapareceu.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o impressionantes: o estudo revela que a introdu\u00e7\u00e3o desta vespa pode <strong>reduzir at\u00e9 98% a produ\u00e7\u00e3o de sementes da ac\u00e1cia-de-espigas<\/strong> nas dunas portuguesas.<\/p>\n<p>Porqu\u00ea este m\u00e9todo?<\/p>\n<p>Optar pelo <strong>controlo biol\u00f3gico<\/strong>, em vez de apenas corte mec\u00e2nico ou aplica\u00e7\u00e3o de herbicidas, apresenta v\u00e1rias vantagens:<\/p>\n<ul>\n<li>Menor impacto ambiental: <strong>evita o uso intensivo de qu\u00edmicos<\/strong> e perturba\u00e7\u00f5es acrescidas do solo.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/um-pequeno-inseto-australiano-para-travar-a-invasao-das-acacias-no-litoral-1762977363376_1024.png\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Ecossistema do litoral\" title=\"Ecossistema do litoral\" data-image=\"v734fv898bhg\"\/>A ac\u00e1cia-de-espigas, uma esp\u00e9cie invasora origin\u00e1ria da Austr\u00e1lia, est\u00e1 a dominar as dunas portuguesas, amea\u00e7ando a vegeta\u00e7\u00e3o nativa e transformando profundamente os ecossistemas do litoral.<\/p>\n<ul>\n<li>Sustentabilidade: uma vez instalado, <strong>o agente biol\u00f3gico pode continuar a atuar<\/strong> sem grandes interven\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Focalizado: a vespa parece ter especificidade para a ac\u00e1cia-de-espigas, o que <strong>reduz o risco para outras esp\u00e9cies<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Escal\u00e1vel: os resultados preliminares mostram que <strong>pode funcionar em grande escala, nas zonas costeiras<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Mas\u2026 quais os riscos e limita\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Nenhuma estrat\u00e9gia \u00e9 <strong>isenta de desafios<\/strong>. Alguns pontos a ter em conta:<\/p>\n<ul>\n<li>A <strong>vigil\u00e2ncia continua \u00e9 necess\u00e1ria<\/strong> para garantir que a vespa n\u00e3o se torne igualmente uma esp\u00e9cie invasora ou afete outras plantas indesejadamente.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>O controlo biol\u00f3gico raramente resolve tudo sozinho: os investigadores recomendam que a vespa seja usada em <strong>combina\u00e7\u00e3o com outras pr\u00e1ticas, como o corte mec\u00e2nico das ac\u00e1cias mais antigas<\/strong>, de modo a acelerar a regenera\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>O sucesso em cada local pode <strong>depender de vari\u00e1veis ambientais<\/strong> (solo, clima, exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 costa) e da rapidez com que a vespa se estabelece.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>A implementa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e em larga escala requer <strong>planeamento, acompanhamento e recursos, <\/strong>n\u00e3o basta \u201clibertar o inseto e esperar\u201d.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Impactos esperados<\/p>\n<p>Se a estrat\u00e9gia for bem implementada, os benef\u00edcios poder\u00e3o ser significativos:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Redu\u00e7\u00e3o da densidade<\/strong> de ac\u00e1cia nas dunas costeiras.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Recupera\u00e7\u00e3o de habitats naturais dunares, permitindo a <strong>regenera\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies aut\u00f3ctones <\/strong>e a restaura\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/li>\n<\/ul>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" fetchpriority=\"low\" class=\"lazy \" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/um-pequeno-inseto-australiano-para-travar-a-invasao-das-acacias-no-litoral-1762977610084_1024.png\"  width=\"768\" height=\"432\" alt=\"Inseto\" title=\"Inseto\" data-image=\"979alzkwyii5\"\/>A pequena vespa australiana Trichilogaster acaciaelongifoliae pode travar a reprodu\u00e7\u00e3o da ac\u00e1cia-de-espigas, oferecendo uma solu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica inovadora para conter a praga que amea\u00e7a o litoral portugu\u00eas.<\/p>\n<ul>\n<li>Diminui\u00e7\u00e3o dos riscos associados \u00e0 <strong>acumula\u00e7\u00e3o de biomassa das ac\u00e1cias, <\/strong>como o risco de inc\u00eandio ou do solo.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Uma abordagem que <strong>pode servir de modelo para outros casos <\/strong>de esp\u00e9cies invasoras em Portugal e na Europa.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Claro que n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o milagrosa e exige <strong>implementa\u00e7\u00e3o cuidada e integrada<\/strong>, mas trata-se de um passo importante. Em \u00faltima an\u00e1lise, a mensagem \u00e9 clara: a luta contra esp\u00e9cies invasoras como a<strong> ac\u00e1cia-de-espigas passa por inova\u00e7\u00e3o<\/strong>, ci\u00eancia e interven\u00e7\u00e3o coordenada. Se o m\u00e9todo der frutos, estaremos mais pr\u00f3ximos de <strong>ver as dunas costeiras respirarem novamente<\/strong>, livres do dom\u00ednio desta \u00e1rvore invasora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um pequeno inseto australiano, a vespa Trichilogaster acaciaelongifoliae, pode ser a chave para travar a expans\u00e3o da ac\u00e1cia-de-espigas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":154161,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,13930,9560,32,33,105,103,104,106,110,33230],"class_list":{"0":"post-154160","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-invasao","12":"tag-plantas","13":"tag-portugal","14":"tag-pt","15":"tag-science","16":"tag-science-and-technology","17":"tag-scienceandtechnology","18":"tag-technology","19":"tag-tecnologia","20":"tag-vespa"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115561220441787540","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154160","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154160"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154160\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154160"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154160"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154160"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}