{"id":154170,"date":"2025-11-16T20:25:34","date_gmt":"2025-11-16T20:25:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154170\/"},"modified":"2025-11-16T20:25:34","modified_gmt":"2025-11-16T20:25:34","slug":"filipaa-mon-sant-cruza-rap-com-obra-de-saramago-e-abre-caminhos-pelos-dias-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154170\/","title":{"rendered":"Filipaa Mon Sant cruza \u2018rap\u2019 com obra de Saramago e abre caminhos pelos dias de hoje"},"content":{"rendered":"<p>O \u00e1lbum \u201cRaphanus Raphanistrum\u201d, que toma o nome cient\u00edfico da planta saramago, materializa o projeto art\u00edstico da \u2018rapper\u2019 Filipaa Mon Sant (ex-Russa) em que cruza o universo \u2018rap\u2019 com a obra do Nobel da Literatura, Jos\u00e9 Saramago.<\/p>\n<p>\u201cO disco n\u00e3o \u00e9 uma reinterpreta\u00e7\u00e3o da obra de Saramago, n\u00e3o \u00e9 meramente \u2018vou aqui citar a obra\u2019 ou fazer uma coisa \u00f3bvia. Se eu estiver a citar uma personagem eu estou a reencarn\u00e1-la; \u00e9 o mesmo que contar a minha experi\u00eancia \u00e0 luz do s\u00e9culo XXI, como se fosse exatamente agora, como se eu fosse aquela personagem no hoje\u201d, afirmou Filipaa Mon Sant, em entrevista \u00e0 ag\u00eancia Lusa.<\/p>\n<p>Filipaa Mon Sant \u00e9 o alter ego de Filipa Flor\u00eancio, natural de Fazendas de Almeirim, no Ribatejo, regi\u00e3o onde nasceu Jos\u00e9 Saramago (1922-2010), e que em termos art\u00edsticos assumiu anteriormente o nome de Russa, apelido pela qual era conhecida na escola, por ter estudado na ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>Russa gravou cerca de 50 faixas e venceu o Pr\u00e9mio Novos Talentos FNAC e apresentou o \u00e1lbum \u201cCatarse\u201d (2018), um dos primeiros registos de \u201ctrap\u201d em Portugal, em mais de 30 palcos, nomeadamente no NOS Alive e no Sumol Summer Fest.<\/p>\n<p>\u201cRaphanus Raphanistrum\u201d, rec\u00e9m-editado, \u00e9 o seu novo projeto art\u00edstico, cujo objetivo \u00e9 \u201cn\u00e3o s\u00f3 sair do espectro do \u2018rap\u2019, como da m\u00fasica no geral, e criar conceitos que possam englobar mais vertentes da arte, n\u00e3o s\u00f3 a m\u00fasica, como o cinema, a pintura, e muita coisa que vem a\u00ed\u201d, disse, acrescentando: \u201cPassar do artista para a corrente art\u00edstica\u201d.<\/p>\n<p>Mont Sant assume uma milit\u00e2ncia pela igualdade c\u00edvica, o direito \u00e0 leitura e \u00e0 escrita, e a causa LGBT (L\u00e9sbicas, Gays, Bissexuais e Transg\u00e9nero). Por isso, \u201cRaphanus Raphanistrum\u201d tamb\u00e9m marca o in\u00edcio de um percurso que trata a m\u00fasica como ferramenta de pensamento cultural, c\u00edvico, \u201cn\u00e3o como produto de cat\u00e1logo\u201d.<\/p>\n<p>A este projeto liga-se outro, \u201cThe House of Monsanters\u201d, iniciado pela artista h\u00e1 cerca de oito meses, nascido de uma necessidade sua de ir al\u00e9m da forma como a causa LGBT \u00e9 abordada nas redes sociais: \u201cOra s\u00e3o pessoas envolvidas na pol\u00edtica, que fazem um conte\u00fado muito denso, \u00e0s vezes dif\u00edcil de absorver, ou pessoas a fazerem um conte\u00fado muito estereotipado, muito sexualizado e at\u00e9 quase alvo de chacota\u201d.<\/p>\n<p>Filipaa considerou que n\u00e3o havia nada que a \u201crepresentasse verdadeiramente\u201d e come\u00e7ou a criar \u201cv\u00eddeos educacionais, mas que fossem divertidos, que n\u00e3o fossem muito densos e dessem para as pessoas compreenderem o que est\u00e1 por detr\u00e1s deste conceito\u201d, at\u00e9 ter criado em setembro \u00faltimo um outro projeto, \u201ccom alguma s\u00e1tira\u201d, \u201cA Mans\u00e3o das Gajas que Gostam de Gajas\u201d. <\/p>\n<p>\u201cAs palavras s\u00e3o usadas com este conte\u00fado forte de chocar as pessoas, mas tamb\u00e9m quase para fazer um \u2018rebranding\u2019 [reformula\u00e7\u00e3o] desta palavra \u2018gaja\u2019 que, principalmente em Lisboa, n\u00e3o tem uma fama muito boa, mas que noutras zonas do pa\u00eds \u00e9 utilizada com outro intuito, com o objetivo de fazer tudo o que as pessoas n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 espera\u201d.<\/p>\n<p>\u201cCri\u00e1mos ali uma fam\u00edlia, fizemos v\u00e1rias atividades, pintura, medita\u00e7\u00e3o, etc., nada ligado ao que as pessoas imaginam que um grupo de mulheres que gosta de outras mulheres se junta, que \u00e9 uma hipersexualiza\u00e7\u00e3o \u2013 as pessoas imaginam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sermos amigas ou ter uma rotina normal -, e [o projeto] surgiu da necessidade de provar que existe muito mais do que aquilo que as pessoas, atualmente, t\u00eam como exemplo\u201d, afirmou em entrevista \u00e0 Lusa.<\/p>\n<p>Sobre o \u00e1lbum, o t\u00edtulo recupera o nome cient\u00edfico da planta saramago, \u201cRaphanus Raphanistrum\u201d, e Filipaa Mon Sant real\u00e7ou o facto de as duas palavras se iniciarem por \u201crap\u201d, nome do g\u00e9nero musical que adotou.<\/p>\n<p>A ideia de juntar os universos do \u201crap\u201d e da literatura, foi aproximar \u201ca literatura do povo\u201d, nomeadamente dos mais jovens, disse.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s, muitas vezes, at\u00e9 entre grupos de amigos, pessoas que tiveram acesso a outro tipo de educa\u00e7\u00e3o, puderam ouvir outro tipo de m\u00fasica, puderam ir a mais festivais, t\u00eam uma atitude quase \u2018snob\u2019 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quelas pessoas que n\u00e3o tiveram os mesmos direitos e s\u00f3 ouvem o que lhes passa a r\u00e1dio, porque n\u00e3o t\u00eam dinheiro para comprar um disco ou ir a festivais, ou ter acesso a outro tipo de coisas\u201d, disse Mon Sant.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma certa autocr\u00edtica, eu venho de uma fam\u00edlia pobre, sou a primeira a ter tido acesso \u00e0 universidade, mas eu de alguma forma tornei-me elitista ao estar a produzir arte que \u00e9 s\u00f3 para um certo tipo de pessoas\u201d, disse.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 n\u00f3s, que somos mais intelectuais, para passar cultura e certos objetos art\u00edsticos \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m acabamos por passar essas obras a uma parte muito pequena dessas gera\u00e7\u00f5es que \u00e9 tamb\u00e9m a parte intelectual, ent\u00e3o, na verdade, estamos a afastar a arte do povo\u201d, argumentou.<\/p>\n<p>\u201cRaphanus Raphanistrum\u201d \u00e9 constitu\u00eddo por oito faixas, todas de autoria de Filipa Mon Sant, metade inspiradas nas obras de Jos\u00e9 Saramago, e a outra metade, na vida do escritor.<\/p>\n<p>O \u00e1lbum abre com \u201cOESMM (O Evangelho segundo Maria Madalena)\u201d, baseado no romance \u201cO Evangelho segundo Jesus Cristo\u201d, e os outros tr\u00eas temas foram inspirados em \u201cLevantado do Ch\u00e3o\u201d, \u201cMemorial do Convento\u201d e \u201cEnsaio sobre a Cegueira\u201d, o romance de Saramago que a artista mais admira.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 vida do autor de \u201cTodos os Nomes\u201d, Mon Sant escolheu quatro momentos: o seu encontro com a literatura na biblioteca do Pal\u00e1cio Galveias, em Lisboa, que faz \u201cBar de Palavras\u201d; o seu encontro com Pilar del R\u00edo, com quem se casou em 1988, em \u201cPilar e Jos\u00e9\u201d; quando recebeu o Pr\u00e9mio Nobel da Literatura em 1998, em \u201cEstocolmo\u201d; e \u201cTengo Ganas de Vivir\u201d, com que encerra o \u00e1lbum, \u201cuma homenagem aos \u00faltimos anos de vida de Saramago, que era t\u00e3o jovem\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEste projeto com Saramago foi: Ok, a literatura est\u00e1 a afastar-se do povo, mas o povo precisa da literatura, ent\u00e3o quero escrever um projeto que tenha bastante cuidado com a palavra, mas que ao mesmo tempo n\u00e3o seja elitista, com um grau de complexidade que afaste a obra deste artista do povo, das reais pessoas que precisam de se aproximar da literatura. H\u00e1 tamb\u00e9m este car\u00e1ter ativista neste disco\u201d, declarou \u00e0 Lusa.<\/p>\n<p>Filipaa Mon Sant reconhece a utiliza\u00e7\u00e3o de algumas palavras \u201cmais fortes\u201d, que justificou como \u201cuma provoca\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s temos que provocar, no fundo, eu acho que a arte \u00e9 isso, provocar alguma emo\u00e7\u00e3o nas pessoas, independentemente da m\u00fasica que for, do livro ou da pintura, eu acho que o objetivo da arte \u00e9 provocar uma emo\u00e7\u00e3o\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>Um dos convidados de Filipaa Mon Sant neste disco \u00e9 Mirai, com quem h\u00e1 muito queria colaborar, \u201cum dos \u2018rappers\u2019 mais vision\u00e1rios do \u2018rap\u2019 portugu\u00eas, que se destaca pela forma de rimar e o seu visual, e pela sua capacidade em chegar aos jovens\u201d, um dos seus p\u00fablicos alvo.<\/p>\n<p>O \u00e1lbum foi misturado e masterizado pelo engenheiro de som Jonny Zoum, que trabalhou com m\u00fasicos como Billie Eilish e Alicia Keys, tem produ\u00e7\u00e3o de Sickonce e Capital da Bulg\u00e1ria. Os v\u00eddeos foram realizados por Jo\u00e3o Correia, da Disorder Films.<\/p>\n<p>A artista real\u00e7ou o cuidado tido para \u201cposicionar este disco numa esfera art\u00edstica que permita comunicar com pessoas \u2018normais\u2019 que n\u00e3o tenham tanto acesso \u00e0 literatura ou proximidade \u00e0 literatura\u201d, mas, ao mesmo tempo, com a certeza de que \u201calgu\u00e9m que tenha lido Saramago e conhe\u00e7a a sua biografia, far\u00e1 as pontes\u201d, rematou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O \u00e1lbum \u201cRaphanus Raphanistrum\u201d, que toma o nome cient\u00edfico da planta saramago, materializa o projeto art\u00edstico da \u2018rapper\u2019&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":154171,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[141],"tags":[114,115,149,150,32,33],"class_list":{"0":"post-154170","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-musica","8":"tag-entertainment","9":"tag-entretenimento","10":"tag-music","11":"tag-musica","12":"tag-portugal","13":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115561255634520699","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154170"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154170\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154171"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}