{"id":154361,"date":"2025-11-16T23:09:17","date_gmt":"2025-11-16T23:09:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154361\/"},"modified":"2025-11-16T23:09:17","modified_gmt":"2025-11-16T23:09:17","slug":"chef-portugues-brilha-em-restaurante-michelin-na-noruega","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154361\/","title":{"rendered":"Chef Portugu\u00eas Brilha em Restaurante Michelin na Noruega"},"content":{"rendered":"<p><strong>Carlos de Medeiros<\/strong> at\u00e9 diz n\u00e3o gostar de sardinhas, mas confessa que \u00e9 t\u00e3o portugu\u00eas que <strong>gosta de \u201cpuxar a brasa \u00e0 nossa sardinha\u201d junto dos clientes do seu Bar Amour, o restaurante com uma estrela Michelin que tem em Oslo.<\/strong> \u201cA nossa filosofia \u00e9 a fus\u00e3o do portugu\u00eas com o noruegu\u00eas, fus\u00e3o da cultura, fus\u00e3o da gastronomia e fus\u00e3o do conhecimento t\u00e9cnico ligado \u00e0 gastronomia\u201d, explica durante uma conversa que \u00e9 apressada pela necessidade de o chef terminar a prepara\u00e7\u00e3o do banquete Mar da Noruega no Pal\u00e1cio Nacional da Ajuda, iniciativa da Ess\u00eancia Company e integrada na Chefs Week.<\/p>\n<p><strong>Os produtos, diz, s\u00e3o sobretudo noruegueses, fresqu\u00edssimos e muito do mar, mas h\u00e1 um toque portugu\u00eas permanente<\/strong>. Dois pratos do menu de degusta\u00e7\u00e3o no Bar Amour s\u00e3o bons exemplos dessa vontade de fus\u00e3o: \u201cuma emuls\u00e3o de ostras norueguesas, uma forma muito interessante de abrir a noite, cheia de naturalidade. Servimos com camar\u00f5es noruegueses crus temperados com \u00f3leo de alho assado, para representar um pouco as gambas ao alho, e depois uma gelatina feita a partir de um dashi, um caldo muito leve a partir de peixe e de algas, algas norueguesas e o nosso bacalhau, caras de bacalhau que s\u00e3o ligeiramente fumadas. Portanto, temos a vertente norueguesa que \u00e9 a ostra, com a vertente portuguesa e norueguesa que \u00e9 o camar\u00e3o, camar\u00e3o noruegu\u00eas mas de uma forma meio portuguesa, e a gelatina de bacalhau. Outro prato que temos \u00e9 o caranguejo noruegu\u00eas, que cozemos muito levemente, a baixa temperatura, num caldo de galinha assada, para irmos buscar novamente aquela parte da tradi\u00e7\u00e3o portuguesa, e servimos num base que diria que \u00e9 um pouco um leite creme, mas salgado, feito com am\u00eandoas do Algarve\u201d.<\/p>\n<p><strong>O pal\u00e1cio lisboeta que j\u00e1 foi casa de reis e hoje em dia recebe os jantares que o Presidente da Rep\u00fablica oferece aos chefes de Estado estrangeiros, com longas  mesas corridas, est\u00e1 nos ant\u00edpodas do Bar Amour, um espa\u00e7o \u00edntimo, que se quer misterioso e que at\u00e9 j\u00e1 foi um bordel<\/strong>. \u201cN\u00e3o fazemos marketing, raramente publicamos fotos da comida. Os noruegueses s\u00e3o a grande maioria dos clientes, procuram uma experi\u00eancia. Algo misterioso. Querem tamb\u00e9m a experi\u00eancia de comer e estar com a outra pessoa. Houve uma altura em que t\u00ednhamos debaixo das mesas uma caixa de madeira para colocar os telem\u00f3veis. N\u00e3o imp\u00fanhamos, mas suger\u00edamos. Aquilo de estar s\u00f3 com a comida perde-se um pouco com isto dos telefones\u201d, diz o chef portugu\u00eas. <strong>No Bar Amour s\u00e3o 14 os lugares. S\u00f3 para jantares, quatro dias por semana, de quarta-feira a s\u00e1bado.<\/strong> \u201c\u00c9 muito exigente o trabalho. Dias longos. Queremos que quem trabalha no Bar Amour possa descansar e ter uma vida\u201d, acrescenta, sabendo que a sociedade norueguesa aderiu ao modelo n\u00f3rdico, uma economia social de mercado, que preza a qualidade de vida.<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o j\u00e1 quase cinco anos de Carlos de Medeiros na Noruega. O chef, que tem 32 anos, cresceu em Oeiras, formou-se na Escola de Hotelaria de Lisboa e chegou a ter um restaurante em Linda-a-Velha.<\/strong> Mas depressa se sentiu tentado pela aventura fora. Queria aprender mais e sobretudo queria ver reconhecido o esfor\u00e7o e o talento. <strong>\u201cEm Inglaterra trabalhei a maior parte do meu tempo com um chef chamado Steve Drake &#8211; no Drake at the Clock House e depois no Sorrel\u201d<\/strong>. Ao fim de sete anos, <strong>surgiu a hip\u00f3tese Noruega.<\/strong> \u201cFiz um est\u00e1gio na Noruega duas semanas quando estava em Inglaterra. Era para ter mudado logo, mas n\u00e3o aconteceu. Ficou tudo em \u00e1guas de bacalhau. Por causa da covid. Mas quando acabaram as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s viagens, as quarentenas, fui para Oslo. Tinha apanhado o ver\u00e3o na cidade e fiquei muito cativado. No inverno \u00e9 escuro, mas j\u00e1 estava habituado por causa da Inglaterra\u201d, conta, acrescentando que cada vez se sente melhor no pa\u00eds escandinavo, tem uma companheira norueguesa e h\u00e1 planos para filhos.<\/p>\n<p><strong>Foi no Maaemo que come\u00e7ou a trabalhar em Oslo, mas depois perguntaram-lhe se queria assumir o Bar Amour.<\/strong> Para o portugu\u00eas foi um passo natural na carreira, ter um projeto pr\u00f3prio. J\u00e1 teve outros portugueses a trabalhar com ele, mas agora \u00e9 com uma equipa internacional que elabora a tal cozinha de fus\u00e3o luso-norueguesa. \u201cTrato os meus cozinheiros por chef. \u00c9 uma quest\u00e3o de respeito. \u00c9 uma equipa jovem\u201d.<\/p>\n<p><strong>O menu de degusta\u00e7\u00e3o custa 1950 coroas, cerca de 165 euros. Carlos de Medeiros diz que n\u00e3o \u00e9 caro para a Noruega<\/strong>, um pa\u00eds muito rico gra\u00e7as \u00e0 renda petrol\u00edfera. Quem quiser uma experi\u00eancia de wine paring ter\u00e1 de abrir mais os cord\u00f5es \u00e0 bolsa. <strong>E \u00e9 no vinho que o tal \u201cpuxar a brasa \u00e0 nossa sardinha\u201d mais se faz sentir. \u201cAt\u00e9 j\u00e1 fui criticado num jornal por sugerir s\u00f3 vinho portugu\u00eas.<\/strong> Tenho outros vinhos na carta. Agora admito que sou f\u00e3 dos vinhos portugueses. Adoro vinhos dos A\u00e7ores. Gosto muito dos vinhos do Ant\u00f3nio Ma\u00e7anita e do Lu\u00eds Seabra. Tamb\u00e9m dos da Anna Jorgensen,  da Cortes de Cima. Brancos mas tamb\u00e9m tintos. A Filipa Pato tem um vinho espectacular chamado Post-Quercus Baga. Prefiro vinhos vermelhos mais delicados, com um corpo mais suave, n\u00e3o gosto de vinhos com taninos muito fortes. Se pedem um borgonha, digo que sim, mas explico que se querem uma coisa diferente, provavelmente mais barata e melhor na rela\u00e7\u00e3o qualidade\/pre\u00e7o, vamos experimentar vinho dos A\u00e7ores ou do Douro\u201d.<\/p>\n<p>Isto de <strong>ser uma esp\u00e9cie de embaixador de Portugal l\u00e1 fora ganhou ainda mais peso com a estrela Michelin conquistada em 2024.<\/strong> \u201cPara mim nada mudou, mas h\u00e1 pessoas que me levam mais a s\u00e9rio e tamb\u00e9m as expectativas s\u00e3o muitos altas\u201d, admite. Terminamos com o inevit\u00e1vel tema do bacalhau, que chamamos nosso h\u00e1 s\u00e9culos, mas que \u00e9 pescado nos mares frios, como o da Noruega. \u201cOs noruegueses comem o bacalhau fresco. E preferem produtos da \u00e9poca, os lagostins, as vieiras ou o halibute, por isso uso o bacalhau seco salgado por uma quest\u00e3o de oportunidade. J\u00e1 tivemos um snack que era bacalhau \u00e0 br\u00e1s. Dava um trabalh\u00e3o. Fum\u00e1vamos ligeiramente o bacalhau e em vez de azeitonas, us\u00e1vamos ameixas, verdes, que depois de salgadas e em pickles t\u00eam o sabor e a textura das azeitonas\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Carlos de Medeiros at\u00e9 diz n\u00e3o gostar de sardinhas, mas confessa que \u00e9 t\u00e3o portugu\u00eas que gosta de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":154362,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[306,114,115,754,965,33266,32,33,5664],"class_list":{"0":"post-154361","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-edicao-impressa","9":"tag-entertainment","10":"tag-entretenimento","11":"tag-gastronomia","12":"tag-noruega","13":"tag-palacio-da-ajuda","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-viver"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115561900876837116","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154361","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154361"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154361\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154362"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154361"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154361"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154361"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}