{"id":154617,"date":"2025-11-17T03:30:09","date_gmt":"2025-11-17T03:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154617\/"},"modified":"2025-11-17T03:30:09","modified_gmt":"2025-11-17T03:30:09","slug":"brasileiro-quer-levar-minicerebros-ao-espaco-para-testar-plantas-da-amazonia-contra-o-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154617\/","title":{"rendered":"Brasileiro quer levar \u2018minic\u00e9rebros\u2019 ao espa\u00e7o para testar plantas da Amaz\u00f4nia contra o Alzheimer"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Escola Interdisciplinar FAPESP\n                            <\/p>\n<p>                            Brasileiro quer levar \u2018minic\u00e9rebros\u2019 ao espa\u00e7o para testar plantas da Amaz\u00f4nia contra o Alzheimer<\/p>\n<p class=\"summary\">Durante a Escola Interdisciplinar FAPESP, Alysson Muotri, professor da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego, contou seus planos de viajar para a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional para testar extratos de plantas contra doen\u00e7as neurodegenerativas<\/p>\n<p>\n                                 Escola Interdisciplinar FAPESP\n                            <\/p>\n<p>                                                        Brasileiro quer levar \u2018minic\u00e9rebros\u2019 ao espa\u00e7o para testar plantas da Amaz\u00f4nia contra o Alzheimer<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Durante a Escola Interdisciplinar FAPESP, Alysson Muotri, professor da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego, contou seus planos de viajar para a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional para testar extratos de plantas contra doen\u00e7as neurodegenerativas<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/56475.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(56475,'files\/post\/56475.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Diretor do Sanford Integrated Space Stem Cell Orbital Research Center (ISSCOR), Alysson Muotri se candidatou para ir ao espa\u00e7o (foto: Erika de Faria\/Temporal Filmes)<\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Juli\u00e3o | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Em 2019, o grupo do pesquisador <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/40190\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Alysson Muotri<\/strong><\/a>, professor da Faculdade de Medicina da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego, em parceria com a Ag\u00eancia Espacial dos Estados Unidos (Nasa), enviou \u201cminic\u00e9rebros\u201d para a Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. Tamb\u00e9m conhecidos como organoides, os minic\u00e9rebros s\u00e3o conjuntos esf\u00e9ricos de c\u00e9lulas neurais que se autorganizam e mimetizam o funcionamento do c\u00e9rebro humano.<\/p>\n<p>O objetivo do experimento foi subsidiar a busca por tratamento de condi\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas e doen\u00e7as degenerativas. Depois de 30 dias, os minic\u00e9rebros apresentavam envelhecimento acelerado pelas condi\u00e7\u00f5es de microgravidade do espa\u00e7o.<\/p>\n<p>O grupo de Muotri observou que o envelhecimento do c\u00e9rebro causa, entre outras mudan\u00e7as, uma resposta autoimune aos trechos de DNA retroviral que todos os humanos carregam como resultado da evolu\u00e7\u00e3o, o que poderia ser uma das causas do Alzheimer e outras condi\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas. A descoberta suscitou possibilidades, como o uso de medicamentos antirretrovirais para tratar essas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Muotri, no entanto, queria ir al\u00e9m. Diretor do Sanford Integrated Space Stem Cell Orbital Research Center (ISSCOR), ele se candidatou para ir ao espa\u00e7o, pessoalmente, e realizar experimentos com os \u201cminic\u00e9rebros\u201d. A ideia era testar extratos de plantas da Amaz\u00f4nia com efeitos neuroativos para condi\u00e7\u00f5es como o Alzheimer. Os preparativos para a miss\u00e3o estavam em andamento quando o governo norte-americano cortou massivamente recursos para a ci\u00eancia, paralisando a miss\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos palestrantes da <a href=\"https:\/\/escolafapesp2025exatas.webeventos.tec.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Escola Interdisciplinar FAPESP: Ci\u00eancias Exatas e Naturais, Engenharia e Medicina<\/strong><\/a>, Muotri concedeu uma entrevista na quarta-feira passada (12\/11) \u00e0 <strong>Ag\u00eancia FAPESP<\/strong>. Os principais trechos podem ser conferidos a seguir:<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Como foram seus estudos com plantas da Amaz\u00f4nia no espa\u00e7o?<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\n<strong>Alysson Muotri \u2013<\/strong> Come\u00e7amos uma colabora\u00e7\u00e3o com Spartaco Astolfi Filho, professor na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), onde temos essa parceria com algumas das tribos origin\u00e1rias, principalmente os Huni Kuins. Nela buscamos isolar mol\u00e9culas de plantas que possam ter princ\u00edpios neuroativos. Buscamos uma curadoria de plantas que possam ter um benef\u00edcio medicinal cl\u00ednico. Vamos testar a efic\u00e1cia terap\u00eautica de algumas dessas mol\u00e9culas, tanto como neuroprotetoras quanto na capacidade de tratamento para o Alzheimer. Isso ser\u00e1 feito pelo uso de modelos baseados em c\u00e9lulas-tronco de pessoas com Alzheimer. N\u00f3s criamos o tecido cerebral em laborat\u00f3rio a partir de c\u00e9lulas dessas pessoas. E para ter o efeito de envelhecimento, esses tecidos s\u00e3o cultivados na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. Quando eles retornam, sofrem o que chamamos de Senesc\u00eancia Neural Induzida pelo Espa\u00e7o [SINS], que \u00e9 uma forma de envelhecimento acelerado. Ent\u00e3o conseguimos envelhecer esse tecido neural em alguns anos, algo que seria praticamente imposs\u00edvel de fazer na Terra em um per\u00edodo curto de tempo. As mol\u00e9culas de plantas ser\u00e3o testadas diretamente nesses tecidos neurais na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. Para fazer isso, precisamos criar uma equipe de cientistas-astronautas que sejam treinados para fazer esse trabalho. Ent\u00e3o, parte do projeto vai ser feita no espa\u00e7o, em \u00f3rbita, com esse primeiro time de cientistas-astronautas, onde esperamos ver uma participa\u00e7\u00e3o brasileira muito forte. Eu seria o primeiro, passaria dez dias, e outro cientista me substituiria em seguida.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Como est\u00e3o os preparativos?<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\n<strong>Muotri \u2013<\/strong> A gente estava com tudo pronto para come\u00e7ar esses experimentos quando mudou a administra\u00e7\u00e3o do governo americano, com grandes cortes de recursos, inclusive da Nasa [ag\u00eancia espacial americana], mas tamb\u00e9m de todas as ag\u00eancias de fomento \u00e0 ci\u00eancia. Isso desacelerou nossa pesquisa. A demora na nomea\u00e7\u00e3o de um presidente da Nasa tamb\u00e9m atrapalhou bastante. S\u00f3 agora que temos um novo CEO. Ent\u00e3o vamos ter que aguardar um pouco, ter um pouco mais de paci\u00eancia at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o seja resolvida.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Seria poss\u00edvel fazer esses experimentos apenas com financiamento privado?<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\n<strong>Muotri \u2013<\/strong> Acredito que sim, que conseguimos fazer isso independentemente da Nasa, trabalhando diretamente com ag\u00eancias espaciais privadas, como a SpaceX, a Axiom Space, a Vast, todas com interesse em nosso projeto. Estamos buscando outras parcerias da ind\u00fastria farmac\u00eautica, seguradoras e filantropia para tentar realizar esses experimentos. Veja s\u00f3, a cura para o Alzheimer, ou mesmo um tratamento que seja parcialmente eficaz, gera uma economia enorme para o Estado, principalmente de pa\u00edses grandes como os Estados Unidos e o Brasil, o que justifica um alto investimento para a descoberta de novos f\u00e1rmacos. Outro aspecto interessante do trabalho com a Ufam e com os Huni Kuins \u00e9 que, no caso de eventuais f\u00e1rmacos surgirem a partir dessas plantas, os royalties retornar\u00e3o para a conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia e dos povos origin\u00e1rios. Ent\u00e3o, conseguimos amarrar isso de forma que a propriedade intelectual seja dividida, com um retorno para quem proporcionou esse conhecimento ancestral.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Existem estudos cl\u00ednicos em andamento derivados das descobertas do seu grupo. Quais s\u00e3o eles?<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\n<strong>Muotri \u2013<\/strong> Um resultado bem legal da explora\u00e7\u00e3o espacial trazendo conhecimento para a Terra foi com a s\u00edndrome de Rett. Descobrimos uma nova via molecular que ainda n\u00e3o tinha sido reconhecida como causal para essa s\u00edndrome e que pode ser bloqueada pelo uso de antirretrovirais. Ora, antirretrovirais, principalmente os usados para o HIV, s\u00e3o amplamente utilizados, s\u00e3o drogas baratas, e que podem ter um efeito ben\u00e9fico para essa s\u00edndrome. Ent\u00e3o, estamos come\u00e7ando um ensaio cl\u00ednico, aqui no Brasil, para testar a efic\u00e1cia de antirretrovirais contra a s\u00edndrome de Rett ou para atenuar os problemas dessa condi\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma ideia um pouco diferente, usar um antirretroviral para o tratamento de uma doen\u00e7a neurol\u00f3gica, mas que faz todo o sentido com o conhecimento que foi revelado ao cultivar o tecido neural de pacientes da s\u00edndrome de Rett no espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Ag\u00eancia FAPESP \u2013 Em 2022, seu grupo publicou um trabalho sobre uma poss\u00edvel nova terapia gen\u00e9tica para a s\u00edndrome de Pitt-Hopkins, uma condi\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica bastante severa. Voc\u00eas avan\u00e7aram para a fase de estudos cl\u00ednicos?<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\n<strong>Muotri \u2013<\/strong> O ensaio cl\u00ednico est\u00e1 sendo preparado em colabora\u00e7\u00e3o com o doutor <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3050\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>F\u00e1bio Papes<\/strong><\/a>, da Unicamp [Universidade Estadual de Campinas], uma vez que descobrimos um vetor para a terapia g\u00eanica que talvez possa reverter os sintomas da s\u00edndrome de Pitt-Hopkins [leia mais em: <a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/38524\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>agencia.fapesp.br\/38524<\/strong><\/a>]. Acabamos de ter a aprova\u00e7\u00e3o da FDA [ag\u00eancia americana que regula medicamentos] para seguir em frente com o recrutamento dos pacientes e o teste de efic\u00e1cia desses vetores nos Estados Unidos. Ent\u00e3o vamos entrar no que chamamos de fase 1, para avaliar a toxicidade, em que se vai dar uma dose baixa desses vetores retrovirais, carregando o gene correto, cuja altera\u00e7\u00e3o causa a s\u00edndrome de Pitt-Hopkins, e vamos observar se h\u00e1 efeitos t\u00f3xicos nesses pacientes. Passando a fase 1, entramos na fase 2, em que se avalia a efic\u00e1cia. Se n\u00e3o for t\u00f3xico, ser\u00e1 que ele tem algum benef\u00edcio? Nessa fase \u00e9 que vamos realmente observar qual a vantagem de usar uma terapia gen\u00e9tica para essa s\u00edndrome. Ent\u00e3o, uma vez aprovado, a gente come\u00e7a a recrutar os pacientes j\u00e1 em 2026.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\">&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Escola Interdisciplinar FAPESP Brasileiro quer levar \u2018minic\u00e9rebros\u2019 ao espa\u00e7o para testar plantas da Amaz\u00f4nia contra o Alzheimer Durante&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":154618,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[33300,5398,116,8117,1149,7654,32,33,117],"class_list":{"0":"post-154617","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-alysson-muotri","9":"tag-estacao-espacial-internacional","10":"tag-health","11":"tag-iss","12":"tag-nasa","13":"tag-neurologia","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115562926917714613","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154617\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154618"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}