{"id":154738,"date":"2025-11-17T07:14:09","date_gmt":"2025-11-17T07:14:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154738\/"},"modified":"2025-11-17T07:14:09","modified_gmt":"2025-11-17T07:14:09","slug":"laerte-mulheres-trans-podem-ter-cancer-de-prostata-17-11-2025-equilibrio-e-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/154738\/","title":{"rendered":"Laerte: mulheres trans podem ter c\u00e2ncer de pr\u00f3stata &#8211; 17\/11\/2025 &#8211; Equil\u00edbrio e Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 com <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e2ncer<\/a>&#8220;, ouviu <a href=\"https:\/\/cartum.folha.uol.com.br\/cartunistas\/laerte.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Laerte Coutinho<\/a> da geriatra. Era setembro de 2023 e ela passava por exames de rotina para investigar as &#8220;dores de velha&#8221; que vinha sentindo. Ap\u00f3s receber um resultado de PSA (Ant\u00edgeno Prost\u00e1tico Espec\u00edfico) alterado, uma bi\u00f3psia confirmou: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/cancer-de-prostata\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">c\u00e2ncer de pr\u00f3stata<\/a>.<\/p>\n<p>Laerte \u00e9 uma mulher trans. \u00c0 \u00e9poca do diagn\u00f3stico, tinha 72 anos. Apesar de se identificar, viver e se vestir como mulher, ela tem caracter\u00edsticas fisiol\u00f3gicas t\u00edpicas do organismo masculino, como a pr\u00f3stata.<\/p>\n<p>&#8220;Mulheres trans precisam entender que possuem pr\u00f3stata e possuem um organismo que precisa ser cuidado de forma adequada&#8221;, afirma Laerte, cartunista e chargista da <b>Folha<\/b>.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 20 anos, recebeu um diagn\u00f3stico de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/11\/aumento-da-prostata-pode-nao-ser-cancer-mas-hiperplasia-benigna-entenda.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">hiperplasia prost\u00e1tica benigna<\/a>, condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o cancerosa que se caracteriza pelo aumento da pr\u00f3stata. Com o crescimento, a uretra \u00e9 comprimida, o que dificulta a passagem da urina e provoca dores graves.<\/p>\n<p>&#8220;Quando veio o diagn\u00f3stico da hiperplasia, a solu\u00e7\u00e3o foi fazer uma raspagem [ressec\u00e7\u00e3o transuretral da pr\u00f3stata]. Fiz e resolvi o problema da reten\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria. A\u00ed fiquei com a hist\u00f3ria na cabe\u00e7a de que n\u00e3o era c\u00e2ncer, ent\u00e3o o meu acompanhamento m\u00e9dico foi meio falho&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Laerte diz ter sido irrespons\u00e1vel e negligente em rela\u00e7\u00e3o aos exames de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata.<\/p>\n<p>&#8220;Deveria ter feito acompanhamento, mas n\u00e3o fiz. Pensei em fazer, mas n\u00e3o fiz. Sou uma mulher trans, mas eu tenho uma parte minha que \u00e9 masculina. Carrego uma cultura masculina. E essa cultura masculina diz que homens n\u00e3o precisam ir ao m\u00e9dico. Esse \u00e9 o maior mito que precisa ser enfrentado&#8221;, afirma.<\/p>\n<blockquote class=\"c-quote\">\n<p class=\"c-quote__content\">Deveria ter feito acompanhamento, mas n\u00e3o fiz. Pensei em fazer, mas n\u00e3o fiz. Sou uma mulher trans, mas eu tenho uma parte minha que \u00e9 masculina. Carrego uma cultura masculina. E essa cultura masculina diz que homens n\u00e3o precisam ir ao m\u00e9dico. Esse \u00e9 o maior mito que precisa ser enfrentado<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Mulheres trans s\u00e3o suscet\u00edveis ao c\u00e2ncer de pr\u00f3stata porque nasceram com caracter\u00edsticas fisiol\u00f3gicas masculinas.<\/p>\n<p>Segundo Jo\u00e3o Brunhara, urologista e membro do comit\u00ea cient\u00edfico do <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/11\/morte-de-urologista-do-einstein-por-cancer-de-prostata-motivou-campanha-novembro-azul.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">Instituto Lado a Lado pela Vida<\/a>, durante a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, h\u00e1 a possibilidade de realizar terapia hormonal com estrog\u00eanio e progesterona para desenvolver caracter\u00edsticas femininas. H\u00e1 tamb\u00e9m a op\u00e7\u00e3o de cirurgias, que incluem a inser\u00e7\u00e3o de mamas, remo\u00e7\u00e3o dos test\u00edculos e a modifica\u00e7\u00e3o da genit\u00e1lia externa, como a retirada do p\u00eanis e a cria\u00e7\u00e3o de uma vulva.<\/p>\n<p>Essas interven\u00e7\u00f5es podem ser feitas isoladamente ou combinadas, ou a pessoa pode optar por n\u00e3o realizar nenhum desses procedimentos.<\/p>\n<p>&#8220;No caso da cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual, a pr\u00f3stata n\u00e3o \u00e9 removida porque envolve riscos elevados, como incontin\u00eancia urin\u00e1ria e sangramentos, e n\u00e3o traz benef\u00edcios para a percep\u00e7\u00e3o de g\u00eanero ou a sa\u00fade da mulher trans. Ou seja, a pr\u00f3stata permanece mesmo ap\u00f3s a cirurgia&#8221;, explica Brunhara.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrio\/2024\/04\/entenda-como-e-feita-a-hormonizacao-para-mulheres-trans-que-ajuda-a-diminuir-disforia-de-genero.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">terapia hormonal<\/a>, que bloqueia a produ\u00e7\u00e3o de testosterona e suplementa horm\u00f4nios femininos, ela reduz o risco de desenvolvimento de c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, pois a testosterona \u00e9 um fator importante para o est\u00edmulo desse c\u00e2ncer, mas n\u00e3o elimina os riscos por completo.<\/p>\n<p>Segundo o urologista, estudos recentes indicam que o risco para mulheres trans que fazem terapia hormonal pode ser de duas a dez vezes menor que o para homens cis, embora ainda n\u00e3o haja consenso e as pesquisas sejam limitadas.<\/p>\n<p>&#8220;De qualquer forma, o rastreamento ideal recomend\u00e1vel para mulheres trans \u00e9 similar ao dos homens cis: PSA anual a partir dos 50 anos, ou 45 se houver fatores de risco como hist\u00f3rico familiar, origem afrodescendente ou obesidade.&#8221;<\/p>\n<p>Laerte optou por uma transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero que n\u00e3o incluiu cirurgia nem reposi\u00e7\u00e3o hormonal. &#8220;Cheguei a considerar, mas acabei desistindo. Estava velha e com receio de mexer com o meu corpinho.&#8221; Nesses casos, a chance de desenvolver o tumor \u00e9 a mesma que a de homens cis, diz Brunhara.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/11\/no-sus-54-dos-casos-de-cancer-de-prostata-sao-diagnosticados-em-estagio-avancado.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer,<\/a> Laerte e a geriatra que a acompanha desde 2021 optaram pela realiza\u00e7\u00e3o de uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/10\/entenda-as-diferencas-entre-as-cirurgias-para-cancer-de-prostata.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">prostatectomia radical por laparoscopia<\/a>. A cirurgia foi realizada em dezembro de 2023.<\/p>\n<p>&#8220;Quando me falaram que era c\u00e2ncer, pensei &#8216;\u00e9 s\u00e9rio&#8217;, mas a\u00ed a geriatra falou que o c\u00e2ncer de pr\u00f3stata \u00e9 um dos mais administr\u00e1veis. Se voc\u00ea deixar ele l\u00e1 \u00e0 vontade, \u00e9 claro que ele vai matar voc\u00ea. Mas se voc\u00ea tomar provid\u00eancias, ele \u00e9 dom\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o perigoso como outros&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ela disse que enfrenta uma <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2025\/10\/cancer-de-prostata-nao-afeta-fertilidade-erecao-e-libido-mas-tratamentos-sim.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">incontin\u00eancia urin\u00e1ria <\/a>severa devido \u00e0 cirurgia \u2014o que tem tentado controlar com fisioterapia p\u00e9lvica.<\/p>\n<p>&#8220;Minha uretra ficou jogo livre. Est\u00e1 demorando a se readaptar. Desde o final de 2023, tenho tentado recuperar algum controle sobre a bexiga, mas tem sido dif\u00edcil&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Na perspectiva de Let\u00edcia Lanz, psicanalista trans especialista em g\u00eanero e sexualidade humana e autora do livro &#8220;O Corpo da Roupa&#8221;, existe uma idealiza\u00e7\u00e3o da &#8220;mulher verdadeira&#8221; ou da pessoa trans &#8220;100% mulher&#8221;, refor\u00e7ada dentro de alguns movimentos sociais e pelas pr\u00f3prias redes sociais, o que dificulta o diagn\u00f3stico e invisibiliza necessidades m\u00e9dicas reais dos corpos trans.<\/p>\n<p>&#8220;Essa vis\u00e3o pode levar ao negacionismo das condi\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas das mulheres trans, como a presen\u00e7a de uma pr\u00f3stata, criando um contexto em que falar sobre exames de pr\u00f3stata pode ser um tabu e levando \u00e0 neglig\u00eancia do rastreio.&#8221;<\/p>\n<p>Segunda Lanz, h\u00e1 ainda uma desinforma\u00e7\u00e3o generalizada entre os profissionais m\u00e9dicos no Brasil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de pessoas trans.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma faculdade de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/medicina\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">medicina<\/a> que inclua o estudo de g\u00eanero como parte obrigat\u00f3ria do curr\u00edculo, apenas em cursos de extens\u00e3o. A maioria dos m\u00e9dicos se forma sem conhecimento adequado sobre g\u00eanero e suas implica\u00e7\u00f5es na pr\u00e1tica m\u00e9dica&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Com ela concorda Brunhara. &#8220;Ainda n\u00e3o existe um protocolo unificado ou pacificado sobre como realizar o rastreamento do c\u00e2ncer de pr\u00f3stata em mulheres trans. Mesmo m\u00e9dicos bem informados e intencionados enfrentam a falta de regras espec\u00edficas para seguir.&#8221;<\/p>\n<p class=\"tagline\">Esta reportagem faz parte do projeto Vita, desenvolvido com apoio do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 com c\u00e2ncer&#8220;, ouviu Laerte Coutinho da geriatra. 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