{"id":15550,"date":"2025-08-04T13:11:10","date_gmt":"2025-08-04T13:11:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15550\/"},"modified":"2025-08-04T13:11:10","modified_gmt":"2025-08-04T13:11:10","slug":"marc-maron-a-ansiedade-contra-o-fascismo-televisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15550\/","title":{"rendered":"Marc Maron: a ansiedade contra o fascismo | Televis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>WTF with Marc Maron, o podcast iniciado em 2009, <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/06\/03\/culturaipsilon\/noticia\/pioneiro-marc-maron-vai-acabar-podcast-outono-2135377\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">vai chegar ao fim algures no Outono<\/a>, ap\u00f3s mais de 1500 epis\u00f3dios. Para tr\u00e1s ficar\u00e3o mais de 15 anos em que acompanh\u00e1mos, ao ritmo de dois epis\u00f3dios por semana, a transforma\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2017\/09\/05\/culturaipsilon\/noticia\/marc-maron-um-dos-reis-dos-podcasts-faz-rir-no-netflix-1784431\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Marc Maron<\/a>. Ao in\u00edcio, era um c\u00f3mico de stand-up bastante ressentido com os seus falhan\u00e7os e a sua falta de aceita\u00e7\u00e3o. Guardava rancores com d\u00e9cadas, sendo frequente v\u00ea-lo a perguntar aos seus convidados se estava tudo bem entre eles e n\u00e3o estavam chateados. Foi evoluindo atrav\u00e9s deste novo meio de comunica\u00e7\u00e3o, do qual \u00e9 um pioneiro, entre os mon\u00f3logos introdut\u00f3rios de cada epis\u00f3dio e as entrevistas, primeiro a c\u00f3micos e depois a outras personalidades da cultura norte-americana, propositadamente pouco preparadas. Tornou-se um nome conhecido. E n\u00e3o necessariamente pela com\u00e9dia feita nos palcos a que dedicou a vida toda.<\/p>\n<p>Agora, aos 61 anos, e prestes a prescindir de WTF, o comediante n\u00e3o vai a lado nenhum. Apesar de, como diz no seu novo especial, j\u00e1 ter tido v\u00e1rias oportunidades para isso (morrer). Lan\u00e7ado no fim-de-semana passado na HBO Max, Panicked, o seu segundo especial para a HBO, continua na senda dos dois anteriores, End Times Fun, da Netflix, que saiu logo no in\u00edcio da pandemia e, por coincid\u00eancia, o mostrava a pensar no apocalipse, e From Bleak to Dark, j\u00e1 na HBO, que lidava com a morte da sua parceira, a realizadora <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2020\/05\/17\/culturaipsilon\/noticia\/realizadora-norteamericana-lynn-shelton-morre-54-anos-1916943\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Lynn Shelton<\/a>, e o envelhecimento. Aqui, Maron continua preocupado com o fim dele pr\u00f3prio, do mundo, da Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nada que Maron possa fazer agora que chegue aos calcanhares da import\u00e2ncia que o seu podcast ainda tem. At\u00e9 Maron, a sua sitcom da IFC que durou de 2013 a 2016, encomendada a reboque da popularidade de WTF, \u00e9 pouqu\u00edssimo recordada. A evolu\u00e7\u00e3o de Marc Maron como pessoa que j\u00e1 n\u00e3o passa o tempo todo a remoer irrita\u00e7\u00f5es antigas foi-se estendendo tamb\u00e9m \u00e0 sua com\u00e9dia. E \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o de que nunca ser\u00e1 o c\u00f3mico mais popular do mundo, com perfeita no\u00e7\u00e3o do nicho que ocupa, que ainda assim \u00e9 bastante vasto. Continua a ser o tipo ansioso que sempre foi, mas parece mais confort\u00e1vel, ou pelo menos mais experiente, a lidar com isso. Ou ent\u00e3o \u00e9 um mundo mais ansioso que o est\u00e1 a receber. Como diz Kathryn VanArendonk, cr\u00edtica do <a href=\"https:\/\/www.vulture.com\/article\/marc-maron-panicked-hbo-comedy-special-review.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Vulture, o site de cultura pop da revista New York<\/a>, \u00e9 &#8220;o tipo certo para este preciso momento&#8221;, adentro do &#8220;pesadelo que \u00e9 o agora&#8221;: &#8220;Esteve anos a treinar para isto.&#8221;<\/p>\n<p>Ao longo do pouco mais de meia hora do especial gravado em Brooklyn, Marc Maron discorre, n\u00e3o necessariamente por esta ordem, sobre a ascens\u00e3o do fascismo nos Estados Unidos, a pouca coes\u00e3o daquilo a que talvez n\u00e3o se possa sequer chamar esquerda no seu pa\u00eds, o facto de os novos nazis n\u00e3o se vestirem t\u00e3o bem quanto os antigos, os fogos na Calif\u00f3rnia, os seus gatos, a sua pr\u00f3pria culpa liberal, a dem\u00eancia do pai, as infesta\u00e7\u00f5es de ratos em casa, a sua idade, os traumas de inf\u00e2ncia, entre outros temas, como finalmente aprender a perceber por que \u00e9 que <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/05\/22\/culturaipsilon\/noticia\/kit-iniciacao-taylor-swift-15-cancoes-2091221\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">a m\u00fasica de Taylor Swift<\/a> \u00e9 t\u00e3o apelativa para as pessoas.<\/p>\n<p>Pelo meio, atira contra aqueles que se queixavam da falta de liberdade de express\u00e3o, nomeadamente contra outros comediantes que permitiram, atrav\u00e9s desse p\u00e2nico moral, um governo que prende e deporta pessoas e restringe gravemente essa mesma liberdade. Ele que todas as semanas, ao longo de todos estes anos, tem provado que o queixume do <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2024\/02\/16\/culturaipsilon\/noticia\/desde-seculo-xix-ja-nao-dizer-nada-2079309\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#8220;j\u00e1 n\u00e3o se pode dizer nada&#8221;<\/a>, no que toca a com\u00e9dia, \u00e9 absurdo. Imagina como seria ver Theo Von, um desses c\u00f3micos, tamb\u00e9m podcaster, a quem aliados de Donald Trump dirigiram agradecimentos na noite em que este ganhou as elei\u00e7\u00f5es presidenciais do ano passado, a entrevistar Adolf Hitler. E, tamb\u00e9m, no pouco impacto que fazer piadas em momentos destes pode ter. Vamos perder WTF, mas continuaremos a ter Marc Maron.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"WTF with Marc Maron, o podcast iniciado em 2009, vai chegar ao fim algures no Outono, ap\u00f3s mais&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15551,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[767,315,1413,114,115,1626,32,33,940,218],"class_list":{"0":"post-15550","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-comedia","9":"tag-cultura","10":"tag-cultura-ipsilon","11":"tag-entertainment","12":"tag-entretenimento","13":"tag-hbo","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-streaming","17":"tag-televisao"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15550","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15550"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15550\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15550"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15550"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15550"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}