{"id":155653,"date":"2025-11-17T21:05:08","date_gmt":"2025-11-17T21:05:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/155653\/"},"modified":"2025-11-17T21:05:08","modified_gmt":"2025-11-17T21:05:08","slug":"astronomos-detectam-ejecao-de-massa-coronal-em-estrela-17-11-2025-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/155653\/","title":{"rendered":"Astr\u00f4nomos detectam eje\u00e7\u00e3o de massa coronal em estrela &#8211; 17\/11\/2025 &#8211; Ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Pela primeira vez, astr\u00f4nomos detectaram uma erup\u00e7\u00e3o estelar forte o suficiente para devastar a atmosfera de um planeta pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Cientistas t\u00eam procurado eje\u00e7\u00f5es de massa coronal para ajudar a determinar se outra estrela poderia se aproximar do<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/07\/astronomos-detectam-no-sistema-solar-um-objeto-que-parece-ter-vindo-de-fora-dele.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> Sistema Solar<\/a> e abrigar planetas habit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quando o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/sol\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sol<\/a> <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/07\/imagens-mais-proximas-ja-feitas-do-sol-mostram-erupcoes-em-detalhes-ineditos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">envia essas eje\u00e7\u00f5es em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra<\/a>, elas interagem com o campo magn\u00e9tico do nosso planeta e o resultado pode ser o surgimento de auroras, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/11\/tempestade-solar-intensifica-auroras-e-impede-missao-da-blue-origin.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">a exemplo do que ocorreu na semana passada<\/a>.<\/p>\n<p>Mas tempestades geomagn\u00e9ticas severas tamb\u00e9m podem causar<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/06\/erupcoes-solares-ameacam-vida-util-de-satelites-starlink.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> interrup\u00e7\u00f5es em sistemas tecnol\u00f3gicos<\/a> e em redes de energia.<\/p>\n<p>E, se forem frequentes e poderosas o suficiente, explos\u00f5es estelares podem erodir a atmosfera de um planeta e eliminar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para a vida, sobretudo quando agem sobre um campo magn\u00e9tico fraco, como o de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/marte\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Marte<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o temos ideia de com que frequ\u00eancia esses tipos de explos\u00f5es acontecem em outras estrelas&#8221;, afirmou o radioastr\u00f4nomo Joe Callingham, do Instituto Holand\u00eas de Radioastronomia e professor associado da <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/universidade\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Universidade<\/a> de Amsterd\u00e3. Ele coliderou o novo <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09715-3\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">estudo <\/a>que saiu na \u00faltima quarta (12) na revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Nature<\/a>. &#8220;Se voc\u00ea quer encontrar um planeta semelhante \u00e0 Terra em algum outro lugar, precisamos saber com que frequ\u00eancia essas coisas acontecem.&#8221;<\/p>\n<p>Callingham afirmou que sua equipe encontrou a primeira evid\u00eancia incontest\u00e1vel de tal evento, uma descoberta que cientistas t\u00eam perseguido a d\u00e9cadas, mas que s\u00f3 recentemente se tornou poss\u00edvel gra\u00e7as ao desenvolvimento de melhores instrumentos e t\u00e9cnicas de an\u00e1lise de dados.<\/p>\n<p>A astr\u00f4noma Orsolya Eszter Kovacs, que n\u00e3o participou da pesquisa, caracterizou o estudo como &#8220;um grande passo&#8221; e a &#8220;primeira prova clara&#8221; de que o plasma quente pode se libertar n\u00e3o apenas do campo magn\u00e9tico do Sol, mas do de outra estrela.<\/p>\n<p>A erup\u00e7\u00e3o objeto do novo estudo foi enorme e, em alguns aspectos, excedeu as eje\u00e7\u00f5es mais poderosas do Sol, segundo o astr\u00f4nomo Cyril Tasse, do Observat\u00f3rio de Paris (Fran\u00e7a), que coliderou o estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso Sol \u00e9 tranquilo em compara\u00e7\u00e3o [a ela]&#8221;, disse Tasse. &#8220;A atmosfera da Terra provavelmente j\u00e1 teria sido destru\u00edda h\u00e1 muito tempo se estiv\u00e9ssemos vivendo perto dessa estrela.&#8221;<\/p>\n<p>Felizmente para n\u00f3s, essa estrela est\u00e1 a cerca de 130 anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A equipe de pesquisa procurou especificamente erup\u00e7\u00f5es em torno de an\u00e3s vermelhas, o tipo mais comum de estrela em nossa gal\u00e1xia e alvos principais na busca por vida al\u00e9m da Terra. Algumas delas t\u00eam planetas em \u00f3rbitas pr\u00f3ximas, potencialmente em zonas onde as condi\u00e7\u00f5es podem n\u00e3o ser nem muito quentes nem muito frias para serem habit\u00e1veis.<\/p>\n<p>Embora as an\u00e3s vermelhas sejam apenas uma fra\u00e7\u00e3o do tamanho da nossa estrela hospedeira e muito mais escuras, seus campos magn\u00e9ticos s\u00e3o centenas de vezes mais fortes. Elas est\u00e3o associadas a intensas erup\u00e7\u00f5es e outras atividades que podem comprometer as perspectivas de vida nas proximidades.<\/p>\n<p>Os pesquisadores examinaram um grupo de aproximadamente 50 estrelas com o radiotelesc\u00f3pio Low Frequency Array (Lofar).<\/p>\n<p>Tasse e seus colegas desenvolveram modelos matem\u00e1ticos e t\u00e9cnicas para analisar centenas de milhares de pontos de dados espectrais de estrelas, uma tarefa que ele comparou ao uso de uma rede de pesca em vez de uma vara. O processo foi projetado para detectar emiss\u00f5es de r\u00e1dio de planetas fora do nosso Sistema Solar, mas ele disse que foi uma agrad\u00e1vel surpresa que tamb\u00e9m pudesse detectar emiss\u00f5es de erup\u00e7\u00f5es estelares.<\/p>\n<p>A equipe mediu um sinal de r\u00e1dio intenso com dura\u00e7\u00e3o de aproximadamente dois minutos e meio, considerado um sinal revelador de uma eje\u00e7\u00e3o de massa coronal. Quando a erup\u00e7\u00e3o \u2014que consiste em g\u00e1s ionizado superaquecido e fragmentos de campo magn\u00e9tico\u2014 \u00e9 expelida da camada externa de uma estrela para o espa\u00e7o, ela cria uma onda de choque e uma explos\u00e3o de ondas de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>&#8220;A detec\u00e7\u00e3o clara de uma explos\u00e3o de r\u00e1dio estelar do tipo dois tem sido h\u00e1 muito tempo procurada como um indicador de eje\u00e7\u00f5es de massa coronal em outras estrelas&#8221;, afirmou o astrof\u00edsico Kevin France, da Universidade do Colorado em Boulder (EUA), que n\u00e3o participou do estudo. &#8220;Essa detec\u00e7\u00e3o fornece o que provavelmente \u00e9 a evid\u00eancia mais forte at\u00e9 agora de que esse fen\u00f4meno ocorre al\u00e9m do Sistema Solar.&#8221;<\/p>\n<p>A equipe estimou que a erup\u00e7\u00e3o era muito densa e extremamente r\u00e1pida. Ela se moveu a 2.400 quil\u00f4metros por segundo, o que \u00e9 observado em apenas 1 a cada 20 eje\u00e7\u00f5es de massa coronal do Sol. Tamb\u00e9m foi cerca de cem vezes mais luminosa do que qualquer coisa que os astr\u00f4nomos j\u00e1 viram no Sol. Em termos de massa expelida, foi t\u00e3o forte quanto qualquer erup\u00e7\u00e3o solar.<\/p>\n<p>De fato, a explos\u00e3o foi do n\u00edvel de uma das maiores erup\u00e7\u00f5es j\u00e1 registradas no Sol, conhecida como evento de Carrington, segundo Callingham.<\/p>\n<p>Os cientistas frequentemente usam o <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2024\/06\/auge-de-atividade-solar-eleva-chances-de-terra-ver-auroras-mas-tambem-risco-de-panes.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">evento de Carrington de 1859<\/a> como refer\u00eancia para a tempestade geomagn\u00e9tica mais intensa observada na Terra: auroras apareceram em pontos incomuns, pessoas e animais acordaram como se fosse manh\u00e3 e sistemas de tel\u00e9grafo foram derrubados em todo o mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Seria algo como [o evento de Carrington] ou pior, derrubando comunica\u00e7\u00f5es espaciais&#8221;, citou Callingham. &#8220;As telecomunica\u00e7\u00f5es estariam em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica se a Terra fosse atingida por algo semelhante ao que observamos nessa estrela.&#8221;<\/p>\n<p>Tasse afirmou que ficou surpreso com a pot\u00eancia gerada pela estrela. Embora a an\u00e3 vermelha tivesse apenas metade da massa do Sol, seu campo magn\u00e9tico era 300 vezes mais forte, tornando-a semelhante a um &#8220;balde de plasma magnetizado em ebuli\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Os cientistas agora analisam com que frequ\u00eancia essas erup\u00e7\u00f5es podem ocorrer em outras estrelas, de acordo com Callingham. Algumas na\u00e7\u00f5es est\u00e3o trabalhando juntas para construir o maior conjunto de telesc\u00f3pios do mundo, o Square Kilometer Array, que dever\u00e1 ser capaz de detectar mais erup\u00e7\u00f5es de estrelas distantes para entender melhor a frequ\u00eancia de tais erup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Callingham sugeriu que eventos t\u00e3o severos poderiam acontecer no pr\u00f3prio Sol uma vez a cada 500 anos, algo raro para os humanos, mas bastante comum em escala geol\u00f3gica. &#8220;Um dia, veremos algo ainda mais forte que o evento Carrington.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pela primeira vez, astr\u00f4nomos detectaram uma erup\u00e7\u00e3o estelar forte o suficiente para devastar a atmosfera de um planeta&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":155654,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[443,109,107,108,236,2559,5806,3536,2078,32,33,105,103,104,2560,2836,106,110,3062],"class_list":{"0":"post-155653","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-astronomia","9":"tag-ciencia","10":"tag-ciencia-e-tecnologia","11":"tag-cienciaetecnologia","12":"tag-folha","13":"tag-marte","14":"tag-nature","15":"tag-pesquisa-cientifica","16":"tag-planetas","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-science","20":"tag-science-and-technology","21":"tag-scienceandtechnology","22":"tag-sistema-solar","23":"tag-sol","24":"tag-technology","25":"tag-tecnologia","26":"tag-universidade"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115567075344839043","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155653","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=155653"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155653\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/155654"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=155653"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=155653"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=155653"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}