{"id":155724,"date":"2025-11-17T22:03:24","date_gmt":"2025-11-17T22:03:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/155724\/"},"modified":"2025-11-17T22:03:24","modified_gmt":"2025-11-17T22:03:24","slug":"vulcoes-submarinos-revelam-indicios-de-vida-detectam-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/155724\/","title":{"rendered":"Vulc\u00f5es submarinos revelam ind\u00edcios de vida, detectam cientistas"},"content":{"rendered":"<p>Em 2022, a expedi\u00e7\u00e3o do navio de pesquisa alem\u00e3o R\/V Sonne alcan\u00e7ou o arco frontal das <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/pesquisadores-descobrem-origem-de-som-assustador-vindo-da-fossa-das-marianas.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Marianas<\/a>, uma regi\u00e3o composta por vulc\u00f5es de lama e montes submarinos localizados no Oceano Pac\u00edfico ocidental. O principal objetivo da miss\u00e3o era investigar o fen\u00f4meno da serpentiniza\u00e7\u00e3o, um processo geol\u00f3gico que resulta na gera\u00e7\u00e3o de energia e mol\u00e9culas org\u00e2nicas atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o entre rochas e \u00e1gua.<\/p>\n<p>Nas profundezas dessas zonas de subduc\u00e7\u00e3o, onde a placa tect\u00f4nica do Pac\u00edfico se desloca sob a placa das <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/tufao-kalmaegi-mata-mais-de-100-nas-filipinas-pais-declara-emergencia.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Filipinas<\/a>, ocorre a serpentiniza\u00e7\u00e3o, que libera hidrog\u00eanio (H\u2082) e metano (CH\u2084). Esses elementos criam fontes naturais de energia qu\u00edmica em locais desprovidos de luz solar e mat\u00e9ria org\u00e2nica.<\/p>\n<p>A equipe de cientistas esperava encontrar uma comunidade microbiana uniforme e raramente observada, que dependesse do metano como fonte de energia. No entanto, as descobertas superaram as expectativas. Devido ao elevado pH do ambiente, que pode alcan\u00e7ar 12 \u2014 semelhante a produtos qu\u00edmicos utilizados para desentupir ralos \u2014 a an\u00e1lise do DNA se mostrou complicada. Em vez disso, os pesquisadores optaram por utilizar biomarcadores lip\u00eddicos, que s\u00e3o gorduras presentes nas membranas celulares.<\/p>\n<p>Os resultados revelaram uma biosfera subterr\u00e2nea vibrante, composta por arqueias e bact\u00e9rias extrem\u00f3filas microsc\u00f3picas. O estudo, publicado na revista <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s43247-025-02667-6\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Communications Earth and Environment<\/a>, indicou que a vida n\u00e3o apenas persiste em condi\u00e7\u00f5es t\u00e3o adversas, mas tamb\u00e9m demonstra adapta\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas not\u00e1veis ao longo de milh\u00f5es de anos, interagindo com o processo geoqu\u00edmico da serpentiniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses microrganismos desempenham um papel fundamental na reciclagem de carbono, influenciando a quantidade de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre. Os cientistas agora reconhecem que essa biosfera \u00e9 mais ativa do que se imaginava, com os micr\u00f3bios convertendo carbono trazido \u00e0 superf\u00edcie pelos fluidos resultantes da serpentiniza\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, eles produzem e consomem metano, atuando como intermedi\u00e1rios entre processos geol\u00f3gicos profundos e ciclos biogeoqu\u00edmicos que ocorrem na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>As comunidades microbianas ali presentes praticam a quimioss\u00edntese \u2014 uma forma alternativa \u00e0 <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/planta-inedita-que-nao-faz-fotossintese-e-descoberta-no-japao.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">fotoss\u00edntese<\/a> \u2014 extraindo energia de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas envolvendo subst\u00e2ncias inorg\u00e2nicas como hidrog\u00eanio e di\u00f3xido de carbono provenientes das rochas serpentinizadas. Dessa maneira, esses organismos conseguem sobreviver sem depender da luz solar ou de mat\u00e9ria org\u00e2nica produzida na superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Este sistema biol\u00f3gico atua como um \u201cplaneta dentro de outro\u201d, onde a <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/cientistas-propoem-novo-principio-universal-do-crescimento-da-vida.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">vida<\/a> se alimenta da \u201crespira\u00e7\u00e3o\u201d geol\u00f3gica da Terra. As implica\u00e7\u00f5es dessa descoberta s\u00e3o vastas, sugerindo que formas semelhantes de vida podem existir em oceanos gelados e escuros em outros planetas.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise lip\u00eddica utilizada no estudo possibilita diferenciar entre micr\u00f3bios vivos e extintos; mol\u00e9culas intactas indicam c\u00e9lulas ativas, enquanto as degradadas revelam comunidades fossilizadas. Segundo <strong>Palash Kumawat<\/strong>, primeiro autor da pesquisa e integrante da Universidade de Bremen, essa t\u00e9cnica se mostra eficaz mesmo em locais com baixa densidade celular.<\/p>\n<p>A pesquisa posiciona o arco frontal das Marianas como um laborat\u00f3rio \u00fanico para estudar a vida em condi\u00e7\u00f5es extremas. Essa investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas ilumina aspectos da biologia terrestre, mas tamb\u00e9m contribui para o desenvolvimento de instrumentos voltados para futuras miss\u00f5es em corpos celestes como Europa, Enc\u00e9lado e <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/fermento-pode-sobreviver-a-condicoes-extremas-semelhantes-as-de-marte-aponta-estudo.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Marte<\/a>.<\/p>\n<p>Os autores do estudo estimam que os microrganismos encontrados abaixo do fundo do mar representem cerca de 15% da biomassa total do planeta. A continuidade das investiga\u00e7\u00f5es sobre esses extrem\u00f3filos poder\u00e1 fornecer novas percep\u00e7\u00f5es sobre a origem dos primeiros organismos na Terra primitiva, repercute a CNN Brasil.<\/p>\n<p>A coautora Dra. <strong>Florence Schubotz<\/strong>, do Centro de Ci\u00eancias Ambientais Marinhas da Universidade de Bremen, destaca: \u201co que \u00e9 fascinante nessas descobertas \u00e9 que a vida sob essas condi\u00e7\u00f5es extremas, como pH elevado e baixas concentra\u00e7\u00f5es de carbono org\u00e2nico, \u00e9 poss\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da expedi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o havia evid\u00eancias claras da exist\u00eancia de vida ativa nos <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/historia-hoje\/novo-ecossistema-e-encontrado-em-vulcao-submarino-durante-expedicao.phtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">vulc\u00f5es<\/a> de lama do arco das Marianas. Embora houvesse suspeitas sobre a presen\u00e7a dos extrem\u00f3filos, os pesquisadores n\u00e3o previam que esses organismos teriam desenvolvido uma biosfera t\u00e3o vibrante em um ambiente t\u00e3o profundo e alcalino.<\/p>\n<p>        <a href=\"https:\/\/aventurasnahistoria.com.br\/noticias\/author\/eric-moreira\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n          <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\u00c9ric Moreira\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/WhatsApp-Image-2021-09-24-at-18.30.11-150x150.jpeg\" class=\"avatar avatar-115 photo rounded-circle\" height=\"115\" width=\"115\"\/>        <\/a><\/p>\n<p>\u00c9ric Moreira \u00e9 jornalista, formado pelo Centro Universit\u00e1rio Belas Artes de S\u00e3o Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e s\u00e9ries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e Hist\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 2022, a expedi\u00e7\u00e3o do navio de pesquisa alem\u00e3o R\/V Sonne alcan\u00e7ou o arco frontal das Marianas, uma&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":155725,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,3471,2001,1347,62,13,1348,32,33,105,103,104,106,110,3192,33452],"class_list":{"0":"post-155724","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-curiosidades","12":"tag-descoberta","13":"tag-estudo","14":"tag-mundo","15":"tag-noticias","16":"tag-pesquisa","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-science","20":"tag-science-and-technology","21":"tag-scienceandtechnology","22":"tag-technology","23":"tag-tecnologia","24":"tag-vida","25":"tag-vulcoes-submarinos"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115567303538174190","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155724","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=155724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155724\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/155725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=155724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=155724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=155724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}