{"id":156317,"date":"2025-11-18T11:07:07","date_gmt":"2025-11-18T11:07:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/156317\/"},"modified":"2025-11-18T11:07:07","modified_gmt":"2025-11-18T11:07:07","slug":"cientistas-sequenciam-o-rna-mais-antigo-do-mundo-a-partir-de-um-mamute-lanoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/156317\/","title":{"rendered":"Cientistas sequenciam o RNA mais antigo do mundo a partir de um mamute-lanoso"},"content":{"rendered":"<p>Investigadores da Universidade de Estocolmo conseguiram, pela primeira vez, isolar e sequenciar mol\u00e9culas de RNA de mamutes-lanosos da Idade do Gelo \u2013 um feito cient\u00edfico sem precedentes que revela novas pistas sobre a biologia destes gigantes extintos. Os resultados foram publicados na revista <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/cell\/fulltext\/S0092-8674(25)01231-0?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0092867425012310%3Fshowall%3Dtrue\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Cell.<\/a><\/p>\n<p>Os fragmentos de RNA foram extra\u00eddos de tecidos excepcionalmente bem preservados de Yuka, um jovem mamute que viveu h\u00e1 cerca de 40.000 anos e cujos restos foram mantidos congelados no permafrost siberiano. At\u00e9 agora, acreditava-se que o RNA era demasiado inst\u00e1vel para sobreviver mesmo poucas horas ap\u00f3s a morte. Este estudo demonstra que, afinal, pode persistir durante dezenas de mil\u00e9nios.<\/p>\n<p><strong>Um olhar para os \u201c\u00faltimos momentos\u201d do mamute<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do DNA \u2014 que cont\u00e9m instru\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas est\u00e1veis \u2014 o RNA mostra quais genes estavam ativos num dado momento. Por isso, revela processos biol\u00f3gicos em tempo real.<\/p>\n<p>\u201cCom o RNA, podemos obter provas diretas de quais genes estavam \u2018ligados\u2019, oferecendo um vislumbre dos momentos finais da vida de um mamute que caminhou pela Terra durante a \u00faltima Idade do Gelo\u201d, explica Emilio M\u00e1rmol, autor principal do estudo.<\/p>\n<p>A equipa identificou padr\u00f5es de express\u00e3o gen\u00e9tica espec\u00edficos do tecido muscular, com mol\u00e9culas de RNA associadas a fun\u00e7\u00f5es essenciais como contra\u00e7\u00e3o muscular e resposta metab\u00f3lica ao stress.<\/p>\n<p>Segundo M\u00e1rmol, h\u00e1 sinais que sugerem que Yuka sofreu stress celular antes de morrer \u2014 hip\u00f3teses anteriores indicavam que o animal poder\u00e1 ter sido atacado por le\u00f5es-das-cavernas.<\/p>\n<p><strong>MicroRNAs revelam regula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica antiga<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos RNAs que codificam prote\u00ednas, os cientistas encontraram microRNAs \u2014 pequenas mol\u00e9culas que regulam a atividade g\u00e9nica.<\/p>\n<p>\u201cOs microRNAs espec\u00edficos do m\u00fasculo foram uma das descobertas mais entusiasmantes. S\u00e3o provas diretas de regula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica a acontecer em tempo real h\u00e1 milhares de anos\u201d, afirma Marc Friedl\u00e4nder, investigador da SciLifeLab e da Universidade de Estocolmo.<\/p>\n<p>Algumas muta\u00e7\u00f5es raras presentes nestas mol\u00e9culas confirmaram que tinham origem mamute, funcionando como uma \u201cprova irrefut\u00e1vel\u201d, segundo Bastian Fromm, investigador da Universidade \u00c1rtica da Noruega.<\/p>\n<p><strong>Um novo cap\u00edtulo para a paleogen\u00e9tica<\/strong><\/p>\n<p>O estudo abre portas a novas investiga\u00e7\u00f5es sobre esp\u00e9cies extintas \u2014 e at\u00e9 sobre v\u00edrus antigos.<\/p>\n<p>\u201cOs nossos resultados mostram que o RNA pode sobreviver muito mais tempo do que imagin\u00e1vamos. Isto significa que ser\u00e1 poss\u00edvel estudar n\u00e3o s\u00f3 a atividade gen\u00e9tica de animais extintos, mas tamb\u00e9m sequenciar v\u00edrus de RNA preservados, como gripe ou coronav\u00edrus de \u00e9pocas glaciais\u201d, afirma Love Dal\u00e9n, professor de Gen\u00f3mica Evolutiva.<\/p>\n<p>A equipa espera combinar, no futuro, RNA pr\u00e9-hist\u00f3rico com DNA, prote\u00ednas e outros biomarcadores, criando uma vis\u00e3o biol\u00f3gica mais completa dos animais que desapareceram h\u00e1 mil\u00e9nios.<\/p>\n<p><strong>Os mamutes-lanosos: gigantes da Idade do Gelo<\/strong><\/p>\n<p>Adaptados ao frio extremo, com pelagem densa, longas presas e corpo massivo, os mamutes-lanosos dominaram as estepes geladas da Eur\u00e1sia e da Am\u00e9rica do Norte. A sua popula\u00e7\u00e3o foi desaparecendo com o aquecimento global ap\u00f3s a \u00faltima Idade do Gelo, sobrevivendo apenas pequenos grupos isolados no \u00c1rtico at\u00e9 h\u00e1 cerca de 4.000 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Investigadores da Universidade de Estocolmo conseguiram, pela primeira vez, isolar e sequenciar mol\u00e9culas de RNA de mamutes-lanosos da&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":156318,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-156317","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115570386265622415","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156317","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156317"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156317\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/156318"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156317"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156317"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156317"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}