{"id":157014,"date":"2025-11-18T22:46:16","date_gmt":"2025-11-18T22:46:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/157014\/"},"modified":"2025-11-18T22:46:16","modified_gmt":"2025-11-18T22:46:16","slug":"direita-direita-direita-direita-opiniao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/157014\/","title":{"rendered":"Direita, direita, direita, direita | Opini\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Desde que me meti nesta triste contagem sobre <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2023\/12\/29\/opiniao\/opiniao\/direitizacao-direita-europeia-2075116\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o fim da esquerda na Europa<\/a> que os n\u00fameros n\u00e3o param de surpreender. H\u00e1 dois, sim escrevi dois, governos de esquerda entre os 27 Estados-membros da Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Em Malta, h\u00e1 12 anos que o Partido Trabalhista chefia o executivo. Em Espanha, Sanch\u00e9z tem mantido miraculosamente a sua coliga\u00e7\u00e3o com o Sumar, solicitando sempre que necess\u00e1rio \u2013 e necessita muitas vezes \u2013 de acordos com partidos nacionalistas e independentistas regionais (coisa pouco de esquerda). H\u00e1 mais dois que namoram a ideia de governo de esquerda. Na Dinamarca, os sociais-democratas para se manter no poder assumiram, desde 2022, um governo atrav\u00e9s do centro; na Eslov\u00e1quia h\u00e1 um governo de esquerda, sim, mas populista nacionalista, na linha de um conservadorismo social. Resta saber, ainda, o que ser\u00e1 dos Pa\u00edses Baixos. Com a vit\u00f3ria recente dos centristas do Democratas 66, fletir\u00e3o mais \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita? Sabemos que, no Parlamento Europeu, integram a alian\u00e7a dos liberais (ALDE)\u2026<\/p>\n<p>No que resta da Europa, por exemplo, dos seis pa\u00edses dos Balc\u00e3s Ocidentais apenas um, a Alb\u00e2nia, tem um governo de esquerda \u2013 h\u00e1 12 anos. Se nos restantes pa\u00edses \u2013 B\u00f3snia-Herzegovina, Maced\u00f3nia do Norte, Montenegro e S\u00e9rvia \u2013 temos governos mais \u00e0 direita ou ao centro, no Kosovo existe uma situa\u00e7\u00e3o h\u00edbrida com uma coliga\u00e7\u00e3o entre os nacionalistas de esquerda do Vet\u00ebvendosje e o centro-direita do LDK. Andorra, Arm\u00e9nia, Azerbaij\u00e3o, Cazaquist\u00e3o, Ge\u00f3rgia, Liechtenstein, Mold\u00e1via, San Marino e Turquia seguem a mesma linha \u00e0 direita ou ao centro.<\/p>\n<p>N\u00e3o considero aqui, pelas suas especificidades, os casos da R\u00fassia (praticamente, um sistema de partido \u00fanico, nacionalista e conservador), Ucr\u00e2nia (coliga\u00e7\u00e3o de unidade nacional), Bielorr\u00fassia (regime autorit\u00e1rio), Vaticano (monarquia eletiva) e M\u00f3naco (monarquia constitucional). Sobram, portanto, poucas e tremidas exce\u00e7\u00f5es: o Reino Unido, onde o Partido Trabalhista governa, mas as sondagens apontam para uma desvantagem de quase 15 pontos percentuais face ao Reform UK; a Noruega, onde Jonas Gahr St\u00f8re quase perdeu para os nacionalistas h\u00e1 dois meses; a coliga\u00e7\u00e3o entre os sociais-democratas e os centristas-liberais e populistas de esquerda na Isl\u00e2ndia; o que quer que seja, para efeitos desta an\u00e1lise, a coliga\u00e7\u00e3o F\u00f3rmula M\u00e1gica na Su\u00ed\u00e7a; e, como n\u00e3o recordar, o Javna\u00f0arflokkurin, de centro-esquerda, nas Ilhas Faro\u00e9.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<blockquote><p>&#13;<\/p>\n<p>Apenas 11% dos governos europeus s\u00e3o de esquerda. Se fossemos mais abrangentes, poder\u00edamos falar de cerca de 20%. Isto n\u00e3o quer dizer que os restantes 89% ou 80% sejam exclusivamente de direita ou direita radical<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p><\/blockquote>\n<p>&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\n            &#13;<\/p>\n<p>Ou seja, dos 45 executivos europeus aqui considerados, apenas cinco s\u00e3o marcadamente de esquerda (Espanha, Ilhas Faro\u00e9, Malta, Noruega e Reino Unido). Se fossemos mais latos, poder\u00edamos incluir mais quatro (Dinamarca, Eslov\u00e1quia, Isl\u00e2ndia e Kosovo). Assim, com n\u00fameros conservadores, apenas 11% dos governos europeus s\u00e3o de esquerda. Se fossemos mais abrangentes, poder\u00edamos falar de cerca de 20%. Isto n\u00e3o quer dizer que os restantes 89% ou 80% sejam exclusivamente de direita ou direita radical. Todavia, o ascendente de tudo o que n\u00e3o seja esquerda radical, esquerda ou centro-esquerda \u00e9 evidente.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos, a esquerda quase s\u00f3 se regozijou com vit\u00f3rias anti-Trump. Mark Carney, no Canad\u00e1, recuperou 20 pontos percentuais relativamente aos conservadores para ganhar as elei\u00e7\u00f5es em meados de 2025. O trabalhista Anthony Albanese venceu, pela mesma altura, as elei\u00e7\u00f5es na Austr\u00e1lia, construindo a sua campanha em torno duma imagem de lideran\u00e7a calma por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 imprevisibilidade de um mundo agitado por Trump. Tamb\u00e9m <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/11\/05\/video\/apesar-ameaca-trump-socialista-zohran-mamdani-vence-autarquicas-nova-iorque-20251105-120317\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Zohran Mamdani<\/a> ganhou a C\u00e2mara de Nova Iorque, em parte, com uma campanha \u201cTrump-Proofing NYC\u201d. As conquistas da esquerda, pelo menos algumas das mais recentes e emblem\u00e1ticas, t\u00eam sido pela negativa, contra um rival e uma ideia de desestabiliza\u00e7\u00e3o e amea\u00e7a que ele encarna.<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>H\u00e1 muita coisa escrita sobre o que a esquerda deve ou n\u00e3o fazer e sobre quais as li\u00e7\u00f5es a retirar dos tempos recentes. J\u00e1 <a href=\"http:\/\/expresso.pt\/opiniao\/2023-06-07-Direitizacao-da-Europa--Segunda-Vaga-c9fce443\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">namorei este tema<\/a> h\u00e1 anos e acho que, enfim, vi a luz. Se este tipo de vit\u00f3rias, pela negativa, for sustent\u00e1vel no longo prazo, o prolongar de Trump e dos seus suced\u00e2neos no tempo e no espa\u00e7o pode dar um novo f\u00f4lego \u00e0 esquerda. Quem sabe, talvez, o que a esquerda precise seja de um Trump em cada esquina.<\/p>\n<p>O autor escreve segundo o acordo ortogr\u00e1fico de 1990 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Desde que me meti nesta triste contagem sobre o fim da esquerda na Europa que os n\u00fameros n\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":26995,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[11732,27,28,17264,1552,445,15,16,14,25,26,21,22,4406,62,12,13,19,20,835,23,24,17,18,29,30,31,636,63,64,65,31172],"class_list":{"0":"post-157014","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-mundo","8":"tag-anthony-albanese","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-direita","12":"tag-esquerda","13":"tag-europa","14":"tag-featured-news","15":"tag-featurednews","16":"tag-headlines","17":"tag-latest-news","18":"tag-latestnews","19":"tag-main-news","20":"tag-mainnews","21":"tag-mark-carney","22":"tag-mundo","23":"tag-news","24":"tag-noticias","25":"tag-noticias-principais","26":"tag-noticiasprincipais","27":"tag-opiniao","28":"tag-principais-noticias","29":"tag-principaisnoticias","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias","35":"tag-uniao-europeia","36":"tag-world","37":"tag-world-news","38":"tag-worldnews","39":"tag-zohran-mamdani"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115573134854117176","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=157014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/157014\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26995"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=157014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=157014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=157014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}