{"id":158319,"date":"2025-11-20T00:58:13","date_gmt":"2025-11-20T00:58:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/158319\/"},"modified":"2025-11-20T00:58:13","modified_gmt":"2025-11-20T00:58:13","slug":"narizes-dos-neandertais-nao-adquiriram-adaptacoes-para-frio-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/158319\/","title":{"rendered":"Narizes dos Neandertais n\u00e3o adquiriram adapta\u00e7\u00f5es para frio \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Uma nova investiga\u00e7\u00e3o sobre o Neandertal de Altamura (It\u00e1lia), um dos esqueletos f\u00f3sseis mais excecionais e um verdadeiro s\u00edmbolo da paleoantropologia, apresentou novas ideias sobre a morfologia facial desta esp\u00e9cie e a sua adapta\u00e7\u00e3o ao frio.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, a dificuldade de acesso \u00e0 parte da gruta onde se encontra impediu o estudo dos restos mortais, inicialmente atribu\u00eddos ao Homo heidelbergensis, at\u00e9 2015, quando uma equipa de cientistas da Universidade Sapienza de Roma (It\u00e1lia) inseriu um bra\u00e7o rob\u00f3tico e extraiu uma amostra da omoplata direita do esqueleto.<\/p>\n<p>Esta an\u00e1lise gen\u00e9tica confirmou que se tratava de um Neandertal de h\u00e1 entre 130.000 e 172.000 anos, um dos mais antigos conhecidos at\u00e9 \u00e0 data.<\/p>\n<p>A nova investiga\u00e7\u00e3o, publicada na segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) e liderada por Constantino Buzi, investigador da Universidade de Perugia e afiliado no Instituto Catal\u00e3o de Paleoecologia Humana e Evolu\u00e7\u00e3o Social (IPHES-CERCA), analisou a morfologia nasal dos Neandertais e n\u00e3o encontrou caracter\u00edsticas internas exclusivas da esp\u00e9cie, encerrando assim um debate cient\u00edfico de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Os Neandertais, esp\u00e9cie humana extinta que habitou a Europa, o M\u00e9dio Oriente e a \u00c1sia Central durante o Pleistoceno e coexistiu com o Homo sapiens, s\u00e3o essenciais para a compreens\u00e3o da evolu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>A sua anatomia, muito mais robusta do que a dos humanos modernos, inclu\u00eda um t\u00f3rax amplo, uma bacia larga e membros curtos \u2014\u00a0uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas que provavelmente permitiram \u00e0 esp\u00e9cie adaptar-se ao clima frio.<\/p>\n<p>Contudo, embora o corpo do Neandertal reflita essa adapta\u00e7\u00e3o, o seu rosto e nariz n\u00e3o se encaixam nesse padr\u00e3o: esses humanos possu\u00edam uma abertura nasal muito ampla e um rosto projetado para a frente \u2014\u00a0conhecido como prognatismo m\u00e9dio-facial \u2014\u00a0caracter\u00edsticas aparentemente contradit\u00f3rias \u00e0s adapta\u00e7\u00f5es usuais ao frio.<\/p>\n<p>Para explicar este paradoxo, alguns cientistas propuseram que os Neandertais desenvolveram caracter\u00edsticas internas \u00fanicas na cavidade nasal que os ajudaram a <strong>compensar a falta de adapta\u00e7\u00e3o externa do nariz<\/strong>, argumentos que alimentaram um debate complexo e prolongado durante d\u00e9cadas sobre a adapta\u00e7\u00e3o desta esp\u00e9cie ao frio.<\/p>\n<p>O novo estudo, que, <strong>com recurso a tecnologia endosc\u00f3pica de alta resolu\u00e7\u00e3o<\/strong>, conseguiu analisar as estruturas internas do nariz do Neandertal de Altamura com um detalhe sem precedentes, apresentou resultados conclusivos: a esp\u00e9cie n\u00e3o apresenta caracter\u00edsticas internas \u00fanicas nem adapta\u00e7\u00f5es internas espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Alguns cientistas fizeram suposi\u00e7\u00f5es \u201cbaseadas em evid\u00eancias incompletas\u201d, explicou Antonio Profico, investigador da Universidade de Pisa e coautor do estudo.<\/p>\n<p>Mas tais caracter\u00edsticas n\u00e3o existem e \u201cmesmo sem estas supostas adapta\u00e7\u00f5es, o nariz do Neandertal era perfeitamente eficiente para satisfazer as elevadas exig\u00eancias energ\u00e9ticas da esp\u00e9cie\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>\u201cQuando incorporamos a bioenerg\u00e9tica, o \u2018paradoxo\u2019 da grande abertura nasal desaparece. \u00c9 exatamente o que seria de esperar numa esp\u00e9cie adaptada ao frio, mas com uma morfologia craniana arcaica\u201d, explicou, por sua vez, o coautor Carlos Lorenzo, investigador do IPHES-CERCA e da Universidade Rovira i Virgili.<\/p>\n<p>A equipa defende que o prognatismo m\u00e9dio-facial caracter\u00edstico dos Neandertais n\u00e3o se desenvolveu, provavelmente, como resposta direta \u00e0s necessidades respirat\u00f3rias, mas sim como resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de diversas press\u00f5es evolutivas e restri\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas que, em conjunto, moldaram um rosto diferente dos atuais humanos, por\u00e9m \u201ctotalmente funcional nos ambientes frios da Europa do Plistoc\u00e9nico\u201d, salientaram os autores.<\/p>\n<p>O estudo incluiu um modelo tridimensional completo da cavidade nasal derivado de imagens endosc\u00f3picas, que permitir\u00e1 futuros estudos sobre o desempenho respirat\u00f3rio dos Neandertais e as suas adapta\u00e7\u00f5es fisiol\u00f3gicas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uma nova investiga\u00e7\u00e3o sobre o Neandertal de Altamura (It\u00e1lia), um dos esqueletos f\u00f3sseis mais excecionais e um 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