{"id":158813,"date":"2025-11-20T13:01:09","date_gmt":"2025-11-20T13:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/158813\/"},"modified":"2025-11-20T13:01:09","modified_gmt":"2025-11-20T13:01:09","slug":"porque-e-que-ha-tanta-contestacao-a-volta-do-projecto-fotovoltaico-sophia-energias-renovaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/158813\/","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que h\u00e1 tanta contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 volta do projecto fotovoltaico Sophia? | Energias renov\u00e1veis"},"content":{"rendered":"<p>O projecto da central fotovoltaica Sophia, que abrange os concelhos de Idanha-a-Nova, Penamacor e Fund\u00e3o, no distrito de Castelo Branco, tem sido alvo de um coro de cr\u00edticas. A mais recente contesta\u00e7\u00e3o vem da parte da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa, que emitiu um parecer desfavor\u00e1vel ao projecto de energia solar no \u00e2mbito da consulta p\u00fablica. <\/p>\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa &#8211; que representa os munic\u00edpios de Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Oleiros, Penamacor, Proen\u00e7a-a-Nova, Sert\u00e3, Vila de Rei e Vila Velha de R\u00f3d\u00e3o &#8211; vem refor\u00e7ar o descontentamento da regi\u00e3o com a poss\u00edvel central de energia solar. Os tr\u00eas concelhos que poder\u00e3o ser directamente afectados pelo Sophia (Idanha-a-Nova, Fund\u00e3o e Penamacor) j\u00e1 se tinham manifestado contra o pol\u00e9mico projecto. <\/p>\n<p>Esta semana, as organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas Zero, FAPAS (Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa para a Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade) e Rewilding Portugal, assim como a plataforma c\u00edvica Juntos pelo Divor, emitiram separadamente comunicados a contestar o projecto.<\/p>\n<p>Embora as quatro entidades reconhe\u00e7am a import\u00e2ncia da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, afirmam tamb\u00e9m que esse ponto n\u00e3o justifica os riscos associados \u00e0 iniciativa. Opini\u00e3o semelhante t\u00eam a associa\u00e7\u00e3o ambientalista Quercus e o partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que j\u00e1 tinham alertado este m\u00eas para as consequ\u00eancias ambientais desta iniciativa.<\/p>\n<p>No dia em que termina o per\u00edodo de <a href=\"https:\/\/participa.pt\/pt\/consulta\/a-csf-de-sophia-e-as-lmat-associadas\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">consulta p\u00fablica<\/a> do projecto Sophia, o Azul analisa o que est\u00e1 na origem de tanta contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 volta desta central fotovoltaica em Castelo Branco.<\/p>\n<p>Esp\u00e9cies em risco<\/p>\n<p>A \u00e1rea prevista para o <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/06\/azul\/noticia\/central-fotovoltaica-prevista-castelo-branco-idanhaanova-preocupa-quercus-2149745\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">projecto Sophia<\/a>, que contempla a instala\u00e7\u00e3o de 425.600 m\u00f3dulos fotovoltaicos numa \u00e1rea de mais de 520 hectares,\u200b inclui zonas do geoparque Naturtejo (patrim\u00f3nio da humanidade da UNESCO), da Reserva Agr\u00edcola Nacional e da Reserva Ecol\u00f3gica Nacional.<\/p>\n<p>A Naturtejo, entidade que gere o Geoparque Naturtejo da UNESCO, manifestou tamb\u00e9m esta quinta-feira oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 ao projecto fotovoltaico Sophia, mas tamb\u00e9m ao da Beira. \u201cEsta posi\u00e7\u00e3o fundamenta-se na aus\u00eancia de garantias quanto ao cumprimento dos compromissos internacionais assumidos por Portugal para a protec\u00e7\u00e3o do ambiente, do patrim\u00f3nio e da paisagem\u201d, sublinhou a Naturtejo em comunicado. \u200b<\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>Segundo a FAPAS, \u201co Estudo de Impacte Ambiental (EIA) indica que o projecto implicar\u00e1 o abate de 1541 \u00e1rvores protegidas, incluindo sobreiros e azinheiras, esp\u00e9cies fundamentais nos montados da regi\u00e3o, bem como a destrui\u00e7\u00e3o de mais de um hectare de montados de Quercus spp. de folha perene.\u201d<\/p>\n<p>A Zero tamb\u00e9m deu esta quinta-feira um parecer desfavor\u00e1vel ao projecto Sophia devido aos impactos a n\u00edvel socioecon\u00f3mico e ambiental subvalorizados pelo EIA, que, segundo a associa\u00e7\u00e3o ambientalista, cont\u00e9m defici\u00eancias, omiss\u00f5es graves e conclus\u00f5es enviesadas.<\/p>\n<p>O EIA tamb\u00e9m \u00e9 referido no comunicado da Rewilding, que indica que o estudo registou \u201c231 esp\u00e9cies de vertebrados na \u00e1rea em causa\u201d. <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/11\/10\/azul\/noticia\/pan-propoe-suspensao-imediata-projecto-central-solar-sophia-2154081\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Entre as esp\u00e9cies mais sens\u00edveis<\/a> est\u00e3o a cegonha-preta, o abutre-preto, a \u00e1guia-imperial e v\u00e1rias esp\u00e9cies de quir\u00f3pteros, anf\u00edbios e r\u00e9pteis protegidos, refere o documento.<\/p>\n<p>\u201cO projecto estende-se por tr\u00eas concelhos e integra duas linhas de muito alta tens\u00e3o (400 kV), com cerca de 22 km cada\u201d, revela a organiza\u00e7\u00e3o. \u201cEstas linhas atravessam zonas agr\u00edcolas, povoamentos florestais e vales de ribeiras que mant\u00eam ainda uma conectividade ecol\u00f3gica relevante.\u201d<\/p>\n<p>A Rewilding adianta ainda que \u201cas medidas compensat\u00f3rias propostas, como a convers\u00e3o de 135 hectares de eucalipto em azinheiras e sobreiros, num total de 228 hectares de compensa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, n\u00e3o demonstram ganhos l\u00edquidos de biodiversidade e n\u00e3o eliminam a perda irrevers\u00edvel de habitats locais.\u201d<\/p>\n<p>Impacto no territ\u00f3rio<\/p>\n<p>A Comunidade Intermunicipal da Beira defende que a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica deve decorrer de forma equilibrada, com respeito pelo ordenamento do territ\u00f3rio, pelo ambiente, pela biodiversidade e geodiversidade, pelo potencial produtivo dos espa\u00e7os agro-florestais e pela qualidade de vida, quer de quem habita, como de quem visita o territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cA Beira Baixa distingue-se por ser palco de paisagens naturais \u00fanicas e habitat de valores naturais excepcionais, que justificam a classifica\u00e7\u00e3o de partes significativas do seu territ\u00f3rio com diferentes e importantes estatutos &#8211; paisagem protegida, monumento natural, reserva natural, parque natural, zona especial de conserva\u00e7\u00e3o, zona de protec\u00e7\u00e3o especial, geoparque mundial, reserva da biosfera &#8211; a que se somam o territ\u00f3rio Terras do Lince (Carta Europeia de Turismo Sustent\u00e1vel) e duas biorregi\u00f5es (Idanha e Lusit\u00e2nia)\u201d, recorda a entidade intermunicipal numa nota citada pela Lusa. <\/p>\n<p>        &#13;<\/p>\n<p>&#13;<br \/>\n                &#13;\n            <\/p>\n<p>&#13;<\/p>\n<p>A Comunidade Intermunicipal refere que o parecer desfavor\u00e1vel teve em conta a significativa e cont\u00ednua extens\u00e3o da \u00e1rea que se prev\u00ea artificializar, as consequ\u00eancias nefastas, dada a escala da instala\u00e7\u00e3o, sobre outros usos do territ\u00f3rio e os impactos n\u00e3o negligenci\u00e1veis sobre os espa\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o abrangidos, os habitats e esp\u00e9cies de fauna e flora protegidas.<\/p>\n<p>Alternativas sustent\u00e1veis<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o Zero defende que h\u00e1 cinco anos alerta para a necessidade de ordenar as actividades de produ\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel e identificar \u00e1reas que evitem consequ\u00eancias significativas na paisagem, nos valores naturais e que beneficiem de aceita\u00e7\u00e3o social e de partilha de benef\u00edcios.<\/p>\n<p>\u201cPortugal precisa de eliminar o consumo de combust\u00edveis f\u00f3sseis, mas o foco em mega-centrais pode estar a desvirtuar outras frentes necess\u00e1rias da transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica: aposta na efici\u00eancia energ\u00e9tica, nas comunidades de energia e mobilidade\u201d, defendem os especialistas da Zero.<\/p>\n<p>A Zero defende que a central Sophia ilustra bem uma estrat\u00e9gia de descarboniza\u00e7\u00e3o desequilibrada e teme que \u201ca enorme contesta\u00e7\u00e3o que se est\u00e1 a gerar \u00e0 volta deste megaprojecto possa criar um ambiente social desfavor\u00e1vel \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o das energias renov\u00e1veis em Portugal\u201d.<\/p>\n<p>A FAPAS, por sua vez, afirma que \u201ca transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica n\u00e3o pode ocorrer a qualquer custo e exige a suspens\u00e3o imediata do processo de licenciamento e a adop\u00e7\u00e3o de alternativas mais sustent\u00e1veis, como projectos solares distribu\u00eddos em \u00e1reas menos sens\u00edveis (como telhados em zonas industriais e urbanas ou em infra-estruturas como auto-estradas)\u201d.<\/p>\n<p>A plataforma Juntos pelo Divor assume uma posi\u00e7\u00e3o semelhante. \u201cNuma regi\u00e3o como esta, s\u00e3o poss\u00edveis projectos de parques solares fotovoltaicos com uma dimens\u00e3o que n\u00e3o prejudique a biodiversidade, a paisagem, o patrim\u00f3nio e a qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es, utilizando prioritariamente zonas degradadas, industriais ou j\u00e1 artificializadas e nunca \u00e1reas rurais vivas e com ecossistemas sens\u00edveis\u201d, refere a nota da plataforma.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o compreendemos nem concordamos que continue a aceitar-se a submiss\u00e3o de projectos com esta dimens\u00e3o sem que esteja publicado o anunciado <a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2025\/10\/24\/azul\/noticia\/governo-prepara-mapa-verde-areas-preferenciais-projectos-renovaveis-2151946\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Mapa Verde<\/a>\u201d, questionam ainda, referindo-se \u00e0 proposta do Governo para designar \u00e1reas preferenciais para a produ\u00e7\u00e3o de renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>No entender da Juntos pelo Divor, \u201cs\u00e3o poss\u00edveis projectos que n\u00e3o colidam com actividades econ\u00f3micas sustent\u00e1veis, que geram emprego e fixam trabalhadores, como \u00e9 o caso da agricultura, da pecu\u00e1ria, do turismo em espa\u00e7o rural, do turismo de natureza e do turismo cultural\u201d.<\/p>\n<p>BE questiona Comiss\u00e3o Europeia<\/p>\n<p>H\u00e1 uma semana, a deputada do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, afirmou numa nota imprensa: \u201cN\u00e3o precisamos destes grandes parques de pain\u00e9is fotovoltaicos com um impacto t\u00e3o brutal ao n\u00edvel ambiental, que arru\u00ednam terrenos agr\u00edcolas e com consequ\u00eancias t\u00e3o graves para as popula\u00e7\u00f5es daquelas regi\u00f5es, sobretudo quando podemos ter energia solar descentralizada que faz baixar a conta da luz para toda a gente.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica tem de ser feita com as pessoas e n\u00e3o contra as pessoas\u201d, acrescentou Catarina Martins.<\/p>\n<p>A deputada do BE tamb\u00e9m questionou a Comiss\u00e3o Europeia quanto \u00e0 legitimidade deste projecto dentro das normas europeias a n\u00edvel ambiental, nomeadamente a Directiva Habitats e a Directiva das Aves, a estrat\u00e9gia do Pacto Ecol\u00f3gico Europeu e ainda os crit\u00e9rios de sustentabilidade e uso eficiente dos solos e o princ\u00edpio da n\u00e3o-regress\u00e3o ambiental.<\/p>\n<p><strong>Texto editado por Aline Flor e Andr\u00e9ia Azevedo Soares <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O projecto da central fotovoltaica Sophia, que abrange os concelhos de Idanha-a-Nova, Penamacor e Fund\u00e3o, no distrito 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