{"id":15915,"date":"2025-08-04T17:42:15","date_gmt":"2025-08-04T17:42:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15915\/"},"modified":"2025-08-04T17:42:15","modified_gmt":"2025-08-04T17:42:15","slug":"porque-e-que-o-cobre-o-aluminio-e-o-aco-estao-nas-fundacoes-da-ideologia-maga-de-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/15915\/","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que o cobre, o alum\u00ednio e o a\u00e7o est\u00e3o nas funda\u00e7\u00f5es da ideologia MAGA de Trump?"},"content":{"rendered":"<p>  <a href=\"https:\/\/www.euromaster.pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">&#13;<br \/>\n    <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/1754229851_556_Automonitor_900x150-1.jpg\" alt=\"Euromaster\" style=\"max-width: 900px; width: 100%; height: auto; display: block; margin: 0 auto;\"\/>&#13;<br \/>\n  <\/a><\/p>\n<p>As tarifas de 50% sobre as importa\u00e7\u00f5es de cobre, a\u00e7o e alum\u00ednio, recentemente impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, est\u00e3o a transformar o mercado global dos metais e a abalar as ind\u00fastrias norte-americanas. Longe de serem meras medidas econ\u00f3micas, estas taxas aduaneiras refletem uma estrat\u00e9gia pol\u00edtica mais vasta, centrada na recupera\u00e7\u00e3o de sectores industriais outrora dominantes nos EUA e no refor\u00e7o do apoio da sua base eleitoral oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cGrande parte da motiva\u00e7\u00e3o para estas tarifas sobre mat\u00e9rias-primas como o cobre \u00e9 de natureza pol\u00edtica\u201d, afirmou David Stritch, analista s\u00e9nior de c\u00e2mbio na Caxton, em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Euronews. Segundo Stritch, Trump est\u00e1 \u201cfrustrado com o colapso da produ\u00e7\u00e3o norte-americana destes tr\u00eas materiais \u2014 um sector que liderava a n\u00edvel mundial at\u00e9 aos anos 1980 \u2014 e com a ascens\u00e3o de pa\u00edses como o Chile no cobre e a China no a\u00e7o e alum\u00ednio\u201d.<\/p>\n<p><strong>O regresso \u00e0 ret\u00f3rica industrial: \u201cSem a\u00e7o, n\u00e3o h\u00e1 pa\u00eds\u201d<\/strong><br \/>A ret\u00f3rica protecionista de Trump n\u00e3o \u00e9 nova. J\u00e1 em 2018, durante o seu primeiro mandato, sublinhou a import\u00e2ncia estrat\u00e9gica das ind\u00fastrias metal\u00fargicas: \u201cUma ind\u00fastria forte de a\u00e7o e alum\u00ednio \u00e9 vital para a nossa seguran\u00e7a nacional. Absolutamente vital.\u201d Na altura, Trump defendeu que os EUA tinham sido alvo de pr\u00e1ticas comerciais desleais durante d\u00e9cadas, com f\u00e1bricas a encerrar, milh\u00f5es de trabalhadores despedidos e comunidades inteiras destru\u00eddas. \u201cIsso vai acabar, certo? Vai acabar\u201d, prometeu.<\/p>\n<p>Agora, em plena campanha para a reelei\u00e7\u00e3o, Trump retoma a mesma narrativa \u2014 mas de forma mais agressiva. Os novos impostos aduaneiros abrangem todo o a\u00e7o, alum\u00ednio e cobre importados, numa tentativa de proteger a produ\u00e7\u00e3o nacional e estimular o investimento dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>Contudo, a medida teve efeitos imediatos e inesperados. O pre\u00e7o do cobre nos EUA, que tinha disparado em julho ap\u00f3s o an\u00fancio das tarifas, caiu 20% no final de julho, situando-se nos 4,55 d\u00f3lares (cerca de 3,94 euros) por libra, a maior queda intra-di\u00e1ria de sempre. A queda deu-se depois de Trump ter anunciado uma exce\u00e7\u00e3o de \u00faltima hora: os produtos de cobre em estado bruto \u2014 como concentrado e c\u00e1todos \u2014 ficariam isentos das tarifas. Apenas os produtos semi-acabados, como fios, tubos e folhas de cobre, ser\u00e3o taxados.<\/p>\n<p>No caso do a\u00e7o e do alum\u00ednio, as tarifas subiram dos anteriores 25% para uns in\u00e9ditos 50%, provocando uma escalada nos pre\u00e7os internos e volatilidade no mercado. Aumentos no custo das mat\u00e9rias-primas e a menor disponibilidade est\u00e3o a for\u00e7ar empresas norte-americanas a repensar cadeias de abastecimento e a considerar relocalizar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas se o objectivo declarado \u00e9 reavivar a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, os dados mostram que medidas similares falharam no passado. Entre 2017 e 2024, ap\u00f3s as primeiras tarifas de Trump, a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o nos EUA caiu 1%, enquanto a de alum\u00ednio baixou quase 10%.<\/p>\n<p>Segundo an\u00e1lises recentes, estas novas tarifas poder\u00e3o aumentar os custos de fabrico at\u00e9 4,5%, afetando de forma particularmente grave sectores de margens reduzidas, como os dos electrodom\u00e9sticos ou ve\u00edculos el\u00e9tricos. O impacto poder\u00e1 tamb\u00e9m travar investimentos em zonas industriais chave.<\/p>\n<p><strong>A decad\u00eancia industrial americana e a promessa de ressurrei\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>Durante grande parte do s\u00e9culo XX, os EUA lideraram a produ\u00e7\u00e3o mundial de cobre, a\u00e7o e alum\u00ednio. Mas essa hegemonia foi sendo corro\u00edda por transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e tecnol\u00f3gicas globais.<\/p>\n<p>No caso do cobre, o Chile assumiu a lideran\u00e7a global nas \u00faltimas d\u00e9cadas, afastando os EUA do topo da cadeia de produ\u00e7\u00e3o. Quanto ao a\u00e7o, o pico foi atingido nos anos 1970, antes de um colapso prolongado provocado por recess\u00f5es, concorr\u00eancia externa \u2014 sobretudo do Jap\u00e3o, Coreia do Sul e Europa \u2014 e pela inefici\u00eancia de f\u00e1bricas obsoletas, com altos custos laborais e exig\u00eancias ambientais crescentes. J\u00e1 no alum\u00ednio, o dom\u00ednio norte-americano foi ultrapassado pela China nos anos 2000, beneficiando esta de eletricidade barata e procura interna robusta.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias sociais dessa queda ainda s\u00e3o vis\u00edveis. As cidades sider\u00fargicas do \u201cRust Belt\u201d \u2014 desde Nova Iorque at\u00e9 ao Midwest \u2014 foram devastadas pelo decl\u00ednio industrial. Trump procura agora capitalizar politicamente esse ressentimento, prometendo reindustrializar a Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>\u201cOs maiores prejudicados por essa deslocaliza\u00e7\u00e3o foram os homens de classe oper\u00e1ria sem forma\u00e7\u00e3o superior \u2014 precisamente a base eleitoral mais fiel de Trump\u201d, notou David Stritch.<\/p>\n<p><strong>Um tiro no p\u00e9 para os sectores verdes?<\/strong><br \/>A nova vaga de tarifas representa tamb\u00e9m um desafio cr\u00edtico para sectores considerados estrat\u00e9gicos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. Cobre, a\u00e7o e alum\u00ednio s\u00e3o componentes essenciais na produ\u00e7\u00e3o de pain\u00e9is solares, baterias de ve\u00edculos el\u00e9tricos, turbinas e\u00f3licas e infraestruturas de energia limpa.<\/p>\n<p>\u201cOs tr\u00eas materiais s\u00e3o amplamente usados em tecnologias verdes, por isso ser\u00e1 provavelmente a base industrial dos EUA \u2014 que se pretende proteger \u2014 a sofrer as maiores consequ\u00eancias\u201d, advertiu Stritch.<\/p>\n<p>Com lucros m\u00e9dios de apenas 5% e uma cadeia de fornecimento ainda fr\u00e1gil, os fabricantes de ve\u00edculos el\u00e9tricos poder\u00e3o ser os mais afetados. \u201cA ind\u00fastria dos carros el\u00e9tricos est\u00e1 num momento delicado. Tarifas elevadas, custos acrescidos e incerteza no mercado podem travar o crescimento e os investimentos no sector\u201d, explicou o analista.<\/p>\n<p>As tarifas de Trump s\u00e3o mais do que uma ferramenta econ\u00f3mica: s\u00e3o uma arma pol\u00edtica. Ao atacar as importa\u00e7\u00f5es de metais, o presidente refor\u00e7a a sua vis\u00e3o nacionalista e a promessa de devolver \u00e0 Am\u00e9rica o controlo sobre sectores chave.<\/p>\n<p>Resta saber se o impacto pr\u00e1tico acompanhar\u00e1 a ret\u00f3rica. A hist\u00f3ria recente mostra que as tarifas nem sempre revitalizam a produ\u00e7\u00e3o nacional \u2014 e podem, pelo contr\u00e1rio, penalizar os consumidores, travar investimentos e desacelerar a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#13; &#13; As tarifas de 50% sobre as importa\u00e7\u00f5es de cobre, a\u00e7o e alum\u00ednio, recentemente impostas pelo presidente&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":15916,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,89,90,32,33],"class_list":{"0":"post-15915","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-economy","10":"tag-empresas","11":"tag-portugal","12":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15915\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15916"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}