{"id":159468,"date":"2025-11-21T01:07:11","date_gmt":"2025-11-21T01:07:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/159468\/"},"modified":"2025-11-21T01:07:11","modified_gmt":"2025-11-21T01:07:11","slug":"estudo-revela-que-o-eixo-da-terra-se-deslocou-80-cm-desde-1993-e-a-culpa-e-nossa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/159468\/","title":{"rendered":"Estudo revela que o eixo da Terra se deslocou 80 cm desde 1993&#8230; e a culpa \u00e9 nossa"},"content":{"rendered":"<p>Havia pistas neste sentido, a quest\u00e3o era refinar a an\u00e1lise dos dados hist\u00f3ricos de movimento polar. Estes est\u00e3o dispon\u00edveis desde o final do s\u00e9culo XIX, e permitem estudar varia\u00e7\u00f5es no armazenamento de \u00e1gua continental durante os \u00faltimos 100 anos. Contudo, a culpa desta altera\u00e7\u00e3o no eixo da Terra \u00e9 do ser humano e da extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/eixo_terra00.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/eixo_terra00-720x405.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1089347\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Bombe\u00e1mos tanta \u00e1gua subterr\u00e2nea que desloc\u00e1mos o eixo de rota\u00e7\u00e3o da Terra<\/p>\n<p>A comunidade cient\u00edfica suspeitava h\u00e1 anos que a <strong>extra\u00e7\u00e3o massiva de \u00e1gua subterr\u00e2nea<\/strong> n\u00e3o s\u00f3 alterava aqu\u00edferos, rios e ecossistemas, como tamb\u00e9m algo que parecia intoc\u00e1vel: <strong>a forma como o planeta gira<\/strong>.<\/p>\n<p>Um estudo publicado na <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/agupubs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1029\/2023GL103509\" rel=\"nofollow noopener\">Geophysical Research Letters<\/a> refor\u00e7a com dados o que antes eram aproxima\u00e7\u00f5es.\u00a0Entre 1993 e 2010, o bombeamento humano de \u00e1gua deslocou o eixo de rota\u00e7\u00e3o terrestre cerca de 0,80 m para este.<\/p>\n<p>Um valor pequeno se pensarmos numa esfera com mais de 12.700 km de di\u00e2metro, mas enorme se considerarmos que o respons\u00e1vel \u00e9 unicamente a altera\u00e7\u00e3o na distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n<p><strong>Pontos quentes:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>\u00c1gua subterr\u00e2nea deslocada.<\/li>\n<li>Terra inclinada cerca de 0,80 m para este.<\/li>\n<li>Mais de 2.150 gigatoneladas bombeadas.<\/li>\n<li>Aumento do n\u00edvel do mar e altera\u00e7\u00f5es no eixo de rota\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<li>Zonas cr\u00edticas: noroeste da \u00cdndia e oeste da Am\u00e9rica do Norte.<\/li>\n<li>Sinal claro nos dados de movimento polar.<\/li>\n<\/ul>\n<p>A \u00e1gua em movimento altera a forma como o planeta gira<\/p>\n<p>Os modelos clim\u00e1ticos j\u00e1 estimavam que, no mesmo per\u00edodo, tinham sido <strong>extra\u00eddas 2.150 gigatoneladas de \u00e1gua do subsolo<\/strong>. Isso equivale a adicionar cerca de <strong>6 mm ao n\u00edvel m\u00e9dio global do mar<\/strong>. Mas faltava uma forma independente de o comprovar, j\u00e1 que medir com precis\u00e3o a perda de \u00e1gua em aqu\u00edferos continentais \u00e9 tecnicamente complexo.<\/p>\n<p>Uma alternativa reside no chamado <strong>movimento polar<\/strong>, um fen\u00f3meno natural no qual o polo de rota\u00e7\u00e3o, o ponto em torno do qual a Terra gira, se desloca ligeiramente sobre a superf\u00edcie terrestre.\u00a0Este movimento responde \u00e0 forma como a massa do planeta est\u00e1 distribu\u00edda. Se a distribui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua muda, a rota\u00e7\u00e3o muda. Tal como um patinador roda de forma diferente ao abrir ou fechar os bra\u00e7os, <strong>a Terra responde a estas varia\u00e7\u00f5es de peso<\/strong>.<\/p>\n<p>Nesta investiga\u00e7\u00e3o, a equipa liderada por Ki-Weon Seo, da Universidade Nacional de Seul, comparou diferentes cen\u00e1rios de redistribui\u00e7\u00e3o de massa: primeiro apenas gelo e glaciares e depois somando a \u00e1gua subterr\u00e2nea.<\/p>\n<p>A surpresa, ou talvez a confirma\u00e7\u00e3o que muitos esperavam, surgiu quando os modelos s\u00f3 coincidiram com os dados reais ao incluir a extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea. Sem esse fator, <strong>o modelo afastava-se mais de 78 cm do observado<\/strong>.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/eixo_terra01.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1089348\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/eixo_terra01-720x405.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"wp-image-1089348 size-medium\"  \/><\/a><\/p>\n<p id=\"caption-attachment-1089348\" class=\"wp-caption-text\"><strong>(a)<\/strong> Fatores individuais que contribuem para a tend\u00eancia de excita\u00e7\u00e3o do PM. <strong>(b)<\/strong> Soma dos fatores que contribuem para a tend\u00eancia de excita\u00e7\u00e3o de PM com (azul cont\u00ednuo) e sem (azul descont\u00ednuo) esgotamento das \u00e1guas subterr\u00e2neas. A seta vermelha indica a excita\u00e7\u00e3o de PM observada.<\/p>\n<p>A pegada invis\u00edvel da \u00e1gua subterr\u00e2nea<\/p>\n<p>A capacidade da \u00e1gua para modificar a rota\u00e7\u00e3o terrestre foi <a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/full\/10.1126\/sciadv.1501693\" rel=\"nofollow noopener\">descoberta em 2016 pela NASA<\/a>, mas a contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do bombeamento humano continuava sem ser quantificada. Este novo trabalho indica que, dentro das causas clim\u00e1ticas analisadas, a redistribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua subterr\u00e2nea \u00e9 o fator que mais influencia a deriva do polo.<\/p>\n<p>O curioso \u00e9 que a localiza\u00e7\u00e3o do bombeamento importa tanto quanto o volume. As maiores altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o detetadas quando a <strong>\u00e1gua prov\u00e9m de latitudes m\u00e9dias<\/strong>, onde o efeito sobre o eixo \u00e9 mais pronunciado.<\/p>\n<p>E foi exatamente a\u00ed que se encontraram dois focos cr\u00edticos durante o per\u00edodo estudado: o oeste da Am\u00e9rica do Norte e o noroeste da \u00cdndia. Duas regi\u00f5es onde a press\u00e3o sobre os aqu\u00edferos \u00e9 estrutural, n\u00e3o pontual.<\/p>\n<p>Pode este deslocamento ser travado?<\/p>\n<p>Segundo Ki-Weon Seo, se os <strong>pa\u00edses conseguirem reduzir de forma sustentada a extra\u00e7\u00e3o<\/strong> nas zonas mais sens\u00edveis, poder\u00e1 observar-se uma mudan\u00e7a na tend\u00eancia. Mas n\u00e3o seria imediato. S\u00e3o <strong>necess\u00e1rias d\u00e9cadas de gest\u00e3o respons\u00e1vel para que o movimento polar responda<\/strong>.<\/p>\n<p>Ainda assim, a ideia de que o planeta inclina ligeiramente o seu eixo devido \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana n\u00e3o deve ser confundida com um risco imediato para as esta\u00e7\u00f5es do ano ou para o clima a curto prazo.<\/p>\n<p>O movimento polar tem componentes naturais que oscilam v\u00e1rios metros todos os anos. \u00c9, antes, um sinal geof\u00edsico de fundo, um indicador de que a \u00e1gua doce est\u00e1 a mudar de lugar em quantidades suficientes para deixar marca na mec\u00e2nica terrestre.<\/p>\n<p><a target=\"_blank\" href=\"https:\/\/pplware.sapo.pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/eixo_terra02.webp\" rel=\"nofollow noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/eixo_terra02-720x405.webp.webp\" alt=\"\" width=\"720\" height=\"405\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-1089350\"  \/><\/a><\/p>\n<p>Eixo da Terra: olhar para o passado para compreender o presente<\/p>\n<p>A equipa prop\u00f5e agora <strong>utilizar registos hist\u00f3ricos de movimento polar<\/strong>, que datam do final do s\u00e9culo XIX, para reconstruir como as reservas de \u00e1gua nos continentes mudaram ao longo de mais de cem anos.<\/p>\n<p>Uma abordagem que poder\u00e1 revelar quando come\u00e7aram certas altera\u00e7\u00f5es hidrol\u00f3gicas associadas ao aquecimento global e \u00e0 expans\u00e3o agr\u00edcola moderna.<\/p>\n<p>Talvez existam padr\u00f5es ocultos nesses dados que expliquem secas recorrentes, esgotamento progressivo de aqu\u00edferos ou varia\u00e7\u00f5es em grandes bacias hidrogr\u00e1ficas. A ci\u00eancia, por vezes, encontra respostas em lugares inesperados. Neste caso, no vaiv\u00e9m milim\u00e9trico do eixo de rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Impacto<\/p>\n<p>A extra\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de \u00e1gua subterr\u00e2nea n\u00e3o s\u00f3 altera a rota\u00e7\u00e3o terrestre. A n\u00edvel ecol\u00f3gico, representa uma enorme press\u00e3o.\u00a0Os <strong>aqu\u00edferos recarregam-se lentamente<\/strong> e, quando s\u00e3o bombeados mais depressa do que se regeneram, desencadeiam-se impactos que se estendem por toda a superf\u00edcie: zonas h\u00famidas que diminuem, rios que perdem caudal, solo que afunda em \u00e1reas urbanas e agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m muda a din\u00e2mica do n\u00edvel do mar, que absorve literalmente a \u00e1gua transferida da terra firme.\u00a0O <strong>deslocamento do eixo de rota\u00e7\u00e3o n\u00e3o provoca impactos imediatos nos ecossistemas<\/strong>, mas indica um desajuste global. Um sintoma. A prova de que o planeta redistribui massas de \u00e1gua em grande escala, coincidente com o desgaste de aqu\u00edferos estrat\u00e9gicos para a alimenta\u00e7\u00e3o, a biodiversidade e a estabilidade do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u00c9 um lembrete inc\u00f3modo: o que acontece debaixo da terra, mesmo que n\u00e3o se veja, conta. E muito.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Havia pistas neste sentido, a quest\u00e3o era refinar a an\u00e1lise dos dados hist\u00f3ricos de movimento polar. 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