{"id":159701,"date":"2025-11-21T08:11:09","date_gmt":"2025-11-21T08:11:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/159701\/"},"modified":"2025-11-21T08:11:09","modified_gmt":"2025-11-21T08:11:09","slug":"cientistas-acham-interruptor-da-ansiedade-e-desligam-o-transtorno-em-ratos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/159701\/","title":{"rendered":"Cientistas acham interruptor da ansiedade e desligam o transtorno em ratos"},"content":{"rendered":"<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Estrutura cerebral em forma de am\u00eandoa com cerca de 1,5 cm de comprimento em seres humanos, a am\u00edgdala teve sua conex\u00e3o com a ansiedade amplamente documentada na literatura cient\u00edfica a partir dos anos 1990, com o surgimento da neuroimagem funcional (fMRI).<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">No entanto, embora a <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/ansiedade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">ansiedade<\/a> seja um transtorno psiqui\u00e1trico muito comum no mundo atual, ainda n\u00e3o se sabia at\u00e9 agora como exatamente a am\u00edgdala estava associada a essa altera\u00e7\u00e3o comportamental, ou seja, quais neur\u00f4nios, quais circuitos e quais mecanismos moleculares causavam o problema.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\"><a href=\"https:\/\/www.cell.com\/iscience\/fulltext\/S2589-0042(25)00910-1?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS2589004225009101%3Fshowall%3Dtrue\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Em um estudo publicado em maio de 2025 na revista iScience<\/a>, uma equipe de pesquisadores do Instituto de Neuroci\u00eancias de Alicante (IN), na Espanha, conseguiu identificar essa conex\u00e3o: uma popula\u00e7\u00e3o singular de neur\u00f4nios na am\u00edgdala cerebral que, quando desregulados, desencadeiam comportamentos patol\u00f3gicos.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Isso significa que, dentro de cada am\u00edgdala \u2014 <strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">uma vez que s\u00e3o, na verdade, duas estruturas, uma em cada lobo temporal <\/strong>\u2014 existe um grupo de neur\u00f4nios conhecidos como &#8220;c\u00e9lulas de disparo regular&#8221;, um tipo funcional definido principalmente pela forma como disparam impulsos el\u00e9tricos quando ativadas.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Diferentemente das c\u00e9lulas de disparo tardio, que, quando estimuladas, \u201cpensam\u201d antes de soltar seus potenciais de a\u00e7\u00e3o ao longo do ax\u00f4nio do neur\u00f4nio, as de disparo regular come\u00e7am a disparar esses impulsos el\u00e9tricos de forma imediata, r\u00edtmica e constante, como o tique-taque de um rel\u00f3gio.<\/p>\n<p>Curando a ansiedade em ratos transg\u00eanicos<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/resumo-grafico-do-estudo-1.jpg\" alt=\"Resumo gr\u00e1fico do trabalho mostra que a hiperatividade das c\u00e9lulas regulares desliga o freio das c\u00e9lulas tardias e dispara a ansiedade \u2022 \u00c1lvaro Garc\u00eda, iScience, 2025\/Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"849\" height=\"477\" class=\"flex size-full object-cover\" loading=\"lazy\"\/>Resumo gr\u00e1fico do trabalho mostra que a hiperatividade das c\u00e9lulas regulares desliga o freio das c\u00e9lulas tardias e dispara a ansiedade \u2022 \u00c1lvaro Garc\u00eda, iScience, 2025\/Reprodu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Para testar suas hip\u00f3teses, os pesquisadores, liderados por Juan Lerma no Instituto de Neuroci\u00eancias, usaram uma linhagem transg\u00eanica de ratos desenvolvida e caracterizada no mesmo laborat\u00f3rio em 2015, com c\u00f3pias extras do gene Grik4, <strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">a mesma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica verificada naturalmente em humanos com autismo e esquizofrenia<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">No c\u00e9rebro desses camundongos geneticamente modificados, os neur\u00f4nios da am\u00edgdala basolateral enviam sinais muito mais fortes (at\u00e9 182% mais intensos) para as c\u00e9lulas de disparo regular. Como resultado, a prote\u00edna GluK4 produzida em dobro causa hiperexcitabilidade neuronal e comportamentos de ansiedade.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Como os camundongos transg\u00eanicos tinham o gene Grik4 duplicado \u2014ou seja, produziam o dobro de GluK4 \u2014 os autores do estudo atual fizeram uma manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que removeu as c\u00f3pias nativas do gene, deixando apenas as c\u00f3pias extras, o que, na pr\u00e1tica, resultou em uma produ\u00e7\u00e3o normal de GluK4.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A equipe ajustou a produ\u00e7\u00e3o da prote\u00edna especificamente em uma pequena regi\u00e3o do c\u00e9rebro (a am\u00edgdala basolateral), o que fez com que essa regi\u00e3o parasse de enviar sinais excessivos para outro grupo de neur\u00f4nios (as c\u00e9lulas de disparo regular).<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Para o primeiro autor do estudo, \u00c1lvaro Garc\u00eda, do IN, &#8220;esse simples ajuste foi suficiente <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/coracao-acelerado-e-ansiedade-ou-problema-no-coracao-saiba-diferenciar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">para reverter comportamentos relacionados \u00e0 ansiedade e d\u00e9ficits sociais [nos camundongos]<\/a>, o que \u00e9 not\u00e1vel&#8221;. Segundo ele, isso demonstra que n\u00e3o foi preciso mexer no c\u00e9rebro inteiro, apenas em um circuito cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Funcionamento e poss\u00edveis aplica\u00e7\u00f5es<br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/celulas-da-amigdala-basolateral-infectadas-por0-virus-geneticamente-modificado.jpg\" alt=\"Imagem de microscopia confocal mostrando c\u00e9lulas da am\u00edgdala basolateral infectadas por um v\u00edrus geneticamente modificado \u2022 Instituto de Neuroci\u00eancias UMH CSIC\/Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"849\" height=\"477\" class=\"flex size-full object-cover\" loading=\"lazy\"\/>Imagem de microscopia confocal mostrando c\u00e9lulas da am\u00edgdala basolateral infectadas por um v\u00edrus geneticamente modificado \u2022 Instituto de Neuroci\u00eancias UMH CSIC\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">A din\u00e2mica por tr\u00e1s dessa \u201ccura\u201d da ansiedade em camundongos \u00e9 o fato de as c\u00e9lulas de disparo regular inibirem vigorosamente as c\u00e9lulas de disparo tardio. \u00c9 como se as r\u00e1pidas &#8220;desligassem&#8221; as de disparo tardio, e estas, por sua vez, inibissem os neur\u00f4nios da am\u00edgdala centromedial, <strong class=\"group-[.isActiveSource]:text-xl group-[.isActiveSource]:font-bold\">que geram as respostas de ansiedade<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Em uma situa\u00e7\u00e3o ideal, uma ativa\u00e7\u00e3o moderada das c\u00e9lulas regulares na am\u00edgdala basolateral faz com que elas inibam as c\u00e9lulas tardias. Estas fazem uma esp\u00e9cie de \u201cpausa para pensar\u201d antes do primeiro impulso el\u00e9trico, mantendo sob controle a am\u00edgdala centromedial, respons\u00e1vel pelas respostas de sa\u00edda.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Isso faz com que a ansiedade se mantenha em n\u00edveis normais e adaptativos, segundo o estudo. Na pr\u00e1tica, a ansiedade n\u00e3o surge porque as c\u00e9lulas regulares disparam de forma &#8220;regular&#8221;, mas porque quando elas ficam hiperativas, dominam o circuito, suprimem as c\u00e9lulas tardias, e comprometem o controle da ansiedade.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Embora esses resultados tenham ocorrido em modelos animais, a descoberta tem implica\u00e7\u00f5es profundas em futuros tratamentos farmacol\u00f3gicos direcionados. Hoje os medicamentos para ansiedade e depress\u00e3o agem de forma generalizada no c\u00e9rebro, afetando m\u00faltiplos sistemas.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Contudo, a identifica\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o neuronal espec\u00edfica e do receptor molecular envolvido (GluK4) abre caminhos para o desenvolvimento de f\u00e1rmacos que modulem seletivamente esse circuito, com menos efeitos colaterais. O mesmo poder\u00e1 ser feito em neuromodula\u00e7\u00e3o com estimula\u00e7\u00e3o transcraniana.<\/p>\n<p class=\"my-5 break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">Al\u00e9m desses tratamentos potenciais, descobrir que uma popula\u00e7\u00e3o t\u00e3o pequena de neur\u00f4nios pode ter um controle desproporcional sobre a regula\u00e7\u00e3o emocional <a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/saude\/psiquiatra-explica-diferenca-entre-depressao-e-ansiedade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\" class=\"text-red-600 underline hover:text-red-500 font-medium break-words group-[.isActiveSource]:text-xl\">muda radicalmente nossa compreens\u00e3o de como ansiedade e depress\u00e3o funcionam no c\u00e9rebro<\/a>. N\u00e3o mais como \u201cdanos estruturais\u201d, mas como descompassos focais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Estrutura cerebral em forma de am\u00eandoa com cerca de 1,5 cm de comprimento em seres humanos, a am\u00edgdala&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":159702,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-159701","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115586681230059420","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159701\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/159702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}