{"id":159746,"date":"2025-11-21T09:09:12","date_gmt":"2025-11-21T09:09:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/159746\/"},"modified":"2025-11-21T09:09:12","modified_gmt":"2025-11-21T09:09:12","slug":"leonor-matos-a-detecao-precoce-do-cancro-da-mama-salva-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/159746\/","title":{"rendered":"Leonor Matos: \u201cA dete\u00e7\u00e3o precoce do cancro da mama salva vidas\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Numa entrevista exclusiva ao HealthNews, Leonor Matos, m\u00e9dica oncologista e investigadora na Unidade de Mama da Funda\u00e7\u00e3o Champalimaud, aborda um dado preocupante: quase metade das mulheres jovens com cancro da mama em Portugal s\u00e3o diagnosticadas em fases avan\u00e7adas. A especialista explica os motivos por tr\u00e1s deste atraso, sublinha a import\u00e2ncia da vigil\u00e2ncia ativa e defende medidas urgentes para travar esta realidade, desde a literacia em sa\u00fade at\u00e9 \u00e0 sensibiliza\u00e7\u00e3o de profissionais&#13;\n<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-311260\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/transp.png\" alt=\"\" width=\"1\" height=\"1\"\/><\/p>\n<p><b>HealthNews (HN) \u2013 Os dados nacionais indicam que quase metade das mulheres jovens (18-35 anos) com cancro da mama s\u00e3o diagnosticadas em est\u00e1dios avan\u00e7ados.\u00a0Porque persiste este atraso no diagn\u00f3stico para esta faixa et\u00e1ria, que contrasta tanto com os avan\u00e7os nos programas de rastreio para mulheres mais velhas?<\/b><\/p>\n<p><b>Leonor Matos (LM) \u2013 <\/b>Podemos identificar algumas raz\u00f5es que, conjugadas, ajudam a explicar estes dados. Primeiro, importa reconhecer que o Cancro de Mama na mulher jovem \u00e9 distinto do cancro de mama em mulheres com idades mais avan\u00e7adas, nomeadamente na p\u00f3s-menopausa. Em idades jovens, verifica-se uma maior propor\u00e7\u00e3o de tumores com fen\u00f3tipos agressivos e de pior progn\u00f3stico, o que pode traduzir-se em tumores de r\u00e1pido crescimento que, quando detetados, s\u00e3o j\u00e1 avan\u00e7ados. Por outro lado, apesar de recentemente se ter antecipado a idade de in\u00edcio do rastreio de cancro de mama para os 45 anos, mulheres com idades inferiores est\u00e3o muitas vezes menos despertas para a possibilidade de terem este tipo de diagn\u00f3stico o que pode levar \u00e0 desvaloriza\u00e7\u00e3o de sinais e sintomas como um n\u00f3dulo mam\u00e1rio, um corrimento mamilar ou inflama\u00e7\u00e3o da pele da mama, levando ao atraso no diagn\u00f3stico. Adicionalmente, existem fen\u00f3menos particulares desta faixa et\u00e1ria, como a gravidez ou amamenta\u00e7\u00e3o, que produzem diversas altera\u00e7\u00f5es a n\u00edvel mam\u00e1rio que podem levar a que um cancro de mama passe despercebido.\u00a0<\/p>\n<p><b>HN \u2013 Fala-se desta ser uma \u201cgera\u00e7\u00e3o esquecida\u201d no que toca ao cancro da mama.\u00a0Na sua pr\u00e1tica cl\u00ednica, quais s\u00e3o os maiores obst\u00e1culos que estas mulheres jovens enfrentam, desde os primeiros sinais at\u00e9 ao diagn\u00f3stico final?<\/b><\/p>\n<p><b>LM \u2013 <\/b>O cancro de mama em mulheres com menos de 40 anos representa cerca de 13% do cancro de mama diagnosticado em Portugal. Isto significa inevitavelmente que, perante sinais ou sintomas de novo de uma mulher de 35 anos a n\u00edvel mam\u00e1rio, \u00e9 f\u00e1cil que o pensamento inicial do profissional de sa\u00fade a quem esta recorre, n\u00e3o seja a possibilidade de cancro de mama.\u00a0 N\u00e3o raras vezes os diagn\u00f3sticos s\u00e3o atrasados pelo baixo n\u00edvel de suspei\u00e7\u00e3o que existe para a possibilidade uma mulher t\u00e3o jovem ter cancro de mama e este \u00e9 um obst\u00e1culo ao diagn\u00f3stico atempado. Mas sabemos que a incid\u00eancia do cancro de mama em mulheres jovens est\u00e1 a aumentar cerca de 4% ao ano, e da\u00ed a import\u00e2ncia das campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o, que incorporem tamb\u00e9m imagens e relatos de mulheres jovens, bem como da promo\u00e7\u00e3o da literacia em sa\u00fade, que podem verdadeiramente salvar vidas.\u00a0<\/p>\n<p><b>HN \u2013 Devem levar uma mulher jovem a procurar um m\u00e9dico, mesmo que n\u00e3o tenha hist\u00f3rico familiar?<\/b><\/p>\n<p><b>LM \u2013 <\/b>Estar \u201cbreast aware\u201d ou atenta \u00e0 mama, \u00e9 uma recomenda\u00e7\u00e3o extens\u00edvel a qualquer faixa et\u00e1ria. Na mulher jovem, para a qual n\u00e3o est\u00e1 preconizado um rastreio padronizado, assume particular relev\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m se imbui de acrescido desafio. O que se pretende \u00e9 que a mulher se familiarize com o toque e auto-palpa\u00e7\u00e3o mam\u00e1rias. Que consiga reconhecer as suas mamas \u00e0 observa\u00e7\u00e3o e ao toque, que saiba reconhecer as altera\u00e7\u00f5es que ocorrem ao longo do ciclo menstrual no que toca a tens\u00e3o, consist\u00eancia, sensibilidade mam\u00e1rias, para que assim tamb\u00e9m consiga identificar precocemente altera\u00e7\u00f5es que surjam. A mama de uma mulher jovem passa por transforma\u00e7\u00f5es ao longo de um ciclo menstrual, o que pode ser desafiante para atingir estes objetivos, mas o cancro de mama diagnosticado precocemente \u00e9 uma doen\u00e7a muito cur\u00e1vel, pelo que v\u00e1rias campanhas t\u00eam investido na divulga\u00e7\u00e3o do breast awareness.\u00a0<\/p>\n<p><b>HN \u2013 Sabemos que um diagn\u00f3stico precoce aumenta drasticamente a probabilidade de cura.\u00a0Perante um cen\u00e1rio de diagn\u00f3stico tardio, como \u00e9 o que vemos nestes 45% dos casos, quais s\u00e3o as op\u00e7\u00f5es de tratamento e qual \u00e9 o impacto real na qualidade de vida destas doentes mais jovens?<\/b><\/p>\n<p><b>LM \u2013 <\/b>Dentro desta percentagem de casos englobam-se os cancros de mama diagnosticado de forma localmente avan\u00e7ada, nos quais os tratamentos escolhidos ainda procuram maximizar a probabilidade de se atingir a cura e por isso ser\u00e3o tamb\u00e9m mais complexos, incorporando quimioterapia numa muito maior propor\u00e7\u00e3o comparativamente com os tumores em est\u00e1dios mais iniciais, \u00e0 qual se conjuga a cirurgia, radioterapia, hormonoterapia e terap\u00eauticas alvo em muitos casos; e depois os cancros diagnosticados em fase metastizada. Este \u00faltimo grupo corresponde \u00e0 doen\u00e7a identificada numa fase incur\u00e1vel e corresponde, felizmente, a uma minoria de casos. Para estes existem tamb\u00e9m diversos tratamentos dispon\u00edveis, que v\u00e3o depender das carater\u00edsticas biol\u00f3gicas do tumor, e que pressup\u00f5em prolongar a vida destas mulheres, o que j\u00e1 se consegue fazer atualmente por v\u00e1rios anos, com qualidade de vida preservada, gra\u00e7as aos avan\u00e7ados no tratamento desta doen\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p><b>HN \u2013 Recentemente, a DGS estabeleceu um prazo m\u00e1ximo de 7 dias para a entrega de resultados da mamografia no programa de rastreio.\u00a0Esta medida, embora positiva, n\u00e3o resolve o problema das mulheres mais jovens. Que medidas concretas, ao n\u00edvel da consciencializa\u00e7\u00e3o ou do acesso a cuidados de sa\u00fade, defende que s\u00e3o necess\u00e1rias para colmatar esta lacuna?<\/b><\/p>\n<p><b>LM \u2013 <\/b>As campanhas de sensibiliza\u00e7\u00e3o t\u00eam de incluir todas as faixas et\u00e1rias, e contemplar relatos e participa\u00e7\u00e3o de mulheres jovens. S\u00f3 assim conseguiremos que esta faixa et\u00e1ria se consiga relacionar este diagn\u00f3stico e \u201cdescol\u00e1-lo\u201d de uma associa\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher de meia idade.\u00a0<\/p>\n<p>Adicionalmente, a forma\u00e7\u00e3o e consciencializa\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade \u00e9 essencial. A primeira linha de procura de cuidados m\u00e9dicos \u00e9 habitualmente o m\u00e9dico de fam\u00edlia, e consciencializar e capacitar estes profissionais \u00e9 essencial para um diagn\u00f3stico mais atempado do cancro de mama nestas mulheres. Depois, v\u00e1rias nuances v\u00e3o caraterizar o diagn\u00f3stico destas mulheres: decis\u00e3o de criopreserva\u00e7\u00e3o de \u00f3vulos, decis\u00f5es a n\u00edvel laboral, que quanto mais precocemente forem acauteladas, mais c\u00e9lere ser\u00e1 o in\u00edcio dos tratamentos. Pelas suas carater\u00edsticas de agressividade, \u00e9 premente o in\u00edcio r\u00e1pido da terap\u00eautica nestas situa\u00e7\u00f5es, pelo que a rapidez de resposta a n\u00edvel hospitalar assim que feito o diagn\u00f3stico deve tamb\u00e9m ser otimizada.\u00a0<\/p>\n<p><b>HN \u2013 A mensagem final \u00e9 frequentemente a mais importante.\u00a0Que mensagem gostaria de deixar diretamente \u00e0s mulheres portuguesas com menos de 40 anos sobre a import\u00e2ncia de estarem atentas ao seu corpo e a defenderem a sua sa\u00fade, mesmo perante a possibilidade de ser \u201cs\u00f3 um alarme falso\u201d?<\/b><\/p>\n<p><b>LM \u2013 <\/b>Primeiro, invistam em h\u00e1bitos de vida saud\u00e1veis. Comer bem, de forma variada e com equil\u00edbrio, evitando fatores carcinog\u00e9nicos conhecidos para cancro de mama como o \u00e1lcool. Praticando exerc\u00edcio f\u00edsico regular, que reduz o risco de cancro de mama. Portanto, o primeiro passo \u00e9 prevenir.<\/p>\n<p>Segundo, conhe\u00e7am o vosso corpo. Tentem entender o seu funcionamento, os seus padr\u00f5es mais habituais, conseguindo assim reconhecer mudan\u00e7as nesses padr\u00f5es, que ser\u00e3o na grande maioria das vezes normais, benignos, sem repercuss\u00e3o para a sa\u00fade. Mas que se persistentes, se muito diferentes dos padr\u00f5es habituais, dever\u00e3o levar \u00e0 procura de cuidados de sa\u00fade. No que toca \u00e0 observa\u00e7\u00e3o e auto-palpa\u00e7\u00e3o mam\u00e1rias, a d\u00favida que persiste deve sempre ser partilhada com o m\u00e9dico de primeira linha, habitualmente o m\u00e9dico de fam\u00edlia, para que ele possa corretamente avaliar e proceder ao pedido de exames complementares de diagn\u00f3stico necess\u00e1rios. Mesmo que gr\u00e1vidas, a amamentar, mesmo que n\u00e3o tenham ciclos menstruais pelo m\u00e9todo anticoncetivo utilizado, n\u00e3o ignorem sinais de novo que levantam desconfian\u00e7a. A dete\u00e7\u00e3o precoce do cancro da mama salva vidas.\u00a0<\/p>\n<p>Leia outros conte\u00fados da revista HealthNews #36 <a href=\"https:\/\/healthnews.pt\/revista-ps\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">aqui<\/a><\/p>\n<p>Outros artigos com interesse:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Numa entrevista exclusiva ao HealthNews, Leonor Matos, m\u00e9dica oncologista e investigadora na Unidade de Mama da Funda\u00e7\u00e3o Champalimaud,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":159747,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-159746","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-health","9":"tag-portugal","10":"tag-pt","11":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115586909257696988","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159746","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159746"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159746\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/159747"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159746"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159746"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159746"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}