{"id":159969,"date":"2025-11-21T12:42:37","date_gmt":"2025-11-21T12:42:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/159969\/"},"modified":"2025-11-21T12:42:37","modified_gmt":"2025-11-21T12:42:37","slug":"adeus-agulhas-creme-revolucionario-administra-insulina-atraves-da-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/159969\/","title":{"rendered":"Adeus agulhas: creme revolucion\u00e1rio administra insulina atrav\u00e9s da pele"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-caption-text top\"><a href=\"https:\/\/depositphotos.com\/photo\/smiling-young-woman-apply-body-cream-at-home-413627106.html\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\" data-wpel-link=\"exclude\" target=\"_blank\">fizkes  \/ Depositphotos <\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-kopa-image-size-3 wp-image-712483\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/28a9492f23a8a2b19291e46ea7ee8ae1-783x450.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"402\"  \/><\/p>\n<p><strong>Uma descoberta inovadora na administra\u00e7\u00e3o de insulina poder\u00e1, um dia, p\u00f4r fim \u00e0s agulhas invasivas que muitas pessoas com diabetes s\u00e3o obrigadas a usar diariamente.<br \/><\/strong><\/p>\n<p>Num estudo com ratinhos, porcos e amostras de pele humana cultivadas em laborat\u00f3rio, uma equipa de investigadores demonstrou a efic\u00e1cia de um tratamento t\u00f3pico de insulina \u2014 que permite administrar o f\u00e1rmaco atrav\u00e9s de um<strong> creme aplicado diretamente na pele<\/strong>.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma conquista durante muito tempo <strong>considerada imposs\u00edvel<\/strong>, devido ao grande <strong>tamanho das mol\u00e9culas de insulina<\/strong> e \u00e0 sua forte afinidade com a \u00e1gua, que impede a sua passagem atrav\u00e9s das camadas oleosas da pele.<\/p>\n<p>A descoberta, realizada por uma equipa liderada por cientistas da Universidade de Zhejiang, na China, foi apresentada num <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-025-09729-x\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">artigo<\/a> publicado esta quarta-feira na revista Nature.<\/p>\n<p>\u201cO pol\u00edmero perme\u00e1vel \u00e0 pele poder\u00e1 permitir a <strong>administra\u00e7\u00e3o transd\u00e9rmica <\/strong>n\u00e3o invasiva de insulina, aliviando os doentes diab\u00e9ticos das inje\u00e7\u00f5es subcut\u00e2neas e podendo ainda facilitar a utiliza\u00e7\u00e3o, de forma mais c\u00f3moda, de outros tratamentos \u00e0 base de prote\u00ednas e pept\u00eddeos por via transd\u00e9rmica\u201d, escrevem os autores do estudo.<\/p>\n<p>A administra\u00e7\u00e3o de medicamentos atrav\u00e9s da pele apresenta <strong>v\u00e1rias vantagens<\/strong>: pode ser feita <strong>facilmente em casa, \u00e9 indolor<\/strong> e assegura uma liberta\u00e7\u00e3o controlada e suave do f\u00e1rmaco no organismo, explica o <a href=\"https:\/\/www.sciencealert.com\/breakthrough-diabetes-treatment-may-deliver-insulin-through-a-skin-cream\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">Science Alert<\/a>.<\/p>\n<p>No entanto,<strong> a pele \u00e9, por natureza, uma barreira<\/strong> desenhada para proteger o corpo de subst\u00e2ncias nocivas. A sua camada exterior, o <strong>estrato c\u00f3rneo<\/strong>, \u00e9 composta por m\u00faltiplas camadas de c\u00e9lulas mortas unidas por gorduras e \u00f3leos, ou l\u00edpidos.<\/p>\n<p>Os <strong>medicamentos t\u00f3picos contornam as defesas da pele<\/strong> porque possuem mol\u00e9culas pequenas que conseguem atravessar facilmente a barreira cut\u00e2nea e t\u00eam tamb\u00e9m a capacidade de interagir com os l\u00edpidos presentes.<\/p>\n<p>A <strong>insulina, hormona que regula os n\u00edveis de glucose<\/strong>, n\u00e3o apresenta nenhuma destas caracter\u00edsticas. <strong>As suas mol\u00e9culas s\u00e3o relativamente grandes<\/strong> e t\u00eam uma superf\u00edcie hidrof\u00edlica (afinidade com a \u00e1gua), o que as torna quimicamente incompat\u00edveis com os \u00f3leos da pele. Em vez de atravessarem ou deslizar entre os \u00f3leos, acabam por ser <strong>repelidas<\/strong>.<\/p>\n<p>Apesar de parecer uma barreira impenetr\u00e1vel, os investigadores acreditaram que outra propriedade da pele poderia <strong>ajudar a insulina a entrar: a sua acidez<\/strong>. A pele tem naturalmente um <strong>gradiente de pH<\/strong>, come\u00e7ando ligeiramente \u00e1cido \u00e0 superf\u00edcie e aproximando-se da neutralidade nas camadas mais profundas.<\/p>\n<p>Os cientistas dedicaram-se ent\u00e3o ao desenvolvimento de um sistema de administra\u00e7\u00e3o que <strong>interagisse com esse gradiente de pH<\/strong>, permitindo a entrada da insulina no organismo.<\/p>\n<p>O resultado do trabalho da equipa de investigadores \u00e9 baseado num pol\u00edmero chamado <strong>poli[2-(N-\u00f3xido-N,N-dimetilamino)etil metacrilato]<\/strong>, ou <strong>OP<\/strong>, cujas propriedades se alteram com as varia\u00e7\u00f5es de pH, tendo j\u00e1 sido demonstrada a sua biocompatibilidade em testes anteriores.<\/p>\n<p>\u00c0 superf\u00edcie da pele, <strong>o OP tem carga positiva<\/strong>, o que lhe permite aderir aos l\u00edpidos cut\u00e2neos. Contudo, <strong>em pH neutro, perde essa carga e liberta-se dos l\u00edpidos<\/strong>, altura em que j\u00e1 atravessou a barreira da pele e entrou no organismo.<\/p>\n<p>Ao ligar a insulina ao OP, formando um composto designado<strong> OP-I<\/strong>, consegue-se que a hormona essencial <strong>aproveite este \u201cboleia\u201d para atravessar a pele<\/strong>. Parece promissor em teoria, certo? Na pr\u00e1tica, <strong>os resultados s\u00e3o ainda mais animadores<\/strong>.<\/p>\n<p>Em modelos de pele humana, tal como em ratinhos diab\u00e9ticos, o OP-I revelou-se <strong>mais eficaz a transportar a insulina<\/strong> atrav\u00e9s da pele do que a insulina isolada ou combinada com outro pol\u00edmero, o PEG, utilizado como controlo e amplamente empregue em v\u00e1rias aplica\u00e7\u00f5es farmac\u00eauticas.<\/p>\n<p>Nos ratos, o tratamento<strong> normalizou os n\u00edveis de glucose no sangue<\/strong> em menos de uma hora, com uma <strong>efic\u00e1cia equipar\u00e1vel \u00e0s injec\u00e7\u00f5es de insulina<\/strong>. Os valores mantiveram-se est\u00e1veis durante 12 horas.<\/p>\n<p>O passo seguinte foi estudar o m\u00e9todo em <strong>mini-porcos diab\u00e9ticos<\/strong>, que s\u00e3o biologicamente <strong>mais semelhantes aos humanos do que os ratos<\/strong>. Os efeitos foram compar\u00e1veis: os n\u00edveis de glucose no sangue dos porcos baixaram para valores normais em duas horas e mantiveram-se est\u00e1veis durante 12 horas.<\/p>\n<p>Uma vez no organismo, o <strong>OP-I acumula-se em tecidos-chave<\/strong> na regula\u00e7\u00e3o da glucose, incluindo o f\u00edgado, o tecido adiposo e os m\u00fasculos esquel\u00e9ticos, onde as c\u00e9lulas absorvem o conjugado e libertam a insulina no interior. O OP-I ativa os recetores de insulina e potencia a capta\u00e7\u00e3o e o metabolismo da glucose, tal como a insulina administrada por injec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez o mais importante seja o facto de o fazer <strong>de forma mais prolongada<\/strong> e sustentada do que a insulina injetada, proporcionando um efeito mais suave e duradouro.<\/p>\n<p>Os investigadores <strong>n\u00e3o detetaram sinais de inflama\u00e7\u00e3o<\/strong>, o que sugere que o tratamento poder\u00e1 apresentar <strong>efeitos secund\u00e1rios nocivos m\u00ednimos<\/strong> \u2014 embora sejam necess\u00e1rios ensaios cl\u00ednicos mais robustos para confirmar esta seguran\u00e7a em humanos.<\/p>\n<p>Ainda assim, estes resultados indicam que as inje\u00e7\u00f5es frequentes de insulina poder\u00e3o, um dia, tornar-se <strong>coisa do passado<\/strong> \u2014 e que o sistema poder\u00e1 at\u00e9 ser eficaz com outros medicamentos.<\/p>\n<p>    <a href=\"https:\/\/zap.aeiou.pt\/subscrever-newsletter\" data-wpel-link=\"internal\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">&#13;<br \/>\n        <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/2d51fe4a0ba54894421ead1809309ed9-1-450x140.jpg\" alt=\"Subscreva a Newsletter ZAP\" width=\"450\" height=\"140\"\/>&#13;<br \/>\n    <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029VaIC4EE2f3EJZPPSbR34\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/c68c559d956d4ca20f435ed74a6e71e6.png\" alt=\"Siga-nos no WhatsApp\" width=\"175\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n<p>                <a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAiEHRwZondIV71PDjWNoqMduEqFAgKIhB0cGaJ3SFe9Tw41jaKjHbh?hl=en-US&amp;gl=US&amp;ceid=US%3Aen\" data-wpel-link=\"external\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow external noopener noreferrer\" class=\"ext-link\">&#13;<br \/>\n                    <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-575475\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5123dd8b087b644fdb8f8603acd1bad4.png\" alt=\"Siga-nos no Google News\" width=\"176\" height=\"64\"\/>&#13;<br \/>\n                <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"fizkes \/ Depositphotos Uma descoberta inovadora na administra\u00e7\u00e3o de insulina poder\u00e1, um dia, p\u00f4r fim \u00e0s agulhas invasivas&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":159970,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[88,1027,89,90,2172,1208,32,33,117],"class_list":{"0":"post-159969","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-business","9":"tag-diabetes","10":"tag-economy","11":"tag-empresas","12":"tag-inovacao","13":"tag-medicina","14":"tag-portugal","15":"tag-pt","16":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115587746885619379","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159969"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159969\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/159970"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}