{"id":160029,"date":"2025-11-21T13:42:16","date_gmt":"2025-11-21T13:42:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/160029\/"},"modified":"2025-11-21T13:42:16","modified_gmt":"2025-11-21T13:42:16","slug":"russia-em-dificuldades-economicas-pressiona-pokrovsk-para-minar-o-apoio-ocidental-a-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/160029\/","title":{"rendered":"R\u00fassia em dificuldades econ\u00f3micas pressiona Pokrovsk para minar o apoio ocidental \u00e0 Ucr\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">A R\u00fassia enfrenta uma crise econ\u00f3mica sem precedentes. Excessivos volumes de petr\u00f3leo esgotam a capacidade das suas instala\u00e7\u00f5es de armazenamento e nos petroleiros da sua \u201cfrota sombra\u201d n\u00e3o entra nem mais uma gota. Estima-se que atualmente existam 390 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo nesses mesmos petroleiros que na sua grande maioria n\u00e3o logram autoriza\u00e7\u00e3o de entrada e descarga em muitos portos.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">As refinarias, por seu turno, encontram-se sobrecarregadas e muitas delas incapazes de processar os v\u00e1rios milh\u00f5es de toneladas nelas depositados. Com a China e a Turquia a reduzirem as importa\u00e7\u00f5es e as san\u00e7\u00f5es ocidentais a refor\u00e7arem-se, as dificuldades aumentam. Os pre\u00e7os do petr\u00f3leo dentro da R\u00fassia desceram para um m\u00ednimo recorde, for\u00e7ando os produtores a encerrar po\u00e7os para p\u00f4r cobro ao presente excesso de produ\u00e7\u00e3o. O outrora poderoso setor energ\u00e9tico do Kremlin \u2013 verdadeiro sustent\u00e1culo da economia de guerra \u2013 est\u00e1 agora literalmente a perder milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares a cada semana que passa. Diria que estamos perante uma situa\u00e7\u00e3o deveras cr\u00edtica, bem ao estilo de uma verdadeira \u201ctrag\u00e9dia grega\u201d originada pelo drama da superprodu\u00e7\u00e3o e do atual isolamento, \u00e0 medida que o dito \u201cimp\u00e9rio do ouro negro\u201d de Putin se afoga no seu pr\u00f3prio excedente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Mas h\u00e1 mais achas a serem lan\u00e7adas para esta gigantesca fogueira. Temos os ataques di\u00e1rios ucranianos \u00e0s infraestruturas petrol\u00edferas russas com destaque para as principais refinarias, protagonizados pelos seus drones de longo alcance, bem como mais recentemente pelos seus m\u00edsseis FP5-Flamingo e o Long Neptune. Os ataques ucranianos a estas instala\u00e7\u00f5es t\u00eam vindo a produzir efeitos nefastos significativos, tanto a n\u00edvel militar como econ\u00f3mico para a Federa\u00e7\u00e3o Russa. Estima-se que esses ataques tenham diminu\u00eddo em pelo menos 20% a sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. In\u00fameras refinarias, como a de Saratov, chegam a ficar parcial ou mesmo completamente inoperacionais por longos per\u00edodos de tempo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Este tipo de a\u00e7\u00f5es cin\u00e9ticas, incrementadas no in\u00edcio deste \u00faltimo ver\u00e3o, visam sobretudo enfraquecer o verdadeiro centro de gravidade da economia russa: a produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e refina\u00e7\u00e3o de produtos petrol\u00edferos, amea\u00e7ando concomitantemente, o regular fornecimento de combust\u00edvel e outros importantes abastecimentos \u00e0s tropas combatentes empenhadas na brutal invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia. Toda esta campanha de Kiev, atrav\u00e9s das suas a\u00e7\u00f5es de bombardeamento di\u00e1rio, tem vindo a causar volumosas perdas financeiras ao executivo russo, for\u00e7ando-o a aceitar maiores desequil\u00edbrios das contas p\u00fablicas e a procurar alternativas do ponto de vista log\u00edstico. A interrup\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es em portos importantes, como o de Novorossiysk tem vindo a introduzir alguma perturba\u00e7\u00e3o na cadeia de abastecimento global de petr\u00f3leo. Assiste-se a uma ligeira subida das cota\u00e7\u00f5es do barril de petr\u00f3leo nos mercados internacionais, devido a inquieta\u00e7\u00f5es provindas da oferta global, mas que se espera que num futuro pr\u00f3ximo o mercado seja capaz de absorver e acomodar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Em suma, a Ucr\u00e2nia tem usado estas a\u00e7\u00f5es de ataque de longo alcance como parte de uma estrat\u00e9gia eficaz destinada a pressionar a m\u00e1quina de guerra russa, visando diretamente a sua principal fonte de financiamento e provocando grandes constrangimentos no regular funcionamento da cadeia de apoio log\u00edstico \u00e0s suas tropas combatentes. A R\u00fassia, por seu turno, especialmente com a aproxima\u00e7\u00e3o do inverno, tem respondido atrav\u00e9s da intensifica\u00e7\u00e3o dos seus ataques di\u00e1rios contra a infraestrutura energ\u00e9tica da Ucr\u00e2nia, visando causar apag\u00f5es e dificuldades log\u00edsticas \u00e0s popula\u00e7\u00f5es e aos militares ucranianos. Ao mesmo tempo vai utilizando habilmente narrativas amea\u00e7adoras, baseadas em cen\u00e1rios catastr\u00f3ficos de ataques nucleares, evocando quando necess\u00e1rio as \u201carmas maravilha\u201d, caraterizando-as como \u00fanicas e imbat\u00edveis. O objetivo \u00e9 simples: induzir o medo, a paralisia e um estado de ang\u00fastia permanente nas popula\u00e7\u00f5es da europa ocidental, isto \u00e9,aterrorizando-as. A finalidade \u00e9 clara. Convenc\u00ea-las de que \u00e9 tempo perdido continuar a apoiar a causa de uma Ucr\u00e2nia livre, soberana e independente.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Putin e a sua m\u00e1quina de propaganda conhecem bem os pontos fracos das nossas sociedades ocidentais, muito mais orientadas para o conforto e bem-estar do que propriamente para as quest\u00f5es da seguran\u00e7a e defesa. N\u00e3o nos iludamos, nem n\u00f3s portugueses, nem os nossos irm\u00e3os desta grande fam\u00edlia europeia. A verdade \u00e9 que a Europa s\u00f3 ainda n\u00e3o \u00e9 um aut\u00eantico polo de poder \u00e0 escala global porque ainda n\u00e3o teve a real vontade de o ser. Para produzir a obra n\u00e3o basta ter as ferramentas adequadas, \u00e9 tamb\u00e9m preciso ter a vontade de as utilizar.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Na realidade, se n\u00e3o formos n\u00f3s pr\u00f3prios a defendermo-nos, a dar o exemplo, a tomar a iniciativa, n\u00e3o podemos nem devemos esperar que sejam outros a faz\u00ea-lo por n\u00f3s. O investimento na seguran\u00e7a e defesa continua infelizmente a ser \u2013 sobretudo para os mais tolerantes \u00e0s campanhas massivas da m\u00e1quina de propaganda russa \u2013 algo secund\u00e1rio e fazendo pouco sentido. \u201c\u00c9 preciso \u00e9 paz\u201d clamam muitos nesta nossa Europa! Putin sabe disso e usa-o em seu benef\u00edcio. \u00c9 evidente que \u00e9 preciso paz \u2013 quem a n\u00e3o quer \u2013 mas a que pre\u00e7o? Essa \u00e9 a quest\u00e3o!\u00a0 \u00a0<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Tendo vivido nos A\u00e7ores onde desempenhei as fun\u00e7\u00f5es de Comandante da respetiva Zona Militar, n\u00e3o resisto em recorrer \u00e0 hist\u00f3ria destas nobres ilhas deixando-lhes aqui um reconhecido tributo, e afirmando tamb\u00e9m eu, com a convic\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de quem jurou defender Portugal e os portugueses mesmo com o sacrif\u00edcio da pr\u00f3pria vida, que &#8220;antes morrer livres que em paz sujeitos&#8221;. Tratou-se de uma forte declara\u00e7\u00e3o de recusa em aceitar a subjuga\u00e7\u00e3o, arriscando a vida pela liberdade em vez de viver em paz sob um jugo imposto. Esta divisa foi usada pela primeira vez por Cipri\u00e3o de Figueiredo numa carta ao rei Filipe II de Castela, recusando a submiss\u00e3o da ilha Terceira ao dom\u00ednio espanhol ap\u00f3s a crise da sucess\u00e3o de 1580.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Esta c\u00e9lebre express\u00e3o simboliza a resist\u00eancia e a defesa da liberdade contra a opress\u00e3o e tem plena acuidade nos dias de hoje para o povo ucraniano que continua, ap\u00f3s quase 4 longos anos, a lutar com temer\u00e1ria determina\u00e7\u00e3o pela liberdade contra a ocupa\u00e7\u00e3o do invasor. Hoje mesmo e mais uma vez, fazendo jus a essa indom\u00e1vel vontade de continuar a ser um pa\u00eds livre e soberano, dono e senhor do seu destino, recusa uma proposta de paz ign\u00f3bil por parte dos EUA e do seu agressor russo.<\/p>\n<p>A R\u00fassia ciente dos tempos dif\u00edceis que est\u00e1 a viver \u201cd\u00e1 o tudo por tudo\u201d. As for\u00e7as russas est\u00e3o a reposicionar tropas de outras frentes em Pokrovsk \u00e0 medida que as reservas se esgotam, com novos soldados enviados diretamente para assaltos a posi\u00e7\u00f5es ucranianas mesmo sem terem sido previamente registados e integrados nas suas novas unidades. O movimento de \u201cpartisans\u201d \u2013 Insurgentes \u2013 Atesh relata que comboios militares transportando pessoal e equipamentos se est\u00e3o a deslocar diariamente em dire\u00e7\u00e3o a Pokrovsk, com as tropas a serem provavelmente retiradas dos setores de Kherson e Zaporizhzhia para a\u00ed preencherem lacunas. Os ind\u00edcios apontam para o facto de que as principais unidades do escal\u00e3o de ataque e as respetivas reservas se encontrem muito desgastadas, for\u00e7ando Moscovo a enfraquecer outras partes da frente.\u00a0O Kremlin est\u00e1 a pressionar as suas tropas.<\/p>\n<p>Pokrovsk ter\u00e1 de cair seja a que pre\u00e7o for. Capturar Pokrovsk, que resiste estoicamente h\u00e1 cerca de 16 meses consecutivos, at\u00e9 15 de dezembro foi a nova data fixada por Putin aos seus militares. A pra\u00e7a forte de Kupiansk at\u00e9 ao final do ano. \u00a0N\u00e3o nos iludamos, em boa verdade, a R\u00fassia utiliza este ataque a Pokrovsk, sem olhar a meios, sobretudo para pressionar o Ocidente. Esta press\u00e3o visivelmente acrescida de Moscovo sobre Pokrovsk n\u00e3o est\u00e1 intimamente relacionada com o ato de exibir ganhos no campo de batalha, mas sobretudo com um outro importante des\u00edgnio: forjar uma mensagem pol\u00edtica dirigida aos parceiros ocidentais da Ucr\u00e2nia. O Kremlin est\u00e1 a posicionar-se tentando promover a narrativa de que \u00e9 capaz de conquistar todo o Donbass at\u00e9 meados de fevereiro, conforme anunciado por Putin e utilizar essa mesma narrativa para pressionar o Ocidente a coagir a Ucr\u00e2nia a entregar a totalidade dessa regi\u00e3o em nome de uma esperan\u00e7a de paz. O objetivo \u00e9 \u00f3bvio: demonstrar a inutilidade das \u00faltimas san\u00e7\u00f5es norte-americanas e europeias e minar decisivamente o apoio internacional \u00e0 Ucr\u00e2nia. O pre\u00e7o a pagar n\u00e3o importa!<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que mais uma vez as novas metas temporais fixadas por Putin muito dificilmente ser\u00e3o cumpridas dado que as for\u00e7as ucranianas continuam a repelir a grande maioria dos ataques russos a Pokrovsk, mesmo que a principal prioridade de Moscovo seja agora capturar a cidade &#8220;o mais r\u00e1pido poss\u00edvel&#8221;.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Major General\/\/Escreve no SAPO sempre \u00e0 sexta-feira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A R\u00fassia enfrenta uma crise econ\u00f3mica sem precedentes. 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