{"id":160903,"date":"2025-11-22T08:51:10","date_gmt":"2025-11-22T08:51:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/160903\/"},"modified":"2025-11-22T08:51:10","modified_gmt":"2025-11-22T08:51:10","slug":"estudo-investiga-epidemia-de-dor-de-cabeca-na-populacao-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/160903\/","title":{"rendered":"Estudo investiga epidemia de dor de cabe\u00e7a na popula\u00e7\u00e3o mundial"},"content":{"rendered":"<p class=\"texto\">Quase quatro em cada 10 pessoas sofrem de dores de cabe\u00e7a \u2014 especialmente enxaqueca \u2014, um cen\u00e1rio global sem avan\u00e7os desde a d\u00e9cada de 1990, segundo o maior estudo j\u00e1 realizado sobre o tema. Segundo a an\u00e1lise Global Burden of Disease, publicada na The Lancet Neurology, 2,9 bilh\u00f5es tiveram o problema em 2023, ano de refer\u00eancia do estudo liderado pela Universidade Norueguesa de Ci\u00eancia e Tecnologia (quando a popula\u00e7\u00e3o mundial estimada era de 8 bilh\u00f5es).\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;A carga global atribu\u00edda \u00e0s dores de cabe\u00e7a permanece uma preocupa\u00e7\u00e3o substancial de sa\u00fade, como a sexta maior causa de anos vividos com incapacidade (YLDs) no planeta&#8221;, alerta Andreas Kattem Husoy, principal autor da pesquisa, que atualiza mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de dados mundiais. Pela primeira vez, o levantamento adiciona estimativas mais detalhadas sobre o tempo que os pacientes passam sintom\u00e1ticos, com diferen\u00e7as por idade e sexo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">A preval\u00eancia dos tr\u00eas principais tipos de dor \u2014 enxaqueca, cefaleia do tipo tensional e cefaleia por uso excessivo de medica\u00e7\u00e3o \u2014 permaneceu praticamente est\u00e1vel no per\u00edodo avaliado, sendo que a incapacidade gerada pela enxaqueca continua elevada, particularmente entre mulheres. &#8220;Ao analisarmos dados de mais de 41 mil pessoas de 18 pa\u00edses, observamos que as mulheres n\u00e3o apenas t\u00eam mais enxaqueca, mas passam muito mais tempo do ano sintom\u00e1ticas do que os homens&#8221;, afirma Husoy.<\/p>\n<p class=\"texto\">De acordo com o estudo, mulheres chegam a passar 12,7% de todo o ano com dor de cabe\u00e7a em casos de enxaqueca. J\u00e1 os homens ficam em torno de 8,6% do tempo com o diagn\u00f3stico.\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">Em 2023, a preval\u00eancia global padronizada por idade para todos os tipos de cefaleia foi de 34,6%. A tensional, mais comum e de sintomas mais leves, atingiu quase um quarto da popula\u00e7\u00e3o mundial (24,9%). A enxaqueca, por sua vez, afetou 14,1% das pessoas, mas respondeu por 90% de toda a incapacidade gerada por dores de cabe\u00e7a, devido \u00e0 severidade e \u00e0 dura\u00e7\u00e3o dos epis\u00f3dios. No Brasil, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que 32 milh\u00f5es sofram dessa forma da doen\u00e7a.\u00a0<\/p>\n<p>Rem\u00e9dios<\/p>\n<p class=\"texto\">Uma das conclus\u00f5es apontadas como mais alarmantes pelos autores do artigo da The Lancet Neurology refere-se \u00e0 cefaleia por uso excessivo de medicamentos, muitas vezes ignorada pelos pacientes e at\u00e9 por profissionais de sa\u00fade. Esse tipo de dor ocorre quando rem\u00e9dios de uso agudo \u2014 analg\u00e9sicos comuns, anti-inflamat\u00f3rios, triptanos \u2014 s\u00e3o consumidos com muita frequ\u00eancia, levando ao agravamento das crises.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Analg\u00e9sicos\u00a0n\u00e3o tratam a doen\u00e7a de forma efetiva, e, quanto mais rem\u00e9dios voc\u00ea toma, menos eles funcionam e mais dor voc\u00ea sente&#8221;, explica o neurologista Thiago de Paula, de S\u00e3o Paulo.\u00a0Segundo o estudo, mais de 20% de toda a carga global de incapacidade atribu\u00edda \u00e0s cefaleias\u00a0est\u00e1 associada ao\u00a0excesso de medicamentos, que transforma dores prim\u00e1rias mais control\u00e1veis em quadros cr\u00f4nicos e debilitantes. &#8220;Mais de 20% do fardo poderia ser mitigado ou completamente evitado se uma minoria dos pacientes n\u00e3o fizesse uso excessivo de medicamentos&#8221;, alerta o trabalho. Os autores destacam que a pr\u00e1tica \u00e9 comum no mundo inteiro.<\/p>\n<p class=\"texto\">O estudo tamb\u00e9m revela que, apesar de representar apenas cerca de 6% da preval\u00eancia de enxaqueca, a cefaleia por abuso de medicamentos responde por 22,6% do YLD em homens e 14,1% em mulheres. No caso da tensional, o impacto \u00e9 mais extremo: cerca de 58% da incapacidade est\u00e1 associada ao uso excessivo de rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>Mulheres<\/p>\n<p class=\"texto\">H\u00e1 muito se sabe que a enxaqueca \u00e9 mais prevalente em adultas jovens, principalmente devido a flutua\u00e7\u00f5es hormonais ao longo da vida. O novo estudo tamb\u00e9m mostra que o tempo gasto com sintomas \u00e9 mais alto entre pessoas do sexo feminino. Os dados revelam que mulheres com enxaqueca passam em m\u00e9dia 9,3% a quase 13% de todo o ano com dor cont\u00ednua. Nos homens, o percentual varia entre 6,3% e 8,6%.<\/p>\n<p class=\"texto\">Os pesquisadores defendem que a chave para reduzir a carga global das cefaleias \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os estruturados de atendimento, integrados \u00e0 aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, combinados com estrat\u00e9gias educativas que orientem o uso correto de medicamentos agudos e ampliem o acesso a terapias preventivas.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Tratamentos eficazes existem, mas n\u00e3o chegam \u00e0 maior parte das pessoas que poderiam se beneficiar&#8221;, afirma a equipe. Segundo o artigo, h\u00e1 &#8220;uma oportunidade forte de preven\u00e7\u00e3o&#8221; ao orientar profissionais e pacientes sobre o risco do uso excessivo de analg\u00e9sicos e ao ampliar pol\u00edticas de manejo adequado da dor de cabe\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u00a0<\/p>\n<p>Anos perdidos <\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em 2023, 2,9 bilh\u00f5es de pessoas foram afetadas por dores de cabe\u00e7a em todo o mundo<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0<strong>Tipos<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Cefaleias em geral: 34,6%<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Cefaleia tensional: 24,9%<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Enxaqueca: 14,1%<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Incapacidade associada (YLDs, ou anos vividos com incapacidade)<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Todos os tipos: 541,9 YLDs por 100 mil habitantes<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Enxaqueca: 487,5 YLDs por 100 mil habitantes<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Cefaleia tensional: 54,4 YLDs\u00a0por 100 mil habitantes<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Diferen\u00e7a entre sexos:<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Mulheres: 739,9 YLDs por 100 mil<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Homens: 346,1 YLDs por 100 mil<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><strong>Tempo sintom\u00e1tico anual<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Homens: 6,3% a 8,6%<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u2013 Mulheres: 9,3% a 12,7%<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\">\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Fonte: The Lancet Neurology, Global Burden of Disease 2023\u00a0<\/p>\n<p class=\"texto\">\u00a0<\/p>\n<p>Preju\u00edzo laboral <\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;O impacto da enxaqueca vai al\u00e9m da dor intensa e recorrente, refletindo-se no bem-estar emocional, nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, na vida profissional e at\u00e9 nas finan\u00e7as.\u00a0Pessoas com crises frequentes de enxaqueca podem ter dificuldade em manter o mesmo rendimento no trabalho, precisando se ausentar em fun\u00e7\u00e3o da dor, da sensibilidade \u00e0 luz e ao som, ou da necessidade de repouso. Isso prejudica n\u00e3o apenas o desempenho individual, mas tamb\u00e9m as rela\u00e7\u00f5es dentro da equipe. A enxaqueca frequente afeta o trabalho em particularmente diversas \u00e1reas: capacidade de lembrar, redu\u00e7\u00e3o de foco, dificuldade de tomar decis\u00f5es r\u00e1pidas ou fazer trabalho f\u00edsico \u00e1rduo. H\u00e1 custos indiretos relacionados \u00e0 perda de dias de trabalho e de oportunidades profissionais. Al\u00e9m disso, financeiramente falando, h\u00e1 custos diretos com consultas m\u00e9dicas, exames e medicamentos de uso cr\u00f4nico. Por isso, a enxaqueca\u00a0n\u00e3o deve ser vista como uma dor epis\u00f3dica, mas como uma condi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica que exige diagn\u00f3stico adequado e acompanhamento cont\u00ednuo.&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">Tiago de Paula, neurologista, especialista em cefaleia pela Escola Paulista de Medicina, membro da International Headache Society (IHS) e da Sociedade Brasileira de Cefaleia<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/wa.me\/?text=Estudo+investiga+epidemia+de+dor+de+cabe%C3%A7a+na+popula%C3%A7%C3%A3o+mundial%20https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/ciencia-e-saude\/2025\/11\/7297274-estudo-investiga-epidemia-de-dor-de-cabeca-na-populacao-mundial.html\" target=\"_blank\" title=\"Whatsapp\" aria-label=\"WhatsApp\" rel=\"nofollow noopener\"><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/sharer.php?u=https:\/\/www.correiobraziliense.com.br%2Fciencia-e-saude%2F2025%2F11%2F7297274-estudo-investiga-epidemia-de-dor-de-cabeca-na-populacao-mundial.html&amp;text=Estudo+investiga+epidemia+de+dor+de+cabe%C3%A7a+na+popula%C3%A7%C3%A3o+mundial\" target=\"_blank\" title=\"Facebook\" aria-label=\"Facebook\" rel=\"nofollow noopener\"><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/www.correiobraziliense.com.br%2Fciencia-e-saude%2F2025%2F11%2F7297274-estudo-investiga-epidemia-de-dor-de-cabeca-na-populacao-mundial.html&amp;text=Estudo+investiga+epidemia+de+dor+de+cabe%C3%A7a+na+popula%C3%A7%C3%A3o+mundial\" target=\"_blank\" title=\"Twitter\" aria-label=\"Twitter\" rel=\"nofollow noopener\"><\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/profile.google.com\/cp\/CgovbS8wNzZ0dms1\" title=\"Google Discover\" target=\"_blank\" aria-label=\"Google Discover\" rel=\"nofollow noopener\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1762975755_52_google-discover-icon.png\" style=\"height: 25px; margin: 0 !important; margin-left: 3px;\" alt=\"Google Discover Icon\"\/><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>              <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/autor\/paloma-oliveto\/page\/1\/\" style=\"height: 100%;\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"hidden-print author-circle d-block h6 mt-0 mb-0 mr-6 text-center\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/paloma-29858324.png\" alt=\"\" width=\"40\" height=\"40\" loading=\"lazy\" style=\"object-fit:cover; width: 40px; height: 40px; margin-right:10px;\"\/><\/a><a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/autor\/paloma-oliveto\/page\/1\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" class=\"hidden-print author-circle d-block h6 mt-0 mb-0 mr-6 text-center\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/paloma-29858324.png\" alt=\"\" width=\"40\" height=\"40\" loading=\"lazy\" style=\"object-fit:cover; width: 40px; height: 40px; margin-right:10px;\"\/><\/a>Paloma Oliveto  <strong class=\"entryStrongAuthor\">Rep\u00f3rter s\u00eanior<\/strong><\/p>\n<p class=\"entryDescricaoAuthor\">Formada na Universidade de Bras\u00edlia, \u00e9 especializada na cobertura de ci\u00eancia e sa\u00fade h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada. Entre as premia\u00e7\u00f5es recebidas, est\u00e3o primeiro lugar no Grande Pr\u00eamio Ayrton Senna e men\u00e7\u00e3o honrosa no Pr\u00eamio Esso.<\/p>\n<p>                          <script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quase quatro em cada 10 pessoas sofrem de dores de cabe\u00e7a \u2014 especialmente enxaqueca \u2014, um cen\u00e1rio global&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":160904,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[22346,21339,11976,1347,116,32,33,117],"class_list":{"0":"post-160903","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-cefaleia","9":"tag-dor-de-cabeca","10":"tag-enxaqueca","11":"tag-estudo","12":"tag-health","13":"tag-portugal","14":"tag-pt","15":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115592501036476919","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160903"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160903\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/160904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}