{"id":161159,"date":"2025-11-22T13:36:25","date_gmt":"2025-11-22T13:36:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/161159\/"},"modified":"2025-11-22T13:36:25","modified_gmt":"2025-11-22T13:36:25","slug":"o-que-levou-os-incas-a-escavarem-milhares-de-buracos-nesta-montanha-talvez-agora-ja-saibamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/161159\/","title":{"rendered":"O que levou os incas a escavarem milhares de buracos nesta montanha? Talvez agora j\u00e1 saibamos."},"content":{"rendered":"<p class=\"description\">Assine a revista National Geographic agora por apenas <b>1\u20ac por m\u00eas<\/b>.<\/p>\n<p>Ao longo de uma cumeeira rochosa no Peru, uma forma\u00e7\u00e3o com mais de <strong>5.000 buracos alinhados<\/strong>, perto uns dos outros, avan\u00e7am ao longo da montanha como se fossem uma serpente com cerca de <strong>1,5 quil\u00f3metros de comprimento<\/strong>. Quando o arque\u00f3logo <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/profile\/Charles-Stanish\/2\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Charles Stanish<\/a> observou pela primeira vez esta <strong>\u201cFaixa de Buracos\u201d<\/strong> gigante h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, nunca vira nada assim.<\/p>\n<p>\u201cO s\u00edtio \u00e9 fascinante\u201d, diz ele. Igualmente conhecido como Monte Sierpe ou <strong>\u201cMontanha da Serpente\u201d<\/strong>, o s\u00edtio deixou arque\u00f3logos e te\u00f3ricos da conspira\u00e7\u00e3o perplexos aquando da sua descoberta, durante uma expedi\u00e7\u00e3o americana ao Peru em 1931. Um <a href=\"http:\/\/www.cambridge.org\/core\/journals\/antiquity\/article\/indigenous-accounting-and-exchange-at-monte-sierpe-band-of-holes-in-the-pisco-valley-peru\/41D83389D230D99CFF18194CF274A9A3\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">novo estudo<\/a> da autoria de Stanish, que trabalha actualmente na Universidade do Sul da Fl\u00f3rida, e colegas seus, poder\u00e1 finalmente ter resolvido parte do mist\u00e9rio que envolve a constru\u00e7\u00e3o desta estranha forma\u00e7\u00e3o h\u00e1 cerca de mil anos.<\/p>\n<p>Com base em<strong> evid\u00eancias microbot\u00e2nicas e v\u00eddeos filmados por drones<\/strong>, a equipa defende que os milhares de buracos poder\u00e3o ter sido <strong>utilizados para avaliar os tributos entregues pelos aut\u00f3ctones aos seus suseranos incas<\/strong>. A an\u00e1lise, publicada no dia 9 de Novembro na revista Antiquity, tamb\u00e9m sugere que as origens do s\u00edtio antecedem a ascens\u00e3o do Imp\u00e9rio Inca.<\/p>\n<p>Actualmente, o Monte Sierpe \u00e9 um <strong>local isolado, no sop\u00e9 dos Andes<\/strong>, cerca de 32 quil\u00f3metros a leste da cidade de Pisco, no sul do Peru. Contudo, os novos estudos sugerem que<strong> os incas se apropriaram do s\u00edtio <\/strong>porque foi, outrora, um local de encontro essencial, onde se negociava alimentos, vestu\u00e1rio, obsidiana e ferramentas l\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>Desde extraterrestres \u00e0 Atl\u00e2ntida<\/strong><\/p>\n<p>Os arque\u00f3logos pensam que a Faixa de Buracos tem <strong>cerca de mil anos<\/strong> e que o <strong>povo local chincha<\/strong> ganhou controlo sobre o Imp\u00e9rio Inca cerca de 400 anos mais tarde. Os<strong> chincha <\/strong>viviam nas proximidades, mas os arque\u00f3logos n\u00e3o sabem ao certo quem foram os construtores originais da forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/buracos-no-monte-sierpe_be007f48_251121114800_800x659.webp.webp\" alt=\"Buracos no Monte Sierpe\" class=\"lazyload\" width=\"800\" height=\"659\" data-aspectratio=\"800\/659\"\/>&#13;C. Stanish<\/p>\n<p>Um conjunto de buracos no Monte Sierpe registados em 2024.<\/p>\n<p>O s\u00edtio ganhou proemin\u00eancia em 1933, quando a National Geographic publicou as primeiras fotografias a\u00e9reas desta estrutura singular. E Stanish comenta que \u00e9, desde h\u00e1 muito, um<strong> foco de teorias de pseudoarqueologia<\/strong>, com alegadas liga\u00e7\u00f5es a astronautas antigos e ao mito da <a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.pt\/historia\/atlantida-porque-este-mito-nao-morre_3786\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Atl\u00e2ntida<\/a>.<\/p>\n<p>Os estudos arqueol\u00f3gicos sugeriram uma lista de explica\u00e7\u00f5es muito mais plaus\u00edveis: poder\u00e1 ter sido usado para <strong>fins de defesa ou de armazenamento<\/strong>, para guardar \u00e1gua, <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0303243421001756\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">recolher nevoeiro<\/a> ou cultivar alimentos.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de dez anos, Stanish <a href=\"http:\/\/archaeology.org\/issues\/online\/collection\/an-overlooked-inca-wonder\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">sugeriu<\/a> que os incas utilizassem os buracos para contabilizar os tributos recebidos. O novo estudo sugere que a Faixa de Buracos tenha sido originalmente um<strong> mercado de permuta<\/strong>, refor\u00e7ando a sua ideia original com mais provas cient\u00edficas. (No entanto, os investigadores n\u00e3o afastam a possibilidade de ser um mero um geoglifo cerimonial, algo semelhante \u00e0s linhas de Nasca.)<\/p>\n<p><strong>Vest\u00edgios reveladores de um antigo mercado <\/strong><\/p>\n<p>A equipa encontrou<strong> ind\u00edcios min\u00fasculos de milho e plantas silvestres tradicionalmente utilizadas para fabricar cestos<\/strong> no interior dos buracos. Isso sugere que as pessoas tinham revestido os buracos com material vegetal e depositado mercadorias no seu interior, e que utilizavam cestos ou feixes para transportar esses bens, afirma o autor principal do estudo <a href=\"http:\/\/www.sydney.edu.au\/arts\/about\/our-people\/academic-staff\/jacob-bongers.html\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jacob Bongers<\/a>, arque\u00f3logo da Universidade de Sydney.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a Faixa de Buracos tamb\u00e9m se encontra<strong> junto a uma rede de estradas antigas que ligavam a costa \u00e0s terras altas dos Andes<\/strong>, sendo por isso \u201cum bom candidato para um mercado de permuta\u201d, comenta Bongers \u2013 um s\u00edtio l\u00f3gico para diferentes grupos e mercadores especializados se encontrarem e trocarem mercadorias.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO grande n\u00famero de pessoas que depositavam os bens nos buracos poderiam faz\u00ea-lo como forma de exporem publicamente a quantidade de mercadoria dispon\u00edvel, bem como a quantidade de mercadoria necess\u00e1ria para uma troca justa\u201d, explica. \u201cPor exemplo, <strong>um determinado n\u00famero de buracos contendo milho poderia ser o equivalente a um determinado n\u00famero de buracos contendo outro tipo de mercadoria<\/strong>, como algod\u00e3o ou coca.\u201d<\/p>\n<p>A arque\u00f3loga <a href=\"http:\/\/ww1.oswego.edu\/anthropology\/profile\/jordan-dalton-0\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Jordan Dalton<\/a>, da SUNY Oswego, gosta da ideia de o Monte Sierpe poder ter come\u00e7ado como um mercado. Especialista em <a href=\"http:\/\/www.cambridge.org\/core\/elements\/abs\/economies-of-the-inca-world\/5F1007353487E9EAB579AB0E381150BB\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">economia do per\u00edodo inca<\/a>, ela n\u00e3o participou no mais recente estudo, mas tem trabalhado em s\u00edtios no vale de Chincha, situados nas proximidades, e visitou a Faixa de Buracos. \u201c\u00c9 uma <strong>zona transit\u00f3ria importante<\/strong> entre os vales e as terras altas, onde diferentes grupos \u00e9tnicos se podem ter juntado\u201d, diz ela. \u201cPor isso, acho parece-me uma possibilidade muito interessante.\u201d<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\"   src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/incas_b4497cf2_251121114946_800x599.webp.webp\" alt=\"Ainda n\u00e3o se sabe que grupo ou grupos foram os arquitectos originais do mercado ou quantos buracos inclu\u00eda aquando da constru\u00e7\u00e3o original\" class=\"lazyload\" width=\"800\" height=\"599\" data-aspectratio=\"800\/599\"\/>&#13;J.L. Bongers<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se sabe que grupo ou grupos foram os arquitectos originais do mercado ou quantos buracos inclu\u00eda aquando da constru\u00e7\u00e3o original, mas \u00e9 prov\u00e1vel que os incas o tenham expandido e modificado a fim de o tornarem apropriado para os seus fins de contabilidade.<\/p>\n<p><strong>Um sistema de contabilidade na paisagem<\/strong><\/p>\n<p>Para al\u00e9m da an\u00e1lise dos restos de plantas encontrados nos buracos, os investigadores utilizaram <strong>drones\u00a0<\/strong>para documentar a Faixa de Buracos a partir de cima. Viram que a estrutura com aproximadamente 1,5 quil\u00f3metros \u00e9 composta por <strong>mais de 60 \u201cblocos\u201d de buracos diferentes<\/strong>, separados uns dos outros por faixas estreitas de terra. Diferentes blocos cont\u00eam diferentes n\u00fameros de filas e diferentes n\u00fameros de buracos em cada fila.<\/p>\n<p>\u201cUma das sec\u00e7\u00f5es do s\u00edtio tem, pelo menos, nove filas consecutivas com oito buracos cada, enquanto outra tem seis filas consecutivas com sete buracos e h\u00e1 uma fila com oito buracos, totalizando 50 buracos\u201d, diz Bongers. \u201cOutra sec\u00e7\u00e3o tem, pelo menos, 12 filas, que alternam entre sete e oito.\u201d<\/p>\n<p>Os pormenores ainda s\u00e3o desconhecidos, mas os investigadores pensam que<strong> os padr\u00f5es num\u00e9ricos dos buracos do Monte Sierpe podem estar relacionados com os m\u00e9todos de contagem utilizados em alguns <a href=\"http:\/\/www.unesco.org\/en\/memory-world\/lac\/khipu-database-khipu-archives\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">khipus<\/a>\u00a0<\/strong>\u2013 feixes antigos de cordas com n\u00f3s, que se pensa representarem n\u00fameros e que s\u00e3o frequentemente associados aos incas, mas cuja origem remonta a povos andinos mais antigos.<\/p>\n<p>Os buracos do Monte Sierpe, em particular, podem corresponder ao m\u00e9todo de contagem utilizado num khipu antigo que foi encontrado num s\u00edtio arqueol\u00f3gico a poucos quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia. \u201cDe certo modo, o Monte Sierpe pode ter sido um \u2018khipu na paisagem\u2019,\u201d diz Bongers. Os incas podem ter-se apropriado do mercado como <strong>forma de avaliar os tributos devidos pelos grupos de povos locais<\/strong>, estimando as diferen\u00e7as entre o n\u00edvel de tributos e o n\u00famero de pessoas que deviam o seu tributo.<\/p>\n<p>Se os investigadores estiverem certos, este estudo levanta quest\u00f5es sobre \u201ccomo as comunidades do passado modificavam a paisagem de modo a unirem as pessoas e fomentarem a sua interac\u00e7\u00e3o\u201d, diz Bongers. Stanish acrescenta que <strong>estudos futuros ir\u00e3o observar as origens dos vest\u00edgios de plantas encontrados<\/strong>, algumas das quais poderiam ser medicinais. \u201cA Faixa de Buracos torna-se mais intrigante a cada descoberta\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>Artigo publicado originalmente em ingl\u00eas em\u00a0<a cmp-ltrk=\"Art\u00edculo - links intext\" cmp-ltrk-idx=\"15\" data-mrf-link=\"http:\/\/www.nationalgeographic.com\/\" href=\"http:\/\/www.nationalgeographic.com\/\" mrfobservableid=\"aa6d3b30-ac9e-475f-b2f8-231a2f0bf78e\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">nationalgeographic.com<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Assine a revista National Geographic agora por apenas 1\u20ac por m\u00eas. 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