{"id":161385,"date":"2025-11-22T18:29:11","date_gmt":"2025-11-22T18:29:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/161385\/"},"modified":"2025-11-22T18:29:11","modified_gmt":"2025-11-22T18:29:11","slug":"casamentos-reais-das-unioes-em-familia-a-excecao-leonor-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/161385\/","title":{"rendered":"Casamentos reais. Das uni\u00f5es em fam\u00edlia \u00e0 exce\u00e7\u00e3o Leonor \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 na gera\u00e7\u00e3o seguinte, Cl\u00e1udia Thom\u00e9 Witte cita como exemplo os casamentos dos filhos de D. Jo\u00e3o VI com Carlota Joaquina. \u201cA filha mais velha, que era a <strong>infanta D. Maria Teresa, vai se casar com o primo em primeiro grau, que \u00e9 D. Pedro Carlos<\/strong>, filho do D. Gabriel com a D. Mariana Vit\u00f3ria da Espanha \u2014 e j\u00e1 existia uma consanguinidade nesse relacionamento, porque eles eram primos em segundo grau\u201d. Entretanto, a investigadora recorda que deste casamento resultou um filho, \u201cD. Sebasti\u00e3o, que tem descend\u00eancia at\u00e9 hoje e n\u00e3o se sabe de nenhum grande problema\u201d. J\u00e1 as irm\u00e3s tamb\u00e9m se uniram a familiares pr\u00f3ximos. \u201cA segunda irm\u00e3, que \u00e9 a <strong>Maria Isabel, casa-se com um tio de Espanha<\/strong>, que \u00e9 o Rei D. Fernando VII. A terceira filha, a <strong>Maria Francisca, tamb\u00e9m se casa com o tio<\/strong>, que \u00e9 o Carlos Isidro, irm\u00e3o do D. Fernando VII. S\u00e3o tr\u00eas irm\u00e3s que se casam com primo e tios\u201d, recorda a pesquisadora, que destaca que anos depois <strong>Maria Teresa e Carlos Isidro, cunhados e tio e sobrinha tornam-se marido e mulher<\/strong>. \u201cO marido de Maria Teresa morre cedo e muitos anos depois ela se casa de novo com Carlos Isidro, que tinha ficado vi\u00favo da irm\u00e3 dela, Maria Francisca. E cria o filho dela junto com os sobrinhos\u201d.<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 a partir do s\u00e9culo XII que\u00a0a Igreja instituiu o casamento como um sacramento \u2014 mas at\u00e9 o Concilio de Trento, entre 1545 e 1563, bastava o consentimento dos noivos e a promessa proferida um ao outro para serem considerados casados. Foi nesta altura que, para combater os abusos dos \u201ccasamentos clandestinos\u201d, que resultavam, em muitos casos, em uni\u00f5es que eram depois anuladas por impedimentos pr\u00e9vios, que passou a ser obrigat\u00f3rio o <strong>consentimento dado perante um membro da Igreja e pelo menos duas testemunhas<\/strong>. A consanguinidade \u00e9 um dos impedimentos ao matrim\u00f3nio, sendo que no s\u00e9culo XIII estabeleceu-se que ficava <strong>proibido o casamento entre parentes at\u00e9 ao quarto grau na linha colateral<\/strong>, o equivalente a primos direitos. Ou seja, para todos os casamentos mencionados neste artigo acontecerem, <strong>foi necess\u00e1ria uma dispensa papal<\/strong>, um pedido para que o Papa isentasse os indiv\u00edduos da regra definida pela lei can\u00f3nica.<\/p>\n<p>Os casamentos consangu\u00edneos com la\u00e7os t\u00e3o pr\u00f3ximos foram ficando mais raros a partir do s\u00e9culo XIX por uma combina\u00e7\u00e3o de fatores que evolu\u00edram ao longo dos s\u00e9culos, analisam os especialistas ouvidos pelo Observador. \u201c\u00c9 no s\u00e9culo XVIII que a Igreja vai dar um grande contributo para que os casamentos passem a ser \u2018livres\u2019, ou seja, que n\u00e3o precisem do acordo dos pais, em que basta o consentimento dos noivos. \u00c9 quando se come\u00e7a a impor essa l\u00f3gica de que os pais n\u00e3o podem for\u00e7ar os filhos nem as filhas a casar contra a sua vontade\u201d, come\u00e7a por dizer Andr\u00e9 Canhoto Costa. De facto entre os s\u00e9culos XVII e XVIII o Tribunal da Rota Romana legislou fortalecendo a <strong>nulidade dos casamentos contra\u00eddos sob coer\u00e7\u00e3o familiar,<\/strong> ao mesmo tempo em que o crescente uso das dispensas papais levou a uma redu\u00e7\u00e3o nos impedimentos por consanguinidade no s\u00e9culo XX, para o terceiro grau da linha colateral.<\/p>\n<p>Mas a redu\u00e7\u00e3o de casamentos endog\u00e2micos tamb\u00e9m se\u00a0relaciona\u00a0com a altera\u00e7\u00e3o nas din\u00e2micas pol\u00edticas e na legisla\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios pa\u00edses, como recorda Cl\u00e1udia Thom\u00e9 Witte. Considerando que no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX a lei portuguesa determinava que o Rei n\u00e3o poderia ser um estrangeiro, a herdeira ao trono tamb\u00e9m n\u00e3o se poderia casar com um pr\u00edncipe estrangeiro. Por\u00e9m, no leito de morte, D. Pedro IV pede que a filha, Maria II, case-se com o cunhado, Augusto de Leuchtenberg. \u201cEra o irm\u00e3o da D. Am\u00e9lia, a segunda esposa do D. Pedro, madrasta da Maria II. Eles j\u00e1 se conheciam, tinham ido juntos para o Brasil. Ele era um pr\u00edncipe constitucional, acreditava na causa liberal\u201d, explica a pesquisadora. \u201c<strong>As cortes nesse momento t\u00eam que autorizar o casamento com o pr\u00edncipe estrangeiro<\/strong>\u201c. O casamento acontece, mas Augusto morre apenas dois meses depois de chegar em Portugal. Com o precedente aberto, Maria II casa-se com Fernando II, que se tornou Rei consorte de Portugal depois do nascimento do primeiro filho do casal, Pedro V, em 1837. \u201cA partir da\u00ed, <strong>passamos a ter v\u00e1rios casamentos germ\u00e2nicos<\/strong>: depois h\u00e1 D. Pedro V que se vai casar com D. Estef\u00e2nia, que tamb\u00e9m vem da Alemanha. D. Lu\u00eds vai se casar com uma italiana. As duas filhas da Maria II, tanto a D. Ant\u00f3nia como a Maria Ana, v\u00e3o casar-se com pr\u00edncipes alem\u00e3es. D. Miguel com uma princesa alem\u00e3. A partir dessa altura j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais casamentos assim t\u00e3o emblem\u00e1ticos entre tio e sobrinha ou primos direitos, isso acaba.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"J\u00e1 na gera\u00e7\u00e3o seguinte, Cl\u00e1udia Thom\u00e9 Witte cita como exemplo os casamentos dos filhos de D. 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