{"id":161639,"date":"2025-11-23T00:04:22","date_gmt":"2025-11-23T00:04:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/161639\/"},"modified":"2025-11-23T00:04:22","modified_gmt":"2025-11-23T00:04:22","slug":"cientistas-isolam-rna-de-mamute-com-40-mil-anos-preservado-no-permafrost-siberiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/161639\/","title":{"rendered":"Cientistas isolam RNA de mamute com 40 mil anos preservado no permafrost siberiano"},"content":{"rendered":"<p class=\"category\"><a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/ciencia\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ci\u00eancia<\/a><\/p>\n<p>As mol\u00e9culas de RNA isoladas e sequenciadas prov\u00eam de restos de tecido muscular de uma cria de mamute-lanoso da Idade do Gelo e fornecem informa\u00e7\u00f5es \u00fanicas sobre a biologia de esp\u00e9cies extintas que n\u00e3o podem ser obtidas apenas atrav\u00e9s do ADN.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1763856262_96_original.webp\" alt=\"Cientistas isolam RNA de mamute com 40 mil anos preservado no permafrost siberiano\"\/><\/p>\n<p>SUND Kommunikation &amp; Presse<\/p>\n<p><strong>Investigadores da <\/strong><strong>Universidade de Estocolmo<\/strong><strong> conseguiram, pela primeira vez, isolar e sequenciar mol\u00e9culas de RNA de tecido de um <\/strong><strong>mamute-lanoso preservado no permafrost siberiano desde <\/strong><strong>a Idade do Gelo, ou seja, <\/strong><strong>que viveu h\u00e1 cerca de 40.000 anos.<\/strong><\/p>\n<p>Os cientistas pensavam que o RNA (ou ARN) era demasiado fr\u00e1gil para sobreviver durante muito tempo ap\u00f3s a morte, mas um <a href=\"https:\/\/www.cell.com\/cell\/fulltext\/S0092-8674(25)01231-0?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0092867425012310%3Fshowall%3Dtrue\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">estudo, publicado na revista Cell, <\/a>veio demonstrar que pode ser preservados por longos per\u00edodos &#8211; tal como o ADN e as prote\u00ednas &#8211; fornecendo novas informa\u00e7\u00f5es sobre a biologia de esp\u00e9cies extintas h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p><strong>O \u00e1cido ribonucleico (RNA), presente em todas as c\u00e9lulas vivas<\/strong> e estruturalmente semelhante ao ADN, \u00e9 essencial para a s\u00edntese proteica e para a express\u00e3o e regula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica nas c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>As mol\u00e9culas de RNA agora isoladas e sequenciadas s\u00e3o as mais antigas alguma vez recuperadas e prov\u00eam de <strong>restos de tecido muscular de Yuka, uma cria de mamute que morreu h\u00e1 aproximadamente 40 mil <\/strong><strong>ano<\/strong><strong>s <\/strong>e cujos restos mortais foram preservados no permafrost, solo permanentemente coberto de gelo siberiano.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cCom o RNA, podemos obter provas diretas de quais os genes que est\u00e3o \u2018ativados\u2019, oferecendo um vislumbre dos momentos finais da vida de um mamute que caminhou sobre a Terra durante a \u00faltima Era Glacial. Esta \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser obtida apenas com o ADN\u201d,<a href=\"https:\/\/news.ku.dk\/all_news\/2025\/11\/the-worlds-oldest-rna-extracted-from-woolly-mammoth\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\"> afirma Emilio M\u00e1rmol<\/a>, autor principal do estudo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Emilio M\u00e1rmol foi investigador de p\u00f3s-doutoramento na Universidade de Estocolmo, trabalha agora no Instituto Globe, em Copenhaga. Durante a sua passagem pela Universidade de Estocolmo, colaborou com investigadores do SciLifeLab e do Centro de Paleogen\u00e9tica, uma iniciativa conjunta entre a Universidade de Estocolmo e o Museu Sueco de Hist\u00f3ria Natural.<\/p>\n<p>Compreender a biologia e a evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies extintas<\/p>\n<p>Sequenciar os genes pr\u00e9-hist\u00f3ricos e estudar a forma como s\u00e3o ativados \u00e9 fundamental para compreender a biologia e a evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies extintas.<\/p>\n<p>H\u00e1 anos que os cientistas descodificam o ADN dos mamutes para reconstruir os seus genomas e a sua hist\u00f3ria evolutiva. No entanto<strong>, o RNA, a mol\u00e9cula que indica quais os genes ativos<\/strong>, permaneceu at\u00e9 ent\u00e3o inacess\u00edvel.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a antiga de que o ARN \u00e9 demasiado fr\u00e1gil para sobreviver sequer algumas horas ap\u00f3s a morte, provavelmente desencorajou os investigadores a explorar estas mol\u00e9culas ricas em informa\u00e7\u00e3o em mamutes e outras esp\u00e9cies extintas h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cConseguimos ter acesso a tecidos de mamute excecionalmente bem preservados, desenterrados do permafrost siberiano e esper\u00e1vamos que ainda contivessem mol\u00e9culas de RNA congeladas no tempo\u201d, acrescenta Emilio M\u00e1rmol.<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma das pernas do mamute Yuka de onde foi extra\u00eddo RNA.<\/p>\n<p>Valerii V Plotnikov<\/p>\n<blockquote><p>\u201cJ\u00e1 t\u00ednhamos ultrapassado os limites da recupera\u00e7\u00e3o de ADN em mais de um milh\u00e3o de anos. Agora, quer\u00edamos explorar se poder\u00edamos expandir a sequencia\u00e7\u00e3o de ARN para per\u00edodos ainda mais remotos do que os realizados em estudos anteriores\u201d, afirma Love Dal\u00e9n, professor de Gen\u00f3mica Evolutiva na Universidade de Estocolmo e no Centro de Paleogen\u00e9tica.<\/p><\/blockquote>\n<p>Marcadores de stress<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Os investigadores conseguiram identificar padr\u00f5es de express\u00e3o gen\u00e9tica espec\u00edficos de tecidos em <strong>restos musculares congelados de Yuka, um jovem mamute que morreu h\u00e1 quase 40 mil anos. <\/strong>Entre os mais de 20.000 genes codificadores de prote\u00ednas no genoma do mamute, nem todos estavam ativos. As mol\u00e9culas de RNA detetadas codificam prote\u00ednas com fun\u00e7\u00f5es essenciais na contra\u00e7\u00e3o muscular e na regula\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica sob stress.<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: start;\"><p>\u201cEncontr\u00e1mos sinais de stress celular, o que talvez n\u00e3o seja surpreendente, uma vez que pesquisas anteriores sugeriram que Yuka foi atacado por le\u00f5es-das-cavernas pouco antes da sua morte\u201d, afirma Emilio M\u00e1rmol.<\/p><\/blockquote>\n<p>No entanto, estes marcadores de stress tamb\u00e9m podem ser devidos \u00e0 pr\u00f3pria morte, ou seja, &#8220;as c\u00e9lulas est\u00e3o stressadas porque est\u00e3o a morrer, ou por uma combina\u00e7\u00e3o de ambos os fatores&#8221;, considera o cientista.<\/p>\n<p style=\"text-align: start;\">Os investigadores encontraram tamb\u00e9m <strong>uma mir\u00edade de mol\u00e9culas de RNA que regulam a atividade dos genes <\/strong>nas amostras musculares do mamute.<\/p>\n<blockquote style=\"text-align: start;\"><p>\u201cOs RNA que n\u00e3o codificam prote\u00ednas, como os microRNA, est\u00e3o entre as descobertas mais interessantes que obtivemos\u201d, afirma Marc Friedl\u00e4nder, professor associado do Departamento de Bioci\u00eancias Moleculares do Instituto Wenner-Gren da Universidade de Estocolmo e do SciLifeLab.<\/p><\/blockquote>\n<p>Possibilidade de estudar v\u00edrus de RNA, como os da gripe ou dos coronav\u00edrus<\/p>\n<p>A persist\u00eancia do RNA durante mais tempo do que se pensava anteriormente sugere que tamb\u00e9m pode ser poss\u00edvel <strong>sequenciar v\u00edrus de RNA, como os da gripe ou dos <\/strong><a href=\"https:\/\/sicnoticias.pt\/especiais\/coronavirus\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\"><strong>coronav\u00edrus<\/strong><\/a>, preservados em restos da Idade do Gelo, de acordo com Love Dal\u00e9n, tamb\u00e9m autor do artigo, num comunicado da Universidade de Estocolmo.<\/p>\n<p>Estudar v\u00edrus de RNA em esp\u00e9cies antigas, caso existam amostras dispon\u00edveis de indiv\u00edduos que morreram com a infe\u00e7\u00e3o, permitiria aos investigadores <strong>rastrear a origem evolutiva destes v\u00edrus no passado e ajudar a compreender como mudam e evoluem no presente<\/strong>, ou &#8220;at\u00e9 descobrir a origem de pandemias passadas de que temos registos&#8221;, afirma Love Dal\u00e9n.<\/p>\n<p>No futuro, os investigadores esperam realizar <strong>estudos que combinem o RNA pr\u00e9-hist\u00f3rico com ADN, prote\u00ednas e outras biomol\u00e9culas<\/strong>, o que &#8220;poder\u00e1 transformar radicalmente a compreens\u00e3o da megafauna extinta e de outras esp\u00e9cies, revelando as m\u00faltiplas camadas ocultas da biologia que permaneceram congeladas no tempo at\u00e9 agora&#8221;, conclui Emilio M\u00e1rmol.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ci\u00eancia As mol\u00e9culas de RNA isoladas e sequenciadas prov\u00eam de restos de tecido muscular de uma cria de&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":161640,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-161639","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-science","14":"tag-science-and-technology","15":"tag-scienceandtechnology","16":"tag-technology","17":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115596090870455585","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161639","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161639"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161639\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/161640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}