{"id":16208,"date":"2025-08-04T21:07:17","date_gmt":"2025-08-04T21:07:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/16208\/"},"modified":"2025-08-04T21:07:17","modified_gmt":"2025-08-04T21:07:17","slug":"india-continua-a-queimar-alimentos-valiosos-para-produzir-biocombustiveis-biocombustivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/16208\/","title":{"rendered":"\u00cdndia continua a queimar alimentos valiosos para produzir biocombust\u00edveis | Biocombust\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>O incentivo da \u00cdndia ao etanol, misturando biocombust\u00edvel de origem vegetal com gasolina, est\u00e1 a ser travado pela lentid\u00e3o dos progressos na produ\u00e7\u00e3o de uma vers\u00e3o ambientalmente mais limpa do combust\u00edvel. O principal obst\u00e1culo, afirmam produtores e peritos, \u00e9 o facto de o Governo n\u00e3o pagar mais pelo etanol mais limpo, que \u00e9 feito a partir de res\u00edduos, mas cuja produ\u00e7\u00e3o \u00e9 mais cara.<\/p>\n<p>O etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o, ou etanol 2G, que utiliza res\u00edduos de culturas em vez de culturas alimentares valiosas, traz uma forma de reduzir as emiss\u00f5es que provocam o aquecimento do planeta, reduzir as importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e evitar a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel a partir de alimentos necess\u00e1rios para o consumo humano.<\/p>\n<p>Os produtores, contudo, sublinham que o Governo indiano deve pagar um pre\u00e7o separado e adequado para o etanol 2G, que \u00e9 mais caro de produzir. \u201cSem uma pol\u00edtica de pre\u00e7os diferenciada para o etanol 2G, a economia n\u00e3o funciona\u201d, afirma Monish Ahuja, director-geral da Punjab Renewable Energy Systems (PRESPL), que fornece res\u00edduos agr\u00edcolas para f\u00e1bricas de etanol 2G.<\/p>\n<p>Os investidores n\u00e3o ter\u00e3o interesse a menos que esteja assegurado um retorno que reflicta o custo mais elevado da produ\u00e7\u00e3o do biocombust\u00edvel, explica Monish Ahuja. \u201cEsse \u00e9 o grande obst\u00e1culo.\u201d<\/p>\n<p>Para garantir que toda a gasolina vendida no pa\u00eds contenha 20% de etanol at\u00e9 Outubro de 2025, o Governo indiano procurou aumentar a produ\u00e7\u00e3o desviando culturas alimentares como a cana-de-a\u00e7\u00facar, o milho e o arroz excedent\u00e1rio para produzir o combust\u00edvel conhecido como etanol de primeira gera\u00e7\u00e3o (1G).<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de etanol 1G reduz a disponibilidade de cereais para as pessoas e gado, e afasta as terras da produ\u00e7\u00e3o alimentar.<\/p>\n<p>Num per\u00edodo de um ano entre 2024 e 2025, a \u00cdndia chegou a afectar um recorde de 5,2 milh\u00f5es de toneladas m\u00e9tricas de arroz para a produ\u00e7\u00e3o de etanol 1G, o equivalente a quase 9% das remessas globais de arroz.<\/p>\n<p>O etanol 2G pode ser produzido atrav\u00e9s da decomposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos vegetais duros, como a palha ou a casca, em a\u00e7\u00facares ferment\u00e1veis, utilizando tecnologias mais actualizadas. Poder\u00e1 tamb\u00e9m ajudar a reduzir a queima de restolho, uma das principais causas de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica na \u00cdndia, em que os restos de culturas s\u00e3o incendiados ap\u00f3s a colheita.<\/p>\n<p>At\u00e9 \u00e0 data, o etanol 2G representa muito pouco \u2014 h\u00e1 quem diga que menos de 1% \u2014 da produ\u00e7\u00e3o anual de biocombust\u00edveis da \u00cdndia, que, segundo o governo, atingiu os sete mil milh\u00f5es de litros em Outubro de 2024. O Governo indiano n\u00e3o disponibiliza n\u00fameros espec\u00edficos sobre a sua produ\u00e7\u00e3o de etanol 2G.<\/p>\n<p>A falta de produ\u00e7\u00e3o de etanol 2G deve-se principalmente \u00e0 falta de pre\u00e7os diferenciados de aquisi\u00e7\u00e3o pelo governo, assim como os custos de produ\u00e7\u00e3o mais elevados, dizem os especialistas.<\/p>\n<p>Pre\u00e7os diferenciados tardam<\/p>\n<p>O governo considerou a possibilidade de criar uma taxa separada para o etanol 2G, revelam as actas de uma reuni\u00e3o de alto n\u00edvel realizada em Julho de 2023.<\/p>\n<p>Os novos pre\u00e7os estavam previstos para Abril de 2025, de acordo com relatos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social indianos, mas nenhum an\u00fancio acabou por ser feito.<\/p>\n<p>Para promover o combust\u00edvel mais moderno, o Governo indiano lan\u00e7ou um programa nacional em 2019 para prestar assist\u00eancia financeira \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas de etanol 2G \u00e0 escala comercial e de demonstra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, das 12 f\u00e1bricas que se prop\u00f4s a estabelecer em toda a \u00cdndia, apenas uma, de demonstra\u00e7\u00e3o, est\u00e1 operacional.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio indiano respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis n\u00e3o respondeu aos pedidos de coment\u00e1rio.<\/p>\n<p>Custos acumulam-se<\/p>\n<p>Entre os desafios para aumentar a produ\u00e7\u00e3o de etanol 2G, o processo requer enzimas dispendiosas, o pr\u00e9-tratamento de res\u00edduos e log\u00edstica espec\u00edfica, explica o vice-presidente s\u00e9nior da Federa\u00e7\u00e3o Indiana de Energia Verde (IFGE), Y. B. Ramakrishna.<\/p>\n<p>A \u00cdndia produz anualmente centenas de milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos agr\u00edcolas que, segundo os especialistas, poderiam alimentar centenas de f\u00e1bricas de biocombust\u00edveis 2G.<\/p>\n<p>Mas os res\u00edduos t\u00eam de ser recolhidos, secos, armazenados e transportados a partir de pequenas explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas espalhadas por vastas \u00e1reas, explica Ramya Natarajan, investigadora do Centro de Estudos de Ci\u00eancia, Tecnologia e Pol\u00edtica (CSTEP).<\/p>\n<p>Os custos v\u00e3o-se acumulando, o que torna fundamental o apoio financeiro e a clareza dos pre\u00e7os do etanol 2G, afirmam especialistas. \u201cPelo menos durante os primeiros tr\u00eas ou quatro anos, \u00e9 essencial um pre\u00e7o mais elevado\u201d, defende Y. B. Ramakrishna.<\/p>\n<p>Sem um pre\u00e7o distinto para o 2G e um objectivo para a sua aquisi\u00e7\u00e3o, mesmo as empresas financeiramente preparadas n\u00e3o podem obter fundos dos bancos ou comprometer-se com planos a longo prazo, diz Monish Ahuja, da PRESPL.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do etanol 1G, que tem um mercado garantido atrav\u00e9s das aquisi\u00e7\u00f5es das empresas de comercializa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, a falta de uma meta separada para a mistura de etanol 2G faz com que a alternativa mais ecol\u00f3gica tenha de competir pelos clientes com o etanol 1G, que \u00e9 mais barato.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da pol\u00edtica indiana para a mistura de etanol, que prev\u00ea 20% de etanol na gasolina at\u00e9 ao final de 2025, n\u00e3o existe um subobjectivo para a mistura de etanol 2G para ajudar a garantir a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O incentivo da \u00cdndia ao etanol, misturando biocombust\u00edvel de origem vegetal com gasolina, est\u00e1 a ser travado pela&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":16209,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[562,785,6268,88,476,89,90,2270,2426,32,33,6267,3204],"class_list":{"0":"post-16208","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-agricultura","9":"tag-azul","10":"tag-biocombustivel","11":"tag-business","12":"tag-economia","13":"tag-economy","14":"tag-empresas","15":"tag-energia","16":"tag-india","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-residuos","20":"tag-sustentabilidade"},"share_on_mastodon":{"url":"","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16208","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16208"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16208\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}