{"id":162276,"date":"2025-11-23T16:10:09","date_gmt":"2025-11-23T16:10:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/162276\/"},"modified":"2025-11-23T16:10:09","modified_gmt":"2025-11-23T16:10:09","slug":"como-medicamentos-para-obesidade-entram-no-debate-sobre-tratar-dependencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/162276\/","title":{"rendered":"como medicamentos para obesidade entram no debate sobre tratar depend\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Os medicamentos \u00e0 base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Zepbound, avan\u00e7aram rapidamente do combate ao diabetes e \u00e0 obesidade para um territ\u00f3rio ainda pouco explorado: o tratamento de depend\u00eancias qu\u00edmicas e comportamentais. A possibilidade, impulsionada por estudos preliminares e pelo uso crescente em cl\u00ednicas de reabilita\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos, reacende o debate sobre como o c\u00e9rebro responde a esses f\u00e1rmacos e at\u00e9 onde eles podem ir na redu\u00e7\u00e3o de comportamentos compulsivos.<\/p>\n<p>A endocrinologista e especialista em medicina metab\u00f3lica Alessandra Rascovski, diretora m\u00e9dica da Atma Soma, acompanha esse movimento de perto. Segundo ela, o que se v\u00ea na pr\u00e1tica cl\u00ednica dialoga com as primeiras evid\u00eancias cient\u00edficas.<\/p>\n<p>\u2014 O que percebemos cada vez mais \u00e9 o quanto a adi\u00e7\u00e3o melhora, principalmente para o \u00e1lcool. Tenho pacientes que tamb\u00e9m relatam melhora em compuls\u00e3o por compras e at\u00e9 em v\u00edcio em cigarro \u2014 destaca.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" class=\"w-full h-full object-cover\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/900-x-300-com-texto-na-imagem-4.png\" alt=\"\"\/><\/p>\n<p>\u2014 Os mecanismos ainda est\u00e3o sendo estudados, mas existe realmente uma a\u00e7\u00e3o na dopamina que regula os centros de recompensa cerebral \u2014 diz.<\/p>\n<p>O interesse da comunidade cient\u00edfica em novas aplica\u00e7\u00f5es dos GLP-1 ganhou for\u00e7a ap\u00f3s a observa\u00e7\u00e3o de que esses medicamentos reduzem o chamado \u201cfood noise\u201d, o ru\u00eddo mental constante que impulsiona a busca por comida. Para muitos especialistas, trata-se de um mecanismo semelhante ao que sustenta tamb\u00e9m outros tipos de compuls\u00e3o, como \u00e1lcool, drogas e tabagismo.<\/p>\n<p>Esse poss\u00edvel elo come\u00e7ou a ser investigado em estudos recentes. Um deles, publicado em JAMA Psychiatry em fevereiro deste ano, mostrou que pessoas com consumo problem\u00e1tico de \u00e1lcool que receberam semaglutida relataram beber menos e sentir menos vontade de beber ou fumar.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p><strong>O que acontece no c\u00e9rebro<\/strong><\/p>\n<p>A hip\u00f3tese mais investigada no momento \u00e9 a de que os GLP-1 modulam a libera\u00e7\u00e3o de dopamina, o neurotransmissor central da sensa\u00e7\u00e3o de recompensa. Ao reduzir a intensidade do circuito cerebral associado ao prazer imediato, eles podem tornar gatilhos menos provocativos, diminuindo impulsos e facilitando a interrup\u00e7\u00e3o do comportamento aditivo.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente o que Alessandra observa no consult\u00f3rio:<\/p>\n<p>\u2014 Na cl\u00ednica, j\u00e1 usei o medicamento off-label para alcoolismo em duas pacientes. Elas pararam de beber, e a resposta foi muito eficiente \u2014 relata. Ela refor\u00e7a ainda o impacto sobre o food noise:<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 esse ru\u00eddo mental que invade sua vida e afazeres, um pensamento obsessivo. Enquanto voc\u00ea n\u00e3o vai comer ou n\u00e3o vai beber, o pensamento n\u00e3o cessa. O tratamento controla muito esse ru\u00eddo \u2014 alerta.<\/p>\n<p><strong>Dados ainda s\u00e3o preliminares<\/strong><\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Apesar do entusiasmo crescente, as evid\u00eancias sobre o uso de GLP-1 no tratamento de depend\u00eancias ainda s\u00e3o preliminares. N\u00e3o h\u00e1, at\u00e9 o momento, aprova\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para uso em sa\u00fade mental, o que limita o acesso e mant\u00e9m o tratamento restrito a prescri\u00e7\u00f5es off-label, geralmente caras e n\u00e3o cobertas pelos planos de sa\u00fade. Al\u00e9m disso, os efeitos colaterais e a seguran\u00e7a do uso prolongado dessas medica\u00e7\u00f5es ainda precisam ser avaliados em estudos de maior escala e dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alessandra Rascovski lembra que o impacto potencial desses medicamentos se torna especialmente relevante em pa\u00edses como o Brasil, onde o consumo abusivo de \u00e1lcool \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica. \u2014 N\u00f3s temos cerca de 6 milh\u00f5es de adultos brasileiros que fazem uso abusivo de \u00e1lcool, segundo dados da Covitel. \u00c9 um contingente enorme que poderia se beneficiar de novas alternativas terap\u00eauticas \u2014 alerta a especialista.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, ensaios cl\u00ednicos j\u00e1 est\u00e3o em andamento para responder justamente a essas lacunas. Alguns incluem ambientes controlados que simulam situa\u00e7\u00f5es de risco \u2014 desde bares artificiais at\u00e9 sess\u00f5es de realidade virtual \u2014 para avaliar em tempo real como os GLP-1 modulam comportamento e resposta a gatilhos. A Eli Lilly admite estudar aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas em depend\u00eancia, enquanto a Novo Nordisk mant\u00e9m cautela sobre seus planos.<\/p>\n<p class=\"py-2\">Continua depois da publicidade<\/p>\n<p>Enquanto a ci\u00eancia avan\u00e7a, Alessandra refor\u00e7a que esses medicamentos n\u00e3o dispensam tratamentos j\u00e1 estabelecidos, mas podem servir como um suporte importante.<\/p>\n<p>\u2014 Eles n\u00e3o substituem psicoterapia, apoio social ou acompanhamento especializado, mas podem oferecer a clareza mental necess\u00e1ria para que a pessoa d\u00ea o primeiro passo e consiga mant\u00ea-lo \u2014 diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os medicamentos \u00e0 base de GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Zepbound, avan\u00e7aram rapidamente do combate ao diabetes e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":162277,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[11625,319,116,1022,1025,32,33,117],"class_list":{"0":"post-162276","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-glp-1","9":"tag-hard-news","10":"tag-health","11":"tag-obesidade","12":"tag-ozempic","13":"tag-portugal","14":"tag-pt","15":"tag-saude"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115599889492532838","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162276","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162276"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162276\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/162277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162276"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162276"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162276"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}