{"id":162864,"date":"2025-11-24T02:04:11","date_gmt":"2025-11-24T02:04:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/162864\/"},"modified":"2025-11-24T02:04:11","modified_gmt":"2025-11-24T02:04:11","slug":"rosana-paulino-analisa-questoes-raciais-nas-artes-visuais-o-brasil-e-um-pais-que-nao-se-enxerga-verso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/162864\/","title":{"rendered":"Rosana Paulino analisa quest\u00f5es raciais nas artes visuais: \u2018O Brasil \u00e9 um pa\u00eds que n\u00e3o se enxerga\u2019 &#8211; Verso"},"content":{"rendered":"<p>Quando come\u00e7ou a trabalhar com artes visuais, debru\u00e7ando-se sobre tecidos e fotografias para \u201csuturar\u201d quest\u00f5es sociais do Brasil, Rosana Paulino, hoje com 51 anos, era praticamente a \u00fanica artista visual negra que se propunha a essa an\u00e1lise sob um vi\u00e9s contempor\u00e2neo. \u201cTrabalhei praticamente dez anos sozinha\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cTinham artistas que chegaram at\u00e9 o modernismo, que \u00e9 o caso do Emanuel Ara\u00fajo \u2013 que fez o Museu Afro-Brasil \u2013 mas n\u00e3o avan\u00e7ou at\u00e9 o contempor\u00e2neo\u201d, completa. Por isso, ao avaliar o quanto a arte contempor\u00e2nea produzida por mulheres e homens negros avan\u00e7ou nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, a artista visual e educadora paulistana afirma estar positivamente surpresa.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um momento muito esperan\u00e7oso. Realmente, eu n\u00e3o esperava ver esse panorama em vida\u201d.\u00a0 Parte desse avan\u00e7o, acredita, vem do trabalho de pioneiros, como o seu pr\u00f3prio, que <strong>enfrentaram o racismo e o elitismo predominante na academia e nas artes visuais <\/strong>para produzir trabalhos de impacto a partir de hist\u00f3rias apagadas da arte considerada \u201ccl\u00e1ssica\u201d.<\/p>\n<p>Atualmente, Rosana colhe os frutos desse trabalho \u00e1rduo, desenvolvido nos \u00faltimos 30 anos. Artista renomada com exposi\u00e7\u00f5es em diversos pa\u00edses e doutora em Artes Visuais, ela se prepara para expor pela segunda vez na <strong>Bienal de Veneza, a mais antiga e uma das mais relevantes do mundo<\/strong> \u2013 e pela primeira no Pavilh\u00e3o do Brasil, espa\u00e7o de honra no evento, junto a outras duas mulheres.<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote border-accent not-italic\">\n<p>\n\t\t\tAl\u00e9m de Rosana, a artista pl\u00e1stica Adriana Varej\u00e3o tamb\u00e9m ir\u00e1 expor no Pavilh\u00e3o. Ambas reuniram obras do acervo e novas pe\u00e7as para elaborar o projeto \u201cComigo Ningu\u00e9m Pode\u201d, com curadoria de Diane Lima.\u00a0\n\t\t<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote class=\"instagram-media\" data-instgrm-permalink=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DQraSFwERGG\/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading\" data-instgrm-version=\"14\" style=\" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:540px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);\"\/>\n<p>Neste m\u00eas de novembro, <strong>Rosana Paulino veio a Fortaleza pela primeira vez, para ministrar a aula aberta \u201cObra, pesquisa e ensino\u201d na Pinacoteca do Cear\u00e1<\/strong>, em que discutiu alguns dos principais aspectos de seu trabalho, como a escolha por diferentes m\u00eddias a depender da tem\u00e1tica de cada obra.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu vou falar, por exemplo, do racismo, eu vou usar fotografia de \u00e9poca; mas quando vou falar da psicologia das mulheres negras, vou para o desenho\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201cA fotografia \u00e9 fria. Se eu vou trabalhar racismo cient\u00edfico, vou usar o mesmo meio que foi usado na \u00e9poca para desqualificar as pessoas negras. Agora, se vou falar de psicologia, tenho que ter um meio mais quente, mais \u00edntimo, mais quente, a\u00ed eu vou para o desenho\u201d, segue.<\/p>\n<p>Durante a passagem pela capital cearense, Rosana aproveitou para conhecer alguns dos espa\u00e7os culturais p\u00fablicos da Cidade, como o <a href=\"https:\/\/diariodonordeste.verdesmares.com.br\/verso\/theatro-jose-de-alencar-celebra-115-anos-com-demandas-por-manutencao-e-expectativa-de-restauro-1.3660557\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Theatro Jos\u00e9 de Alencar<\/a>. \u201cAcho muito interessante essa movimenta\u00e7\u00e3o que est\u00e1 sendo feita aqui no Cear\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos equipamentos culturais\u201d, comentou, em entrevista ao Verso.<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote border-accent not-italic\">\n<p>\n\t\t\t\u201cEssa \u00e9 uma possibilidade gigantesca que n\u00f3s, da cultura, temos; \u00e9 uma cultura muito pr\u00f3pria, que o Brasil desenvolveu, muito diferente, que \u00e9 muito rica e tem muito a oferecer ao mundo&#8221;\n\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t<b class=\"text-accent\"><br \/>\n\t\t\t\t\tRosana Paulino<br \/>\n\t\t\t\t<\/b><\/p>\n<p>\n\t\t\t\t\t\tArtista e educadora\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Arte de Rosana \u2018sutura\u2019 tecido social e resgata mem\u00f3ria\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\t<img decoding=\"async\" alt=\"Artista posa em frente da obra 'Bastidores', atualmente em exposi\u00e7\u00e3o na Pinacoteca do Cear\u00e1.\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/rosana-paulino-2.jpeg\" loading=\"lazy\" width=\"1600\" height=\"1066\"\/><\/p>\n<p>\n\t\t\t\tLegenda:<br \/>\n\t\t\t\t Artista posa em frente da obra &#8216;Bastidores&#8217;, atualmente em exposi\u00e7\u00e3o na Pinacoteca do Cear\u00e1.\n\t\t\t<\/p>\n<p>\n\t\t\t\tFoto:<br \/>\n\t\t\t\t Thiago Gadelha.\n\t\t\t<\/p>\n<\/p>\n<p>Na Pinacoteca, al\u00e9m da aula aberta, Rosana se reencontrou com uma de suas obras mais emblem\u00e1ticas, \u201cBastidores\u201d, de 1997, que est\u00e1 em cartaz na exposi\u00e7\u00e3o \u201cFigura e paisagem, palavra e imagem\u201d, mostra com obras cedidas do MAM S\u00e3o Paulo. A obra, que re\u00fane imagens de seis mulheres negras em bastidores de costura, problematiza o imagin\u00e1rio estigmatizante sobre o papel das mulheres negras na forma\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds.\u00a0<\/p>\n<p>Por meio da obra, feita ainda quando a artista era estudante, Rosana elaborou um tratado sobre a viol\u00eancia e o apagamento impostos pelo racismo e pelo machismo no Pa\u00eds \u2013 quest\u00f5es que a acompanhariam em muitos outros de seus principais trabalhos ao longo dos anos.\u00a0<\/p>\n<p>\n\t\t<img decoding=\"async\" alt=\"Obra 'Bastidores' (1997), de Rosana Paulino.\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/bastidores.jpeg\" loading=\"lazy\" width=\"1000\" height=\"666\"\/><\/p>\n<p>\n\t\t\t\tLegenda:<br \/>\n\t\t\t\t Obra &#8216;Bastidores&#8217; (1997), de Rosana Paulino.\n\t\t\t<\/p>\n<p>\n\t\t\t\tFoto:<br \/>\n\t\t\t\t Thiago Gadelha.\n\t\t\t<\/p>\n<\/p>\n<p>Filha de uma bordadeira, a artista visual apoderou-se, no in\u00edcio da carreira, de plataformas que via em casa, como o tecido utilizado pela m\u00e3e para obter renda e as fotografias que aprendeu a apreciar nos \u00e1lbuns de fam\u00edlia.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEra muito comum, por exemplo, ficar vendo minha m\u00e3e entrar \u00e0 noite bordando, ou ent\u00e3o sentar em roda l\u00e1 com as vizinhas e elas ficarem bordando. Isso me chamou a aten\u00e7\u00e3o desde muito cedo. Para mim, era uma coisa meio m\u00e1gica, voc\u00ea ver o fio e o fio transformado em imagem\u201d, lembra.<\/p>\n<p>\u201cQuando comecei a me expressar como artista, eu pensava: \u2018ah, n\u00e3o quero ficar s\u00f3 no bidimensional, n\u00e3o quero ficar s\u00f3 no desenho\u2019. A\u00ed tentei algumas m\u00eddias, fui tentar madeira, mas morria de medo de cortar o dedo naquelas serras. [Pensei] que que eu sei fazer? Sei costurar, sei costurar desde sempre\u201d, completa.<\/p>\n<p>Por meio dessa escolha, tamb\u00e9m tomou para si o intuito de questionar o que pode ou n\u00e3o ser considerado arte \u2013 e o intuito de analisar de quem parte esse tipo de categoriza\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas \u00e0s vezes falam \u2018bordado\u2019, mas eu n\u00e3o fa\u00e7o bordado. Eu comecei fazendo costura, e ultimamente eu n\u00e3o falo nem costura, eu falo sutura, porque muda o sentido. Eu come\u00e7o a suturar pontos da hist\u00f3ria do Brasil. <strong>E por que sutura? Porque tem uma dor ali, envolvida nos trabalhos<\/strong>\u201d, aponta.<\/p>\n<p>\u201cMeu trabalho lida muito com as classifica\u00e7\u00f5es, em v\u00e1rios sentidos, e essa \u00e9 uma das classifica\u00e7\u00f5es. Por que o que \u00e9 feito pela mulher, esse trabalho de linha, de t\u00eaxtil \u00e9 desvalorizado? Ele tamb\u00e9m pode ser arte\u201d, completa.<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote border-accent not-italic\">\n<p>\n\t\t\tAl\u00e9m de expor em diversos pa\u00edses, Rosana tamb\u00e9m foi premiada diversas vezes ao longo da carreira. Recentemente, foi reconhecida em premia\u00e7\u00e3o do Munch Museum e ganhou o Jane Lombard Prize, do Vera List Center.\n\t\t<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Levar m\u00eddias tidas como menos \u201cart\u00edsticas\u201d para o museu, especialmente posicionando-se como uma artista negra que trata de resgatar e ecoar a hist\u00f3ria negra do Pa\u00eds, \u00e9 tamb\u00e9m um posicionamento pol\u00edtico. Rosana lembra que, quando estudava na Universidade de S\u00e3o Paulo, pensou na costura como arte pela primeira vez ao ver uma exposi\u00e7\u00e3o de Arthur Bispo do Ros\u00e1rio (1911-1989).\u00a0<\/p>\n<p>\u201cFoi uma revela\u00e7\u00e3o. O Bispo era um neg\u00f3cio, a arte do Bispo \u00e9 maravilhosa. Eu falei, \u2018nossa, isso \u00e9 arte tamb\u00e9m, tamb\u00e9m levantou quest\u00f5es\u2019 Por que que tecido e linha \u00e9 visto como coisa de mulher, sempre no diminutivo \u2013 ou \u00e9 coisa de mulher ou coisa de louco\u201d, comenta.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cMas quem faz essas classifica\u00e7\u00f5es, e por que que faz? Tamb\u00e9m tem a ver com g\u00eanero, tem a ver com ra\u00e7a, tem a ver com quem tem acesso a determinados materiais\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>Rodar o mundo para revelar o Brasil<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\t<img decoding=\"async\" alt=\"'Para\u00edso Tropical', de Rosana Paulino.\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/paraiso-tropical.jpg\" loading=\"lazy\" width=\"6723\" height=\"4487\"\/><\/p>\n<p>\n\t\t\t\tLegenda:<br \/>\n\t\t\t\t &#8216;Para\u00edso Tropical&#8217;, de Rosana Paulino.\n\t\t\t<\/p>\n<p>\n\t\t\t\tFoto:<br \/>\n\t\t\t\t Reprodu\u00e7\u00e3o\/Rosana Paulino.\n\t\t\t<\/p>\n<\/p>\n<p>A chegada de Rosana na 61\u00aa Bienal de Veneza, que ocorre entre maio e novembro de 2026, tem import\u00e2ncia redobrada em sua trajet\u00f3ria. Expondo em um local de ainda mais prest\u00edgio desta vez, ela tamb\u00e9m celebra a chegada de outra mulher negra ao evento: a curadora Diane Lima, que trabalha com Paulino e Adriana Varej\u00e3o no projeto que ocupar\u00e1 o Pavilh\u00e3o do Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o tr\u00eas mulheres, e duas delas negras. Isso \u00e9 uma <strong>mudan\u00e7a de paradigma absolutamente gigantesca<\/strong>\u201d, aponta. O nome da exposi\u00e7\u00e3o, \u201cComigo Ningu\u00e9m Pode\u201d, dialoga com a necessidade de mostrar uma face diferente do Pa\u00eds, escancarando fissuras sociais e mostrando novas possibilidades art\u00edsticas que t\u00eam sido produzidas por aqui.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um espa\u00e7o de muito prest\u00edgio. Eu n\u00e3o me lembro de ter visto nada parecido. Ali\u00e1s, n\u00e3o me lembro nem de pessoas negras na Bienal de Veneza. E a gente come\u00e7a: t\u00e1, o que o Brasil quer mostrar para o mundo? \u00c9 um pa\u00eds que n\u00e3o se mostra, <strong>o Brasil \u00e9 um pa\u00eds n\u00e3o se enxerga e n\u00e3o se mostra<\/strong>\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Rosana conta que, ao expor em outros pa\u00edses, j\u00e1 ouviu muitos questionamentos sobre a presen\u00e7a negra no Pa\u00eds, algo que atribui \u00e0 pol\u00edtica de apagamento hist\u00f3rica que chega, inclusive, \u00e0s escolas art\u00edsticas brasileiras.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas [de outros pa\u00edses] falam \u2018nossa, tem muito negro no Brasil?\u2019 Poxa, \u00e9 quase 60% da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds branco, nunca foi. Mas a gente tem que pensar que as [artes] visuais ocuparam sempre um lugar muito elitista, e a imagem que tentaram vender pro mundo \u00e9 como se fosse um pedacinho cravado da Europa no mundo \u2013 uma coisa absolutamente rid\u00edcula\u201d, declara.\u00a0<\/p>\n<p>O projeto apresentado na Bienal tem o intuito de ir al\u00e9m dessa imagem, mostrando tanto a viol\u00eancia e os apagamentos que formaram o Brasil, mas tamb\u00e9m a criatividade e os <strong>avan\u00e7os na produ\u00e7\u00e3o cultural brasileira nos \u00faltimos anos<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<p>Para Rosana, esse tipo de iniciativa e reconhecimento auxilia na constru\u00e7\u00e3o de um Brasil real, com quest\u00f5es e abordagens art\u00edsticas muito pr\u00f3prias de nossa forma\u00e7\u00e3o sociocultural. \u201cAcho que agora o Brasil est\u00e1 come\u00e7ando a se construir como na\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>\u201cSe a gente for pensar em termos de artes visuais, o Brasil tem uma hist\u00f3ria totalmente colonizada, desde a miss\u00e3o art\u00edstica francesa que apostou aqui no Brasil, trazendo um modelo do que seria cultura, do que seria bom, do que seria belo, do que seria digno, e que n\u00e3o tem nada a ver com a gente\u201d, completa.\u00a0<\/p>\n<blockquote class=\"blockquote border-accent not-italic\">\n<p>\n\t\t\tA gente vai ter que botar isso sobre a mesa, essas influ\u00eancias existem, est\u00e3o a\u00ed, elas tem que ser discutidas. Ent\u00e3o, \u00e9 bom que se coloque isso, que os artistas jovens venham trazendo isso, porque a gente vai ter que pensar. J\u00e1 passou da hora da gente se olhar enquanto pa\u00eds e falar: t\u00e1, o que a gente tem de for\u00e7a? Essa \u00e9 a nossa for\u00e7a.\u201d\n\t\t<\/p>\n<p>\t\t\t\t<b class=\"text-accent\"><br \/>\n\t\t\t\t\tRosana Paulino<br \/>\n\t\t\t\t<\/b><\/p>\n<p>\n\t\t\t\t\t\tArtista visual\n\t\t\t\t\t<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Rosana conta que tem olhado para as novas gera\u00e7\u00f5es com certo distanciamento \u2013 j\u00e1 que tem se ocupado em outras frentes, como a conex\u00e3o do Brasil com outros pa\u00edses e a formula\u00e7\u00e3o do Instituto Rosana Paulino, que deve focar na forma\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de artistas e ganhar CNPJ nos pr\u00f3ximos anos \u2013, mas com muito otimismo e admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA gente est\u00e1 com um momento bem interessante onde est\u00e3o aparecendo muitos cr\u00edticos, cr\u00edticas de arte, curadoras, curadores, artistas, ent\u00e3o eles j\u00e1 est\u00e3o dando conta\u201d, afirma.\u00a0 \u201cEst\u00e1 entregue\u201d, brinca.<\/p>\n<p><strong>Protagonismo negro nas artes ainda est\u00e1 distante<\/strong><\/p>\n<p>\n\t\t<img decoding=\"async\" alt=\"Rosana veio a Fortaleza pela primeira vez para uma aula na Pinacoteca do Cear\u00e1.\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/rosana.jpeg\" loading=\"lazy\" width=\"1582\" height=\"1066\"\/><\/p>\n<p>\n\t\t\t\tLegenda:<br \/>\n\t\t\t\t Rosana veio a Fortaleza pela primeira vez para ministrar uma aula aberta na Pinacoteca.\n\t\t\t<\/p>\n<p>\n\t\t\t\tFoto:<br \/>\n\t\t\t\t Thiago Gadelha.\n\t\t\t<\/p>\n<\/p>\n<p>Apesar de acreditar com esperan\u00e7a em um cen\u00e1rio art\u00edstico e social mais potente e representativo, Rosana destaca que ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar em um momento de real protagonismo negro, nem nas artes visuais, nem na academia.<\/p>\n<p>\u201cA gente ainda t\u00e1 longe do protagonismo, muito longe, n\u00e3o tem nada ganho. Se a gente olhar que a popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 quase 60% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, t\u00e1 muito longe disso, n\u00e3o se\u00a0 chega a 30% ainda nas universidades \u2013 e geralmente nos cursos menos prestigiados\u201d, relembra.\u00a0<\/p>\n<p>Ainda que insuficientes, esses avan\u00e7os, destaca, t\u00eam sido fortemente repelidos por uma onda conservadora e \u201cabsolutamente brutal\u201d que tem pautado a pol\u00edtica no Brasil e no mundo. \u201cA rea\u00e7\u00e3o \u00e9 esperada, seria muita ingenuidade achar que n\u00e3o teria rea\u00e7\u00e3o. A diferen\u00e7a \u00e9 que agora n\u00f3s estamos olhando isso, respondendo\u201d, destaca. \u201cAgora as pessoas n\u00e3o est\u00e3o mais se calando\u201d.<\/p>\n<p>\t\t\t\t\t<script async src=\"\/\/www.instagram.com\/embed.js\"><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando come\u00e7ou a trabalhar com artes visuais, debru\u00e7ando-se sobre tecidos e fotografias para \u201csuturar\u201d quest\u00f5es sociais do Brasil,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":162865,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[34533,207,205,206,2397,203,201,202,204,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-162864","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-ana-beatriz-caldas","9":"tag-arte","10":"tag-arte-e-design","11":"tag-artedesign","12":"tag-artes-cultura-e-entretenimento","13":"tag-arts","14":"tag-arts-and-design","15":"tag-artsanddesign","16":"tag-design","17":"tag-entertainment","18":"tag-entretenimento","19":"tag-portugal","20":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115602225013983561","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162864"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162864\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/162865"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}