{"id":162879,"date":"2025-11-24T02:18:10","date_gmt":"2025-11-24T02:18:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/162879\/"},"modified":"2025-11-24T02:18:10","modified_gmt":"2025-11-24T02:18:10","slug":"arquitetos-chilenos-questionam-rumo-politico-da-construcao-de-centrais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/162879\/","title":{"rendered":"Arquitetos chilenos questionam \u201crumo pol\u00edtico\u201d da constru\u00e7\u00e3o de centrais"},"content":{"rendered":"<p>O ciclo Campo Aberto reuniu esta quinta-feira, na Galeria Antec\u00e2mara, em Lisboa, os arquitetos chilenos Alejandra Celed\u00f3n e Pedro Alonso numa conversa que, de acordo com o promotor do col\u00f3quio e cofundador do ateli\u00ea Campo Arquitetura, Eduardo Corales, explorou os cruzamentos entre arquitetura, infraestruturas energ\u00e9ticas e territ\u00f3rio. Num momento em que duas centrais fotovoltaicas &#8211; Sophia e Beira &#8211; est\u00e3o a ser alvo de aten\u00e7\u00e3o de figuras p\u00fablicas, como a pianista Maria Jo\u00e3o Pires, que acusa os megaprojetos energ\u00e9ticos de \u201cecoc\u00eddio\u201d e \u201cretrocesso\u201d, o tema foi um dos abordados na conversa.<\/p>\n<p>Questionado sobre a pol\u00e9mica em torno dos megaprojetos Sophia e Beira, Corales \u00e9 perent\u00f3rio: \u201c<strong>\u00c9 um tema onde a arquitetura deveria tomar palco<\/strong>\u201d. <\/p>\n<p>Para o arquiteto, o problema n\u00e3o est\u00e1 na tecnologia, mas na forma como \u00e9 implementada, tendo em conta que \u201c<strong>muitas infraestruturas renov\u00e1veis transitam rapidamente de energia verde para uma cor muito mais escura, porque a sua implanta\u00e7\u00e3o ignora o territ\u00f3rio, o solo e as comunidades<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Corales compara o momento atual \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das barragens portuguesas no Estado Novo, que estudou no \u00e2mbito do seu doutoramento no Iscte, e sublinha que este \u00e9 um tema no qual a arquitetura deve participar, porque, destaca, \u201cest\u00e1 a acontecer um ciclo que j\u00e1 aconteceu h\u00e1 50 anos e que tem rela\u00e7\u00e3o com a obsolesc\u00eancia das energias chamadas renov\u00e1veis, n\u00e3o pela pr\u00f3pria tecnologia como tal, mas sim pela ind\u00fastria que est\u00e1 por tr\u00e1s\u201d. <\/p>\n<p>Sobre as barragens, o arquiteto que mora em Portugal h\u00e1 nove anos, lembra que, entre os \u201canos 30 e 40 tiveram uma \u00e9poca de gl\u00f3ria\u201d, no per\u00edodo do Estado Novo, por\u00e9m, \u201c<strong>muitas das infraestruturas hidroel\u00e9tricas implementadas na altura tiveram n\u00e3o s\u00f3 uma face que procurava uma efici\u00eancia em termos de produ\u00e7\u00e3o de energia barata<\/strong>\u201d para abastecer a ind\u00fastria, \u201c<strong>mas tamb\u00e9m respondia a uma tecnocracia muito pronunciada em termos de aplicar crit\u00e9rios t\u00e9cnicos sobre crit\u00e9rios ecol\u00f3gicos e de produ\u00e7\u00e3o sobre qualquer outro<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Sobre o caso das centrais solares, alerta para a tend\u00eancia de ocupar grandes extens\u00f5es de terreno, defendendo que \u201c<strong>h\u00e1 alternativas<\/strong>\u201d, com uma proposta: \u201c<strong>Por que n\u00e3o pensar a energia solar em rede, distribu\u00edda por tetos urbanos ou estufas agr\u00edcolas, em vez de concentrada num \u00fanico campo que transforma por completo uma paisagem?<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Da geografia \u00e0 pr\u00e1tica, o que o Chile pode ensinar a Portugal<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o intensa entre arquitetura e territ\u00f3rio \u00e9, para Corales, uma das raz\u00f5es pelas quais a produ\u00e7\u00e3o chilena ganhou proje\u00e7\u00e3o global. \u201c<strong>A nossa refer\u00eancia visual \u00e9 a paisagem<\/strong>. O Chile \u00e9 extremamente diverso e desafiante &#8211; do deserto mais seco do mundo ao sul h\u00famido e s\u00edsmico. Isso treina-nos a olhar para o territ\u00f3rio como mat\u00e9ria-prima de pensamento\u201d.<\/p>\n<p>Um dos exemplos que ser\u00e1 discutido no ciclo \u00e9 o projeto Ecofolis, desenvolvido por Pedro Alonso a partir da investiga\u00e7\u00e3o Deserta, no deserto Atacama. \u201c<strong>Trata-se de pensar a unidade m\u00ednima de habita\u00e7\u00e3o no pior contexto poss\u00edvel. Se funciona ali, pode ser replicada noutros lugares<\/strong>\u201d, explica. <\/p>\n<p>Corales acredita que esta experi\u00eancia pode servir de inspira\u00e7\u00e3o em Portugal: \u201c<strong>Um dos objetivos de Campo Aberto \u00e9 justamente essa transfer\u00eancia de conhecimento para a comunidade local<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Sintoma de um sistema doente<\/p>\n<p>Embora o ciclo n\u00e3o aborde diretamente a crise da habita\u00e7\u00e3o, o tema \u00e9 inevit\u00e1vel. Para Corales, a habita\u00e7\u00e3o \u201c<strong>\u00e9 um sintoma de um sistema doente que n\u00e3o d\u00e1 resposta a um dos mandatos b\u00e1sicos da arquitetura, que \u00e9 dar um teto para algu\u00e9m poder viver<\/strong>\u201d.<\/p>\n<p>Portanto, conclui o arquiteto, este \u201c<strong>\u00e9 um problema pol\u00edtico<\/strong> e a arquitetura\u201d n\u00e3o tem agora \u201cas ferramentas para torcer o bra\u00e7o \u00e0quela vontade pol\u00edtica e econ\u00f3mica que apresenta o desafio de ter habita\u00e7\u00e3o acess\u00edvel digna para todos\u201d. <\/p>\n<p>\u201c<strong>A crise n\u00e3o \u00e9 arquitet\u00f3nica, \u00e9 pol\u00edtica. N\u00e3o faltam casas &#8211; faltam casas acess\u00edveis. \u00c9 uma quest\u00e3o de gest\u00e3o e de vontade<\/strong>\u201d, defende.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O ciclo Campo Aberto reuniu esta quinta-feira, na Galeria Antec\u00e2mara, em Lisboa, os arquitetos chilenos Alejandra Celed\u00f3n e&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":162880,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[304,207,205,206,203,201,202,34536,15520,315,204,306,114,115,32,33],"class_list":{"0":"post-162879","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arquitetura","9":"tag-arte","10":"tag-arte-e-design","11":"tag-artedesign","12":"tag-arts","13":"tag-arts-and-design","14":"tag-artsanddesign","15":"tag-central-fotovoltaica","16":"tag-chile","17":"tag-cultura","18":"tag-design","19":"tag-edicao-impressa","20":"tag-entertainment","21":"tag-entretenimento","22":"tag-portugal","23":"tag-pt"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115602279872414007","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162879\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/162880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}