{"id":162919,"date":"2025-11-24T03:26:11","date_gmt":"2025-11-24T03:26:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/162919\/"},"modified":"2025-11-24T03:26:11","modified_gmt":"2025-11-24T03:26:11","slug":"primeiro-liquen-conhecido-no-registro-fossil-ajudou-a-estruturar-ecossistemas-terrestres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/162919\/","title":{"rendered":"Primeiro l\u00edquen conhecido no registro f\u00f3ssil ajudou a estruturar ecossistemas terrestres"},"content":{"rendered":"<p>\n                                 Paleontologia\n                            <\/p>\n<p>                            Primeiro l\u00edquen conhecido no registro f\u00f3ssil ajudou a estruturar ecossistemas terrestres<\/p>\n<p class=\"summary\">Estudo confirma que a simbiose entre fungo e alga que dissolve rochas e estava distribu\u00edda amplamente pela Terra 410 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s ajudou a formar os primeiros solos<\/p>\n<p>\n                                 Paleontologia\n                            <\/p>\n<p>                                                        Primeiro l\u00edquen conhecido no registro f\u00f3ssil ajudou a estruturar ecossistemas terrestres<\/p>\n<p class=\"p-int-resumo summary \">Estudo confirma que a simbiose entre fungo e alga que dissolve rochas e estava distribu\u00edda amplamente pela Terra 410 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s ajudou a formar os primeiros solos<\/p>\n<p>                                <img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/56450.jpg\" class=\"img-fluid\" onclick=\"expand(56450,'files\/post\/56450.jpg',true)\"\/><\/p>\n<p class=\"Legenda\">Paleoarte apresenta a prov\u00e1vel apar\u00eancia do Spongiophyton (imagem: Julio Lacerda)<\/p>\n<p><strong>Andr\u00e9 Juli\u00e3o | Ag\u00eancia FAPESP<\/strong> \u2013 Um grupo de pesquisadores apoiado pela FAPESP confirmou, pela primeira vez em alto grau de detalhe, a identidade dos primeiros liquens que habitaram a Terra, o Spongiophyton, cerca de 410 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Simbiose entre fungo e alga, hoje bastante comuns em troncos de \u00e1rvores e telhados, por exemplo, os liquens s\u00e3o apontados como alguns dos respons\u00e1veis pela estrutura\u00e7\u00e3o dos ecossistemas terrestres, uma vez que dissolvem rochas e possivelmente ajudaram a formar os primeiros solos.<\/p>\n<p>O estudo foi <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adw7879\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>publicado<\/strong><\/a> na revista Science Advances, como destaque de capa, por pesquisadores de 19 institui\u00e7\u00f5es, incluindo a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).<\/p>\n<p>\u201cEsse organismo \u00e9 bastante presente no registro f\u00f3ssil e sempre houve controv\u00e9rsia se seria um fungo, uma planta ou um l\u00edquen. Gra\u00e7as a algumas linhas de luz do Sirius [fonte de luz s\u00edncrotron de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o do CNPEM], aliadas a outras t\u00e9cnicas, pudemos visualizar estruturas que permitem afirmar, com bastante seguran\u00e7a, que se trata do primeiro l\u00edquen conhecido a habitar a Terra\u201d, conta <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/683119\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Bruno Becker-Kerber<\/strong><\/a>, primeiro autor do estudo, realizado durante p\u00f3s-doutorado no Instituto de Geoci\u00eancias (IGc) da USP e no CNPEM com <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/197629\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>bolsa<\/strong><\/a> da FAPESP.<\/p>\n<p>As diferentes linhas de luz utilizadas no estudo permitiram obter imagens em escalas microm\u00e9trica e nanom\u00e9trica, inclusive em tr\u00eas dimens\u00f5es. Um nan\u00f4metro \u00e9 equivalente a um mil\u00edmetro dividido por um milh\u00e3o de vezes. No trabalho, obteve-se uma resolu\u00e7\u00e3o de 170 nan\u00f4metros. Dessa forma, foi poss\u00edvel visualizar a presen\u00e7a de poss\u00edveis estruturas reprodutivas, redes de hifas (filamentos que comp\u00f5em o corpo de fungos multicelulares) e c\u00e9lulas de algas, o que seriam fortes ind\u00edcios para caracterizar um l\u00edquen.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/abre-pe1.jpg\" style=\"height:509px; width:800px\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nImagem na escala de 50 micr\u00f4metros (0,05 mil\u00edmetros) mostra c\u00e9lulas esf\u00e9ricas de alga, parte das estruturas necess\u00e1rias para caracterizar um l\u00edquen (foto: Bruno Becker-Kerber)<\/p>\n<p>As an\u00e1lises permitiram ainda detectar a presen\u00e7a de c\u00e1lcio, compostos nitrogenados e lip\u00eddios, descartando a possibilidade de se tratar de uma planta. \u201cO material mais resistente nas plantas n\u00e3o vasculares \u00e9 a celulose. Liquens, por sua vez, s\u00e3o compostos de quitina, mesmo material que forma a casca dos insetos. A quitina \u00e9 carregada de nitrog\u00eanio. Quando analisamos o Spongiophyton, detectamos um sinal muito forte de nitrog\u00eanio nunca antes visto. Raramente se tem uma evid\u00eancia t\u00e3o robusta quanto essa\u201d, comenta Jochen Brocks, coautor do estudo e professor da Universidade Nacional da Austr\u00e1lia, em um comunicado \u00e0 imprensa.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foram identificadas micropart\u00edculas de c\u00e1lcio compat\u00edveis com minerais produzidos por liquens atuais como forma de prote\u00e7\u00e3o solar, uma evid\u00eancia in\u00e9dita em f\u00f3sseis t\u00e3o antigos.<\/p>\n<p>Para outra coautora, <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/66590\/\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\"><strong>Nathaly Archilha<\/strong><\/a>, pesquisadora do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS) do CNPEM, o trabalho mostra a import\u00e2ncia de combinar m\u00e9todos tradicionais com t\u00e9cnicas de ponta. \u201cAs medi\u00e7\u00f5es nos guiaram para regi\u00f5es-chave dos f\u00f3sseis e conseguimos obter imagens em escala nanom\u00e9trica que revelaram as complexas redes de fungos e algas que definem o Spongiophyton como um verdadeiro l\u00edquen\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Pai e filho<\/strong><\/p>\n<p>Becker-Kerber obteve o f\u00f3ssil em 2021 numa pedreira no munic\u00edpio de Rio Verde de Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, seu estado natal. Na \u00e9poca em que realizava mestrado no IGc-USP, o pesquisador tinha o costume de ir a campo com o pai entusiasta de paleontologia, Gilmar Kerber, hoje aposentado do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e doutorando em biologia animal na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1763954771_482_abre-meio.jpg\" style=\"height:450px; width:760px\"\/><br \/>&#13;<br \/>\n\u00c0 esq., pesquisador Bruno Becker-Kerber segura amostra de rocha onde f\u00f3ssil foi encontrado. \u00c0 dir., o f\u00f3ssil no formato em que habitou a Terra (foto: acervo pessoal)<\/p>\n<p>\u201cCada f\u00f3ssil \u00e9 uma janela para o passado. Este, em especial, mostrou uma nova vis\u00e3o sobre como a vida conquistou o ambiente terrestre\u201d, diz Kerber, o pai.<\/p>\n<p>\u201cPedreiras s\u00e3o grandes fontes de material para os paleont\u00f3logos. Meu pai martelou uma pedra e, quando ela se abriu, percebi que tinha algo in\u00e9dito para aquela regi\u00e3o\u201d, conta Becker-Kerber, o filho, atualmente realizando p\u00f3s-doutorado na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Imediatamente, conta, ele embalou o material em papel-alum\u00ednio esterilizado, a fim de reduzir as chances de contamina\u00e7\u00e3o com materiais e microrganismos do ambiente. Esse procedimento possibilita que os pesquisadores fa\u00e7am an\u00e1lises sens\u00edveis, como a identifica\u00e7\u00e3o de biomarcadores moleculares.<\/p>\n<p>O estudo sugere que os primeiros liquens surgiram naquela regi\u00e3o, no que eram partes frias do antigo supercontinente Gondwana, hoje correspondente \u00e0 Am\u00e9rica do Sul e \u00e0 \u00c1frica. Os resultados indicam ainda que eles n\u00e3o eram organismos marginais, vivendo apenas em condi\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas, como j\u00e1 foi sugerido, mas pioneiros na transforma\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie do planeta, atuando na transi\u00e7\u00e3o da vida da \u00e1gua para a terra.<\/p>\n<p>\u201cObservamos ainda hoje como os liquens alteraram substratos rochosos, dissolvendo rochas, al\u00e9m de produzirem biomassa usada por plantas e animais. Esse papel seria ainda maior naquele per\u00edodo, tendo possibilitado o surgimento dos ecossistemas complexos que temos hoje, como florestas e campos\u201d, encerra Becker-Kerber.<\/p>\n<p style=\"text-align:center\"><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/pe.jpg\" style=\"height:450px; width:355px\"\/><br \/>&#13;<br \/>\nCapa da revista Science Advances com destaque para o artigo (imagem: reprodu\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>O artigo The rise of lichens during the colonization of terrestrial environments pode ser lido em: <strong><a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adw7879\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">science.org\/doi\/10.1126\/sciadv.adw7879<\/a>.<\/strong><br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Paleontologia Primeiro l\u00edquen conhecido no registro f\u00f3ssil ajudou a estruturar ecossistemas terrestres Estudo confirma que a simbiose entre&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":162920,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86],"tags":[34539,9421,116,6951,32,33,34540,117,3064],"class_list":{"0":"post-162919","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-saude","8":"tag-cnpem","9":"tag-fosseis","10":"tag-health","11":"tag-paleontologia","12":"tag-portugal","13":"tag-pt","14":"tag-radiacao-sincrotron","15":"tag-saude","16":"tag-usp"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115602547763053594","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162919"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162919\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/162920"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}