{"id":165066,"date":"2025-11-25T19:09:46","date_gmt":"2025-11-25T19:09:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/165066\/"},"modified":"2025-11-25T19:09:46","modified_gmt":"2025-11-25T19:09:46","slug":"numa-sessao-tensa-e-com-troca-de-flores-marcelo-faz-apelo-ao-equilibrio-no-25-de-novembro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/165066\/","title":{"rendered":"Numa sess\u00e3o tensa e com troca de flores, Marcelo faz apelo ao &#8220;equil\u00edbrio&#8221; no 25 de Novembro"},"content":{"rendered":"<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"inread\">Como j\u00e1 tem sido seu h\u00e1bito, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou mais uma sess\u00e3o solene, desta vez do 25 de Novembro, para dar uma aula de Hist\u00f3ria. Foi preciso recuar 600 anos e parafrasear uma carta escrita pelo rei D. Pedro para lembrar a &#8220;temperan\u00e7a, o equil\u00edbrio e a modera\u00e7\u00e3o&#8221; dos portugueses. &#8220;Entre o risco da viol\u00eancia e a temperan\u00e7a, no 25 de Novembro, venceu a temperan\u00e7a&#8221;, referiu perante os deputados, na sess\u00e3o solene, no Parlamento, esta ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>&#8220;Com o Portugal de h\u00e1 50 anos ou de hoje \u00e9 f\u00e1cil de entender. Muitos dos problemas de ent\u00e3o s\u00e3o ainda vistos h\u00e1 meio s\u00e9culo ou hoje. Mas talvez ainda mais importante seja a temperan\u00e7a como virtude nacional. Apesar de tanta hist\u00f3ria de guerras naqueles primeiros quase tr\u00eas s\u00e9culos, pela independ\u00eancia, pela conquista do territ\u00f3rio, pelo poder interno, D. Pedro, que morreria \u00e0s m\u00e3os de um sobrinho, pensava que ainda assim a nossa grande virtude, que evitava o pior e nos unia pelo melhor, era a temperan\u00e7a&#8221;, apontou o presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>Foram v\u00e1rios os partidos pol\u00edticos que saudaram o papel de Ramalho Eanes, antigo presidente da Rep\u00fablica, no 25 de Novembro. Em diferentes momentos da sess\u00e3o solene, o antigo chefe de Estado, presente na cerim\u00f3nia, foi aplaudido pela Esquerda e a Direita. Marcelo Rebelo de Sousa lamentou que Eanes, primeiro presidente da Rep\u00fablica eleito em democracia, n\u00e3o tenha aceite ser marechal em vida, \u00e0 semelhan\u00e7a do que aconteceu com Costa Gomes e Sp\u00ednola. <strong>&#8220;A hist\u00f3ria da democracia portuguesa nunca conseguir\u00e1 explicar que a humildade do general Ramalho Eanes tenha impedido elevar ao marechalato&#8221;,<\/strong> declarou. O t\u00edtulo, a mais alta patente militar, foi recusado por Eanes em 2000.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro1\"><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"0843e0a7-62fd-415f-8a6c-7af7d9a13e4e\" src=\"https:\/\/static.ni.aws.newsgen.io\/jn\/image.webp?brand=JN&amp;type=generate&amp;guid=0843e0a7-62fd-415f-8a6c-7af7d9a13e4e&amp;t=202511251337000\" width=\"100%\"\/>Ramalho Eanes foi aplaudido v\u00e1rias vezes por diferentes bancadas<br \/>Foto: Andr\u00e9 Kosters\/Lusa<\/p>\n<p>Cr\u00edticas e cadeiras vazias<\/p>\n<p>Minutos antes, Aguiar Branco, presidente da Assembleia da Rep\u00fablica (AR), apelou ao sentido de responsabilidade dos partidos. &#8220;Sejamos melhores por eles&#8221;, afirmou, referindo-se aos estudantes de duas escolas presentes nas galerias da Assembleia da Rep\u00fablica. Apesar da tentativa de concilia\u00e7\u00e3o, o presidente da AR disse ainda assim ser &#8220;estranho&#8221; porque \u00e9 que uma data como o 25 de Novembro &#8220;divide&#8221; e \u00e9 &#8220;fraturante&#8221;. &#8220;Sou de Abril, sou de Novembro e sou hoje e sempre da democracia representativa&#8221;, salientou. Para Aguiar Branco,<strong> as &#8220;cr\u00edticas e cadeiras vazias s\u00e3o testemunho vivo da import\u00e2ncia da data hist\u00f3rica&#8221;<\/strong>.<\/p>\n<p>Tal como j\u00e1 tinha acontecido no ano passado, al\u00e9m do PCP, alguns dos mais importantes militares envolvidos no 25 de Novembro e que fizeram parte do chamado &#8220;Grupo dos Nove&#8221;, como Vasco Louren\u00e7o, estiveram ausentes da cerim\u00f3nia. A associa\u00e7\u00e3o 25 de Abril, presidida por Vasco Louren\u00e7o, critica a sess\u00e3o solene no Parlamento por considerar que est\u00e1 a ser feita uma &#8220;deturpa\u00e7\u00e3o&#8221; da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro2\">E se a divis\u00e3o entre os partidos pol\u00edticos sobre a interpreta\u00e7\u00e3o do 25 de Novembro foi aud\u00edvel nos discursos, tamb\u00e9m o foi nas flores. Paulo N\u00fancio (CDS) e Andr\u00e9 Ventura (Chega) taparam ou retiraram, respetivamente, os cravos vermelhos, s\u00edmbolo do 25 de Abril, deixados no p\u00falpito por Jorge Pinto (Livre) e por Mariana Mort\u00e1gua (BE). Todo o Parlamento estava decorado com rosas brancas. V\u00e1rios deputados do PS usaram cravos vermelhos na lapela. Tamb\u00e9m In\u00eas Sousa Real do PAN discursou com a flor s\u00edmbolo do 25 de Abril.<\/p>\n<p>Cravos vermelhos e rosas brancas<\/p>\n<p>Quando chegou ao p\u00falpito, Pedro Alves, deputado do PSD, voltou a colocar os cravos junto das rosas e afirmou que &#8220;o dia \u00e9 de todos&#8221;. O social-democrata afirmou que em Abril &#8220;todos foram pela liberdade&#8221;, mas em Novembro, &#8220;apenas alguns foram pela democracia&#8221;. &#8220;Os democratas venceram e a suprema ironia \u00e9 que os revolucion\u00e1rios de ontem s\u00e3o hoje burgueses reacion\u00e1rios. <strong>Os democratas venceram e perdoaram e amnistiaram<\/strong>, mas n\u00e3o esquecem. Tivessem eles vencido e estar\u00edamos no Campo Pequeno&#8221;, disse Pedro Alves.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"b90e345e-dd3f-411b-b632-b6e258b76fa5\" src=\"https:\/\/static.ni.aws.newsgen.io\/jn\/image.webp?brand=JN&amp;type=generate&amp;guid=b90e345e-dd3f-411b-b632-b6e258b76fa5&amp;t=202511251359077\" width=\"100%\"\/><br \/>Pedro Alves (PSD) voltou a colocar os cravos junto \u00e0s rosas<br \/>Foto: Andr\u00e9 Kosters\/Lusa<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro3\">A refer\u00eancia \u00e9 a uma frase de junho de 1975, dita por Otelo Saraiva de Carvalho, militar de Abril, que causou pol\u00e9mica. Eleito naquele m\u00eas e ano como comandante do COPCON (Comando Operacional do Continente), afirmou que colocaria os contra-revolucion\u00e1rios &#8220;todos no Campo Pequeno&#8221;.<\/p>\n<p>Marcos Perestrello (PS) referiu que &#8220;a comemora\u00e7\u00e3o do 25 de Novembro \u00e9 insepar\u00e1vel do 25 de Abril&#8221;. &#8220;Neste tempo sombrio em que a mentira \u00e9 usada como ataque \u00e0 democracia, os democratas n\u00e3o podem compactuar com estes m\u00e9todos&#8221;, disse. O socialista deixou ainda cr\u00edticas ao Governo, por &#8220;comemorar o 25 de Novembro nos termos e nos modos em que o faz&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A maneira ileg\u00edtima como o Governo, com a maioria que o apoia, quer apropriar-se do 25 de Novembro, instrumentalizando-o, constitui mais uma a\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o \u00e0 extrema-direita saudosista, que, na verdade, o que quer \u00e9 encontrar um pretexto para negar o 25 de Abril, a sua proemin\u00eancia, o seu lugar cimeiro, fundamental e incompar\u00e1vel, que fechou o ciclo de 48 anos de ditadura.<strong> \u00c9 um plano comemorativo que acaba por resultar contra o pr\u00f3prio 25 de Novembro, falseando o que ele foi e representou<\/strong>, maculando o seu esp\u00edrito e a sua mem\u00f3ria, deturpando o seu des\u00edgnio e o seu significado&#8221;, apontou Marcos Perestrello.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro4\">Durante o discurso do PS, que ter\u00e1 uma evoca\u00e7\u00e3o dos 50 anos da data hist\u00f3rica, esta ter\u00e7a-feira \u00e0 noite, no Largo do Rato, o primeiro-ministro Lu\u00eds Montenegro reagiu e acenou, v\u00e1rias vezes, que &#8220;n\u00e3o&#8221; com a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"4f9b3ea8-cece-4a4c-8b14-97c2d3fd04ef\" src=\"https:\/\/static.ni.aws.newsgen.io\/jn\/image.webp?brand=JN&amp;type=generate&amp;guid=4f9b3ea8-cece-4a4c-8b14-97c2d3fd04ef&amp;t=2025112514072828\" width=\"100%\"\/><br \/>Lu\u00eds Montenegro reagiu ao discurso do PS na sess\u00e3o solene<br \/>Foto: Andr\u00e9 Kosters\/Lusa<\/p>\n<p>J\u00e1 Andr\u00e9 Ventura, presidente do Chega e candidato a Bel\u00e9m, aproveitou a cerim\u00f3nia para criticar Marcelo Rebelo de Sousa. No seu discurso, o deputado voltou a criticar o presidente da Rep\u00fablica por estar presente na cerim\u00f3nia dos 50 anos de independ\u00eancia de Angola. &#8220;Ao ficar calado perante a ignom\u00ednia, a amea\u00e7a e a categoriza\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds inteiro com nove s\u00e9culos de hist\u00f3ria, foi indigno da posi\u00e7\u00e3o que tem e traiu os portugueses, os atuais e os passados&#8221;, apontou, virando-se para o chefe de Estado. Alguns deputados socialistas sa\u00edram durante a interven\u00e7\u00e3o de Ventura e voltaram a entrar no momento do discurso do PSD.<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro5\">Mariana Leit\u00e3o, da Iniciativa Liberal, defendeu que o 25 de Novembro \u00e9 &#8220;um apelo claro \u00e0 defesa de todas as liberdades&#8221;, quando em 1975 o pa\u00eds estava &#8220;sequestrado&#8221; por uma &#8220;uma nova ideologia&#8221;, que o queria transformar numa &#8220;deriva totalit\u00e1ria&#8221;. Paulo N\u00fancio (CDS) apontou que o 25 de Novembro &#8220;impediu que Portugal se transformasse na Cuba do Ocidente&#8221;.<\/p>\n<p>Revisitar o passado<\/p>\n<p>J\u00e1 Jorge Pinto (Livre) lembrou v\u00e1rias frases do Documento dos Nove, um manifesto dos militares moderados para a constitui\u00e7\u00e3o de uma democracia pluralista. <strong>&#8220;N\u00e3o contem com Livre para alimentar uma guerra cultural&#8221;,<\/strong> disse o deputado, que considerou que as cerim\u00f3nias do 25 de Novembro querem &#8220;revisitar o passado para moldar o futuro&#8221;.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"ngx-body\" guid=\"037a01cc-80c3-41b4-bd71-d62a4cfc668f\" src=\"https:\/\/static.ni.aws.newsgen.io\/jn\/image.webp?brand=JN&amp;type=generate&amp;guid=037a01cc-80c3-41b4-bd71-d62a4cfc668f&amp;t=2025112514334545\" width=\"100%\"\/><br \/>Jorge Pinto (Livre) foi um dos que deixou um cravo vermelho junto ao p\u00falpito<br \/>Foto: Andr\u00e9 Kosters\/Lusa<\/p>\n<p data-remotead-prev-elm=\"true\" data-remotead-elm-id=\"centro6\">Mariana Mort\u00e1gua (BE) apontou que a Direita &#8220;despertou cobardemente meio s\u00e9culo&#8221; e lembrou que a &#8220;democracia n\u00e3o \u00e9 um mero funcionamento administrativo&#8221;. Para a deputada bloquista, a &#8220;\u00fanica manifesta\u00e7\u00e3o que importa \u00e9 da elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra as mulheres&#8221;, com protestos marcados, esta ter\u00e7a-feira, em v\u00e1rias cidades portuguesas.<\/p>\n<p>In\u00eas Sousa Real disse que Novembro de 1975 tem sido &#8220;usado como arma de arremesso&#8221; e criticou o Governo por gastar &#8220;milhares de euros em paradas militares&#8221;, como a que ocorreu horas antes na Pra\u00e7a do Com\u00e9rcio, em Lisboa. Filipe Sousa do Juntos pelo Povo (JPP) declarou que h\u00e1 hoje quem<strong> &#8220;continua a alimentar \u00f3dios e inimigos externos como se a democracia fosse uma trincheira&#8221;<\/strong>. &#8220;Portugal merece mais&#8221;, salientou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Como j\u00e1 tem sido seu h\u00e1bito, Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou mais uma sess\u00e3o solene, desta vez do&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":165067,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[23642,27,28,15,16,14,25,26,21,22,619,12,13,19,20,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-165066","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-25-de-novembro","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-nacional","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-portugal","24":"tag-principais-noticias","25":"tag-principaisnoticias","26":"tag-pt","27":"tag-top-stories","28":"tag-topstories","29":"tag-ultimas","30":"tag-ultimas-noticias","31":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115611918096415500","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165066","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=165066"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165066\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/165067"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=165066"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=165066"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=165066"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}