{"id":165576,"date":"2025-11-26T09:14:09","date_gmt":"2025-11-26T09:14:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/165576\/"},"modified":"2025-11-26T09:14:09","modified_gmt":"2025-11-26T09:14:09","slug":"deposito-de-garrafas-recebido-em-voucher-dinheiro-ou-cartao-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/165576\/","title":{"rendered":"Dep\u00f3sito de garrafas recebido em voucher, dinheiro ou cart\u00e3o \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Nas contas da SDR Portugal, cerca de 85% das garrafas consumidas em Portugal ser\u00e3o devolvidas aos retalhistas, sendo que metade do consumo ser\u00e1 proveniente do canal Horeca, ou seja, dos restaurantes e hot\u00e9is. Essa \u00e9, ali\u00e1s, uma das especificidades do mercado portugu\u00eas. \u201cO sul da Europa tem caracter\u00edsticas diferentes, tem muitos caf\u00e9s e hot\u00e9is. No total, vamos relacionar-nos com cerca de 90 mil entidades. E a grande dificuldade vai ser gerir o canal Horeca\u201d, diz Leonardo Mathias. Espanha, que vai implementar o seu sistema em 2028, \u201cj\u00e1 est\u00e1 a olhar para n\u00f3s e a ligar-nos\u201d, porque tem um mercado com caracter\u00edsticas semelhantes, tal como Fran\u00e7a e It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Isto acarreta um custo extra para os grandes retalhistas, ressalva Gon\u00e7alo Lobo Xavier, que t\u00eam de devolver dinheiro de embalagens que n\u00e3o venderam. Por isso \u00e9 que est\u00e1 prevista uma compensa\u00e7\u00e3o aos retalhistas por cada embalagem recolhida. \u00c9 um mecanismo \u201cde alguma complexidade tecnol\u00f3gica\u201d, reconhece o porta-voz da APED, mas que vai chegar ao consumidor j\u00e1 com tudo \u201cestudado e acautelado\u201d. \u201cSe uma garrafa que hoje custa um euro vai passar a custar 1,20 euros [valor exemplificativo], esses 20 c\u00eantimos t\u00eam que ser devolvidos. Se a loja que devolver esses 20 c\u00eantimos n\u00e3o for a loja que vendeu a garrafa, vai ter de receber os 20 c\u00eantimos da loja que a vendeu. Tem que haver um mecanismo informatizado para ir buscar os 20 c\u00eantimos \u00e0 loja que a vendeu\u201d. Ou seja, todas as garrafas e o respetivo valor de dep\u00f3sito <strong>v\u00e3o ser rastre\u00e1veis<\/strong>, para que n\u00e3o haja desequil\u00edbrios financeiros.<\/p>\n<p>Da\u00ed que a APED, acrescenta Gon\u00e7alo Lobo Xavier, tenha feito um \u201cesfor\u00e7o muito grande para incentivar os retalhistas a organizarem-se \u00e0 volta da SDRetalhistas\u201d, a estrutura que representa o setor neste sistema, e que vale mais de 80% da quota do retalho alimentar em Portugal. \u201cO mecanismo fica assim muito mais facilitado\u201d, porque est\u00e3o quase todos inscritos no mesmo sistema, constata o diretor-geral da APED.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m poder\u00e1 ganhar, por outro lado, com mais pessoas nas lojas, aponta Leonardo Mathias. \u00c9 isso que revela a experi\u00eancia dos outros pa\u00edses. \u201cUma entidade que recolha bastantes destas unidades geralmente tem um aumento de tr\u00e1fico dentro de loja. Portanto, isto pode ser um atrativo\u201d, al\u00e9m do custo. Al\u00e9m de ser \u201cuma oportunidade de moderniza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e de refor\u00e7o da rela\u00e7\u00e3o com o consumidor\u201d.<\/p>\n<p>Com este tipo de recolha mais seletiva, garante-se que as garrafas e latas podem voltar a ser garrafas e latas de forma mais eficaz do que acontece atualmente com as embalagens que v\u00e3o para o ecoponto amarelo, onde v\u00e3o misturadas com todo o tipo de pl\u00e1sticos. \u201cAp\u00f3s a devolu\u00e7\u00e3o das embalagens, elas s\u00e3o recolhidas e transportadas para centros de contagem e triagem. Asseguramos que o material segue para a reciclagem, que vai ser uma reciclagem de alta qualidade, na medida em que vai poder produzir nova mat\u00e9ria-prima, portanto isto \u00e9 verdadeira economia circular\u201d, diz Leonardo Mathias.<\/p>\n<p>A SDR tem atualmente abertos dois concursos para a contrata\u00e7\u00e3o de operadores de contagem e triagem, um para a zona\u00a0Centro\/Sul, \u201ccom localiza\u00e7\u00e3o preferencial nos munic\u00edpios inclu\u00eddos nas subregi\u00f5es administrativas localizadas a norte da \u00c1rea Metropolitana de Lisboa\u201d, e outro para o Norte\/Centro, \u201ccom localiza\u00e7\u00e3o preferencial nos munic\u00edpios inclu\u00eddos nas subregi\u00f5es administrativas localizadas a norte da \u00c1rea Metropolitana do Porto\u201d.<\/p>\n<p>Leonardo Mathias diz que gostava de conseguir operar toda a cadeia de valor dentro da SDR Portugal, mas isso n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Esta parte da opera\u00e7\u00e3o tem de ser assegurada por operadores de gest\u00e3o de res\u00edduos, e a SDR n\u00e3o tem essa licen\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 a recolha das garrafas poder\u00e1 ser feita de duas formas. Por um lado pela chamada \u201clog\u00edstica inversa\u201d, que se aplica a quem j\u00e1 \u00e9 distribuidor de garrafas, e que poder\u00e1 recolher as vazias quando vai entregar embalagens novas. A SDR Portugal acredita que 25% do canal Horeca vai funcionar assim. A alternativa \u00e9 a log\u00edstica dedicada, em que as garrafas s\u00e3o recolhidas por operadores especializados. Uma parte desta opera\u00e7\u00e3o j\u00e1 existe, mas \u201cpode ser expandido, tornado espec\u00edfico e podem ser formadas rotas novas de recolha e distribui\u00e7\u00e3o\u201d, explica Leonardo Mathias.<\/p>\n<p>O sistema vai ser implementado j\u00e1 com a aprendizagem de um projeto piloto que decorreu entre 2020 e 2022 em 23 supermercados espalhados pelo pa\u00eds. Na altura foi posto em marcha pela APED e pela APIAM (Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa dos Industriais de \u00c1guas Minerais Naturais e de Nascente) e financiado pelo Fundo Ambiental, e o que se pedia aos consumidores era que, justamente, levassem \u00e0s m\u00e1quinas de recolha autom\u00e1tica as garrafas vazias para serem recicladas. \u201cFoi para testarmos a validade do conceito, a forma\u00e7\u00e3o que era necess\u00e1ria dar os colaboradores e para percebermos se isto realmente mudava o comportamento do consumidor\u201d, explica Gon\u00e7alo Lobo Xavier.<\/p>\n<p>O projeto foi \u201cum sucesso\u201d, lembra o respons\u00e1vel. Foram recolhidas quase 19 milh\u00f5es de garrafas de pl\u00e1stico, cerca de 800 por dia em cada m\u00e1quina, em m\u00e9dia. E foi de tal forma um sucesso que os retalhistas come\u00e7aram a verificar alguma \u201ccriatividade\u201d por parte dos consumidores. \u201cPor exemplo, em v\u00e1rias zonas do pa\u00eds, percebemos que havia fam\u00edlias que se especializaram na recolha\u201d de embalagens. \u201cE isto, num certo sentido, at\u00e9 foi bom, porque verific\u00e1mos que muita gente se organizou para recolher essas garrafas\u201d em locais como praias, por exemplo, \u201ce para usufruir do desconto e do tal\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O sistema aceitava qualquer garrafa de bebida de pl\u00e1stico n\u00e3o reutiliz\u00e1vel, com tampa e r\u00f3tulo intacto. As garrafas deviam ser colocadas na m\u00e1quina com a base virada para o interior. Numa primeira fase, era emitido um tal\u00e3o com um valor que podia ser descontado em compras. Quando o or\u00e7amento do projeto esgotou, passaram a ser emitidos pontos que podiam ser descontados apenas em bens como trotinetas ou bicicletas el\u00e9tricas. <strong>Sem o pr\u00e9mio monet\u00e1rio, o interesse dos consumidores caiu.<\/strong><\/p>\n<p>Essa tamb\u00e9m foi uma das aprendizagens do projeto piloto, que permitiu perceber que \u201cas pessoas s\u00e3o sens\u00edveis se houver esta compensa\u00e7\u00e3o financeira\u201d. Isto porque o governo da altura ainda estava a estudar outras hip\u00f3teses de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTivemos dezenas de situa\u00e7\u00f5es em que as pessoas vinham com os sacos com as garrafas e diziam, \u2018ah j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 dinheiro? Ent\u00e3o deixo isto aqui\u2019. A opera\u00e7\u00e3o nas lojas foi uma loucura\u201d, lembra o diretor-geral da APED. Um sistema destes \u201cimplica uma opera\u00e7\u00e3o muito grande, de limpeza, etc, porque as pessoas nem sempre t\u00eam cuidado. Por isso foi importante ter este projeto piloto, para tirarmos li\u00e7\u00f5es, e agora j\u00e1 estamos preparados para o que a\u00ed vem\u201d, garante.<\/p>\n<p>At\u00e9 para poss\u00edveis fraudes. Tamb\u00e9m aqui, confessa Gon\u00e7alo Lobo Xavier, houve \u201ccriatividade\u201d por parte dos portugueses. Durante o projeto piloto, apareciam nas m\u00e1quinas objetos com formas semelhantes \u00e0s de garrafas, com fotoc\u00f3pias de c\u00f3digos de barras coladas, para enganar as m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>Para que isso n\u00e3o volte a acontecer, as m\u00e1quinas que v\u00e3o chegar \u00e0s lojas a partir de abril ser\u00e3o \u00e0 prova de fraude. Al\u00e9m de lerem os c\u00f3digos de barras ter\u00e3o tamb\u00e9m, por exemplo, sensores para perceber o peso e os materiais da embalagem. \u201cUma das nossas prioridades \u00e9 a preven\u00e7\u00e3o de fraudes\u201d, garante Leonardo Mathias. Vai haver uma \u201crastreabilidade digital completa, com auditorias internas sobre as quantidades declaradas no mercado e as recolhidas\u201d. E os algoritmos anti-fraude v\u00e3o detetar automaticamente \u201cpadr\u00f5es an\u00f3malos, devolu\u00e7\u00f5es repetidas, embalagens ileg\u00edtimas, duplica\u00e7\u00f5es, irregularidades geogr\u00e1ficas\u2026\u201d. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel garantir que o sistema \u00e9 100% infal\u00edvel, ressalva Leonardo Mathias, mas \u201co investimento em tecnologias de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 de tal forma robusto que acho que s\u00f3 atrav\u00e9s de um hacking, e mesmo assim\u2026\u201d. Segundo a SDR Portugal, est\u00e3o previstas \u201cpenaliza\u00e7\u00f5es financeiras significativas\u201d para poss\u00edveis \u201ccomportamentos fraudulentos\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 qualquer garrafa que pode ser colocada nas m\u00e1quinas. N\u00e3o vale a pena come\u00e7ar a acumular j\u00e1 garrafas em casa para depois trocar por dinheiro, porque as embalagens abrangidas pelo SDR ter\u00e3o uma s\u00e9rie de especifica\u00e7\u00f5es. Desde logo, estar\u00e3o marcadas com um s\u00edmbolo, um c\u00edrculo com uma seta e a palavra \u201cvolta\u201d, que ser\u00e1 colocado junto ao c\u00f3digo de barras. Esta marca\u00e7\u00e3o ser\u00e1 da responsabilidade dos embaladores de bebidas e \u00e9 obrigat\u00f3ria. E tamb\u00e9m ser\u00e1 uma forma de combater poss\u00edveis fraudes. Vai haver um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o de 120 dias na distribui\u00e7\u00e3o e no canal Horeca em que v\u00e3o coexistir no mercado garrafas com e sem o s\u00edmbolo SDR. Mas nas m\u00e1quinas e pontos de recolha a regra \u00e9 a mesma: \u201ca garrafa ou tem os c\u00f3digos ou n\u00e3o entra\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Nas contas da SDR Portugal, cerca de 85% das garrafas consumidas em Portugal ser\u00e3o devolvidas aos retalhistas, sendo&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":165577,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[83],"tags":[964,88,442,7233,476,89,90,7269,32,33,11566,31144],"class_list":{"0":"post-165576","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-empresas","8":"tag-ambiente","9":"tag-business","10":"tag-ciu00eancia","11":"tag-comu00e9rcio","12":"tag-economia","13":"tag-economy","14":"tag-empresas","15":"tag-indu00fastria","16":"tag-portugal","17":"tag-pt","18":"tag-reciclagem","19":"tag-resu00edduos"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115615240158571631","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165576","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=165576"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165576\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/165577"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=165576"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=165576"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=165576"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}