{"id":166134,"date":"2025-11-26T18:11:56","date_gmt":"2025-11-26T18:11:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/166134\/"},"modified":"2025-11-26T18:11:56","modified_gmt":"2025-11-26T18:11:56","slug":"geringonca-tomou-posse-ha-dez-anos-como-antonio-costa-chamou-os-primos-afastados-para-um-natal-vermelho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/166134\/","title":{"rendered":"Geringon\u00e7a tomou posse h\u00e1 dez anos. Como Ant\u00f3nio Costa chamou os primos afastados para um Natal vermelho"},"content":{"rendered":"<p>\t                AN\u00c1LISE || H\u00e1 uma d\u00e9cada, a Geringon\u00e7a chegou ao poder. Ant\u00f3nio Costa chamou \u201cos primos\u201d para uma maioria in\u00e9dita. O Natal \u00e9 quando o homem quiser, e o socialista juntou a esquerda desavinda. Nunca conseguiu sentar todos \u00e0 mesma mesa, mas eram felizes e n\u00e3o sabiam<\/p>\n<p style=\"text-align:justify; margin-bottom:11px\">Ant\u00f3nio Costa chamava-lhes \u201cos primos\u201d. Afinal, eram todos fam\u00edlia, embora tenham vivido d\u00e9cadas de costas voltadas. Como acontece nas fam\u00edlias em geral, e na esquerda em particular. Boa parte do Conselho de Ministros adotou a alcunha quando se referia ao Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP), Bloco de Esquerda (BE) e Os Verdes \u2013 \u201cos primos\u201d. Mas tamb\u00e9m havia quem n\u00e3o gostasse desse tu c\u00e1 tu l\u00e1 com os tr\u00eas partidos que estavam fora do Governo, mas o apoiavam, com base em \u201cposi\u00e7\u00f5es conjuntas\u201d que eram separadas.\u00a0<\/p>\n<p>Era um bicho esquisito, uma vaca voadora, para usar uma express\u00e3o de Costa, ou um bacalhau com asas, para manter o esp\u00edrito natal\u00edcio. O pa\u00eds percebeu isso, e adotou o cognome que Paulo Portas, ex\u00edmio fazedor de soundbites, lhes colou: \u201cGeringon\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.iol.pt\/videos-file\/1\/b\/4\/6\/5641ea120cf243cfb2f11b46-L-1000k.mp4\"\/>O Governo da Geringon\u00e7a tomou posse h\u00e1 uma d\u00e9cada, a 26 de novembro de 2015. Os \u201cacordos conjuntos\u201d entre Partido Socialista (PS) e BE, PS e PCP, e PS e PEV, foram assinados de fugida a 10 de novembro, \u00e0 hora do almo\u00e7o, longe de olhares curiosos. Nesse dia, o pa\u00eds viu apenas uma foto \u201coficial\u201d de cada acordo a ser assinado, aos pares, sem que os respetivos l\u00edderes se sentassem sequer. Foi assinar e andar, mesmo a tempo de a esquerda aprovar \u00e0 tarde uma mo\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o do Programa de Governo do segundo Executivo liderado por Passos Coelho. Foi o Governo mais curto da nossa hist\u00f3ria. Durou 27 dias, tendo a v\u00e3 gl\u00f3ria de ter tomado posse para cair logo depois.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"593\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/6925d4d9d34e2bd5c6d466f0.webp\" width=\"1000\"\/> <\/p>\n<p>   Assinatura do acordo entre socialistas e comunistas a 10 de novembro de 2015 na Assembleia da Rep\u00fablica Foto: Jorge Ferreira\/PS <\/p>\n<p>Mas esse acordo, que deitou abaixo o Governo da lista vencedora nas elei\u00e7\u00f5es de outubro, Portugal \u00e0 Frente (a.k.a. P\u00e0F, juntando PSD e CDS), come\u00e7ou a ser preparado por Ant\u00f3nio Costa muito antes das assinaturas apressadas, e bastante antes da vit\u00f3ria de Passos Coelho e Paulo Portas.<\/p>\n<p>\u201cDerrubar o muro\u201d <\/p>\n<p>Primeiro, era um plano aberto: \u201cderrubar o muro\u201d que historicamente separava os partidos da esquerda, e ditava que \u00e0 esquerda do PS ningu\u00e9m participava no \u201carco da governa\u00e7\u00e3o\u201d. Quando foi eleito secret\u00e1rio-geral do PS, em 2014, Costa anunciou que, por ele, esse era um conceito morto e enterrado: os partidos mais \u00e0 esquerda n\u00e3o se podiam refugiar no conforto do protesto sem contribuir para a governa\u00e7\u00e3o. Era uma quest\u00e3o de princ\u00edpio \u2013 Costa \u00e9 filho de pai comunista, conhecia de casa muitos hist\u00f3ricos do PCP, e \u00e9 da gera\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes de outras esquerdas, como o dissidente comunista Miguel Portas ou o fundador do PSR, Francisco Lou\u00e7\u00e3, ambos fundadores do BE. Ainda jovem pol\u00edtico, Costa esteve envolvido no hist\u00f3rico acordo PS-PCP, que em 1989 levou Jorge Sampaio \u00e0 presid\u00eancia da C\u00e2mara Municipal de Lisboa. Tamb\u00e9m era uma quest\u00e3o t\u00e1tica: podia ser preciso fazer essas pontes para o PS governar. No limite, podia mesmo ser uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, no cen\u00e1rio (ent\u00e3o muito improv\u00e1vel) de o PS n\u00e3o ganhar as elei\u00e7\u00f5es contra uma coliga\u00e7\u00e3o austerit\u00e1ria e impopular.\u00a0<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que um ano antes das elei\u00e7\u00f5es essa hip\u00f3tese passasse pela cabe\u00e7a de algum socialista. Nem de Costa. Por muito calculista que seja, e \u00e9, o secret\u00e1rio-geral do PS n\u00e3o considerava a possibilidade de perder as elei\u00e7\u00f5es. Mas na sua cabe\u00e7a havia uma certeza que se consolidava: mesmo ganhando, n\u00e3o teria maioria absoluta. O BE estava forte na contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 troika, o PCP tamb\u00e9m, aproveitando o embalo das lutas laborais promovidas pela CGTP, e Costa enfrentava um facto de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis: a pris\u00e3o de Jos\u00e9 S\u00f3crates. Raz\u00f5es de sobra para o (ent\u00e3o) presidente da C\u00e2mara de Lisboa ir abrindo caminhos \u00e0 esquerda. \u201cOs primos\u201d seriam necess\u00e1rios.\u00a0<\/p>\n<p>Houve sinais <\/p>\n<p>Costa n\u00e3o se limitou \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o de um princ\u00edpio, ou um desejo. Antes das elei\u00e7\u00f5es, abordou a ideia de converg\u00eancias \u00e0 esquerda com v\u00e1rios interlocutores. Conversas informais com comunistas que conhecia de h\u00e1 muito e em quem confiava, como Ruben de Carvalho, Jorge Cordeiro ou Domingos Abrantes, que, por coincid\u00eancia, tinha sido um dos negociadores do lado do PCP num acordo fracassado, proposto por M\u00e1rio Soares, em 1978.\u00a0<\/p>\n<p>Mas nem Costa era Soares, nem o PCP era o partido que j\u00e1 foi. Ali\u00e1s, durante a governa\u00e7\u00e3o de Passos, Soares foi um dos mais ativos promotores de converg\u00eancias \u00e0 esquerda, numa s\u00e9rie de iniciativas que culminaram nas suas \u201csess\u00f5es da Aula Magna\u201d. O fundador do PS at\u00e9 j\u00e1 tinha reconhecido que os tempos estavam de fei\u00e7\u00e3o a aproxima\u00e7\u00f5es \u00e0 esquerda. Na Aula Magna, defendeu que os tr\u00eas partidos deviam ir \u201cfazendo os entendimentos poss\u00edveis\u201d. Ant\u00f3nio Costa estava l\u00e1, e foi ovacionado. Ant\u00f3nio Jos\u00e9 Seguro, \u00e0 \u00e9poca o secret\u00e1rio-geral do PS, nem apareceu\u2026<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Jer\u00f3nimo de Sousa n\u00e3o era Cunhal. H\u00e1 anos que Costa o conhecia da Assembleia da Rep\u00fablica \u2013 tanto quando eram ambos deputados, como no per\u00edodo em que o socialista foi secret\u00e1rio de Estado dos Assuntos Parlamentares. Foi no Governo de Guterres, sem maioria absoluta, o que obrigou a muita negocia\u00e7\u00e3o no Parlamento. Uma experi\u00eancia preciosa para Costa. A simpatia rec\u00edproca com Jer\u00f3nimo nunca se perdeu. E tiveram pelo menos uma conversa a dois durante a contagem decrescente para as legislativas, num contexto ins\u00f3lito: antes de entrarem para est\u00fadio no debate televisivo a dois. Nem pareciam concorrentes, pela amenidade da conversa. Segundo o livro \u201cComo Costa Montou a Geringon\u00e7a em 54 Dias\u201d, de Rita Tavares e M\u00e1rcia Galr\u00e3o, o socialista saiu desse di\u00e1logo \u201ccom uma certeza: para o PCP, o inimigo n\u00e3o era o PS. Era a direita\u201d. S\u00f3 que isso era um salto qu\u00e2ntico.<\/p>\n<p>Quanto ao BE, embora n\u00e3o fosse a praia de Costa (que tinha no seu executivo aut\u00e1rquico Jos\u00e9 S\u00e1 Fernandes, originalmente eleito como independente como cabe\u00e7a de lista do Bloco), a boa rela\u00e7\u00e3o com Lou\u00e7\u00e3 e Miguel Portas era \u00fatil. Jo\u00e3o Semedo tamb\u00e9m ajudava. O socialista desconfiava de Catarina Martins e da nova gera\u00e7\u00e3o de dirigentes bloquistas, mas tinha boas pontes com os senadores do partido.<\/p>\n<p>Temos boas e m\u00e1s not\u00edcias <\/p>\n<p>No ver\u00e3o de 2015, conforme se aproximavam as elei\u00e7\u00f5es, a P\u00e0F ia recuperando terreno e o PS caindo nas inten\u00e7\u00f5es de voto. N\u00e3o haveria muita gente a pensar no que fazer nesse caso, para al\u00e9m de assumir a derrota. Mas Costa pensava e n\u00e3o era pouco. Bastante! Apontava para uma frecha que se podia abrir, mesmo perdendo o PS \u2013 uma vit\u00f3ria curta da direita unida, deixando a esquerda com maioria absoluta no Parlamento, embora fragmentada. Era este adjetivo que Costa precisava de enxotar. A Geringon\u00e7a n\u00e3o foi sorte, foi mistura de leitura pol\u00edtica, maquiavelismo e planeamento.\u00a0<\/p>\n<p>Apesar da contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 coliga\u00e7\u00e3o PSD\/CDS\/Troika durante a legislatura, o PS tinha duas pedras no sapato. Por um lado, a economia come\u00e7ava a dar t\u00edmidos sinais positivos; por outro, o PS n\u00e3o se livrava da heran\u00e7a reputacional deixada por S\u00f3crates: o homem que tinha \u201cfalido o pa\u00eds\u201d, que tinha \u201cchamado a troika\u201d, e que estava preso preventivamente por suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o e uma variedade de alegados crimes. Podia ser carga a mais para o PS ficar \u00e0 frente da P\u00e0F. No reverso, a dupla Passos\/Portas podia ter anticorpos a mais para vencer com maioria absoluta. Foi nessa nesga que Costa viu um caminho. Antes de toda a gente, e com enorme discri\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/54a3e8a30cf2ca6ee385f9ac.webp\" width=\"1024\"\/> <\/p>\n<p>   Ant\u00f3nio Costa, no final de dezembro de 2024, visitou Jos\u00e9 S\u00f3crates no estabelecimento prisional de \u00c9vora.\u00a0 <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo que burilava esse plano, Ant\u00f3nio Costa tinha de se mostrar convicto numa vit\u00f3ria improv\u00e1vel. Por isso n\u00e3o deu troco a Catarina Martins quando, no frente-a-frente televisivo, esta lhe colocou condi\u00e7\u00f5es para apoiar um governo socialista e lhe perguntou se estava aberto a negociar esse caminho. Eram tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es: travar a ideia [da coliga\u00e7\u00e3o] de cortar 1.660 milh\u00f5es de euros nas pens\u00f5es; desistir do corte da Taxa Social \u00danica dos trabalhadores proposto por M\u00e1rio Centeno; abandonar o regime conciliat\u00f3rio que o BE via como uma \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o dos despedimentos\u201d. Costa deixou a interlocutora de m\u00e3os a abanar.\u00a0<\/p>\n<p>Falaria sobre isso, mas n\u00e3o naquele momento. Ali\u00e1s, at\u00e9 tinha falado dessa aproxima\u00e7\u00e3o quando Miguel Portas morreu. Numa cerim\u00f3nia de homenagem em que o BE estava em peso, Costa falou das conversas com o amigo Miguel. Uma \u201cnunca esgotada negocia\u00e7\u00e3o\u201d, \u201ctantas vezes sem qualquer prop\u00f3sito que n\u00e3o a amizade e o gosto de desafiarmos os acordos imposs\u00edveis\u201d. Ol\u00e1? Algu\u00e9m estava a ouvir? \u201cDesafiar acordos imposs\u00edveis\u201d\u2026<\/p>\n<p>Em plena campanha, a uma semana das elei\u00e7\u00f5es, Costa deixou o sinal mais importante do que pensava fazer: impedir um novo governo de direita caso a coliga\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse maioria absoluta, e procurar alternativas. At\u00e9 foi manchete do Expresso: \u201cCosta chumba Governo minorit\u00e1rio da direita.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>O texto deixava poucas d\u00favidas: \u201ca uma semana do dia final, com o PS a perder pontos nas sondagens e os socialistas perplexos no terreno, [Costa] acredita que vai ganhar e que, salvo ocorra uma maioria absoluta da coliga\u00e7\u00e3o, acabar\u00e1 sempre por ser o seu partido a formar governo. (&#8230;) Num cen\u00e1rio de uma Assembleia com maioria de esquerda, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel excluir que o PC ou o Bloco avancem com uma mo\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o. E que, nesse caso, o pr\u00f3prio PS a vote. As palavras de conc\u00f3rdia e apelo ao consenso do Presidente caem aqui em saco roto. Costa tem dito e redito em campanha que acordos com esta coliga\u00e7\u00e3o para prosseguir as mesmas pol\u00edticas \u2018nunca\u2019.\u201d Como percebia um bom entendedor, a fonte da jornalista Lu\u00edsa Meireles era o pr\u00f3prio Costa, embora nunca citado em \u2018on\u2019.<\/p>\n<p>Mal o seman\u00e1rio chegou \u00e0s bancas, Paulo Portas e Passos Coelho descodificaram a mensagem. A inten\u00e7\u00e3o de Ant\u00f3nio Costa \u201cimpedir a aprova\u00e7\u00e3o do Programa do Governo\u201d tem \u201cuma gravidade s\u00e9ria\u201d e \u201cin\u00e9dita\u201d, disse Portas, com ar s\u00e9rio. \u201cAnt\u00f3nio Costa n\u00e3o ser\u00e1 capaz de respeitar a vontade popular\u201d, acrescentou. Passos alertou que o PS queria formar um governo \u201cextremista da esquerda mais radical que existe em Portugal, que possa, contra a vontade dos portugueses, procurar governar o pa\u00eds\u201d. Era isso, nem mais nem menos. Foi o argumento extra para a coliga\u00e7\u00e3o dramatizar a necessidade de ter maioria absoluta.\u00a0<\/p>\n<p>Mas, por alguma raz\u00e3o, as palavras de Costa eclipsaram-se da campanha. J\u00e1 noutro momento se tinham desvanecido. A 19 de setembro, o socialista disse na Antena 1: \u201c\u00c9 evidente que n\u00e3o viabilizarmos, nem h\u00e1 acordo poss\u00edvel entre o PS e a coliga\u00e7\u00e3o de direita.\u201d<\/p>\n<p>Costa nunca disse explicitamente que iria negociar um governo apoiado pelas esquerdas, sobretudo perdendo as elei\u00e7\u00f5es, mas deixou um rasto de migalhas ao longo de meses. Esse rasto apontava numa \u00fanica dire\u00e7\u00e3o. S\u00f3 n\u00e3o viu quem n\u00e3o quis.<\/p>\n<p>Jer\u00f3nimo abriu a sa\u00edda de emerg\u00eancia <\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"\" height=\"768\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/5611b0630cf2c7b53f7775bc.webp\" width=\"1024\"\/> <\/p>\n<p>   Passos Coelho e Paulo Portas na noite da vit\u00f3ria das legislativas de 5 de outubro de 2015. (Foto:\u00a0Miguel A. Lopes\/Lusa) <\/p>\n<p>O resultado das elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o mudou nada, mas mudou tudo. A coliga\u00e7\u00e3o venceu, mas caiu 14 pontos em rela\u00e7\u00e3o a 2011. Contudo, os 36,8% eram quatro pontos percentuais acima do PS. Confirmada a vit\u00f3ria da P\u00e0F e a derrota socialista, Costa parabenizou os vencedores, assumiu a responsabilidade pela derrota, mas assegurou que n\u00e3o iria demitir-se. Mas n\u00e3o foi claro sobre o que pretendia fazer. Mais uma vez, foi preciso ler nas entrelinhas: a refer\u00eancia \u00e0 \u201cperda de maioria\u201d da direita, que colocava \u201cum novo quadro parlamentar\u201d, e a recorda\u00e7\u00e3o de que \u201co PS sempre foi defensor de mo\u00e7\u00f5es de censura construtivas\u201d. Ou seja, derrubar o Governo apenas existindo uma alternativa parlamentar. Ainda havia estrada para andar.\u00a0<\/p>\n<p>Mais claro do que Ant\u00f3nio Costa foi Jer\u00f3nimo de Sousa. Na verdade, foi o secret\u00e1rio-geral comunista quem assumiu que \u00e0 esquerda havia uma sa\u00edda de emerg\u00eancia. Ao contr\u00e1rio do socialista, Jer\u00f3nimo disse-o com todas as letras: \u201cNeste novo quadro pol\u00edtico, o PS s\u00f3 n\u00e3o forma governo porque n\u00e3o quer. Nada o impediria de se apresentar dispon\u00edvel.\u201d Umas horas antes, com a contagem ainda a decorrer, Francisco Lopes tinha adiantado a mensagem: o PSD s\u00f3 formaria governo se o PS quisesse.\u00a0<\/p>\n<p>Apesar de Costa ter conversado na v\u00e9spera com Francisco Lou\u00e7\u00e3, o BE viu-se ultrapassado pelos acontecimentos, e teve de se adaptar a um gui\u00e3o que n\u00e3o tinha preparado. Cautelosamente, aproximou-se da dire\u00e7\u00e3o que o PCP indicava.<\/p>\n<p>O primeiro a revelar ao povo o que ia na cabe\u00e7a de Costa foi Marcelo Rebelo de Sousa, ent\u00e3o ainda comentador televisivo. \u201c[Costa] deve ter na cabe\u00e7a um governo minorit\u00e1rio\u201d apoiado pelos restantes \u201cpartidos de esquerda\u201d. Bingo!<\/p>\n<p>Os mais altos dirigentes do PS s\u00f3 n\u00e3o foram apanhados de surpresa por esta revela\u00e7\u00e3o porque, nos dias anteriores, Costa tinha-os inquirido, por sms, sobre a possibilidade de uma maioria de esquerda. Citando Lenine, o que fazer? As trocas de sms foram-se prolongando pelos dias seguintes. E ao longo da tarde das elei\u00e7\u00f5es, no quartel-general socialista, voltou a ser esse o ponto central das cogita\u00e7\u00f5es de Costa e do n\u00facleo restrito da dire\u00e7\u00e3o. Houve opini\u00f5es divergentes, mas quem soube ouvir percebeu que o secret\u00e1rio-geral tinha um plano. Em todo o caso, recomendou cautela aos que iam comentar os resultados na comunica\u00e7\u00e3o social: sem maioria absoluta da P\u00e0F, deviam frisar esse facto e sublinhar a exist\u00eancia de uma nova maioria de esquerda, mas deixando todas as sa\u00eddas em aberto.<\/p>\n<p>O presidencial empurr\u00e3o <\/p>\n<p>Entra em cena outra personagem. Cavaco Silva, Presidente da Rep\u00fablica. Percebia que \u00e0 esquerda havia algo de novo, mas, sem surpresa, n\u00e3o queria acabar o mandato a dar posse a um governo que misturava socialistas, comunistas, trotskistas e \u201cverdes\u201d, uma associa\u00e7\u00e3o de aves raras num pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia, do euro e da NATO. N\u00e3o havia uma c\u00e9lula de Cavaco que aceitasse esse desfecho. O Presidente Cavaco institucionalista achava que devia governar quem venceu as elei\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o admitia outro cen\u00e1rio que n\u00e3o fosse dar posse a Pedro Passos Coelho. O Presidente Cavaco conservador e anticomunista, que durante anos agitou o pap\u00e3o vermelho, n\u00e3o admitia um Executivo apoiado por partidos contr\u00e1rios \u00e0s alian\u00e7as e tratados internacionais que vinculavam o pa\u00eds. Quando falou, deixou tudo isso claro. Tinha convic\u00e7\u00f5es, tinha argumentos, s\u00f3 n\u00e3o tinha uma maioria parlamentar que lhe fizesse esse favor.<\/p>\n<p>Ainda assim, o chefe do Estado foi decisivo para o que se passou no curto e no longo prazo. No curto prazo, pressionou para conversas entre a coliga\u00e7\u00e3o e o PS. No longo prazo, deu cimento \u00e0 converg\u00eancia das esquerdas. Vamos por partes.<\/p>\n<p>For\u00e7ou Passos, Portas e Costa a procurar um entendimento. Na leitura de Cavaco, n\u00e3o seria dif\u00edcil, se houvesse vontade pol\u00edtica: partilhavam o europe\u00edsmo, a f\u00e9 na moeda \u00fanica, a perten\u00e7a \u00e0 NATO \u2013 parecendo pouco, eram converg\u00eancias estruturais. Mais: o professor Cavaco leu o cen\u00e1rio macroecon\u00f3mico dirigido pelo professor Centeno, sobre o qual o PS construiu o seu programa eleitoral, e viu a\u00ed muito terreno comum com a coliga\u00e7\u00e3o de direita, o que podia facilitar uma converg\u00eancia conjuntural.<\/p>\n<p>Com o empurr\u00e3o do Presidente, Passos teve um encontro secreto com Costa logo no dia a seguir \u00e0s elei\u00e7\u00f5es, a quem prop\u00f4s uma coliga\u00e7\u00e3o de Governo PSD\/CDS\/PS. In\u00eas Serra Lopes, que falou com Passos Coelho para o seu livro \u201cA Geringon\u00e7a\u201d, escreve que \u201cAnt\u00f3nio Costa inclinava-se para responder pela negativa, mas ia pensar\u201d. O socialista come\u00e7ou um longo jogo do empata. N\u00e3o lhe ocorria ser ministro de Passos; tinha um programa eleitoral para romper com a governa\u00e7\u00e3o da direita em pontos essenciais, prometendo reverter muitas das suas pol\u00edticas; queria ser chefe do Governo; queria avan\u00e7ar pela esquerda, conforme havia proposto ao pa\u00eds. Mas n\u00e3o podia bater com a porta na cara de Passos, porque n\u00e3o controlava o futuro. O PCP estava dispon\u00edvel para um acordo \u2013 mas acordo ainda n\u00e3o havia; o BE ia vendo para que lado soprava o vento e ajustava a rota conforme os sinais que vinham dos comunistas \u2013 e sem Bloco n\u00e3o havia maioria. Costa, o habilidoso, tinha de merecer essa fama e continuar a jogar em v\u00e1rios tabuleiros de xadrez ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Negociar e empatar, empatar e negociar <\/p>\n<p>O diabo est\u00e1 nos pormenores. Mas repare neste pormaior: o primeiro encontro de alto n\u00edvel de Ant\u00f3nio Costa para discutir o p\u00f3s-elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o foi com o vencedor de 4 de outubro, mas com o PCP. Houve o tal encontro de Costa com Passos, mas foi secreto. Oficialmente, a maratona negocial come\u00e7ou com uma desloca\u00e7\u00e3o da delega\u00e7\u00e3o socialista \u00e0 sede comunista. Costa chegou com Carlos C\u00e9sar, Pedro Nuno Santos, Ana Catarina Mendes e M\u00e1rio Centeno. Foi o grupo que o acompanhou em todas as mesas negociais seguintes. N\u00e3o era uma comitiva de cortesia, era mesmo um grupo de trabalho. A inclus\u00e3o do independente Centeno, o homem do cen\u00e1rio macroecon\u00f3mico e de todas as contas socialistas, era a melhor prova disso. N\u00e3o estavam ali para converseta, mas para partir pedra.\u00a0<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o da delega\u00e7\u00e3o anfitri\u00e3 dizia o mesmo: Jer\u00f3nimo de Sousa, Francisco Lopes, Jo\u00e3o Oliveira e Jorge Cordeiro. \u00c0 sa\u00edda, eram s\u00f3 sorrisos. Costa tinha confirmado que os comunistas estavam dispostos a um entendimento e prontos para puxar essa carro\u00e7a. Na sua declara\u00e7\u00e3o aos jornalistas, Jer\u00f3nimo foi ainda mais longe: admitia, no limite, que o PCP integrasse o Governo, algo que n\u00e3o acontecia desde o PREC.<\/p>\n<p>S\u00f3 depois de ir \u00e0 Soeiro Pereira Gomes a comitiva socialista foi \u00e0 sede do PSD, onde a esperavam Passos, Portas e outros representantes dos dois partidos. Entre eles n\u00e3o estava Maria Lu\u00eds Albuquerque \u2013 n\u00e3o havia contraparte para as contas de M\u00e1rio Centeno, que assumiu um grande protagonismo nesse encontro, detalhando o seu cen\u00e1rio macroecon\u00f3mico. Passos, exasperado, queria avan\u00e7ar na discuss\u00e3o pol\u00edtica. Mas o PS tinha feito uma campanha com contas, e queria negociar o futuro com contas. Exigia que a coliga\u00e7\u00e3o apresentasse os n\u00fameros com que contava governar, para poder aproximar programas e pol\u00edticas. Era uma t\u00e1tica t\u00e3o boa como qualquer outra para parar o jogo. H\u00e1 quem mande o guarda-redes atirar-se para o ch\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Passos e Portas perceberam desde o in\u00edcio que Costa s\u00f3 queria ganhar tempo. Cumprir calend\u00e1rio. Cavaco tamb\u00e9m. A insist\u00eancia dos socialistas nas contas certas resultou como manobra dilat\u00f3ria, sobretudo porque nunca havia respostas concretas do outro lado. Centeno at\u00e9 foi ao Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as reunir com Maria Lu\u00eds Albuquerque, que continuava a n\u00e3o dar resposta \u00e0s perguntas do homem do Banco de Portugal. Apesar de tudo, n\u00e3o foi uma viagem perdida. Foi nessa conversa que Centeno soube que o pr\u00f3ximo governo, qualquer que fosse, teria de lidar com duas bombas \u00e0 beira de rebentar: a TAP e o BANIF. Pela insist\u00eancia de Maria Lu\u00eds nestes dois pontos, Centeno percebeu a gravidade da situa\u00e7\u00e3o. Se chegasse a ministro das Finan\u00e7as, como estava subentendido desde que integrou o grupo negocial socialista, teria de ser ele a despoletar essas bombas.<\/p>\n<p>O que fazer e o que n\u00e3o fazer <\/p>\n<p>Na frente Leste, as negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram f\u00e1ceis, mas avan\u00e7avam e era evidente a vontade de chegar a um acordo que afastasse Passos da governa\u00e7\u00e3o. O objetivo era alcan\u00e7ar um m\u00ednimo denominador comum que suportasse a alternativa. A esquerda nunca procurou concordar em tudo, nem entrou em discuss\u00f5es in\u00fateis sobre a Europa, o euro, a NATO ou outros assuntos macro que seriam pedregulhos no caminho. Decidiram aceitar essas diverg\u00eancias, assumir as diferen\u00e7as inconcili\u00e1veis, e concentrar-se em quest\u00f5es concretas para desfazer muito do que Passos tinha feito.\u00a0<\/p>\n<p>Nunca procuraram um acordo de dezenas de p\u00e1ginas, sobre tudo, mas uma plataforma enxuta, com objetivos concretos sobre o que podiam fazer, e, ainda mais importante, acordo sobre o que n\u00e3o podiam fazer: o BE e o PCP (e Verdes) comprometiam-se a n\u00e3o chumbar o Programa de Governo (que seria concertado), a n\u00e3o aprovar mo\u00e7\u00f5es de censura, e a aprovar o primeiro Or\u00e7amento do Estado. Cavaco exigia um acordo de legislatura, Costa queria o compromisso de viabiliza\u00e7\u00e3o de todos os Or\u00e7amentos, mas o PCP \u2013 sempre o piv\u00f4 do lado esquerdo \u2013 n\u00e3o aceitou. Comprometia-se a apoiar o primeiro Or\u00e7amento do Estado, cujos contornos essenciais estavam razoavelmente definidos, mas os seguintes careciam de negocia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Pelo seu lado, o PS comprometia-se a n\u00e3o aumentar o IRS e impostos sobre as fam\u00edlias, n\u00e3o cortar sal\u00e1rios nem pens\u00f5es (pelo contr\u00e1rio, repor todos os direitos adquiridos que Passos havia cortado), e a n\u00e3o mexer na Lei do Trabalho em determinadas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>Conv\u00e9m notar que, por imposi\u00e7\u00e3o do PCP, todas estas negocia\u00e7\u00f5es decorreram em triplicado. Os comunistas recusavam sentar-se \u00e0 mesa com o Bloco. Cada partido negociava com o PS o que tinha a negociar, e n\u00e3o haveria um \u201cacordo de Governo\u201d envolvendo todas as partes, mas acordos bilaterais. Catarina Martins ainda se reuniu duas vezes com Jer\u00f3nimo de Sousa (uma delas em segredo) para tentar uma aproxima\u00e7\u00e3o ao PCP. A sua teoria era que, juntos, BE e PCP ganhavam for\u00e7a negocial face ao PS. Jer\u00f3nimo foi intransigente. Tinha sido ele a abrir o caminho negocial, quando o BE ainda pensava no que fazer, e os seus neg\u00f3cios eram com o PS, n\u00e3o com o Bloco. Cada um pedalava a sua bicicleta. Foi assim at\u00e9 ao \u00faltimo dia da Geringon\u00e7a. Os \u201cprimos\u201d nunca se reuniram todos.<\/p>\n<p>Por estranho que pare\u00e7a, at\u00e9 foi mais f\u00e1cil chegar a entendimento com o BE do que com o PCP. Das tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es colocadas por Catarina no debate com Costa, a mais complexa era deixar cair a TSU dos trabalhadores, uma ideia muito cara a Centeno, um dedicado estudioso do mercado de trabalho. Mas n\u00e3o seria isso a impedir um entendimento ou a afastar Centeno da miss\u00e3o de apear a direita do poder. Oh, a ironia! Em tempos, o alto quadro do Banco de Portugal tinha sido apresentado ao pa\u00eds como um liberal; afinal, era um entusiasta da converg\u00eancia das esquerdas.<\/p>\n<p>Enquanto o comboio da esquerda avan\u00e7ava, a carruagem da P\u00e0F n\u00e3o sa\u00eda do apeadeiro. A segunda ronda de negocia\u00e7\u00f5es entre PSD, CDS e PS, na sede do Largo do Rato, foi ainda mais penosa do que a primeira, que Costa tinha classificado, publicamente, como \u201cum vazio total\u201d. Uma cimeira noturna, sem luz ao fundo do t\u00fanel. Nada aproximava o que n\u00e3o se queria aproximar. Nem o pequeno truque de Paulo Portas surtiu efeito: \u00e0s tantas, saiu da sala \u201cpara fumar\u201d, e manteve-se desaparecido durante mais tempo do que seria suposto. A sua ideia, t\u00edpica de um ex-ministro dos Neg\u00f3cios Estrangeiros, seria prolongar o mais poss\u00edvel a negocia\u00e7\u00e3o, mantendo as delega\u00e7\u00f5es \u00e0 mesa, adiando uma rutura que parecia inevit\u00e1vel. Mas Passos, com uma vit\u00f3ria eleitoral no bolso, n\u00e3o suportava o cinismo daquele exerc\u00edcio, que n\u00e3o daria em nada. Costa, quase com um acordo \u00e0 esquerda, sabia que tinha de passar por todas as etapas da via-sacra institucionalista: era preciso fazer o caminho para mostrar ao pa\u00eds que o caminho n\u00e3o levava a lugar nenhum. A rutura consumou-se nessa noite.<\/p>\n<p>O \u201cgolpe\u201d <\/p>\n<p>Para encurtar uma hist\u00f3ria longa, as esquerdas entenderam-se e comunicaram-no a Cavaco Silva. Havia uma maioria absoluta no Parlamento, e n\u00e3o era a que o PR queria. Como diria Jer\u00f3nimo de Sousa, dar posse ao l\u00edder mais votado nas elei\u00e7\u00f5es seria \u201cuma perda de tempo\u201d. Mas o Presidente n\u00e3o se convenceu com o acordo que Costa, Jer\u00f3nimo, Catarina Martins e Elo\u00edsa Apol\u00f3nia lhe comunicaram em Bel\u00e9m. Sem papel passado, era trinta e um de boca. Indigitou Passos Coelho para formar governo. O primeiro-ministro em fun\u00e7\u00f5es passava a primeiro-ministro indigitado.\u00a0<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio de formar um governo, tomar posse, e levar um programa ao Parlamento era inconsequente \u2013 Passos e Portas sabiam disso, mas precisavam de mostrar ao pa\u00eds que era a esquerda que estava a derrubar um governo \u201clegitimamente eleito\u201d. Era a esquerda que estava a dar um \u201cgolpe\u201d, rompendo com d\u00e9cadas de governo do vencedor das elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Este foi o segundo momento em que Cavaco foi decisivo. A exig\u00eancia de papel passado obrigou a um compromisso mais s\u00f3lido \u00e0 esquerda. Um, n\u00e3o; tr\u00eas. Os tais pap\u00e9is que Costa assinou, numa sequ\u00eancia atabalhoada, com os tr\u00eas l\u00edderes \u00e0 sua esquerda. Cada um de sua vez.\u00a0<\/p>\n<p>As \u201cposi\u00e7\u00f5es conjuntas\u201d foram o salvo-conduto para derrubar um governo e alavancar outro.\u00a0<\/p>\n<p>Ainda antes das assinaturas, a esquerda mostrou quem mandava no Parlamento. Juntou-se pela primeira vez para eleger Eduardo Ferro Rodrigues como presidente da Assembleia da Rep\u00fablica. Foi a primeira prova de vida da nova maioria.<\/p>\n<p>Dezasseis dias depois de derrubar Passos, Costa tomou posse como primeiro-ministro. N\u00e3o liderava um governo de coliga\u00e7\u00e3o, mas um governo socialista com acordos \u00e0 esquerda. Sim, era estranho. Sim, era in\u00e9dito. Sim, tinha tudo para n\u00e3o dar certo. Passos at\u00e9 previu que seria acordo de pouca dura e prometeu liderar a resist\u00eancia. Portas, mais pragm\u00e1tico, percebeu que se abria um novo ciclo e despediu-se da presid\u00eancia do CDS.\u00a0<\/p>\n<p>Contra todos os progn\u00f3sticos e probabilidades, a Geringon\u00e7a manteve-se no poder durante quatro anos. Quem caiu a meio da legislatura n\u00e3o foi Costa, mas Passos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"AN\u00c1LISE || H\u00e1 uma d\u00e9cada, a Geringon\u00e7a chegou ao poder. 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