{"id":167419,"date":"2025-11-27T19:35:09","date_gmt":"2025-11-27T19:35:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/167419\/"},"modified":"2025-11-27T19:35:09","modified_gmt":"2025-11-27T19:35:09","slug":"a-artista-que-esta-a-revolucionar-o-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/167419\/","title":{"rendered":"a artista que est\u00e1 a revolucionar o pop"},"content":{"rendered":"<p>Sempre se identificou com a imagem de \u00abuma mulher forte\u00bb. \u00abAcredito que, no que fa\u00e7o e na minha autoestima, h\u00e1 uma afirma\u00e7\u00e3o das mulheres. H\u00e1 poder\u00bb, disse numa entrevista. Gosta de fazer as coisas \u00e0 sua maneira e tem a sua pr\u00f3pria linguagem. Defende que a m\u00fasica tem a magia de transcender territ\u00f3rios e acha bonito quando as pessoas se permitem chorar. E, na verdade, muitos s\u00e3o os f\u00e3s que o t\u00eam feito nos \u00faltimos dias depois desta apresentar ao mundo o seu quarto \u00e1lbum de est\u00fadio, LUX \u2013 que produziu 97% sozinha \u2013, descrito por muitos como \u00abavassalador\u00bb e \u00abvision\u00e1rio\u00bb.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o Pitchfork \u2013 site de not\u00edcias de m\u00fasica conhecido pelas suas cr\u00edticas detalhadas de \u00e1lbuns \u2013, este disco \u00e9 visto como um salto art\u00edstico para a Rosal\u00eda. N\u00e3o \u00e9 apenas mais um \u00e1lbum pop, mas \u00abum projeto com uma vis\u00e3o mais ampla, quase \u2018\u00f3pera-pop\u2019 experimental\u00bb. A cantora espanhola de 33 anos resolveu misturar o pop orquestral, art pop, pop experimental e elementos cl\u00e1ssicos num s\u00f3 projeto. O \u00e1lbum est\u00e1 estruturado em quatro movimentos, o que d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de composi\u00e7\u00e3o quase cl\u00e1ssica\/ sinf\u00f3nica. Nas edi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas h\u00e1 18 faixas, mas nas vers\u00f5es digitais s\u00e3o omitidas tr\u00eas m\u00fasicas. Nele, a artista fala do misticismo feminino, de transforma\u00e7\u00e3o, transcend\u00eancia e espiritualidade. As m\u00fasicas exploram a sua rela\u00e7\u00e3o com o divino, a f\u00e9, mas tamb\u00e9m com o desejo e o sofrimento pessoal.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Um \u00e1lbum complexo e completo<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o El Pa\u00eds, com quem a cantora falou recentemente, a f\u00e9 e o \u00abTodo-Poderoso\u00bb sempre estiveram presentes na sua obra, \u00abmas nunca com esta centralidade musical, \u00e9tica e est\u00e9tica\u00bb. Num esfor\u00e7o para n\u00e3o limitar o discurso a uma \u00ab\u00fanica f\u00e9\u00bb ou \u00ablinguagem\u00bb, o \u00e1lbum \u00e9 cantado em mais de 13 idiomas: espanhol, catal\u00e3o, ingl\u00eas, latim, italiano, siciliano, portugu\u00eas, franc\u00eas, alem\u00e3o, japon\u00eas, mandarim, \u00e1rabe, ucraniano e hebraico. E foi gravado em Barcelona, \u200b\u200bSevilha, nas montanhas de Montserrat, na Catalunha, em Paris, Los Angeles, Nova Iorque e Miami. Entre os colaboradores est\u00e3o S\u00edlvia P\u00e9rez Cruz, Estrella Morente, Bj\u00f6rk, Yves Tumor, Yahritza, Carminho, a Orquestra Sinf\u00f3nica de Londres, o coro Montserrat Escolania e o coro Orfe\u00f3 Catal\u00e0.\u00a0<\/p>\n<p>\u00abSempre tive uma conex\u00e3o com a espiritualidade, curiosidade por l\u00ednguas e, aos poucos, fui procurando leituras espec\u00edficas, ouvindo mais \u00e1lbuns de m\u00fasica cl\u00e1ssica (\u2026) A palavra \u2018lux\u2019 sempre esteve presente na minha cabe\u00e7a. De repente, entendi por que \u00e9 que pensava tanto nela\u00bb, explicou ao jornal espanhol. Segundo a artista, durante muitos anos, esteve focada \u00abem fazer coisas mais externas\u00bb e queria ir \u00abmais fundo\u00bb. \u00abPassei um ano inteiro dedicada apenas \u00e0s letras: a ler e a escrever letras. Outro ano foi s\u00f3 para arranjos, produ\u00e7\u00e3o e grava\u00e7\u00e3o\u00bb, detalhou. Rosal\u00eda revelou ainda que o ano que dedicou \u00e0s letras foi um per\u00edodo de \u00abisolamento\u00bb, de \u00abficar em casa sem fazer mais nada\u00bb. Ia ao gin\u00e1sio de manh\u00e3, preparava o pequeno almo\u00e7o e deitava-se para escrever. Sim, porque a artista n\u00e3o consegue escrever sentada. \u00abN\u00e3o consigo escrever sentada, s\u00f3 deitada. Deitada, cabe\u00e7a apoiada, laptop no colo\u00bb, contou \u00e0 mesma publica\u00e7\u00e3o. De acordo com a cantora, este \u00e9 o \u00e1lbum em que \u00abhouve uma maior inten\u00e7\u00e3o de criar uma composi\u00e7\u00e3o rica e envolvente\u00bb. \u00abH\u00e1 um esfor\u00e7o de composi\u00e7\u00e3o maior do que em qualquer outro trabalho que eu tenha feito\u00bb, garantiu ao El Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Sobre o leque de l\u00ednguas: \u00abEu n\u00e3o falo essas l\u00ednguas, e n\u00e3o \u00e9 natural (\u2026) No princ\u00edpio, \u00e9 como vomitar as ideias, depois aprimor\u00e1-las. Colocar para fora, escrever, fazer esbo\u00e7os (\u2026) Depois, usei o Google Tradutor ou enviei (as minhas ideias) para um tradutor\u00bb, adiantou. \u00c0s vezes, Rosal\u00eda tamb\u00e9m tentava ler em outros idiomas. \u00abPoesia escrita por esses \u2018santos\u2019 que habitam o \u00e1lbum. Observar a maneira como escrevem, tentar absorver tudo. Algumas palavras surgiam, e eu pensava: \u2018Esta palavra vem por um motivo\u2019. \u2018Ok, talvez ela tenha algum significado, preciso de fazer algo porque ela precisa de dizer alguma coisa\u2019\u00bb, disse.\u00a0<\/p>\n<p>Interrogada se este \u00e9 um \u00e1lbum \u00abespiritual\u00bb, talvez \u00abpolite\u00edsta\u00bb, ou que \u00abpelo menos sugere que, neste momento da hist\u00f3ria, a religi\u00e3o deve ser entendida mais como algo que constru\u00edmos a partir de cren\u00e7as j\u00e1 existentes\u00bb, a jovem artista admitiu que gosta da ideia e que deveria estud\u00e1-la. \u00abSinto-me atra\u00edda pela ideia de p\u00f3s-religi\u00e3o, de que poderia haver uma forma mais inclusiva e aberta de compreender a f\u00e9 e a espiritualidade\u00bb, explicou. \u00abPara mim, existem ideias em diferentes religi\u00f5es com as quais me identifico. Identifico-me com o budismo, o islamismo, o cristianismo, o hindu\u00edsmo. Acho que todas elas t\u00eam coisas com as quais me conecto (\u2026) Diego Garrocho [que leciona filosofia moral na Universidade Aut\u00f3noma de Madrid] diz que as rela\u00e7\u00f5es humanas valiosas s\u00e3o permeadas pela experi\u00eancia do perd\u00e3o. A fam\u00edlia \u00e9 um espa\u00e7o de perd\u00e3o, a amizade \u00e9 um espa\u00e7o de perd\u00e3o, os relacionamentos amorosos s\u00e3o um espa\u00e7o de perd\u00e3o. O desejo \u00e9 a base do sofrimento. Acho que cada religi\u00e3o nos oferece coisas diferentes, e todas me interessam\u00bb, acrescentou.\u00a0<\/p>\n<p><strong>O dom de fazer chorar\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A cantora nasceu no dia 25 de setembro de 1992 em Sant Esteve Sesrovires, perto de Barcelona, numa fam\u00edlia sem inclina\u00e7\u00f5es musicais. Nunca teve vergonha, sempre foi alegre e nunca conseguiu estar quieta. No entanto, desde cedo mostrou muita sensibilidade e, aos sete anos, descobriu o seu dom: \u00abfazer toda a gente chorar com a sua voz\u00bb. Foi durante uma refei\u00e7\u00e3o familiar que o pai lhe pediu para cantar. \u00abAcabaram todos a chorar. N\u00e3o entendi o que \u00e9 que se estava a passar, mas soube que podia fazer algo com a m\u00fasica\u00bb, disse a cantora numa outra entrevista ao El Pa\u00eds, em 2019. Come\u00e7ou ent\u00e3o a canalizar toda a sua energia para essa dire\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Rosal\u00eda subiu aos palcos pela primeira vez aos 13 anos. Cantava em bares e restaurantes e s\u00f3 ganhou fama quando foi semifinalista do programa de televis\u00e3o T\u00fa Si que Vales, aos 15 anos. Aos 16 anos, ingressou no Taller de M\u00fasics, em Barcelona. Por se esfor\u00e7ar tanto e, muitas vezes, cantar em lugares que n\u00e3o tinham sistema de amplifica\u00e7\u00e3o, um ano depois perdeu a voz e precisou de ser submetida a uma cirurgia nas cordas vocais. Mas isso n\u00e3o a fez desistir. Estudou depois na Escola Superior de M\u00fasica da Catalunha, onde aprofundou os seus estudos em flamenco que descreve como a raiz da sua forma\u00e7\u00e3o e \u00abo lugar para onde acaba sempre por voltar\u00bb. \u00abO flamenco \u00e9 uma arte em constante transforma\u00e7\u00e3o\u00bb, defende. Apesar de j\u00e1 ter sido duramente criticada por \u00abestar a modernizar o estilo\u00bb, a artista garante que esse n\u00e3o \u00e9 o seu objetivo. V\u00ea o flamenco quase como algo \u00absagrado\u00bb e acredita que s\u00f3 se deve us\u00e1-lo se houver um grande respeito. Os seus estudos ajudaram-na a conseguir cruz\u00e1-lo com outros estilos musicais nos seus trabalhos.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m da m\u00fasica, a espiritualidade tamb\u00e9m esteve sempre presente. Segundo o The Guardian, aos 19 anos, caminhou durante 32 dias pelos 800 quil\u00f3metros do Caminho de Santiago, no norte da Espanha. \u00abUm familiar disse-me: \u2018Tu n\u00e3o vais conseguir porque n\u00e3o est\u00e1s preparada fisicamente\u2019. Mas encontrei pessoas muito boas ao longo do caminho que me ajudaram, e percebi que se eu conseguisse fazer isso, conseguiria fazer outras coisas\u2019\u00bb, partilhou. E tinha raz\u00e3o. Hoje, parece capaz de fazer qualquer coisa. Conquistou o mundo e est\u00e1 a revolucionar o pop.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Sempre se identificou com a imagem de \u00abuma mulher forte\u00bb. \u00abAcredito que, no que fa\u00e7o e na minha&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":167420,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[85],"tags":[114,115,150,32,33,2352],"class_list":{"0":"post-167419","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-entretenimento","8":"tag-entertainment","9":"tag-entretenimento","10":"tag-musica","11":"tag-portugal","12":"tag-pt","13":"tag-rosalia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115623344427114054","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167419","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=167419"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/167419\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/167420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=167419"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=167419"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=167419"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}