{"id":168089,"date":"2025-11-28T10:59:09","date_gmt":"2025-11-28T10:59:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/168089\/"},"modified":"2025-11-28T10:59:09","modified_gmt":"2025-11-28T10:59:09","slug":"marte-tempestades-de-poeira-repletas-de-descargas-eletricas-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/168089\/","title":{"rendered":"Marte. Tempestades de poeira repletas de descargas el\u00e9tricas \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>As tempestades de poeira e os turbilh\u00f5es que varrem constantemente a superf\u00edcie de Marte geram pequenas descargas el\u00e9tricas, registadas pela primeira vez pelo microfone do rover Perseverance.<\/p>\n<p>S\u00e3o \u201cpequenos cliques compar\u00e1veis \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o que se pode ter em tempo seco ao tocar na porta do carro e sentir um pouco de eletricidade est\u00e1tica\u201d, referiu \u00e0 ag\u00eancia France-Presse (AFP) Baptiste Chide, investigador do CNRS no Instituto de Investiga\u00e7\u00e3o em Astrof\u00edsica e Planetologia de Toulouse, Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Estas descargas s\u00e3o, portanto,<strong> \u201cde muito baixa energia\u201d,<\/strong> <strong>mas est\u00e3o presentes \u201cabsolutamente a todo o momento e em todo o lado\u201d em Marte, <\/strong>e o seu impacto est\u00e1 longe de ser desprez\u00e1vel, continuou o cientista planet\u00e1rio.<\/p>\n<p>A sua dete\u00e7\u00e3o levou a um estudo conduzido por uma equipa internacional e publicado na revista Nature, no qual participou juntamente com outros cientistas franceses.<\/p>\n<p>Estas descargas t\u00eam origem no atrito de min\u00fasculos gr\u00e3os de poeira uns contra os outros. Carregam-se com eletr\u00f5es e libertam as suas cargas sob a forma de arcos el\u00e9tricos com alguns cent\u00edmetros de comprimento, acompanhados por ondas de choque aud\u00edveis.<\/p>\n<p>Na Terra, as tempestades de poeira e os turbilh\u00f5es de poeira em \u00e1reas des\u00e9rticas tamb\u00e9m geram campos el\u00e9tricos. Mas a eletrifica\u00e7\u00e3o das part\u00edculas raramente resulta em descargas el\u00e9tricas reais.<\/p>\n<p>Em Marte, \u201cdevido \u00e0 press\u00e3o muito baixa e \u00e0 composi\u00e7\u00e3o da atmosfera, a quantidade de carga que \u00e9 necess\u00e1rio acumular para gerar uma descarga \u00e9 muito menor\u201d, explicou Chide.<\/p>\n<p>Este fen\u00f3meno foi teorizado desde o in\u00edcio da explora\u00e7\u00e3o marciana e reproduzido em laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Era \u201cuma quest\u00e3o t\u00e3o importante para a ci\u00eancia marciana\u201d que um instrumento dedicado \u00e0 sua observa\u00e7\u00e3o foi levado a bordo do m\u00f3dulo de aterragem europeu Schiaparelli, recordou o investigador. Infelizmente, a nave espacial caiu durante a aterragem em 2016.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, \u201ctornou-se uma \u00e1rea um pouco esquecida na explora\u00e7\u00e3o marciana\u201d, observou.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, \u201cpor acaso\u201d, o microfone integrado no instrumento SuperCam do rover Perseverance, que explora a superf\u00edcie do Planeta Vermelho desde 2021, registou sinais caracter\u00edsticos de descargas el\u00e9tricas.<\/p>\n<p>A confirma\u00e7\u00e3o deste mecanismo, que facilita a dispers\u00e3o de poeiras, \u00e9 mais um passo para a compreens\u00e3o do clima marciano, ainda em grande parte desconhecido. Tal como o ciclo da \u00e1gua na Terra, sabe-se que \u201ca poeira impulsiona o clima marciano\u201d, com, por exemplo, uma \u201c\u00e9poca de tempestades de poeira que come\u00e7a no final do ano\u201d, destacou o investigador.<\/p>\n<p>Ao acelerar certas rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas na atmosfera, estas descargas podem tamb\u00e9m levar \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias altamente oxidantes que, ao condensarem-se, poderiam destruir mol\u00e9culas org\u00e2nicas \u2014 os blocos de constru\u00e7\u00e3o da vida \u2014 na superf\u00edcie de Marte.<\/p>\n<p>Ou poderiam explicar o desaparecimento surpreendentemente r\u00e1pido do metano, tema de debate cient\u00edfico h\u00e1 v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>A dete\u00e7\u00e3o destas descargas tem tamb\u00e9m implica\u00e7\u00f5es para o planeamento de futuras miss\u00f5es a Marte. \u201cIsto permitir-nos-\u00e1 refinar os nossos m\u00e9todos de designa\u00e7\u00e3o de instrumentos, com n\u00fameros muito mais precisos, para melhor proteger\u201d os futuros rob\u00f4s enviados para Marte, explicou Chide.<\/p>\n<p>E servir\u00e1 de base para estudos conduzidos pelas ag\u00eancias espaciais para \u201cgarantir a seguran\u00e7a dos equipamentos\u201d em antecipa\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As tempestades de poeira e os turbilh\u00f5es que varrem constantemente a superf\u00edcie de Marte geram pequenas descargas el\u00e9tricas,&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":168090,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[84],"tags":[109,107,108,442,476,3118,2270,441,14199,35322,2559,32,33,105,103,104,106,110],"class_list":{"0":"post-168089","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-ciencia-e-tecnologia","8":"tag-ciencia","9":"tag-ciencia-e-tecnologia","10":"tag-cienciaetecnologia","11":"tag-ciu00eancia","12":"tag-economia","13":"tag-eletricidade","14":"tag-energia","15":"tag-espau00e7o","16":"tag-estudo-cientu00edfico","17":"tag-explorau00e7u00e3o-espacial","18":"tag-marte","19":"tag-portugal","20":"tag-pt","21":"tag-science","22":"tag-science-and-technology","23":"tag-scienceandtechnology","24":"tag-technology","25":"tag-tecnologia"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115626978045020793","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168089","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=168089"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168089\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/168090"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=168089"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=168089"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=168089"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}