{"id":168589,"date":"2025-11-28T19:27:23","date_gmt":"2025-11-28T19:27:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/168589\/"},"modified":"2025-11-28T19:27:23","modified_gmt":"2025-11-28T19:27:23","slug":"pib-portugues-supera-os-e300-mil-milhoes-pela-1a-vez-na-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/168589\/","title":{"rendered":"PIB portugu\u00eas supera os \u20ac300 mil milh\u00f5es pela 1\u00aa vez na hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Com a divulga\u00e7\u00e3o dos dados em valor relativos ao <a href=\"https:\/\/www.ine.pt\/xportal\/xmain?xpid=INE&amp;xpgid=ine_destaques&amp;DESTAQUESdest_boui=706214862&amp;DESTAQUESmodo=2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><strong>PIB do 3\u00ba trimestre de 2025 pelo INE<\/strong><\/a>, constata-se que a soma do produto interno bruto gerado nos \u00faltimos 4 trimestres, superou pela primeira vez na hist\u00f3ria os \u20ac300 mil milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Na realidade, o valor acumulado no ano terminado no 3\u00ba trimestre de 2025 \u00e9 de <strong>\u20ac302 175 milh\u00f5es<\/strong>.<\/p>\n<p>As duas faces do PIB \u2013 valor e volume<\/p>\n<p>Simplificando a explica\u00e7\u00e3o, o PIB \u00e9 calculado numa <strong>\u00f3tica de volume<\/strong> e numa <strong>\u00f3tica de valor<\/strong>. A de volume procura evitar o cont\u00e1gio do efeito da varia\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, determinando quanto mais se produziu face ao ano anterior, traduzindo essa produ\u00e7\u00e3o (de bens e servi\u00e7os) em unidades monet\u00e1rias, ou euros, mas corrigidos da infla\u00e7\u00e3o.\u00a0 No fundo, diz-nos, <strong>quanto mudou o PIB assumindo que os pre\u00e7os n\u00e3o tinham mudado de um ano para o outro<\/strong>.<\/p>\n<p>J\u00e1 a \u00f3tica em valor n\u00e3o se faz esse exerc\u00edcio e apura-se o PIB em euros a pre\u00e7os de mercado. Se o pre\u00e7o subiu \u00e9 esse pre\u00e7o que deve ser usado para valorizar o que se produziu. Assim, pode-se ter produzido o mesmo que no ano anterior (ou at\u00e9 menos) e o valor surgir maior porque o pre\u00e7o ter\u00e1 aumentado (podendo esse aumento mais do que compensar uma queda da produ\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, at\u00e9 podemos ter o PIB a cair em volume e aumentar em valor.<\/p>\n<p>Qual a utilidade do PIB em valor se n\u00e3o nos d\u00e1 o crescimento real?<\/p>\n<p>Se o PIB em volume nos d\u00e1 uma ideia do crescimento real da economia, a \u00f3tica em valor \u00e9 importante porque<strong> \u00e9 destes euros que se tem de encontrar recursos para pagar a d\u00edvida. <\/strong>Sendo a d\u00edvida, ela pr\u00f3pria, expressa em euros a pre\u00e7os de mercado (pode haver d\u00edvida expressa em outras moedas, ou at\u00e9 indexada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o de algum indicador, mas ignoremos esses casos neste momento, pois s\u00e3o raros e t\u00eam pouco peso).<\/p>\n<p>Se o PIB em valor crescer mais depressa do que a d\u00edvida, o peso da d\u00edvida no PIB cair\u00e1 e o esfor\u00e7o coletivo para enfrentar essa mesma d\u00edvida ser\u00e1 tamb\u00e9m inferior, assumindo que a taxa de juro a que se remunera a d\u00edvida se mant\u00e9m relativamente est\u00e1vel. Isto tanto se aplica \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica como \u00e0 d\u00edvida privada.<\/p>\n<p>No limite, podemos ter o PIB real a crescer muito pouco e o PIB nominal a crescer bastante mais e com isso termos um fardo de d\u00edvida cada vez menor.<\/p>\n<p>Com os dados do 3\u00ba trimestre de 2025 verifica-se que PIB real, em termos hom\u00f3logos, aumentou 2,4%. J\u00e1 o PIB em valor, nesse mesmo per\u00edodo, cresceu 6,7%, ou seja, <strong>2,8 vezes mais depressa do que o PIB real<\/strong>.<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o \u00e9 amiga do devedor, mesmo quando este \u00e9 o Estado<\/p>\n<p>Para um devedor que tenha o valor da sua d\u00edvida fixado num determinado montante, existir infla\u00e7\u00e3o \u00e9, geralmente, uma boa not\u00edcia. No caso do pa\u00eds endividado, em especial se a infla\u00e7\u00e3o que se aplica ao PIB for superior \u00e0 dos consumidores, em princ\u00edpio isso ser\u00e3o igualmente boas not\u00edcias, pois a infla\u00e7\u00e3o ir\u00e1 \u201ccomendo\u201d o valor real da d\u00edvida. E a capacidade do pa\u00eds enfrentar essa d\u00edvida aumentar\u00e1, pois ter\u00e1 mais euros dispon\u00edveis com menor esfor\u00e7o de desvio de recurso para pagar o que deve.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 10 anos Portugal tem conseguido reduzir rapidamente o peso da d\u00edvida, pela alian\u00e7a do crescimento moderado do PIB em volume aliado a um crescimento bem mais din\u00e2mico em valor. Passar de d\u00e9fices or\u00e7amentais para excedentes tamb\u00e9m ajudou, assim como manter as taxas de juro controladas, mas o impacto desta infla\u00e7\u00e3o benigna foi muito relevante.<\/p>\n<p>Peso da d\u00edvida p\u00fablica no PIB dever\u00e1 ficar abaixo da m\u00e9dia europeia muito em breve<\/p>\n<p>De tal forma que muito em breve o peso da d\u00edvida p\u00fablica portuguesa ser\u00e1 inferior \u00e0 m\u00e9dia da Uni\u00e3o Europeia (que tem vindo a fazer o caminho inverso).<\/p>\n<p>Em 2024\u00a0 Portugal j\u00e1 havia consolidado o afastamento do p\u00f3dio em que j\u00e1 tinha estado dos tr\u00eas pa\u00edses co ma maior d\u00edvida europeia, ocupando a 7\u00aa posi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mem\u00f3ria eis a evolu\u00e7\u00e3o mais recente do peso da d\u00edvida p\u00fablica no PIB incluindo as previs\u00f5es para 2025 e 2026.<\/p>\n<ul>\n<li>2020 =&gt; 134,1%<\/li>\n<li>2021 =&gt; 123,9%<\/li>\n<li>2022 =&gt; 111,2%<\/li>\n<li>2023 =&gt; 97,9%<\/li>\n<li>2024 =&gt; 94,9%<\/li>\n<li>2025 =&gt; 90,2%<\/li>\n<li>2026 =&gt; 87,8%<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Em seis anos o peso da d\u00edvida p\u00fablica no PIB ter\u00e1 descido 1\/3, um resultado considerado impens\u00e1vel em qualquer proje\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica feita h\u00e1 uma d\u00e9cada. <\/strong>\u00a0E recorde-se que pelo meio houve que enfrentar uma pandemia que exigiu um n\u00edvel de investimento e de endividamento inesperado.<\/p>\n<p>O ritmo de queda dever\u00e1 agora ser bem menor at\u00e9 porque se perspetiva o fim dos excedentes or\u00e7amentais ou pelo menos a sua redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica. Resta saber como evoluir\u00e1 o PIB em valor nos pr\u00f3ximos anos. <strong>A infla\u00e7\u00e3o sobre o PIB continuar\u00e1 a ajudar e a superar o ritmo de crescimento da d\u00edvida?<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/economiafinancas.com\/2025\/pib-portugues-supera-os-e300-mil-milhoes-pela-1a-vez-na-historia\/divida-publica-em-queda-face-ao-pib-portugal-1960-2025\/\" target=\"_blank\" rel=\"attachment noopener wp-att-86274 nofollow\"><img loading=\"lazy\" data-recalc-dims=\"1\" wpfc-lazyload-disable=\"true\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-86274 size-full\" src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Divida-Publica-em-queda-face-ao-PIB-Portugal-1960-2025.png\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"499\"  \/><\/a>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.pordata.pt\/pt\/estatisticas\/contas-publicas\/divida-e-defice\/divida-publica-em-do-pib\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"><strong>Pordata<\/strong><\/a> com dados do Banco de Portugal, INE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Com a divulga\u00e7\u00e3o dos dados em valor relativos ao PIB do 3\u00ba trimestre de 2025 pelo INE, constata-se&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":168590,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[27,28,14181,15,16,14,25,26,21,22,12,13,19,20,3658,35373,35374,32,23,24,33,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-168589","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-principais-noticias","8":"tag-breaking-news","9":"tag-breakingnews","10":"tag-divida-publica","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-news","19":"tag-noticias","20":"tag-noticias-principais","21":"tag-noticiasprincipais","22":"tag-pib","23":"tag-pib-em-valor","24":"tag-pib-em-volume","25":"tag-portugal","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-pt","29":"tag-top-stories","30":"tag-topstories","31":"tag-ultimas","32":"tag-ultimas-noticias","33":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115628975609427141","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=168589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168589\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/168590"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=168589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=168589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=168589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}