{"id":168795,"date":"2025-11-28T22:48:14","date_gmt":"2025-11-28T22:48:14","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/168795\/"},"modified":"2025-11-28T22:48:14","modified_gmt":"2025-11-28T22:48:14","slug":"vale-de-almeida-e-fundamental-manter-a-relacao-com-trump-observador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/168795\/","title":{"rendered":"Vale de Almeida. &#8220;\u00c9 fundamental manter a rela\u00e7\u00e3o com Trump&#8221; \u2013 Observador"},"content":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Vale de Almeida \u00e9 um dos principais diplomatas que a Uni\u00e3o Europeia (UE) j\u00e1 teve. Jornalista de forma\u00e7\u00e3o, chegou \u00e0 delega\u00e7\u00e3o portuguesa da Comiss\u00e3o Europeia em 1982. A partir da\u00ed, sucederam-se as experi\u00eancias: porta-voz da Comiss\u00e3o, membro da equipa de transi\u00e7\u00e3o de Romano Prodi, Diretor-Geral de Rela\u00e7\u00f5es Externas da Comiss\u00e3o Europeia e chefe de gabinete de Dur\u00e3o Barroso. Foi durante o primeiro mandato do portugu\u00eas \u00e0 frente da Comiss\u00e3o que <strong>correu mundo e conheceu muitos dos principais l\u00edderes mundiais<\/strong>: Tony Blair, Angela Merkel, Emmanuel Macron \u2014 e at\u00e9 Vladimir Putin, com que se reuniu muitas vezes. Trabalhou com Barack Obama enquanto embaixador da UE nos Estados Unidos da Am\u00e9rica e depois foi o representante do bloco europeu nas Na\u00e7\u00f5es Unidas. Em 2020, chegou a Londres como embaixador europeu, no per\u00edodo imediato ap\u00f3s o Brexit.<\/p>\n<p>Agora reformado, Vale de Almeida decidiu refletir sobre todas essas experi\u00eancias. Escreveu o livro O Div\u00f3rcio das Na\u00e7\u00f5es \u2014 O Colapso da Ordem Mundial Vista Por Dentro (ed. D. Quixote), que ser\u00e1 publicado em Portugal no dia 2 de dezembro. Nele reflete sobre os impactos do 11 de setembro e da crise financeira de 2008 na situa\u00e7\u00e3o atual do mundo, avalia o estado do multilateralismo, tenta projetar o papel do Ocidente no futuro. Mas tamb\u00e9m revela os bastidores de cimeiras europeias e os contactos em Londres com a imprensa brit\u00e2nica e o pr\u00f3prio Boris Johnson.<\/p>\n<p>        <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/odivorcio-das-nacoes.jpg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\"\/>    <\/p>\n<p>Em entrevista ao Observador sobre o livro e as suas mem\u00f3rias \u2014 que muitas vezes foi rabiscando ao longo de anos nas notas do seu iPhone em avi\u00f5es \u2014 o embaixador confessa que n\u00e3o pode revelar alguns dos <strong>epis\u00f3dios mais caricatos<\/strong> com se deparou ao longo da carreira (\u201cUm dia talvez conte\u201d, diz entre risos). Mas exp\u00f5e o <strong>impacto profundo que a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia teve<\/strong> sobre si e reflete sobre aquilo a que chama \u201cthe dark side of Putin\u201d (\u201co lado negro de Putin\u201d). Tamb\u00e9m d\u00e1 pistas sobre como os l\u00edderes europeus devem lidar com Donald Trump: \u201cOcupem o terreno, falem com o senhor, v\u00e3o ver o senhor. Digam-lhe coisas, escrevam-lhe coisas, digam-lhe algumas coisas que o deixem contente\u201d, aconselha.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixa tamb\u00e9m de falar sobre qual a melhor forma para lidar com os populismos, transversais no Ocidente \u2014 a que Portugal, que diz tamb\u00e9m ter \u201cos seus trumpinhos\u201d, n\u00e3o escapa. E refor\u00e7a sempre uma ideia: nos bastidores da diplomacia, o futuro do mundo \u00e9 definido pelas ideias, mas tamb\u00e9m pela <strong>qu\u00edmica pessoal entre pol\u00edticos<\/strong>. \u201cSe h\u00e1 experi\u00eancia que me marcou foi assistir a encontros entre l\u00edderes, quer telef\u00f3nicos quer presenciais. A\u00ed aprende-se muito da vida, da diplomacia, das rela\u00e7\u00f5es externas, de tudo o que quiser. Coisas boas e m\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p>        <img src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/joao-vale-de-almeida.jpg\" alt=\"\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" onload=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\" onerror=\"this.parentElement.classList.remove('spinner')\"\/>    <\/p>\n<p class=\"image-credits\">D. Quixote<\/p>\n<p><strong>Fala no livro de como conheceu e teve reuni\u00f5es com Vladimir Putin e reflete um bocadinho sobre a personalidade dele. Achei muito curioso ter tido aquele \u00edmpeto de escrever-lhe uma carta diretamente quando a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia come\u00e7ou. Nunca chegou a envi\u00e1-la\u2026 Mas por que \u00e9 que sentiu a necessidade de p\u00f4r isso no papel e de falar diretamente para ele?<br \/><\/strong>Tem piada, porque \u00e9 a primeira pessoa das que j\u00e1 leram o livro que come\u00e7a por a\u00ed. E eu, de facto, esperava mais que as pessoas come\u00e7assem por a\u00ed [risos]. Aquilo \u00e9 de tal maneira pessoal, n\u00e3o \u00e9? Por um lado, foi absolutamente espont\u00e2neo, escrevi aquilo sem uma hesita\u00e7\u00e3o. J\u00e1 nem sei bem onde \u00e9 que escrevi aquilo\u2026 Acho que escrevi no Moleskine, no caderno de notas. \u00c0 m\u00e3o, neste caso. E ningu\u00e9m ainda me falou disso, est\u00e1 a ver? J\u00e1 me falaram muito do Putin e do encontro com o Putin, do c\u00e3o do Putin, essas coisas todas, mas ningu\u00e9m come\u00e7ou por a\u00ed. Portanto, agrade\u00e7o-lhe ter correspondido \u00e0quilo que na minha cabe\u00e7a seria a rea\u00e7\u00e3o das pessoas. E por que \u00e9 que acho isto interessante? Porque, e repito o que disse, foi espont\u00e2neo, foi pessoal. E tem a ver tamb\u00e9m com o facto de eu ter estado com ele muitas vezes. N\u00e3o \u00e9 propriamente uma pessoa que nunca tenha visto, que nunca tenha sentido pr\u00f3ximo de mim. E acho que a descri\u00e7\u00e3o que fa\u00e7o daquele encontro de 2006 fala um bocadinho disso tamb\u00e9m. Foi muito sentido, tamb\u00e9m porque ele no fundo estava a p\u00f4r um ponto final num per\u00edodo da Hist\u00f3ria que me parecia relativamente positivo. Despertou em mim uma grande desilus\u00e3o, se quiser, e tristeza, em \u00faltima an\u00e1lise. E pensei na minha gera\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 cinco anos mais velho do que eu, n\u00e3o \u00e9 muito velho. Ainda vai estar ali algum tempo [risos]. E pensei nos meus filhos, pensei nos meus netos: \u201cO que \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1 a fazer com esta invas\u00e3o?\u201d Acho que essa nota sintetiza um bocadinho a import\u00e2ncia da invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia para as pessoas da minha gera\u00e7\u00e3o, que viveram todo o ciclo desde a ditadura em Portugal \u00e0 entrada da Uni\u00e3o Europeia, ao fim do Muro de Berlim, ao fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e, digamos, ao princ\u00edpio daquela ideia do fim da Hist\u00f3ria. Tudo isso desabou nessa noite de alguma maneira.<\/p>\n<p><strong>Foi um segundo 11 de Setembro?<\/strong><br \/>Sim, \u00e9 um segundo 11 de Setembro. O 11 de Setembro e o 24 de fevereiro s\u00e3o os dois\u2026 no ingl\u00eas escrevi \u201cbookends\u201d \u2014 n\u00e3o descobri, ali\u00e1s, tradu\u00e7\u00e3o para essa palavra. Os bookends s\u00e3o aquelas duas coisas que aguentam os livros nas estantes; o princ\u00edpio e o fim de um per\u00edodo. E por isso essa nota pessoal que, obviamente, n\u00e3o enviei a ningu\u00e9m, mas que achei por bem incluir no livro, porque acho que sintetiza um bocadinho a impress\u00e3o que tive naquela noite. Acordei por acaso dez minutos depois daquilo [a invas\u00e3o] ter come\u00e7ado. Estava sozinho em Londres. Aquilo tudo tem uma parte de um imagin\u00e1rio\u2026 \u00c9 um fim, um fim de um ciclo de alguma maneira.<\/p>\n<p><strong>Um otimismo que acabava em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia de Putin. Teve os seus encontros com ele. Diz que j\u00e1 na altura ele mostrava aqueles agravos, aquelas queixas, mas mesmo assim o embaixador ainda mantinha um certo otimismo.<br \/><\/strong>Sim, n\u00e3o era s\u00f3 eu. A Uni\u00e3o Europeia investiu muito na rela\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia nessa altura. Era o \u00fanico pa\u00eds com quem t\u00ednhamos duas cimeiras por ano, da\u00ed o n\u00famero t\u00e3o grande de encontros que tive com ele. Portanto, est\u00e1vamos a investir bastante. Havia uma corrente dentro da R\u00fassia que queria modernizar a R\u00fassia. O tempo mais otimista, mais positivo, que nos encorajou mais, foi a presen\u00e7a do senhor [Dmitry] Medvedev [Presidente russo entre 2008 e 2012], apesar da invas\u00e3o da Ge\u00f3rgia. Havia ali uma sensa\u00e7\u00e3o de que se poderia construir alguma coisa com a R\u00fassia. Acho que em rela\u00e7\u00e3o a R\u00fassia temos de perceber uma coisa essencial: n\u00e3o podemos mudar a geografia. Eles v\u00e3o ser sempre o nosso grande vizinho de leste. E ou temos uma rela\u00e7\u00e3o m\u00e1, ou temos uma rela\u00e7\u00e3o assim-assim ou temos uma rela\u00e7\u00e3o boa \u2014 mas vamos ter sempre uma rela\u00e7\u00e3o. Eles v\u00e3o sempre determinar largamente a nossa seguran\u00e7a, v\u00e3o ter uma influ\u00eancia importante. As duas economias s\u00e3o claramente complementares. E do outro lado temos a China. Portanto esta gest\u00e3o da Eur\u00e1sia n\u00e3o se faz sem a R\u00fassia. Estamos condenados a viver ao lado da R\u00fassia e, nessa altura, a nossa ideia era \u201cVamos fazer disto uma rela\u00e7\u00e3o menos m\u00e1 e uma rela\u00e7\u00e3o mais segura e mais promissora\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jo\u00e3o Vale de Almeida \u00e9 um dos principais diplomatas que a Uni\u00e3o Europeia (UE) j\u00e1 teve. 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