{"id":169255,"date":"2025-11-29T11:26:15","date_gmt":"2025-11-29T11:26:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/169255\/"},"modified":"2025-11-29T11:26:15","modified_gmt":"2025-11-29T11:26:15","slug":"serie-traz-a-melhor-recriacao-dos-gigantes-da-era-do-gelo-29-11-2025-reinaldo-jose-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/169255\/","title":{"rendered":"S\u00e9rie traz a melhor recria\u00e7\u00e3o dos gigantes da Era do Gelo &#8211; 29\/11\/2025 &#8211; Reinaldo Jos\u00e9 Lopes"},"content":{"rendered":"<p>O que vou dizer pode parecer masoquismo, mas h\u00e1 algo de maravilhoso na experi\u00eancia de olhar para uma tela e ser incapaz de reconhecer o que est\u00e1 ali, principalmente quando se trata de um bicho deslumbrante que voc\u00ea j\u00e1 deveria ter visto antes. Meu orgulho de nerd da Era do Gelo saiu derrotado, mas acho que sa\u00ed ganhando: estava diante de uma representa\u00e7\u00e3o totalmente nova de um unic\u00f3rnio da vida real.<\/p>\n<p>Para ser mais exato, refiro-me ao &#8220;unic\u00f3rnio siberiano&#8221;, batizado por cientistas menos rom\u00e2nticos com o nome de Elasmotherium, que viveu at\u00e9 40 mil anos atr\u00e1s. As reconstru\u00e7\u00f5es tradicionais do bich\u00e3o de 5 toneladas conferiam-lhe um chifre de quase 1,8 m de comprimento. Seria f\u00e1cil reconhec\u00ea-lo com tamanha lan\u00e7a encarapitada na fronte. Mas os dados paleontol\u00f3gicos mais recentes indicam que o chifre na testa n\u00e3o passava de um calomb\u00e3o oco, deixando o monstro irreconhec\u00edvel.<\/p>\n<p>O m\u00e9rito de n\u00e3o apostar na representa\u00e7\u00e3o mais pop (ao contr\u00e1rio dos fabricantes de dinossauros de brinquedo, os quais raramente tem colh\u00f5es para cobri-los de penas&#8230;) \u00e9 todo da equipe de &#8220;Planeta Pr\u00e9-Hist\u00f3rico: Era do Gelo&#8221;, s\u00e9rie de document\u00e1rios que acaba de ficar dispon\u00edvel na plataforma de streaming <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/apple\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Apple<\/a> TV.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que, nas duas temporadas anteriores, os produtores da s\u00e9rie tinham jogado f\u00e1cil, apostando nos suspeitos de sempre da fauna pr\u00e9-hist\u00f3rica (dinossauros e companhia, \u00e9 claro). Mas a Era do Gelo ou Pleistoceno, que durou de 2,58 milh\u00f5es de anos at\u00e9 11,7 mil anos atr\u00e1s, tem seus pr\u00f3prios atrativos.<\/p>\n<p>&#8220;Por um lado, \u00e9 um al\u00edvio perto do desafio de tentar recriar dinossauros&#8221;, disse-me o brit\u00e2nico Mike Gunton, produtor-executivo da s\u00e9rie e diretor da Unidade de Hist\u00f3ria Natural da rede BBC. &#8220;Costumamos esquecer que n\u00f3s tamb\u00e9m fomos criaturas da Era do Gelo: nossos ancestrais viram esses animais e at\u00e9 desenharam alguns&#8221;, lembra ele. &#8220;A quantidade de evid\u00eancias sobre eles \u00e9 imensa, alguns ficaram mumificados \u2013s\u00e3o quase esp\u00e9cies contempor\u00e2neas.&#8221;<\/p>\n<p>Os cinco epis\u00f3dios da temporada, ademais, t\u00eam um atrativo especial para um espectador brasileiro: estamos falando de bichos que deveriam ser conhecidos de todo mundo que \u00e9 portador de um CPF. Faz pouqu\u00edssimo tempo \u2013ao menos em termos geol\u00f3gicos\u2013 que a chapada Diamantina, os pampas do Rio Grande do Sul ou o que um dia seria o centro de Bras\u00edlia estavam repletos de parentes dos tatus do tamanho de um Fusca, de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2025\/05\/extincao-de-preguicas-na-era-do-gelo-pode-estar-ligada-a-um-superpredador-os-humanos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\">pregui\u00e7as do tamanho de um elefante<\/a> e do maior<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/ciencia\/2020\/11\/analise-de-dna-reforca-tese-de-que-dentes-de-sabre-nunca-foram-tigres-ou-mesmo-felinos.shtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"\"> dente-de-sabre<\/a> de todos os tempos (Smilodon populator) tentando ca\u00e7ar ambos.<\/p>\n<p>O trio, \u00e9 claro, est\u00e1 entre as estrelas da s\u00e9rie, com uma representa\u00e7\u00e3o maravilhosamente ousada da pregui\u00e7a-gigante, sem pelos no corpo, numa floresta tropical, comendo os frutos redondos de 25 cm de di\u00e2metro (e 1 kg de peso!) do abric\u00f3-de-macaco, tamb\u00e9m conhecido em ingl\u00eas como &#8220;\u00e1rvore-bala-de-canh\u00e3o&#8221;, por motivos \u00f3bvios.<\/p>\n<p>E alguns bichos simplesmente parecem ter sa\u00eddo de um ecossistema de &#8220;Star Wars&#8221;. O melhor exemplo brasileiro \u00e9 a Macrauchenia, outrora comparada a uma lhama gigante de tromba, mas que, na computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica da s\u00e9rie, ganhou um hil\u00e1rio focinho infl\u00e1vel. Ou o le\u00e3o-marsupial Thylacoleo, da Austr\u00e1lia, uma vers\u00e3o assustadoramente carn\u00edvora dos coalas.<\/p>\n<p>Os bastidores da s\u00e9rie no final de cada epis\u00f3dio contextualizam de forma eficiente a <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/folha-topicos\/ciencia\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">ci\u00eancia<\/a> por tr\u00e1s das cenas impactantes \u2013inclusive o poss\u00edvel papel do Homo sapiens no fim daquele mundo de gigantes. A imagina\u00e7\u00e3o capaz de devolver a eles a vida nas telas precisa ser capaz de salvar tamb\u00e9m os muitos gigantes de carne e osso que ainda restam.<\/p>\n<p class=\"c-context__content\">&#13;<br \/>\n    <strong>LINK PRESENTE:<\/strong> Gostou deste texto? 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