{"id":169819,"date":"2025-11-29T20:47:30","date_gmt":"2025-11-29T20:47:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/169819\/"},"modified":"2025-11-29T20:47:30","modified_gmt":"2025-11-29T20:47:30","slug":"salario-minimo-o-sacrificio-de-manuel-no-luxemburgo-para-enviar-200-euros-mes-para-os-filhos-em-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/169819\/","title":{"rendered":"Sal\u00e1rio m\u00ednimo. O sacrif\u00edcio de Manuel no Luxemburgo para enviar 200 euros\/m\u00eas para os filhos em Portugal"},"content":{"rendered":"<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">Manuel S. est\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas anos no Luxemburgo. A separa\u00e7\u00e3o, ao fim de 14 anos de casamento, levou-o a emigrar sozinho, aos 39 anos, para ter um sal\u00e1rio melhor do que em Portugal, poder pagar as pens\u00f5es dos dois filhos e, quem sabe, juntar um p\u00e9 de meia. \u201cPura ilus\u00e3o\u201d, desabafa. Diz viver com sacrif\u00edcios para conseguir mensalmente \u201cdar algum dinheiro\u201d aos filhos. O pouco que sobra junta para as viagens, espor\u00e1dicas, ao pa\u00eds natal, e espera pelas \u201calturas mais baratas, para matar saudades dos meninos\u201d. <\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">\u201cN\u00e3o conhecia aqui ningu\u00e9m no Luxemburgo e vim \u00e0 procura de um sal\u00e1rio melhor. \u00a0Nunca pensei \u00e9 que fosse t\u00e3o dif\u00edcil viver com o sal\u00e1rio m\u00ednimo no pa\u00eds mais rico da Europa. \u00c9 uma desilus\u00e3o. O dinheiro n\u00e3o chega para o custo de vida\u201d, come\u00e7a por contar ao Contacto, numa manh\u00e3 cedo, antes de entrar ao trabalho, nas limpezas no exterior de uma superf\u00edcie comercial. Um trabalho \u201c\u00e0 chuva, neve e frio gelado\u201d e onde folga \u201capenas ao domingo\u201d.<\/p>\n<blockquote class=\"Quote_quote__blockquote__wJphc\">\n<p class=\"Quote_quote__paragraph__H8qAa\">Aqui, nem me lembro da \u00faltima vez que fui a um caf\u00e9&#8230; O dinheiro est\u00e1 todo contado, para sobrar algum para os filhos<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Manuel S.<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">Em Portugal, era feirante e o sal\u00e1rio m\u00ednimo que ganhava sempre dava para pagar as contas e \u201cat\u00e9 ir ao caf\u00e9 e conviver com amigos\u201d, conta. \u201cAqui, nem me lembro da \u00faltima vez que fui a um caf\u00e9&#8230; O dinheiro est\u00e1 todo contado. Mesmo com a vida de sacrif\u00edcio e com o cinto cada vez mais apertado s\u00f3 consigo enviar 100 ou 120 euros para cada filho, para a menina de cinco anos e para o rapaz de 18, que j\u00e1 est\u00e1 na faculdade\u201d, declara. O pouco dinheiro junta-se aos abonos dos meninos do Luxemburgo que envia tamb\u00e9m. \u201cS\u00e3o 200 euros por cada um. Muito superior ao de Portugal, e isso, pelo menos, \u00e9 positivo\u201d, repara.<\/p>\n<p>Solid\u00e3o \u201ccada vez mais dif\u00edcil de suportar\u201d<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">No Luxemburgo, faz uma vida r\u00edgida, nem nunca sai para conviver socialmente.\u00a0At\u00e9 porque, diz, n\u00e3o tem amigos no Luxemburgo. \u201cN\u00e3o tenho dinheiro para ter vida social. Nunca saio. Vivo apenas entre a casa e o trabalho\u201d, diz. Uma solid\u00e3o que \u201ccada vez \u00e9 mais dif\u00edcil de suportar\u201d e maiores s\u00e3o as \u201csaudades\u201d dos seus.<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">\u201cSinceramente, j\u00e1 desisti de fazer amigos aqui. N\u00e3o sei falar as l\u00ednguas do pa\u00eds, sobretudo franc\u00eas. E, infelizmente, sinto que h\u00e1 muitos portugueses que aqui est\u00e3o h\u00e1 muitos anos olham para quem chega com um ar superior\u201d, sublinha. <\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">Manuel S. sabia que n\u00e3o seria f\u00e1cil iniciar uma vida no Luxemburgo, um pa\u00eds totalmente desconhecido e com idiomas que n\u00e3o domina. \u201cMas, nunca pensei ser t\u00e3o dif\u00edcil\u201d, admite. Por sorte, quando estava \u201cj\u00e1 quase a passar a dormir no carro\u201d, uma conhecida da sua terra natal cruzou-se com ele e ajudou-o. \u00a0\u201cEssa senhora ficou surpreendida quando me viu aqui e gra\u00e7as a ela tenho emprego\u201d. <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.contacto.lu\/luxemburgo\/construcao.-portugueses-estao-a-deixar-as-obras-no-luxemburgo-para-voltar-a-trabalhar-em-portugal\/107701632.html\" class=\"RelatedTeaser_related-teaser__w3AgI RelatedTeaser_related-teaser--image__GJcRr read-more_withImage__1YJa_\" data-article-id=\"107701632\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><\/p>\n<p>Ler mais:Constru\u00e7\u00e3o. Portugueses est\u00e3o a deixar as obras no Luxemburgo para voltar a trabalhar em Portugal<\/p>\n<p><\/a>Sal\u00e1rio de 2.400 euros: 1.200 euros s\u00e3o para a renda<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">O portugu\u00eas j\u00e1 n\u00e3o precisa de l\u00e1pis e papel para as contas. Sabe tudo o que gasta de cor: ganha o sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o qualificado, 2.700 brutos, trazendo para casa 2.400 euros. \u201cA renda da casa \u00e9 1.200 euros e agora tenho casa porque procurei fora do Luxemburgo, vivo numa cidade alem\u00e3 fronteiri\u00e7a. Antes vivia num quarto. A renda mais as despesas fixas da casa levam-me mais de metade do sal\u00e1rio\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">Como come\u00e7a a trabalhar ao meio-dia, Manuel S. come \u201cqualquer coisa em casa\u201d, e diz que \u201cdepois l\u00e1 d\u00e3o o lanche\u201d. Sai pelas 19h30 e \u00e0 noite janta uma sopa. \u201cN\u00e3o passo fome, at\u00e9 porque sou de comer pouco, mas aperto o cinto. S\u00f3 assim consigo que sobre dinheiro para os filhos\u201d, frisa. <\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">J\u00e1 nem sequer tem carro. \u201cPrecisa de um arranjo de 3.000 euros, que n\u00e3o tenho, pelo que decidi vend\u00ea-lo. Pagaram-me apenas 500 euros por ele\u201d. Agora anda de bicicleta, diz ter sorte do trabalho n\u00e3o ser muito longe de casa.<\/p>\n<p>\u201cTodo o dinheiro \u00e9 poupado\u201d<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">\u201cTodo o dinheiro \u00e9 poupado\u201d, sublinha. Este ano, tal como nos dois anteriores, vai passar o Natal e Ano Novo sozinho no seu apartamento: \u201cN\u00e3o consigo ir a Portugal para passar com a fam\u00edlia. N\u00e3o tenho 300 euros para os bilhetes nesta altura\u201d. Contudo, j\u00e1 tem viagem marcada para meados de janeiro. \u201cVou porque consegui comprar uma viagem a 53 euros e vou l\u00e1 passar uma semana, ver a fam\u00edlia. S\u00f3 assim consigo ir l\u00e1\u201d. <\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">Compensa, afinal, estar imigrado no Luxemburgo? A resposta sai honesta. \u201cSe formos a ver, \u00e9 quase a mesma coisa. Por exemplo, l\u00e1, como disse, tinha o h\u00e1bito de ir ao caf\u00e9 todos os dias. E convivia com amigos. \u00a0Aqui, a ganhar o sal\u00e1rio m\u00ednimo e com as despesas que tenho, se fosse frequentar o caf\u00e9 e fazer noitadas com amigos, o dinheiro n\u00e3o chegava ao fim do m\u00eas\u201d. <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.contacto.lu\/economia\/luxemburgo.-como-e-que-o-pais-dos-salarios-mais-altos-tem-os-trabalhadores-mais-pobres-da-ue\/93310761.html\" class=\"RelatedTeaser_related-teaser__w3AgI RelatedTeaser_related-teaser--image__GJcRr read-more_withImage__1YJa_\" data-article-id=\"93310761\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><\/p>\n<p>Ler mais:Luxemburgo. Como \u00e9 que o pa\u00eds dos sal\u00e1rios mais altos tem os trabalhadores mais pobres da UE?<\/p>\n<p><\/a><\/p>\n<blockquote class=\"Quote_quote__blockquote__wJphc\">\n<p class=\"Quote_quote__paragraph__H8qAa\">N\u00e3o sou feliz no Luxemburgo, vivo sozinho, afastado dos meus filhos, mas tenho de continuar por c\u00e1.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Manuel S.<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">Manuel S. reconhece que em Portugal, a ganhar menos \u201cera feliz\u201d e tinha \u201cmais qualidade de vida\u201d. \u201cN\u00e3o sou feliz no Luxemburgo, vivo sozinho, afastado dos meus filhos, mas tenho de continuar por c\u00e1, mais dois ou tr\u00eas anos. Vivo assim, s\u00f3 pelos meus filhos\u201d. <\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">Separado, a vida em Portugal seria mais complicada: \u201cComo \u00e9 que a ganhar o sal\u00e1rio m\u00ednimo portugu\u00eas de 800 euros conseguia pagar renda de casa, despesas e as pens\u00f5es dos filhos? Aqui consigo enviar algum dinheiro, passo mais mal, mas sempre sobra alguma coisa para eles\u201d.<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">Pela primeira vez, Manuel S. sorri e garante: \u201cSe o sal\u00e1rio m\u00ednimo em Portugal aumentasse para 1.100 euros regressava j\u00e1. Nem pensava duas vezes. Uma casa como esta onde vivo aqui, na minha terra em Portugal, a renda \u00e9 de 300 euros, aqui \u00e9 1.200. Conseguia viver l\u00e1 com 1.100 euros\u201d. <\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">Confessa que gostava de aprender a falar franc\u00eas, para poder melhorar a sua situa\u00e7\u00e3o, mas \u201ca escola gratuita \u00e9 s\u00f3 em Wiltz, fica longe, e eu saio tarde do trabalho\u201d. \u201cN\u00e3o falo a l\u00edngua, mas compreendo tudo o que dizem. \u00c9 mau viver num pa\u00eds sem falar um dos idiomas nacionais\u201d.<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-lg-default__8QZrI articleParagraph\">A quem, como ele, que s\u00f3 tem a \u201cescolaridade m\u00ednima\u201d, Manuel S. aconselha \u201ca n\u00e3o emigrar para o Luxemburgo\u201d. \u201cOs portugueses que t\u00eam estudos superiores e carreira qualificada, como m\u00e9dicos, dentistas, e saibam falar franc\u00eas, podem vir para c\u00e1, que ganham muito bem. Vale a pena. Agora, quem s\u00f3 pode ganhar o sal\u00e1rio m\u00ednimo, desaconselho vivamente. \u00c9 uma luta dura\u201d. <\/p>\n<p>Newsletter O PRIMEIRO CONTACTO<\/p>\n<p class=\"Paragraph_paragraph__exhQA Paragraph_paragraph--default-sm-default__jy0uG _description_r7y8f_14\">As principais not\u00edcias, reportagens e opini\u00f5es para come\u00e7ar o dia.<\/p>\n<p>Sie k\u00f6nnen sich jederzeit wieder abmelden, wenn Sie das  m\u00f6chten. Weitere Informationen finden Sie in unserer <a class=\"LinkText_link-text__4lolN _link_f4sen_6\" href=\"https:\/\/www.aachener-zeitung.de\/anonym\/datenschutzerklaerung\/3222071.html\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener\">Datenschutzrichtlinie<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Manuel S. est\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas anos no Luxemburgo. 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