{"id":170195,"date":"2025-11-30T04:04:25","date_gmt":"2025-11-30T04:04:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/170195\/"},"modified":"2025-11-30T04:04:25","modified_gmt":"2025-11-30T04:04:25","slug":"de-manha-para-a-tarde-como-marcelo-mudou-de-ideias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/170195\/","title":{"rendered":"De manh\u00e3 para a tarde, como Marcelo mudou de ideias"},"content":{"rendered":"<p>As celebra\u00e7\u00f5es do 25 de Novembro de 2025 tiveram momentos n\u00e3o propriamente antag\u00f3nicos, mas distintos, e o Presidente da Rep\u00fablica esteve em todos. Logo de manh\u00e3, na parada militar no Terreiro do Pa\u00e7o, a meio da manh\u00e3 na Assembleia da Rep\u00fablica e, \u00e0 tarde, na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, no semin\u00e1rio <strong>25 de Novembro, 50 anos depois<\/strong>, promovido pela comiss\u00e3o oficial dos 50 anos do 25 de Abril. E Marcelo Rebelo de Sousa disse o mesmo em cada um destes momentos? N\u00e3o.<\/p>\n<p>Falar do 25 de Novembro, seja em 1975 ou em 2025, \u00e9 falar tamb\u00e9m de <strong>\u00abtrincheiras\u00bb<\/strong>, express\u00e3o usada por Aguiar-Branco. E falar de trincheiras leva-nos inevitavelmente \u00e0 ideia de que, ontem como hoje, h\u00e1 vencedores e vencidos.<\/p>\n<p>Em 2025, venceu a agenda de direita, que hoje domina o Parlamento, as rosas brancas sobrepuseram-se aos cravos vermelhos. Venceu Nuno Melo e o CDS, que, mais do que outros, dentro do Governo e no Parlamento, fizeram quest\u00e3o de comemorar a data. No final das cerim\u00f3nias, o ministro da Defesa, acompanhado pelos parlamentares do partido eleitos nas listas da AD, sublinhou com o entusiasmo poss\u00edvel uma op\u00e7\u00e3o que claramente dividiu os portugueses, mas que, no entanto, deu espa\u00e7o ao CDS nas <strong>\u00abtens\u00f5es no campo da representa\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria da direita\u00bb<\/strong>, disse-nos o polit\u00f3logo Ant\u00f3nio Costa Pinto, acrescentando que <strong>\u00abativar o 25 de Novembro\u00bb<\/strong> \u00e9 tamb\u00e9m uma tentativa do CDS fazer frente \u00e0 direita mais radical, que lhe toma o espa\u00e7o e o discurso.<\/p>\n<p>Podemos dizer, ent\u00e3o, que venceu a agenda de direita, mas n\u00e3o venceu a direita, tamb\u00e9m porque o espa\u00e7o \u00e0 direita da direita est\u00e1 escancarado para Andr\u00e9 Ventura.<\/p>\n<p><strong>\u00abO 25 de Novembro n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 hist\u00f3ria\u00ab<\/strong>, disse Andr\u00e9 Ventura a partir da tribuna,<strong> \u00ab\u00e9 a resist\u00eancia a um projeto que queria mudar o pa\u00eds\u00bb<\/strong>. Mas o pa\u00eds mudou \u2013 mudou em democracia \u2013 e criou a possibilidade de um partido de extrema-direita ser hoje a segunda for\u00e7a mais votada no Parlamento. N\u00e3o \u00e9 garantido que Andr\u00e9 Ventura e o Chega fa\u00e7am parte dos vencedores do 25 de Novembro de 2025. Um l\u00edder que evoca os 900 anos da Hist\u00f3ria de Portugal com enviesamento e ressentimento, que transforma a data do 25 de Novembro num arraial hist\u00f3rico, pode ser considerado um eficaz demagogo, dificilmente um vencedor.<\/p>\n<p><strong>\u00abSe esta comemora\u00e7\u00e3o se ritualizar regularmente, com o mesmo simbolismo das celebra\u00e7\u00f5es do 25 de Abril, se tiver um estatuto equivalente, alguns dos vencidos do 25 de Novembro de 1975 s\u00e3o hoje vencedores\u00bb<\/strong>, disse ao Nascer do SOL Ant\u00f3nio Costa Pinto, acrescentando que estas celebra\u00e7\u00f5es <strong>\u00abnos dizem mais sobre o presente do que sobre o passado\u00bb<\/strong>, recordando que a direita teve um papel muito importante na mobiliza\u00e7\u00e3o popular, na cria\u00e7\u00e3o de uma fa\u00e7\u00e3o anticomunista, na tens\u00e3o que dividiu o Norte do Sul do pa\u00eds, em que a moca de Rio Maior emerge como s\u00edmbolo. E lembra ainda que o Parlamento tem entre os seus vice-presidentes Pacheco de Amorim, um operacional do MDLP. Se o grande vencedor civil do 25 de Novembro \u00e9 M\u00e1rio Soares e o PS, tamb\u00e9m \u00e9 incontest\u00e1vel que o PS, na firme oposi\u00e7\u00e3o ao PCP, contou com a mobiliza\u00e7\u00e3o popular da Igreja e da direita anticomunista.<\/p>\n<p>No Largo do Rato, nessa ter\u00e7a-feira, no final de uma cerim\u00f3nia evocativa da data, em que intervieram Manuel Pedroso Marques, Isabel Soares, numa interven\u00e7\u00e3o v\u00edvida, Manuel Alegre, que disse <strong>\u00abque n\u00e3o viu ningu\u00e9m da direita\u00bb<\/strong>, e Jos\u00e9 Lu\u00eds Carneiro, o secret\u00e1rio-geral do PS afirmou:<strong> \u00abContinuaremos a celebrar o 25 de Novembro e libertaremos a data do espartilho em que a quiseram colocar este ano\u00bb<\/strong>, assumindo assim implicitamente que o PS n\u00e3o foi um dos vencedores do 25 de Novembro de 2025.<\/p>\n<p><strong>\u00abEvocar o 25 de Novembro \u00e9 evocar quem lutou pela democracia que hoje temos, \u00e9 lembrar que n\u00e3o devemos dar a democracia por adquirida, \u00e9 ensinar que a democracia liberal \u00e9 \u2013 e continuar\u00e1 a ser \u2013 o \u00fanico sistema que permite espa\u00e7o para quem prop\u00f5e sess\u00f5es solenes, para quem se op\u00f5e a sess\u00f5es solenes e at\u00e9 mesmo para quem se recusa a estar presente em sess\u00f5es solenes\u00bb<\/strong>, disse o Presidente da AR, Jos\u00e9 Pedro Aguiar-Branco.<\/p>\n<p>Aguiar-Branco falava do PCP, que nesse mesmo dia justificava a aus\u00eancia do partido: <strong>\u00abO PCP n\u00e3o compactua com a opera\u00e7\u00e3o em curso de utiliza\u00e7\u00e3o do 25 de Novembro para p\u00f4r em causa o 25 de Abril, n\u00e3o alinha na reescrita da hist\u00f3ria, nem alinha com os saudosistas do passado fascista\u00bb<\/strong>, disse a deputada comunista Paula Santos.<\/p>\n<p>E Aguiar-Branco disse tamb\u00e9m que <strong>\u00ab\u00e9 estranho ouvir dizer que o 25 de Novembro \u00e9 uma data que divide\u00bb<\/strong>. Dito isto, olhou para o futuro, para os jovens nas galerias, e falou para eles.<\/p>\n<p><strong>\u00abO mundo como o conhecem, o pa\u00eds como o conhecem, est\u00e1 prestes a mudar\u00bb<\/strong> e essa mudan\u00e7a <strong>\u00absurgir\u00e1 mais depressa do que cada um de n\u00f3s possa prever\u00bb<\/strong>. E falou de um fil\u00f3sofo \u2013 na verdade, de um verso da can\u00e7\u00e3o <strong>Beautiful Boy<\/strong> (<strong>Darling Boy<\/strong>), de John Lennon: <strong>\u00abLife is what happens to you while you\u2019re busy making other plans\u00bb.<\/strong><\/p>\n<p>E foram muitos os que ficaram perplexos com o discurso do PR, em plena guerra das rosas e dos cravos. Marcelo come\u00e7ou por dizer que \u00e9 pouco importante quem, h\u00e1 50 anos, saiu derrotado, porque quem venceu foi a p\u00e1tria. E passou para a evoca\u00e7\u00e3o de D. Pedro, pr\u00edncipe do Reino e Duque de Coimbra, <strong>\u00abque morreria \u00e0s m\u00e3os de um sobrinho\u00bb<\/strong>, mas que acreditava que <strong>\u00aba maior virtude era a temperan\u00e7a\u00bb<\/strong>.<\/p>\n<p>Dito de outro modo, o Presidente da Rep\u00fablica fugiu ao assunto. Podemos pensar que o pr\u00edncipe D. Pedro e a carta de Bruges, de 1426, fazem parte de um momento da Hist\u00f3ria de Portugal em que duas vis\u00f5es do pa\u00eds se confrontaram. D. Pedro, como o irm\u00e3o D. Duarte, era um pr\u00edncipe culto, um reformista, que tomou medidas relevantes, ainda que num ambiente de enorme tens\u00e3o pol\u00edtica, quando exerceu a reg\u00eancia em nome do sobrinho, D. Afonso V, mais truculento e inst\u00e1vel, mais dado \u00e0 guerra e menos \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do reino. A Batalha de Alfarrobeira, que colocou dos dois lados das trincheiras tio e sobrinho, e que culminou com a derrota do Duque de Coimbra, \u00e9 isso mesmo: uma batalha. No \u00faltimo discurso na Assembleia da Rep\u00fablica, Marcelo Rebelo de Sousa quis deixar outro recado, que n\u00e3o o da <strong>\u00abtemperan\u00e7a\u00bb<\/strong>, mas justamente um alerta para a destemperan\u00e7a dos tempos que a\u00ed v\u00eam?<\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Costa Pinto disse-nos que \u00e9 bem mais simples: <strong>\u00abDe manh\u00e3, no seu \u00faltimo discurso oficial, perante o Parlamento, Marcelo ignorou o tema e fez um apelo informal \u00e0 unidade nacional<\/strong>\u00bb, e,<strong> \u00ab\u00e0 tarde, na Gulbenkian, fez um discurso em que se demarcou e, de forma discreta, optou pelas interpreta\u00e7\u00f5es mais consensuais do 25 de Novembro<\/strong>\u00bb, mantendo a ideia de que foi um passo decisivo para a democracia liberal, ainda que n\u00e3o se confunda com o 25 de Abril, o momentum de liberdade e democracia da nossa hist\u00f3ria recente.<\/p>\n<p><strong>Eanes agradece a Marcelo mas recusa marechalato<\/strong><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Ramalho Eanes recusa <strong>\u00abem definitivo\u00bb<\/strong> a promo\u00e7\u00e3o a marechal, que Marcelo Rebelo de Sousa insistiu ser-lhe mais do que devida na sess\u00e3o solene evocativa do 25 de Novembro na Assembleia da Rep\u00fablica. <strong>\u00abAgrade\u00e7o muito sensibilizado ao Senhor Presidente da Rep\u00fablica as suas palavras e insist\u00eancia na minha promo\u00e7\u00e3o, mas as condi\u00e7\u00f5es que me levaram a resusar no passado mant\u00eam-se inalteradas, pelo que recuso em definitivo essa possibilidade\u00bb<\/strong>, declarou o antigo Presidente da Rep\u00fablica ao Nascer do SOL. O general acrescentou que a sua recusa afasta igualmente uma <strong>\u00abqualquer tentativa de promo\u00e7\u00e3o a marechal<\/strong> <strong>futura\u00bb<\/strong>, ou seja, mesmo a t\u00edtulo p\u00f3stumo, e fez quest\u00e3o de frisar: <strong>\u00abJ\u00e1 dei instru\u00e7\u00f5es aos meus filhos\u00bb<\/strong> nesse sentido.<\/p>\n<p>Ramalho Eanes sempre recusou o bast\u00e3o de bacharelato que, como Marcelo lembrou, no p\u00f3s-25 de Abril, foi atribu\u00eddo aos generais que exerceram as fun\u00e7\u00f5es de Presidente da Rep\u00fablica, Costa Gomes e Ant\u00f3nio de Sp\u00ednola.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de Marcelo, tamb\u00e9m o secret\u00e1rio-geral do PS, Jos\u00e9 Lu\u00eds Carneiro, defendeu que Ramalho Eanes devia reconsiderar e aceitar a promo\u00e7\u00e3o a marechal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"As celebra\u00e7\u00f5es do 25 de Novembro de 2025 tiveram momentos n\u00e3o propriamente antag\u00f3nicos, mas distintos, e o Presidente&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":170196,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[23642,27,28,15,16,14,25,26,21,22,588,12,13,19,20,4532,32,1963,23,24,33,35746,17,18,29,30,31],"class_list":{"0":"post-170195","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-portugal","8":"tag-25-de-novembro","9":"tag-breaking-news","10":"tag-breakingnews","11":"tag-featured-news","12":"tag-featurednews","13":"tag-headlines","14":"tag-latest-news","15":"tag-latestnews","16":"tag-main-news","17":"tag-mainnews","18":"tag-marcelo-rebelo-de-sousa","19":"tag-news","20":"tag-noticias","21":"tag-noticias-principais","22":"tag-noticiasprincipais","23":"tag-parlamento","24":"tag-portugal","25":"tag-presidente-da-republica","26":"tag-principais-noticias","27":"tag-principaisnoticias","28":"tag-pt","29":"tag-ramalho-eanes","30":"tag-top-stories","31":"tag-topstories","32":"tag-ultimas","33":"tag-ultimas-noticias","34":"tag-ultimasnoticias"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115636670909402948","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170195\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/170196"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}