{"id":170497,"date":"2025-11-30T11:56:11","date_gmt":"2025-11-30T11:56:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/170497\/"},"modified":"2025-11-30T11:56:11","modified_gmt":"2025-11-30T11:56:11","slug":"em-livro-fotografo-documenta-amazonia-onde-oncas-pescam-no-mar-e-aguas-se-misturam-a-campos-de-lama-quilometricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/170497\/","title":{"rendered":"Em livro, fot\u00f3grafo documenta Amaz\u00f4nia onde on\u00e7as pescam no mar e \u00e1guas se misturam a campos de lama quilom\u00e9tricos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\" content-text__container theme-color-primary-first-letter\" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Motivo de pol\u00eamica antes, durante e ap\u00f3s a COP30, devido \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o para a prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, a regi\u00e3o da foz do Rio Amazonas \u00e9, sobretudo, uma inc\u00f3gnita. L\u00e1 a natureza exibe for\u00e7a extraordin\u00e1ria e nenhuma gentileza. Ela esconde tesouros biol\u00f3gicos e minerais em \u00e1guas turvas e trai\u00e7oeiras, produz campos de lama profundos, quilom\u00e9tricos, intranspon\u00edveis; gera mar\u00e9s com f\u00f4lego de tsunami e cria animais \u00fanicos, como on\u00e7as-pintadas que pescam no Atl\u00e2ntico, e botos e peixes-boi mesti\u00e7os, criaturas meio de rio meio de mar. Um mundo que ganhou uma identidade visual em \u201cAmaz\u00f4nia Atl\u00e2ntica\u201d (C\u00e1tedra Unesco\/USP e Andrea Jakobsson), livro do fot\u00f3grafo Luciano Candisani, com lan\u00e7amento em dezembro. <\/p>\n<ul class=\"content-unordered-list\">\n<li><strong>Raduan Nassar, 90 anos:<\/strong> <a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/livros\/noticia\/2025\/11\/27\/raduan-nassar-90-anos-o-autor-de-uma-pequena-obra-na-qual-cabe-o-universo.ghtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">o autor de uma pequena obra na qual cabe o Universo<\/a><\/li>\n<li><strong>Resenha:<\/strong><a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/livros\/noticia\/2025\/11\/26\/resenha-indicado-pelo-clube-do-livro-de-oprah-winfrey-a-descida-e-um-romance-alinhado-as-questoes-do-nosso-tempo.ghtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"> Indicado pelo clube do livro de Oprah Winfrey, &#8216;A descida&#8217; \u00e9 um romance alinhado \u00e0s quest\u00f5es do nosso tempo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Candisani \u00e9 um dos fot\u00f3grafos de natureza mais experientes e respeitados do Brasil. Em mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de carreira, j\u00e1 fotografou todos os biomas brasileiros, esteve na Ant\u00e1rtica, na \u00c1sia e em alguns dos lugares mais selvagens da Terra. Mas o litoral da Amaz\u00f4nia se mostrou um desafio. Era preciso dar uma face a quem muda de rosto todos os dias e n\u00e3o se deixa ver sem exigir sacrif\u00edcios. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> O livro \u00e9 resultado de uma expedi\u00e7\u00e3o no in\u00edcio deste ano, iniciada na ilha de Marac\u00e1, no Amap\u00e1. De l\u00e1 ele seguiu para o estu\u00e1rio do Amazonas, de Macap\u00e1 a Bel\u00e9m, incluindo a Ilha de Maraj\u00f3. Depois, foi para o Leste, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fronteira do Par\u00e1 com o Maranh\u00e3o, para visitar comunidades costeiras encravadas na maior faixa cont\u00ednua de manguezais do mundo, com 679 quil\u00f4metros de linha de costa. <\/p>\n<p>      <img decoding=\"async\" class=\"content-media__image\"  src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1764503770_456_sem-titulo.jpg\" alt=\"Proje\u00e7\u00f5es gigantes, fluidas e em constante transforma\u00e7\u00e3o da lama na foz do Amazonas fotografadas por Luciano Candisani \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Luciano Candisani\" width=\"537\" height=\"646\" loading=\"lazy\"\/>  Proje\u00e7\u00f5es gigantes, fluidas e em constante transforma\u00e7\u00e3o da lama na foz do Amazonas fotografadas por Luciano Candisani \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Luciano Candisani       <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Candisani atolou na lama muitas vezes. Precisou recorrer com frequ\u00eancia ao drone. E o fez n\u00e3o apenas porque algumas \u00e1reas s\u00e3o intranspon\u00edveis a p\u00e9, de carro ou de barco, mas tamb\u00e9m porque \u00e9 tudo t\u00e3o imenso que, quase sempre, n\u00e3o se pode ver de outra forma, a n\u00e3o ser do alto. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 Mas foi justamente essa hostilidade da natureza que ajudou a manter a regi\u00e3o praticamente intocada, em constante transforma\u00e7\u00e3o e diversa. Queria oferecer uma identidade a esse ambiente t\u00e3o diferente do que se imagina como sendo Amaz\u00f4nia. Busquei uma est\u00e9tica que desse no\u00e7\u00e3o da magnitude colossal desse lugar extremo. Para isso, elegi s\u00edmbolos \u2014 afirma Candisani. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> As mar\u00e9s, as correntes marinhas e o volume de sedimentos despejados pelo Rio Amazonas fazem com que a paisagem do litoral mude de uma semana para a outra. <\/p>\n<ul class=\"content-unordered-list\">\n<li><strong>Resenha: <\/strong><a class=\"\" href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/noticia\/2025\/11\/22\/resenha-sem-nostalgia-cristovao-tezza-constroi-retrato-afetuoso-baseado-em-diarios-deixados-pelo-pai.ghtml\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Sem nostalgia, Cristov\u00e3o Tezza constr\u00f3i retrato afetuoso baseado em di\u00e1rios deixados pelo pai<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> O mais volumoso rio do mundo e a maior floresta tropical do planeta n\u00e3o se entregam com facilidade ao mar. A pluma de sedimentos do Amazonas chega a cobrir uma \u00e1rea de at\u00e9 1,5 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Em terra, se formam cabos lamosos, que s\u00e3o proje\u00e7\u00f5es gigantescas, fluidas e em constante transforma\u00e7\u00e3o da lama na foz do Rio Amazonas. Esses cabos s\u00e3o resultado da imensa carga de sedimentos (o equivalente a 20% de toda a descarga de rios do mundo) e moldados pelas correntes oce\u00e2nicas. S\u00e3o uma caracter\u00edstica marcante da geografia \u00fanica da regi\u00e3o e cruciais para seu ecossistema rico e complexo. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> As mar\u00e9s chegam a sete metros de amplitude, entre as maiores do mundo. Elas obrigam a fauna a se reinventar. Na Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica de Marac\u00e1-Jipioca (AP), uma unidade de conserva\u00e7\u00e3o federal, existe uma popula\u00e7\u00e3o de on\u00e7as-pintadas com um comportamento \u00fanico no Brasil. Elas se tornaram \u201cmarinhas\u201d. Aprenderam a ca\u00e7ar em \u00e1reas de mar\u00e9, onde perseguir a ca\u00e7a em lama\u00e7ais profundos exige habilidade quase sobrenatural. Tamb\u00e9m sabem pescar no mar, em \u00e1guas marrons e com fortes correntezas. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> O estu\u00e1rio amaz\u00f4nico \u00e9 uma regi\u00e3o de misturas ainda mal compreendidas pela ci\u00eancia. Dentre elas, poss\u00edveis h\u00edbridos de peixes-boi marinho e da Amaz\u00f4nia e do boto tucuxi (fluvial) com o cinza (marinho). <\/p>\n<p>       <img decoding=\"async\" class=\"content-media__image\"  src=\"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/1764503771_864_sem-titulo.jpg\" alt=\"Na regi\u00e3o onde a Amaz\u00f4nia encontra o oceano pode haver h\u00edbridos do tucuxi com o boto cinza, que vive no mar \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Luciano Candisani\" width=\"814\" height=\"539\" loading=\"lazy\"\/>  Na regi\u00e3o onde a Amaz\u00f4nia encontra o oceano pode haver h\u00edbridos do tucuxi com o boto cinza, que vive no mar \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Luciano Candisani       <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Por isso, o primeiro s\u00edmbolo retratado \u00e9 justamente a grande varia\u00e7\u00e3o de mar\u00e9s. Elas possuem pot\u00eancia para redesenhar a paisagem profundamente em quest\u00e3o de dias, seja por meio de pororocas, do alargamento ou eros\u00e3o da linha de costa. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> O segundo s\u00edmbolo, diz Candisani, \u00e9 a presen\u00e7a marcante de Reservas Extrativistas (Resex), onde h\u00e1 comunidades tradicionais que tiram seu sustento dos manguezais e do mar. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> O terceiro, a canoa \u00e0 vela, ainda muito comum na regi\u00e3o, mas em vias de desaparecimento em outras partes do pa\u00eds. H\u00e1 canoas de v\u00e1rios tipos. Mas todas dependem somente do vento e da habilidade do piloto. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 Elas est\u00e3o na ess\u00eancia do modo de vida tradicional que preserva a regi\u00e3o. Se fossem motorizadas, como as rabetas t\u00e3o comuns no restante da Amaz\u00f4nia, aquele ambiente n\u00e3o seria preservado assim \u2014 frisa Candisani. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> A pesca comercial em embarca\u00e7\u00f5es de pequeno porte, como traineiras, \u00e9 o quarto s\u00edmbolo visual: <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 Boa parte da pescada que comemos no Brasil vem desse litoral. A soma dessas pequenas partes resulta numa grande pescaria. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> Essa natureza crua est\u00e1 no limiar de uma decis\u00e3o. Poder\u00e1 ser conservada ou profundamente alterada, se o Brasil tomar ali o caminho de desenvolvimento convencional. E n\u00e3o apenas com o petr\u00f3leo, mas com uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es de infraestrutura, ressalta Candisani. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> \u2014 Essa regi\u00e3o s\u00f3 foi preservada devido \u00e0 dificuldade extrema de viver l\u00e1. Na hora em que isso mudar, ela tamb\u00e9m se transformar\u00e1 \u2014 acredita. <\/p>\n<p class=\" content-text__container \" data-track-category=\"Link no Texto\" data-track-links=\"\"> O ensaio fotogr\u00e1fico de Luciano Candisani \u00e9 acompanhado de textos do cientista oce\u00e2nico Alexander Turra, do cr\u00edtico de fotografia Eder Chiodetto e da geof\u00edsica Valdenira Ferreira dos Santos. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Motivo de pol\u00eamica antes, durante e ap\u00f3s a COP30, devido \u00e0 autoriza\u00e7\u00e3o para a prospec\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo, a&hellip;\n","protected":false},"author":2,"featured_media":170498,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[144],"tags":[207,205,206,203,201,202,204,114,115,32,33,679],"class_list":{"0":"post-170497","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-arte-e-design","8":"tag-arte","9":"tag-arte-e-design","10":"tag-artedesign","11":"tag-arts","12":"tag-arts-and-design","13":"tag-artsanddesign","14":"tag-design","15":"tag-entertainment","16":"tag-entretenimento","17":"tag-portugal","18":"tag-pt","19":"tag-reportagem"},"share_on_mastodon":{"url":"https:\/\/pubeurope.com\/@pt\/115638526867072808","error":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170497"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170497\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/170498"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.europesays.com\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}